26/12/2012

Resenha: Não me abandone jamais

Título: Não me abandone jamais
Autor: Kazuo Ishiguro
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 344

Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de "cuidadora". Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados. No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os "alunos" de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição. 
Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino - doar seus órgãos até "concluir". Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses "doadores", em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.

Vi a adaptação cinematográfica desde livro em 2011 e desde então ele está no topo dos meus desejados. Quando finalmente surgiu uma oportunidade de lê-lo, não pude deixar passar. Apesar de ter me decepcionado em algumas partes, tive uma grande surpresa, principalmente com a narrativa do autor.

Com um enredo totalmente inovador, Não me abandone jamais é considerado uma distopia, só que é melhor não ir esperando algo como Jogos Vorazes. O livro de Kazuo Ishiguro consegue através de algo aparentemente mórbido nos tocar com suas lições sobre o que é ser humano.

Me chamo Kathy H. Tenho trinta e um anos e sou cuidadora há mais de onze. Tempo demais, eu sei, mas eles querem que eu fique mais oito meses, até o fim do ano. O que dará quase exatos doze anos de serviço.Sei que o fato de ser cuidadora há tanto tempo não significa necessariamente que meu trabalho seja considerado fantástico. p. 9
O ponto alto do livro é a narrativa. Com uma narrativa em primeira pessoa do ponto de vista da Kathy H. com seus 31 anos, o livro todo é baseado nas suas memórias. Somos levados por sua infância na escola de Hailsham, por sua adolescência partilhada com Ruth e Tommy e por seus últimos anos como cuidadora. Todos esses fatos ficam se alternando, passado e presente contados ao mesmo tempo. A cada situação nos deparamos com perguntas sobre o que é certo e o que não é, sobre o que é feito e sobre o que deveria ser feito.

O livro demora um pouco para se desenrolar e isso até o deixa um pouco carregado para aqueles que não estão acostumados com o estilo de narrativa que mais escreve nas entrelinhas do que nas linhas propriamente ditas. É uma narrativa leve e que conta as coisas aos poucos, uma narrativa que pede paciência ao leitor.

Talvez o maior problema que eu tive com relação a esse livro foi ter visto o filme antes. É claro que sem ele muito provavelmente eu não teria lido o livro, mas isso fez com que grande parte da emoção do livro fosse perdida, até porque eu não tive aquela surpresa quando alguns fatos apareceram no livro.

Deve ser por isso que eu achei que o romance envolvido (não, não vou contar quem é o casal, ou os casais) um pouco forçado demais. Não senti a atmosfera de romance. E eu esperava bem mais nesse quesito do livro, uma vez que no filme isso é bem destacado. Uma baita decepção, mas que foi superada por todo o contexto geral de Não me abandone jamais.

A teoria de Tommy, no entanto, cheira demais a conspiração, no meu entender – não creio que nossos guardiões fossem tão habilidosos assim –, mas sem dúvida existe nela um fundo de verdade. De fato, parece que eu sempre soube das doações, ainda que de maneira muito vaga, mesmo com apenas seis ou sete anos de idade. E é curioso que, quando ficamos mais velhos e os guardiões vieram fazer aquelas preleções todas, nada constituísse surpresa total para nós. Era como se já tivéssemos escutado tudo antes, em algum lugar. p. 105
Para aqueles que têm a intenção de ler o livro sem nenhum spoiler, recomendo que passem longe de qualquer coisa relacionada ao filme. Até mesmo o próprio trailer conta em pouco mais de 2 minutos coisas que só ficamos sabendo em meados do livro.

Não é uma leitura que eu recomendaria para todos. Quem não está acostumado com um livro lento com certeza não vai apreciar a leitura e vai achá-lo chato, o que pra mim seria um desperdício enorme! Vão esperando algo que vai pedir muita sensibilidade e principalmente paciência do leitor, ok?

23/12/2012

4 filmes que todo mundo (re)vê no Natal

Olá pessoal! Essa última semana foi muito cheia, mas finalmente consegui ter um tempinho para vir aqui. :)
Aproveitando o clima natalino, nada melhor do que (re)ver alguns filmes com a temática, não é mesmo?
Selecionei quatro filmes que já se tornaram clássicos nos Natais de todas as casas. Vamos lá?

  • O Estranho Mundo de Jack

Pra mim esse é um dos melhores filmes de Natal de todos os tempos! Vamos ao primeiro fato: é um filme do Tim Burton. Só com isso já dá para saber a qualidade da produção, não é? 
Uma das coisas que mais me chamam atenção neste filme é que ele foge daqueles clichês de filmes de Natal em que o bom velhinho distribui brinquedos para as crianças e todo mundo fica feliz com isso no final. Não, vamos tentar algo novo: vamos sequestrar o Papai Noel! 
É exatamente essa a história de O Estranho Mundo de Jack. Após conhecer a festividade Natalina, Jack, que mora na Terra do Halloween, já cansado de ficar um ano planejando o macabro Dia das Bruxas, resolve planejar o Natal ele mesmo. Para isso, convence a todos os habitantes a sequestrarem o Papai Noel e todos começam a cooperar para organizar a festividade. Só que isso pode acabar dando muito errado. 
Quem ainda não viu está perdendo tempo. Ainda não conheci uma pessoa que tenha visto e que não tenha adorado. 


16/12/2012

Resenha: Halo

Título: Halo
Autora: Alexandra Adornetto
Páginas: 472
Editora: Agir
Três anjos são enviados à Terra com planos de se misturarem aos humanos para assegurar a paz e trazer a bondade: Gabriel, o Herói de Deus, um antigo guerreiro que se disfarça de professor de música; Ivy, serafim abençoada com poderes de cura; e Bethany, a mais nova e inexperiente do grupo, enviada como uma jovem estudante para aprender sobre a humanidade. Após Bethany se encantar com a vida humana, ela começa a viver todas as experiências de uma adolescente normal, até se apaixonar por um rapaz e colocar toda a missão em risco. As forças do mal se aproveitarão dessa situação para pôr seus planos malignos em prática. Um romance de tirar o fôlego, que responderá a pergunta: será que o amor é forte o suficiente para vencer as forças do mal?

Tá aí um livro que eu queria ler somente pela capa. E mais uma vez eu caí no velho ditado que a gente não deve julgar um livro pela capa. Além de não ser nada surpreendente em relação a abordagem da temática, ele se torna cansativo ao longo da leitura e acaba sendo apenas mais um livro de anjos.

Bethany é um anjo que junto com Gabriel e Ivy é enviada para a Terra para combater as forças malignas que atuam sobre ela. Para que isso possa dar certo, eles precisam se passar por humanos. Bethany é a que mais se adapta a essa vida e com isso ela acaba se apaixonando por Xavier e essa relação tem tudo para dar errado e pode colocar a missão dos anjos em perigo. Ao mesmo tempo, as forças do mal continuam se espalhando e agora é questão de tempo até que as forças do bem e do mal se enfrentem.

