30/09/2012

II Literarte - São Pedro da Aldeia, RJ

Oi pessoal! Há muito tempo não trazia um post tão especial quanto esse. 
Contei para algumas pessoas no twitter, mas para quem não sabe, vamos lá: no início do mês aconteceu aqui na cidade onde eu moro a II Literarte, uma feira literária organizada pela Livraria Sabor & Saber em parceria com a Prefeitura de São Pedro da Aldeia
Nem preciso dizer para vocês o quanto eu fiquei surpresa quando soube que autores que eu gosto tanto iriam vir, não é mesmo? Ainda mais que o evento foi super organizado, gratuito e houve uma interação com os autores de uma forma que não acontece em eventos maiores, como uma Bienal por exemplo. 
O evento contou com diversas atrações culturais e palestras maravilhosas. Vamos conferir um pouquinho do aconteceu?

Créditos da foto para a Tatiana, do Leitora Viciada.
As autoras Patricia Barboza, Leila Rego e Tammy Luciano fizeram um palestra maravilhosa, falando sobre como é escrever para o público jovem, como estimular a leitura e como os professores podem levar isso para as salas de aula. Além de ser super interessante, a palestra contou com uma enorme participação e empolgação do público, que compareceu em peso, fazendo com que esta ficasse lotada! Parabéns as autoras que conduziram muito bem a palestra.


É claro que eu não podia sair do evento sem pegar vários autógrafos, não é mesmo? Levei meu Garota Replay para ser autografado pela lindíssima Tammy Luciano e gente, vocês não tem noção do quanto ela é um fofa. Na mesma hora em que cheguei e falei: Oi, Tammy!, ela já falou: Ah, você é a menina que eu falei na internet sobre vir pra cá! Pra mim isso foi um máximo gente. Ela é uma fofa, super simpática e se ofereceu para ajudar em qualquer coisa aqui no blog. Além disso, autografou um livro para sorteio. Awn. :)

Outra linda que eu conheci foi a Patricia Barboza. Já a conhecia por causa da divulgação da editora Verus pelo twitter e inclusive votei na capa final do livro As Mais. Então já tinha um tempinho que eu queria ler o livro. A oportunidade surgiu quando soube que ela ia vir e convenci minha mãe a me dar um dinheirinho para comprá-lo! :) Inclusive, minha mãe também achou a Patricia uma linda, super simpática. Já conquistou mais uma fã! 



Também conheci a maravilhosa Leila Rego. Ainda não conheço o trabalho dela, mas tendo como base todas as críticas positivas de blogueiros que eu confio, sei que vou adorar o trabalho dela também. Aproveitei e comprei Amigas (Im)Perfeitas, que a Leila autografou com o maior prazer. Ganhei marcadores e também um botton dela. Também é outra linda, que foi super simpática. Pretendo em breve adquirir os outros livros dela.


Nem preciso dizer que nesse momento em que eu fiquei com as quatro autoras, me senti muito famosa. Eram tantas câmeras que eu não sabia para onde olhar!

  

Além de conhecer essas autoras maravilhosas, quem deu o ar de sua graça no evento foi Pedro Bandeira, um autor que marcou minha infância. Li tantos livros dele que eu nem posso dizer o quanto eu fiquei feliz de estar tão perto dele.
Ele deu duas palestras, uma direcionada para o público jovem e outra direcionada para os professores. É lógico que eu assisti as duas e nossa, como foram maravilhosas. Além de muito informativas, foram bem humoradas e o público adorou!

É lógico que eu não podia perder a oportunidade de conseguir um autógrafo do Pedro Bandeira. Tirei o único livro que tenho aqui comigo no momento do fundo da estante e levei. Agora posso dizer com orgulho: o meu A Droga do Amor está autografado! :D O que eu achei mais legal é que o Pedro não mudou nada! Ele continua com a mesma cara que ele estava em uma foto antiga que eu tinha visto dele. Adorei conhecê-lo e minha mãe só faltou agarrar o coitado. haha


Agora imagem minha felicidade ao saber que o Eduardo Spohr, grande responsável por minha jornada literária até agora, estaria na Literarte. Comecei a contar para todo mundo que eu iria conhecê-lo. Para quem não sabe, comprei A Batalha do Apocalipse no início de 2010, quando eu ainda não lia tantos livros quanto hoje. E foi incrível! Me apaixonei e até hoje está entre os meus queridinhos. O bate-papo com o autor foi incrível, o público compareceu em peso, deixando inclusive várias pessoas de pé. Durou quase 2h e me surpreendi com a imensa participação de todos fazendo várias perguntas ao autor.