Uma das palavras mais frustrantes da linguagem humana, até onde sei, é amor. Tanto significado atribuído a essa única palavrinha... As pessoas falam nela livremente e a todo tempo, usando-a para descrever seu apego a bens materiais, bichos de estimação, destinos de férias e comidas preferidas. Às vezes, numa mesma frase, empregam essa palavra também para a pessoa que consideram mais importante em suas vidas. Isso não é um absurdo? Não deveria haver outro termo para descrever uma emoção tão profunda? p. 20
Comecei a leitura bem empolgada. Há tempos não lia nada relacionado a anjos e a possibilidade de encontrar algo bem legal me animou. Só que aconteceu justamente o contrário. O que tinha ali não era nada de novo, ou seja, o livro não superou as expectativas que eu tinha, mesmo que essas não fossem tão altas assim.

Infelizmente, a narrativa desse livro é extremamente cansativa. Eu acho que eu tiraria pelo menos umas 100 páginas, já que, durante a maior parte do livro, a Bethany fica remoendo sua relação com Xavier e as consequências que isso pode trazer. Eu sei que algumas vezes isso é até necessário para o desenvolvimento do enredo, mas não é preciso exagerar, não é?

A Bethany é uma personagem interessante. Como é uma narrativa em primeira pessoa, a gente acaba criando certa empatia com ela, apesar de ser um pouco chatinha com toda a sua pureza de anjo e de querer fazer tudo certinho. Até dá para entender, mas isso não a torna mais legal. Com certeza a torna mais sobrenatural, não que isso faça alguma diferença.

O casal principal não me convenceu tanto. Achei o começo muito forçado e muito superficial. Lá pela metade do livro que eu fui começar a gostar da Bethany e do Xavier juntos, apesar do romance soar muito falso pelo menos até o finalzinho, onde o livro dá uma grande melhorada (ainda bem).

Foi nesse final que Halo conseguiu mais alguns pontos positivos comigo. É só no final que temos alguma ação e isso deixa quem lê empolgado para saber o que vai acontecer. Só que, para chegar até esse final, são cerca de 300 páginas de pura enrolação. É cansativo e na verdade nem sei se vale muito a pena passar por isso.

Uma das coisas que eu achei legal foi que, ao contrário de vários livros na temática que já li, esse abordou mais a parte religiosa dos anjos, o que eu achei bem diferente. Nesse livro eles são criaturas de Deus e existem várias regras e várias castas de anjos que são citadas.

Não havia nada que eu pudesse fazer quanto a isso. Minha ligação com Xavier foi instantânea e abrasadora. De repente, minha vida antiga parecia distante.Eu estava certa de que não almejava o Céu como sabia que faziam Gabriel e Ivy. Para eles a vida na Terra era um lembrete diário das limitações da carne. Para mim, era um lembrete das maravilhas de ser humana. p. 151
Apesar de tudo, foi uma leitura razoável. Nada muito empolgante e que me faça dizer mil maravilhas, mas que me deixou com vontade de ler o próximo livro, Hades. Eu quero descobrir o que vai ser daquele final gente, não consigo resistir. :)

Talvez eu tenha me decepcionado mais porque achava que o livro fosse totalmente diferente. Quem for esperando algo como: um anjo que se apaixona e fica no dilema entre a vida humana e sua missão de anjo com certeza vai gostar bastante desse livro. Mas é uma pena que não tenha acontecido isso comigo. Lerei a continuação, mas só porque detesto ficar com histórias indefinidas na minha mente. Mas é só.

13/12/2012

Lançamentos #20: Novo Conceito

Título: Esperando Por Você
Autora: Susane Colasanti
Páginas: 308
É hora de iniciar o segundo ano do Ensino Médio, e Marisa está pronta para um novo começo e para seu primeiro namorado de verdade. No entanto, depois do popular Derek convidá-la para sair, as coisas ficam complicadas. Além de seus pais se separarem e de Marisa ter uma briga com seu melhor amigo, Derek ? o amor da sua vida ? a deixa desapontada. As únicas coisas que mantêm Marisa são os podcasts de um DJ anônimo, o qual parece entendê-la totalmente. Mas ela não sabe quem ele é... Ou sabe?



 Título: O Lorde Supremo
Autora: Trudi Canavan
Páginas: 400 
Na cidade de Imardin, onde aqueles que têm magia têm poder, uma jovem garota de rua, adotada pelo Clã dos Magos, se encontra no centro de uma terrível trama que pode destruir o mundo todo. Sonea aprendeu muito no Clã, e os outros aprendizes agora a tratam com um respeito relutante. No entanto, ela não pode esquecer o que viu na sala subterrânea do Lorde Supremo ? ou seu aviso de que o antigo inimigo do reino está crescendo em poder novamente. Conforme Sonea evolui no aprendizado, começa a duvidar da palavra do mestre de seu clã. Poderia a verdade ser tão aterrorizante quanto Akkarin afirma? Ou ele está tentando enganá-la para que Sonea o ajude em algum terrível esquema sombrio? 

10/12/2012

Resenha: Cordilheira

Título: Cordilheira
Autor: Daniel Galera
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 176
Recém-saída de um relacionamento amoroso e ainda sob o impacto do suicídio de uma amiga, uma escritora resolve aproveitar o lançamento da tradução argentina de seu romance para passar uma temporada em Buenos Aires. Primeiro título da coleção Amores Expressos, em que autores brasileiros escrevemhistórias de amor ambientadas em diversas cidades do mundo,Cordilheira gira em torno de um recomeço: ao se envolver com um misterioso fã argentino e conviver comseus amigos de hábitos bizarros, a protagonista começa a deixar o passado para trás e a se tornar algo que ainda não sabe bem o que é.

Denso. Se eu fosse resumir Cordilheira em uma só palavra, essa com certeza o definiria. Ao buscar mais sobre o livro antes de lê-lo, soube que ele foi eleito pela FBN (Fundação Biblioteca Nacional) como o melhor romance de 2008. Então criei certa expectativa para lê-lo, apesar de ainda não esperar muito. Só que esse foi o meu erro: o livro traz coisas DEMAIS e absorver tudo se tornou bem cansativo.

Anita é uma escritora e seu maior desejo no momento é ter um filho, porém, todos os seus amigos e inclusive seu namorado são contra esta ideia. Então, para fugir um pouco de todos, ela aceita ir para Buenos Aires para o lançamento de seu livro em solo argentino. É lá que ela conhece Holden, um escritor argentino que irá mudar sua vida.

Fazia três meses que tinha parado de tomar pílula e cinco dias que tinha encerrado um relacionamento de quase dois anos porque o filho-da-puta simplesmente se recusava a me engravidar, por mais que eu implorasse. (...) A palavra filho chegava a lhe dar certo mal-estar, e ele franzia a testa como se estivesse sofrendo o ataque de um inseto ou como se algum tipo de frequência sonora quase inaudível porém perturbadora invadisse seus ouvidos. p. 16
A primeira coisa que eu tenho a dizer é: não é um livro para qualquer um. Apesar de toda a minha carga literária eu ainda tive dificuldades de encarar o peso deste. Daniel Galera conseguiu fazer sim um livro que surpreende em todos os aspectos – apesar de inicialmente a sinopse parecer clichê – porém é algo que poucos irão apreciar.

No começo do livro eu fiquei totalmente perdida. Não sabia o rumo que o autor queria tomar, deixando a leitura extremamente cansativa. Simplesmente detesto quando isso acontece, pois pegar o livro para retomar a leitura se torna um fardo, entendem? Mas quando eu entendi o verdadeiro propósito do livro, o enredo ficou fantástico! É algo tão original que eu fiquei chocada!

Os personagens são extremamente chatos e misteriosos até demais. Eu ainda não consegui definir a personalidade de nenhum deles, e com isso não houve um envolvimento meu com nenhum deles. Eu não conseguia sentir o que a Anita estava sentindo e não houve compaixão com a situação dela, entendem? O mesmo acontece com o Holden, que é um cara que eu não tive simpatia nenhuma.

Outra coisa que pesou no livro é que ele tem algumas passagens um pouco pesadas, voltadas para o erótico. Não que isso defina o livro, mas elas existem. Assim como palavrões, que por vezes chegam a ficar irritantes.

Porém tenho que reconhecer: o autor tem uma narrativa brilhante. Não é qualquer homem que conseguem narrar em primeira pessoa na visão de uma mulher. E o Daniel Galera conseguiu fazer isso com maestria.

A segunda decisão é que eu passaria um tempo em Buenos Aires. Não sabia por quanto tempo nem exatamente por quê, mas era a coisa certa a fazer. p. 29
Não é que o livro seja ruim – eu sei que apontei mais pontos negativos do que positivos –, mas esses detalhes realmente pesaram na minha leitura. Por mais que ele fique bem melhor nas últimas páginas, foi um alívio finalmente terminá-lo, já que demorei alguns dias para ler um livro de menos de duzentas páginas, o que é algo que não costuma acontecer.

Analisando em um contexto mais geral após a leitura do livro, ele com certeza tem um enredo original, porém não foi uma leitura fácil. Para quem quiser conhecer um enredo original, com certeza é um livro para ser lido (fica a dica especial para o Luciano e para a Isabel), mas para quem não está acostumado a se aventurar por outras vertentes literárias, com certeza será uma decepção. 

07/12/2012

Resenha: É o primeiro dia de aula... sempre!

Título: É o primeiro dia de aula... sempre!
Autor: R. L. Stine
Editora: Seguinte
Páginas: 168

No primeiro dia de aula Artie cai da cama e bate a cabeça. Então, no café da manhã, seu irmão mais novo derruba a calda da panqueca no cabelo dele, que não tem tempo para lavá-lo. No caminho, um caminhão passa por uma poça d'água e espirra toda a água nele. Não é só o primeiro dia de aula - é o pior dia de aula da história.
Na manhã do dia seguinte, Artie caí da cama e bate a cabeça. Seu irmão mais novo derruba a calda da panqueca no cabelo dele e... Hã??? Tudo está acontecendo exatamente da mesma maneira que no dia anterior! O primeiro dia de aula se repete no dia seguinte, e no dia seguinte, e no dia seguinte...
Será que Artie vai conseguir encontrar um jeito de mudar isso? Ou será o primeiro dia de aula... SEMPRE?

Eu nunca fui muito fã de infanto-juvenis. Foram poucas as vezes que eu cheguei e disse que tinha adorado um livro nesse estilo. E com esse não foi diferente. É claro que o enredo é engraçado, mas não é tudo aquilo que eu achava que iria ser.

Artie irá começar em uma nova escola. Como todo mundo fica, ele está muito ansioso para o seu primeiro dia de aula. Só que tudo sai errado: seu irmão mais novo derrama calda em seu cabelo, sua camisa está manchada, seu cão o segue e acaba mordendo o diretor da escola. Em suma, é o pior dia da vida dele. Só que as coisas ficam ainda piores quando ele acorda no outro dia e é o primeiro dia de aula... de novo!
Esse dia se repete e agora Artie precisa encontrar o motivo para isto estar acontecendo.

Meu nome é Artie Howard e, bom, lá vai: este é o pior dia da minha vida.
O que poderia ser pior que hoje?
Bem, imagine que você tenha uma consulta com o dentista, e ele tenha que abrir um buracão no seu dente. Ele fica ali, cavoucando e cavoucando e cavoucando com a broca. Por horas. (...)
Você está sentindo? Consegue imaginar?
Bem... meu dia foi pior do que isso. Muito pior. p. 8
É o primeiro dia de aula... sempre! foi uma leitura daquelas bem levinhas. O li em cerca de 40 minutos ou um pouco menos. Não pretendia lê-lo tão rápido, mas os capítulos fluíram tão bem que nem me dei conta que já estava no fim.
Pra mim essa é uma das vantagens de livros infanto-juvenis, não é nada muito pesado e que te faça ficar horas refletindo depois, mas... Não é meu estilo.

Mas não dá para negar que ele é muito engraçado. Há tempos que eu não lia algo que me fazia interromper a leitura para rir da situação e isso aconteceu com É o primeiro dia de aula... sempre!. Acho que esse é o primeiro livro em algum tempo que me fez rir tanto.
A narrativa em primeira pessoa faz com que tudo seja ainda mais engraçado. Imaginem um garoto com seus 13, 14 anos, enfrentando as piores coisas da sua vida no primeiro dia de aula que fica se repetindo por vários dias? As coisas que o Artie pensa durante as coisas que estão saindo erradas durante seu dia são bizarras e isso é engraçadíssimo.

Só que... tudo tem um porém. Ainda estou chocada com aquele final. Quem já leu vai entender o que eu estou dizendo. Eu esperava tudo, menos aquilo.
E por ainda estar em choque, vou ter que deixar minha opinião em aberto sobre ele. Ainda não sei se gostei ou não, então prefiro nem dizer nada. Ainda estou em choque! :O

A garotada gritava. Todos atravessaram o corredor correndo na direção de Brick.
Congelei. Não conseguia nem respirar.
Isso não está acontecendo. Isso não está acontecendo. (...)
Eu não havia me mexido desde o momento em que arremessara a bola. Todos os olhares se voltaram na minha direção.
Tenso. Foi um momento tenso. p. 31
Para quem curte infanto-juvenis, não posso dizer outra coisa: leiam já! É uma leitura mais do que recomendada para quem gosta. Agora para quem, que como eu, não é tão fã assim, vai pelo momento de cada um. É um livro relaxante e que ajuda naquelas ressacas literárias que sempre nos atingem. Mas nada além disso. 

02/12/2012

Resenha: A Seleção

Título: A Seleção
Autora: Kiera Cass
Série: The Selection #1
Editora: Seguinte
Páginas: 368

Para trinta e cinco garotas, a Seleção é a chance de uma vida. É a oportunidade de ser alçada a um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha. Para America Singer, no entanto, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás o rapaz que ama. Abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes. Então America conhece pessoalmente o príncipe - e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que nunca tinha ousado imaginar.

Como é bom ter uma boa surpresa com um livro. Foram duas tentativas para ler A Seleção: na primeira, abandonei logo nas primeiras páginas, não me sentia em um momento legal para lê-lo; na segunda o tiro foi certeiro. Não conseguia largar o livro enquanto não descobrisse o que ia acontecer e aqui estou eu, mal conseguindo me aguentar pela continuação.

A vida em Iléa para as castas mais baixas não é fácil. Muitos são pobres e são obrigados a achar alternativas para ter o que comer em casa. Por causa disso muitos vêem na Seleção uma forma de mudar de vida. A Seleção consiste em uma espécie de competição em que 35 garotas de todo o país são sorteadas para que no final, uma se case com o príncipe e venha a ser a futura rainha do país. É nessa situação que encontramos America Singer, uma garota da casta cinco e que, por diversas situações, se encontra na Seleção. Dividida entre um amor que deixou para trás e uma forma de ajudar sua família, ela agora tenta encontrar uma solução para o problema em que se meteu.

Nenhuma das opções me parecia muito boa. E a ideia de entrar em um concurso que o país inteiro acompanharia só para ver um riquinho esnobe escolher a moça mais linda e sonsa do grupo para ser o rosto calado e bonito que apareceria ao lado dele na TV... era o bastante para me fazer gritar. Haveria humilhação maior? p. 14
Quem disse que as histórias sobre príncipes e triângulos amorosos um dia vai sair de moda? É isso que a autora Kiera Cass prova em A Seleção.
Apesar de ter um cenário distópico – com o envolvimento de castas e uma família real –, o livro é focado no romance que da protagonista tanto com o seu amor “de casa” quanto com o príncipe. Para quem gosta de ação, aqui vai uma péssima notícia: são pouquíssimas cenas onde encontramos alguma agitação. Ele é parado nesse sentido. Mas em compensação é um prato cheio para quem gosta de intrigas, de indecisão e romance.

Vamos ao ponto principal: o romance. O que melhor o descreve é indecisão. America tem que escolher entre Aspen, um garoto de casta inferior e que não seria aprovado por sua família; e Maxon, o príncipe que arranca suspiros de qualquer uma.
Preciso dar minha opinião quanto a esse triângulo: o romance da America com o Aspen não me convenceu muito. Senti que foi uma coisa muito forçada e que não deveria acontecer. Porém o romance com o Maxon fluiu de uma maneira mágica. De verdade, fiquei torcendo para topar com um desses na rua, gente! Enfim, já deu para perceber que eu sou totalmente Team Maxon, não é?

A America é uma protagonista interessante. Ela não tem uma característica que a defina como inesquecível ou algo assim. Mas pelo menos ela é normal. Nem fraca nem forte demais. É um personagem na medida certa.
No começo eu não tinha uma empatia tão grande por ela, porém com o desenvolvimento do enredo isso nem fez tanta diferença, uma vez que no final eu já sentia um envolvimento tão grande com ela a ponto de aceitar o que ela fazia mesmo não entendendo. Principalmente as partes com o Aspen, mas ok. Esse envolvimento é muito facilitado pela narrativa em primeira pessoa.

Não era da Um, mas estava vivendo como se fosse. Tinha mais comida do que podia dar conta e a cama mais confortável possível. As pessoas me serviam o tempo todo, mesmo que eu não quisesse. Se eu precisasse de algo, bastava pedir.
A única coisa que realmente queria era algo que fizesse aquele lugar parecer menos um palácio. Queria minha família correndo pelos corredores, ou não estar tão arrumada. p. 152
Outra coisa que eu preciso destacar: e essa capa? Estou apaixonada por ela. E ainda estou em dúvida se essa ou a capa do próximo volume da série é mais bonita. As duas são lindas demais e são um charme, não é?

E aqui estou eu, me contorcendo de ansiedade para que o próximo livro – The Elite – seja lançado logo. Só que tem um probleminha: ele só vai ser lançado lá por abril de 2013 nos EUA (obrigada pela informação, Thaís!). Ainda teremos que esperar mais um pouco do que isso. Triste!
Tenho certeza de quem gosta de um bom romance e de um livro mais leve vai se encantar com A Seleção. Mais do que recomendado! 

01/12/2012

Promoção: Mega Sacolão NC

Suas festas de final de ano vão ficar melhores com o Mega Sacolão NC! Serão 15 livros sorteados. Ficaram curiosos? Vamos aos detalhes!



Prêmios

  • Livro Do Seu Lado + Livro Bem Mais Perto + Livro Surpresa
  • Livro A Vez da Minha Vida + P.S. Eu Te Amo + Livro Surpresa
  • Livro Um Porto Seguro + A Escolha + Livro Surpresa
  • Livro Cruzando o Caminho do Sol + Livro Belle + Livro Surpresa
  • Livro Romeu Imortal + Livro Charlotte Street + Livro Surpresa
Regras


28/11/2012

Promoção: Despertar

Oi pessoal! Na resenha de Despertar vi que muitos de vocês estão interessados nesse livro. Então, a editora Planeta gentilmente cedeu um exemplar para sorteio! 


Todas as regras se encontram no final do formulário.
E para quem ainda não sabe utilizá-lo, saiba como participar de sorteios utilizando-o clicando aqui.

25/11/2012

Resenha: O Caminho

Título: O Caminho
Autor: Richard Paul Evans
Série: The Walk #2
Editora: Lua de Papel
Páginas: 292
Alan Christoffersen, um publicitário bem-sucedido, acorda uma manhã e encontra-se ferido, sozinho e preso a uma cama de hospital em uma pequena cidade de Washington. Ele já havia passado por situações extremas quando decidiu atravessar o estado de Washington. Em busca de respostas, essa longa caminhada poderia ser um recomeço para sua vida. Mas, quando encontra-se imobilizado, ele percebe o quanto a vida ainda tem a lhe mostrar e ensinar. A segunda jornada da série Walk traz ainda mais lições para um homem que busca incansavelmente por esperança e que está disposto a retomar a sua vida de onde parou. Um romance inspirador sobre a esperança e o significado da vida.

ESSA RESENHA CONTÉM SPOILERS DO LIVRO ANTERIOR – O ENCONTRO

Quem não gosta de sentir que um livro está mudando nossa vida? Era isso o que eu sentia a cada linha de O Caminho. A caminhada de Alan Christoffersen mais uma vez me fez refletir sobre o meu próprio caminho e me botou em uma tremenda encruzilhada: não vou conseguir transmitir a vocês o quanto esse livro me marcou.

Após ser esfaqueado na saída da cidade de Spokane, em Washington, Alan foi parar em um hospital de tratamento intensivo. É lá que ele encontra Angel, uma mulher que ele ajudou durante a primeira parte de sua caminhada. A relação entre os dois começa a ficar cada vez mais forte, uma vez que cada um carrega uma história de sofrimento e perda. E essa amizade será muito importante nessa parte da caminhada de Alan.

Conforme um amigo recentemente me disse, não importa o que eu faça, McKale sempre será parte de mim. A questão é que parte: uma fonte de gratidão ou de amargura? Algum dia terei de decidir. Algum dia o sol voltará a levantar. A única incerteza é se me levantarei para saudá-lo.
Enquanto isso, o que mais espero é ter esperança. Caminhar ajuda. p. 10

Se existe um autor que conseguiu me ganhar completamente nos últimos meses, esse foi o Richard Paul Evans. Colocando uma carga grande de sensibilidade em seus livros, ele consegue fazer isso sem deixá-los dramáticos demais. Ao ler, a leveza que preenche as páginas acaba te atingindo e, sem ao menos perceber, você já foi tocado pela história de Alan.

E esse é um dos pontos altos dos dois livros: você tem um grande envolvimento com o personagem. Não importa se você ache que as atitudes dele são impensadas ou impulsivas demais, ou se você nunca passou pelas situações que o próprio enfrentou; no final das contas, sempre haverá um grande sentimento de compaixão em relação ao Alan e isso faz com que você se sinta íntimo dos seus sentimentos.

A caminhada do Alan para atravessar o continente se transformou tanto em uma busca do autoconhecimento para o personagem quanto para o leitor. Qualquer pessoa que for ler a história do Alan irá tomar certos conceitos de superação e do que é a vida para si. Não tem como fugir disso.

É por esse motivo que eu tenho que confessar: a trilogia Caminhos acabou se tornando uma das minhas preferidas. Eu não sei se fico feliz ou triste com o próximo volume. Não acompanharei mais o Alan e isso deixará saudades. Mas esse sempre foi o objetivo: uma saga que busca o crescimento pessoal do personagem.

Nós humanos, nascemos egocêntricos. O céu troveja e as crianças acham que Deus está zangado com elas por algo que fizeram. Os pais se separam e as crianças acham que é culpa delas, por não terem se comportado bem. Crescer significa deixar de lado nosso egocentrismo pela verdade. Ainda assim, algumas pessoas se atêm a essa postura mental. Por mais doloroso que seja seu autoflagelo, elas preferem acreditar que a crise é culpa delas, para acreditarem que têm o controle. Ao fazê-lo, elas se tornam tolas e falsos deuses. p. 110
E mais uma vez eu comprovo: é praticamente impossível colocar todos os seus sentimentos em uma resenha quando o livro te marcou demais. É como se nenhuma palavra conseguisse definir o quanto O Caminho é incrível.

Para aqueles que estão receosos quanto a começar a ler a trilogia, fica a dica: leiam! Leiam agora! Tenho certeza que a história do Alan vai tocar a todos vocês assim como me tocou e que isso será uma experiência maravilhosa para todos vocês. 

21/11/2012

Resenha: Despertar

Título: Despertar
Autora: Amanda Hocking
Série: Watersong #1
Editora: Planeta
Páginas: 206

Na pequena cidade litorânea de Capri, as turistas Penn, Lexi e Thea conseguiram chamar a atenção de todos, seja pelo fascínio ou pela apreensão. Tudo o que se sabe é que por onde passam existe uma energia no ar, algo sobrenatural, e que as garotas estão interessadas em ter a jovem Gemma em seu grupo. Gemma parece ter tudo, é uma nadadora incrível, está começando a namorar seu amigo de infância e se prepara para competir nas olimpíadasno futuro. Aos 16 anos, Gemma sabe que é feliz. Mas quando Penn, Lexi e Thea se interessam por ela, tudo fica prestes a mudar. Sua irmã Harper percebe que há algo de estranho com as garotas, mas será tarde demais para alertar Gemma? 

 Às vezes, ignorância é uma benção. E falta de expectativa também.
Peguei esse livro para ler sem nenhum tipo de conhecimento a respeito dele. Claro, tinha noção sobre o que se tratava o enredo, mas não sabia nada além. Não li nenhuma resenha, não vi ninguém falando sobre. Ainda bem que isso aconteceu.

Gemma e Harper vivem em uma cidade litorânea muito visitada por turistas. O clima na cidade muda quando três garotas estranhas aparecem e ficam na cidade por um tempo maior do que é de costume dos turistas.
Certo dia, ao encontrá-las, Gemma é obrigada a tomar uma substância líquida, que trouxe transformações inesperadas em seu corpo.
Agora Gemma tem uma decisão a tomar: ou segue seu caminho com as três estranhas a fim de obter mais respostas ou vai contra as mesmas e agüenta as conseqüências ruins.

Penn, Thea, Lexi e Arista estava na cidade desde que começara a esquentar, e as pessoas achavam que elas eram as primeiras turistas da temporada. Mas ninguém sabia ao certo quem elas eram ou o que faziam ali.
Tudo o que Gemma sabia era que ela odiava quando as garotas vinham para a enseada. p. 17
A falta de expectativa foi uma grande ajuda na leitura desse livro. Como eu não esperava nada dele, não foi grande surpresa quando nada aconteceu.
A trama possui uma narrativa fluida, contínua. Não posso dizer que foi uma leitura ruim, só que ela não possui ápices. Em nenhum momento aconteceu algum fato que me deixasse ansiosa para saber o que ia acontecer.

Isso é sempre algo prejudicial em um livro, pois, uma vez que se para a leitura, voltar a ler é algo complicado. Nada me chamava atenção, nada me fazia ter vontade de voltar. Sabendo disso, só fiz uma pausa mais longa uma vez para não correr o risco de perder o fio da história por causa disso.

Tudo bem que esse é o primeiro livro de uma série – Watersong – e, portanto, é um livro introdutório, que geralmente é mais parado, só para nos situarmos com toda a situação que vai se desenrolar em outros volumes. Mas faltou algo de mais especial e mais ação.
Ação de verdade vocês só encontrarão nas últimas páginas e mesmo assim não me pareceu tão convincente. Foi como algo forçado para dar o gancho para o próximo volume da série – Lullaby –, o que não é legal.

Gemma não teve escolha. Ela não conseguia sequer pensar em outra opção. Seu corpo se moveu automaticamente e pegou o frasco de Lexi, abriu a tampa e o levou aos lábios. Tudo aconteceu da mesma forma que ela respirava. Movimentos sem raciocínio, motivo ou controle. p. 71
Porém vamos falar da coisa mais linda que é essa capa. Além de eu ter adorado só olhando no site da editora Planeta, tive uma surpresa muito boa quando o livrou chegou e eu vi que a capa é toda cheia de glitter! É parecida com a capa de Um Mundo Brilhante (resenha).
A diagramação também foi muito bem trabalhada, com os parágrafos da primeira página de cada capítulo dispostos para que formassem ondas. Muito criativo e condizente com o enredo.

Despertar foi uma leitura legal para passar o tempo, porém não sai disso. Não foi um livro empolgante e que eu teria vontade de reler, por exemplo. Não estou ansiosa para os próximos volumes da série – ao todo, são quatro livros –, mas pode ser que eu venha a ler. Um livro bom e nada mais.

19/11/2012

Resenha: Adormecida

Título: Adormecida
Autora: Anna Sheehan
Editora: Lua de Papel
Páginas: 272

Rose Fitzroy esteve dormindo profundamente por décadas. Imersa num sono induzido, esquecida em um porão por mais de 60 anos, a jovem foi tratada como desaparecida enquanto os anos sombrios pairavam sobre o mundo. Despertada como por encanto e descobrindo-se herdeira de uma corporação multimilionária, Rose vai entendendo pouco a pouco, tudo o que aconteceu em sua ausência. Ela descobre que seus pais estão mortos. O rapaz por quem era apaixonada não é mais que uma mera lembrança. A Terra se tornou um lugar estranho e perigoso, especialmente para ela, que terá de assumir seu lugar à frente dos negócios. Desejando adaptar-se à nova realidade, Rose só consegue confiar numa única pessoa estranhamente familiar. Rose até gostaria de deixar o passado para trás, no entanto, ao pressentir o perigo, percebe que precisa enfrentá-lo - ou não haverá futuro.

Antes de começar a leitura de Adormecida, eu pensei que era uma simples releitura do conto A Bela Adormecida. Mas fui surpreendida ao me deparar com uma distopia.
E tenho que admitir: essa temática tem ganhado cada vez mais espaço na minha estante, uma vez que não tenho me decepcionado. E com Adormecida não foi diferente.

Após sessenta e dois anos, Rose Fitzroy foi acordada de um processo químico que a deixou adormecida durante todo este tempo. Ao acordar, ela é informada que é a única herdeira de uma grande empresa. Ao mesmo tempo, descobre que toda sua família está morta junto com todas as pessoas que ela amava.
Rose terá que se adaptar a essa nova realidade e enfrentar os perigos que surgiram por causa do seu retorno.

Apesar dos seus dias no hospital e mais vinte e quatro horas me produzindo, dos monitores de saúde, injeções de vitalidade e um milhão de outros tratamentos que fui submetida, meu cabelo ainda estava liso e quebradiço, minha pele inchada e sensível e meus ossos estavam tão protuberantes que eu parecia um esqueleto dentro de um saco. Minha visão estava turva, a respiração fraca e me sentia enjoada quando tentava comer. Eu me sentia como uma velha. Tecnicamente, eu era. Tinha quase oitenta anos com apenas dezesseis. Nunca passei tanto tempo em estase. p. 14
O fator surpresa foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido nesse livro. Não esperar uma distopia e sim algo mais simples fez com que a leitura fosse ainda mais proveitosa porque descobrir um mundo novo de uma forma inesperada é ainda mais legal. Ainda mais quando este é distópico.
Não sei se isso acontece só comigo, mas toda a tecnologia super desenvolvida sempre me encanta nesses livros. Claro que eu não gosto das conseqüências que ela normalmente traz neles, mas é tão surpreendente como os autores estão conseguindo detalhar cada vez mais possível essa revolução tecnológica! Enfim...

O enredo de Adormecida, apesar de não ser muito original – uma herdeira volta e as pessoas com medo de perder o poder começam a armar coisas contra ela. Nada original –, consegue encantar por causa do sentimento envolvido na trama.
Imaginem a situação: você acorda no futuro com o mesmo corpo e idade que tem hoje e descobre que o mundo inteiro mudou e todos que você conhece morreram? É para acabar com qualquer um.

Isso é ainda mais enfatizado com a narrativa em primeira pessoa, com a Rose narrando todos os seus anseios e expectativas.
Normalmente eu teria achado bem chato um personagem que ficava remoendo toda hora o passado, com medo de encarar o presente. Porém isso não aconteceu com a Rose, uma vez que ela em nenhum momento é retratada como uma garota totalmente frágil.

Mas que escolha eu tinha, presa em um mundo que não era meu, com a minha vida nas mãos de outros? Jantar, falar com uma psicóloga, preparar-me para as aulas. Fiz tudo o que me disseram para fazer. Pois era tudo o que eu podia fazer. p. 30
Algo que eu não gostei foi que as explicações demoraram a surgir no livro. O termo estase – que era usado para designar o período em ela passava adormecida por causa do processo químico – ficou suspenso até que o próprio contexto te disse o que ele significava para então, só após disso, vir a explicação propriamente dita.

Apesar desse pequeno fato, não me decepcionei com o livro. Inclusive, li que nem uma desesperada a segunda metade do livro, precisava saber o que ia acontecer. E preciso confessar: eu chorei nas últimas páginas. Não que o livro seja tão emotivo, mas é que eu acabei me envolvendo tanto na história da Rose e dos personagens secundários que eu adorei aquele final.

Um livro mais do que indicado para aqueles que estão à procura de uma excelente distopia ou até mesmo um romance. Tenho certeza que vocês não irão se decepcionar.

18/11/2012

Lançamentos #19: Editora Seguinte

Título: Quem poderia ser a uma hora dessas?
Autor: Lemony Snicket
Páginas: 240

Em uma cidade decadente, onde se criam polvos para a produção de tinta, onde há uma floresta de algas marinhas e onde um dia funcionou uma redação de jornal em um farol, um jovem Lemony Snicket começa o seu aprendizado em uma organização misteriosa. Ele vai atender seu primeiro cliente e tentar solucionar o seu primeiro crime, aos comandos de uma tutora que chama carro de “esportivo” e assina bilhetes secretos. Lá, ele vai cair na árvore errada, vai entrar no portão errado, destruir a biblioteca errada, e encontrar as respostas erradas para as perguntas erradas - que nunca deveriam ter passado pela cabeça dele. Ele escreveu um relato sobre tudo o que se passou, que não deveria ser publicado, em quatro volumes que não deveriam ser lidos. Este é o primeiro deles.

Título: Nada é para sempre
Autora: Ali Cronin
Páginas: 256
Série: Garota <3 Garoto
Quatro garotas e três garotos de dezoito anos. Prepare-se para acompanhar seu emocionante último ano na escola... Cass é a namorada fiel. Ashley não leva nada a sério. Donna é festeira. Ollie é mulherengo. Jack é esportista. Rich talvez seja gay. Mas e Sarah? Os amigos sempre tiram sarro por ser certinha demais, mas ela só está esperando pelo cara certo . e agora tem certeza de que o encontrou. Será que ele sente a mesma coisa? Ou tudo não passa de uma paixão de verão?




Título: Uma garrafa no mar de Gaza
Autora: Valérie Zenatti
Páginas: 128
Um homem-bomba se explodiu dentro de um café em Jerusalém. Seis corpos foram encontrados. Uma garota, que se casaria naquele dia, morreu junto com o pai "algumas horas antes de vestir seu lindo vestido branco". E Tal não consegue parar de pensar em tudo isso. Tal é uma israelense que, como toda garota de dezessete anos, vive suas primeiras experiências - o primeiro grande amor, as primeiras escolhas profissionais e também o primeiro atentado. Depois de vivenciar esse momento trágico, ela escreve uma carta a um palestino imaginário, coloca em uma garrafa e pede ao irmão, que presta o serviço militar perto de Gaza, para lançá-la ao mar. Algumas semanas depois, recebe a resposta de um certo "Gazaman"...

16/11/2012

Resenha: Toda Garota Quer

Título: Toda Garota Quer
Autora: Larissa Siriani
Editora: Clube dos Autores
Páginas: 93

Dora tem 17 anos,acabou de terminar o colegial e é uma garota completamente frustrada. Depois do fim do seu relacionamento com o garoto supostamente perfeito, mais o fato de que o seu futuro parece completamente errado pra ela, tudo o que ela mais quer é recomeçar e esfriar a cabeça. Pra isso, vai parar sozinha em Ilhabela, para uma semana de sossego. Estes eram os planos. Antes, é claro, de ela conhecer Tomáz. Ele é tudo o que ela - e qualquer uma! - morre pra ter, mas será que Dora está pronta pra outra?

Antes de começar a ler Toda Garota Quer, estava há mais de uma semana sem tocar em um livro. Não por não querer, mas por simples falta de tempo. Queria algum livro gostoso, que não fosse pesado e nem tão grande. Preciso dizer fiz uma ótima escolha. O livro é fofo, me conquistou, me fez chorar, me fez sorrir... Tudo isso em menos de 40 minutos, tempo que eu levei para ler o livro.

Dora está arrasada por causa do término de seu namoro com Jake. Por causa disso, ao término de suas aulas, ela resolve fazer uma viagem sozinha para tentar superar essa situação. É nessa viagem para Ilhabela, no litoral de São Paulo, que ela conhece Tomáz, um garoto que parece vindo diretamente de seus sonhos.

Respirei fundo e não deixei nenhuma lágrima cair. Eu não ia sofrer por ele, por quem não merecia. Eu era mais forte que isso, tinha certeza. O Jake não valia a pena, e depois de uma semana completamente sozinha eu conseguiria me provar isso. E eu ia superar. Só precisava querer. p. 8
Como eu estava precisando ler algum livro no estilo conto de fadas! Depois de uma super decepção com a trilogia My Land, eu precisava de algum livro que me agradasse urgentemente antes que eu caísse em mais uma ressaca literária que eu não teria certeza de quando iria acabar. E felizmente Toda Garota Quer caiu perfeitamente bem para o momento.

Apesar de ser bem curtinho e falar especificamente sobre essa semana da Dora em Ilhabela, o livro me conquistou totalmente. Sim, ele pode ser um pouco fantasioso demais, com personagens perfeitos demais um para o outro, mas e daí? Quem não gosta de uma história assim de vez em quando?

E como eu fiquei fantasiando nos minutos em que lia o livro! Acho que toda garota já quis um garoto igual ao Tomáz (pegaram o trocadilho com o título?) e isso fez com que o enredo se tornasse ainda mais fofo e conquistador. Não tinha nem como não ficar suspirando a cada página, a cada capítulo.

O motivo principal de isso ter acontecido foi a simplicidade que cerca a trama. Não encontramos nada de muito original, mas é essa a graça. É tudo clichê e acontece da exata forma como você imagina que vai acontecer, mas não é decepcionante como poderia acontecer com outro livro que tivesse o enredo parecido, mas não tão bem amarrado quanto este.

Eu estava convicta de que Tomáz me entenderia de alguma maneira. Parecíamos ligados de alguma maneira, como se toda aquela coincidência bizarra fosse só um empurrão para justificar que nós tínhamos que nos encontrar de algum modo. Ele era mais amigo e mais compreensivo do que eu estava acostumada. p. 21
Apesar de eu ter achado a Dora um pouco chata em algumas situações, pelo fato de o livro ser bem pequeno, isso não ficou muito destacado, o que foi um super alívio, afinal, não queria me decepcionar com um livro que foi tão gostoso de ser lido.

Toda Garota Quer é altamente recomendado para aqueles que adoram um conto de fadas, um romance bem meloso e gostosinho de ser lido. Não se preocupem se vocês ficarem sonhando depois, isso é uma consequência bem legal de se ter. 

14/11/2012

Biografias #11: Anne Tyler


Anne Tyler nasceu no dia 25 de outubro de 1941 em Minnesota, nos Estados Unidos. Mora em na cidade de Baltimore, onde a maioria dos seus romances é retratado.
É considerada uma romancista notável e frequentemente está na lista dos livros mais vendidos dos Estados Unidos, apesar de raramente aparecer em público.
Os seus livros geralmente retratam uma luta dos personagens para conseguir um auto-conhecimento e frequentemente isso é misturado com um drama.
Seu romance Breathing Lessons ganhou o prêmio Pulitzer, um dos prêmios mais importantes da literatura. Outros de seus romances já tiveram indicações para esse prêmio, como The Accidental Tourist Dinner at the Homesick Restaurant.
O último livro da autora lançado no Brasil é O Começo do Adeus, lançado pela editora Novo Conceito.

  • Leia a resenha de A Escada dos Anos, um lindo romance da Tyler.

11/11/2012

Resenha: Sombra

Título: Sombra
Autora: Elena P. Melodia
Editora: Suma de Letras
Série: My Land #2
Páginas: 340

No segundo capítulo da trilogia da escritora italiana Elena P. Melodia, que terá seu desfecho com o livro Luz, a trama segue, envolta por mistérios, a todo vapor. Logo nas primeiras páginas, Alma recobra a consciência no piso de madeira de uma papelaria. Incrédula, com a cabeça doendo, a protagonista depara-se, a seu lado, com o corpo morto do velho dono da loja. Não há dúvidas: trata-se da nona vítima dos Master, criaturas saídas de um mundo maléfico que lançam sua sombra sobre a cidade. A jovem não tem outra saída a não ser fugir. Morgan, o enigmático rapaz de olhos cor de violeta, o único que parecia compreendê-la, não está ao seu lado e seu paradeiro é desconhecido. Sem ele, a protagonista sente-se perdida. E questiona-se sobre quando foi a última vez que se sentiu feliz e como é possível que, aos 17 anos, nunca tenha se sentido atraída por alguém antes de Morgan. As respostas estão relacionadas à sua própria identidade e natureza. Alma não decifra a fotografia de uma menina absolutamente idêntica a ela e se pergunta: seria apenas uma sósia ou algo mais sinistro? Os mistérios não se encerram por aí. Morgan, seu confidente desaparecido, ressurge. Ele marca um encontro com a amiga num esconderijo subterrâneo debaixo de um velho aqueduto. Teria algo a ver com os assassinatos que ocorrem na cidade? Ou com as vozes na cabeça de Alma? O que a jovem não espera é que todos os mistérios ao redor, que a intrigam e amedrontam, são indícios de algo ainda mais surpreendente e que apontam para a própria origem de Alma e de seu amigo. 

Assim que terminei de ler Escuridão, fui logo ler a continuação, aproveitando que já tinha aqui comigo. Como já tinha citado na outra resenha, esse livro estava mantendo o nível do primeiro, mas de alguma forma ele conseguiu me decepcionar ainda mais.

Em Sombra, Alma está prestes a descobrir o motivo de todos os seus contos premonitórios. Tudo o que ela considera normal está indo por água abaixo e a única coisa que a liga é sua vida antiga é Morgan, que também é a porta para o seu temido futuro.

Sinto o chão sumir debaixo dos meus pés. Minha cabeça gira tão forte que não consigo mais nem saber onde estou. p. 143
Eu realmente pensei que esse livro iria fazer com que eu tivesse aquela vontade de ler o último livro da trilogia, mas aconteceu justamente o contrário. Foi uma decepção tão grande que não faço questão de terminar.

Não se iludam: a explicação para a Alma ter os contos premonitórios não é original. Simples assim. Era algo que eu já esperava desde que li a sinopse do primeiro livro e em nada me surpreendeu. Imaginem a minha decepção ao perceber que a autora não conseguiu fazer algo diferente?

Uma coisa que me agradou é que nesse livro o romance é um pouquinho mais acentuado. Não é lá essas coisas – o que é explicado no livro – mas foi o que me agradou em Sombra. De resto, nada me chamou tanto a atenção. A Alma continua aquela personagem que apesar de ser interessante é sem sal e não muda nem evolui em nada nesse.

A evolução do enredo é algo que nem se nota. Você não chega a um clímax; o enredo segue um mesmo nível durante todo o livro e isso também não foi legal. Ao terminar de ler, foi como se não tivesse acontecido nada que realmente valesse a pena ficar pensando depois ou que me deixasse com vontade de saber o que vai acontecer depois daquilo.

Aperto os dentes, anulo os pensamentos, fecho os lábios. A água lambe meus ombros bem na base do pescoço. Não sinto mais nada, nem meu corpo, nem minha mente. O terror desapareceu. Tudo é silêncio e paz, pela primeira vez desde que cheguei nesta terra. p. 222
Infelizmente não foi um livro tão legal. Me arrisco a dizer que Escuridão, o livro introdutório foi melhor do que a continuação. Acho essa é a primeira vez que isso acontece comigo e foi uma grande decepção.

Como disse no começo da resenha, não tenho intenção de ler o último livro da trilogia, a não ser que ele eventualmente apareça aqui em casa e eu não tenha nada além para ler. É uma pena, mas eu não realmente não gostei. :(

Resultado: Promoção de 1 ano do Estante Vertical

Oi pessoal! Depois de muita ansiedade, muita gente me pedindo e até implorando pelo resultado da promoção de 1 ano do blog, chegou a hora! 
Vamos conhecer os sortudos?



07/11/2012

A necessidade de um livro



Não sei se vocês são como eu. Sou daquelas pessoas que têm manias irreparáveis. Adoro ter uma espécie de padrão nos meus horários, de seguir uma rotina.
Mas nas últimas semanas, reparei em algo que até então eu nunca tinha me dado conta. Não sei se todos já souberam por aí, mas nas duas últimas semanas eu estava em época de provas, e como todos sabem, sempre temos aquele pequeno desespero para recuperar as notas.
Por causa disso, eu sabia que não iria dar tempo de ler nada. Com duas provas por dia, incluindo matérias técnicas – eu faço Ensino Médio Integrado ao Técnico em Automação Industrial (ufa!) –, sabia que a situação iria ser bem complicada.
Mas, mesmo assim, todos os dias eu levava o livro que eu estava lendo no momento para a escola. Mesmo sabendo que eu não iria lê-lo.
Eu tenho essa necessidade de sempre levar algum livro comigo e, até então, era uma coisa que passava despercebida. Até que um amigo notou e me perguntou: por que você está carregando mais peso se você não vai ler?
Não sei explicar isso, mas é reconfortante ter um livro sempre ali por perto. Pelo menos para mim é muito ruim ter vontade de ler algo e não ter nenhum livro próximo.
Estou passando por mais uma semana atarefada e o meu companheiro não sai da minha mochila. Está sempre ali, me esperando, caso eu o queira.

E vocês? Também sentem essa necessidade?

05/11/2012

Promoção: Natal Literário

Olá pessoal!
Os blogs Blog do Balaio, Estante Vertical, Jornalismo na Alma e Livros e Chocolate se uniram nessa promoção super bacana para presentear um único sortudo (ou sortuda) com quatro livros! Super presente de Natal!!

E para participar é super fácil:


  • Basta seguir os quatro blogs publicamente pelo GFC
  • Residir no Brasil
  • Comentar na postagem promocional
  • E preencher o formulário abaixo:


02/11/2012

Resenha: Escuridão

Título: Escuridão
Autora: Elena P. Melodia
Editora: Suma das Letras
Série: My Land #1
Páginas: 332

Alma tem 17 anos, e nada em sua vida difere das meninas de sua idade: escola, programas com seu grupo de amigas, tédio e impaciência na relação com a família. Até o dia em que vê um caderno roxo numa vitrine e, por puro impulso, o compra. A partir daí, acontecimentos horripilantes começam a se suceder. Todos descritos em detalhes nas páginas do caderno...antes de acontecerem. Com a letra dela. Que não se lembra de ter escrito nada. Quem é Alma, na verdade? Quem é Morgan, seu misterioso amigo de escola, que parece ter respostas para o que está acontecendo? E como impedir que as forças do mal se aproximem dela e de quem ela ama?

Sempre que eu leio algum livro muito pesado, como foi o caso de Lolita, eu preciso ler um livro um pouco mais leve. Também não costumo exagerar: se eu pegar um chick-lit depois de um livro que me marcou tanto, com certeza o chick-lit vai se tornar uma leitura superficial demais e eu não vou gostar.
Resolvi então pegar um livro que parecia ser um sobrenatural um pouco mais pesadinho, só que foi totalmente diferente do que eu esperava. E acabou se enquadrando na categoria: “é bom, mas...”.

Alma é uma garota de 17 anos e é considerada por muitos a mais bonita da escola. Sua vida muda drasticamente quando ela compra um caderno e começa a escrever nele contos sobre mortes de pessoas desconhecidas enquanto está dormindo. O pesadelo vem à tona quando ela descobre que seus contos estão virando realidade e ela precisa descobrir o que está causando isto.

Acordo sobressaltada. Tudo escuro.
Que horas serão?
O despertador marca meia-noite. Acendo a luz e vejo meu caderno roxo. Está ali no chão, ao pé da cama, na mesma posição em que o deixei.
Como se esperasse por mim, com aquela página cheia de uma caligrafia que não me lembro de ter escrito. p. 27
Eu pensei que, por ser o primeiro livro de uma trilogia, ele seria mais introdutório. Bom, em muitos aspectos ele é, porém não se resume a isso. Muitas coisas já são reveladas nesse primeiro livro, o que me deixou super empolgada, pois eu não via isso há muito tempo em trilogias. Ponto positivo!

Mas, pra mim, o livro poderia ser reduzido pela metade. Muitos capítulos ficaram meio que soltos no livro, com os pensamentos e sentimentos da Alma. Não é algo cansativo, de ficar três capítulos diretos só nisso. Mas em algumas situações você para e pensa: “isso é tão desnecessário!”, como se aqueles capítulos estivessem ali só para encher as páginas, entendem?

Como disse no começo, pensei que o livro fosse ser um pouco mais pesado, o que infelizmente não é. Pelo menos não esse primeiro livro. Os contos e as situações das mortes é que o tem de mais pesado nele. Isso me deixou um pouco decepcionada, tenho que admitir, pois não esperava ter que lidar com adolescentes cheios de dúvidas logo depois de ter lido Lolita.

Depois de ter escrito o primeiro conto, iludi-me que se tratasse de um horrível engano, de uma obscura coincidência do destino, de uma brincadeira cruel do meu sonambulismo. Mas agora não posso mais fingir que não é nada. Alguém ou alguma coisa está me atraindo para sua armadilha de horrores. Sinto como se fosse uma marionete em suas mãos de morte. p. 173
Mas, apesar das dúvidas de adolescente e dos capítulos remanescentes com as coisas da Alma, eu estava sentindo falta de me envolver tanto com uma narrativa de primeira pessoa. Não que eu goste da protagonista – não gosto nem desgosto –, mas ela tem algo que me atraiu, e é por isso que eu considero o livro bom, uma vez que o enredo em si não é algo muito original.

Uma boa leitura, mas não passa disso. Já estou lendo o segundo livro da trilogia – Sombra – e está no mesmo nível deste. Mas isso fica para outra resenha, certo?

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Vocês devem ter percebido que eu sumi nos últimos dias, não é verdade? Estava super enrolada com as provas da escola e isso acabou tirando todo o meu tempo.
Mas fiquem tranquilos, já estou voltando com tudo!