É claro que eu não podia deixar de pedir um autógrafo para ele! Mandei minha mãe ficar na fila antes do bate-papo acabar só para garantir. Ele foi super simpático também e gente, preciso falar: como esse cara é bonito! Sério, fiquei boba! E lógico que fiquei dando gritinhos com as amigas que encontrei por lá. haha  Foi incrível, galera! Claro que eu contei que eu tinha um blog e ele adorou saber e disse que apoia e valoriza muito nosso trabalho. Super legal, não é?


 

Tive a super oportunidade de conhecer duas blogueiras lindas que moram aqui na região, a Bianca do Apaixonada por Livros e a Tatiana do Leitora Viciada. Precisamos marcar um encontro, suas lindas!


Enfim galera, eu adorei a Literarte. Um evento maravilhoso e que com certeza motiva muitas pessoas a lerem algo. Super organizado, com um toque original por ser na praia. Legal, não?
Gostaria de agradecer à Livraria Sabor & Saber por trazer um evento tão legal para a cidade. E que venham muitos e muitos mais!

28/09/2012

Resenha: Do Seu Lado

Título: Do Seu Lado
Autora: Fernanda Saads
Editora: Novo Conceito
Páginas: 317

Após um longo tempo de terapia para se recuperar de um fora, Sarah parece estar bem. Quer dizer, ela já recuperou seu peso normal e consegue pensar em outras coisas além de Bruno. O problema é que no fundo ela vive fantasiando o dia em que esbarra com ele na rua e: pimba! Ela está linda e radiante e ele percebe a mancada que deu. Seus planos são simples: reconquistar Bruno e depois dar o troco que ele merece. Mas o destino lhe prega uma peça quando Nestor, seu chefe, pede que ela visite um novo cliente e, de repente, tudo vira de cabeça para baixo. Lá está ela de frente para o seu antigo amor, que parece mais irresistível do que nunca! Enquanto isso, seu melhor amigo, Igor, sempre presente e irritantemente perfeito, não suporta vê-la cair nas garras do bonitão outra vez. Sarah terá que lutar contra os próprios conceitos para descobrir o verdadeiro sentido do amor.

Sabem quando o livro não é uma obra de arte e não te agrada completamente, mas mesmo assim parece que foi certo lê-lo naquele momento? Do Seu Lado foi exatamente assim. Um misto de enredo bobinho, uma enrolação básica e uma história extremamente agradável.

Se eu contar muito sobre a história, ela vai perder a pouca magia que tem. Nada mais é do que um amigo apaixonado pela amiga e que nunca contou por ter medo de arruinar essa amizade, então a amiga fica sem saber e brincando com os sentimentos dele até perceber que talvez possa ter mais alguma coisa ali. Pronto, acabou. Isso tudo com algumas páginas enrolando para dar conteúdo desnecessário ao livro. Pode parecer que eu detestei o livro, mas não. Na verdade, eu gostei e muito. Mas não é um livro original e que vá mudar a vida de alguém.

Já troquei de roupa cinco vezes. Que sensação terrível! Quero parecer mais bonita hoje. Não exatamente porque vou vê-lo, mas porque mostrar que estou bem e feliz. Na verdade, estou muito bem e feliz. Só quero que ele veja o que perdeu. p. 31
O que o torna agradável é que a autora tem um jeito muito fluido de escrever. As frases vão correndo e quando você vê já está terminando o livro. Por mais que tenham várias cenas que chegam a tomar um capítulo inteiro que não acrescentam em nada no enredo geral, que realmente são inúteis, o livro consegue agradar por ser leve, ser gostoso de ler.

É claro que a gente acaba se identificando com os personagens, não tem como não se identificar. O Igor é um cara super fofo e você fica o livro todo pensando: como essa idiota da Sarah pode não notar o quanto o cara é perfeito? A Sarah é complicada, é uma relação de amor e ódio o tempo inteiro (acabei de lembrar da Darcy de Presentes da Vida), porque não dá para entender como ela pode ser tão burra! Não que isso seja uma grande novidade em chick-lits, mas isso chega a irritar!

Estou me sentindo péssima. Por que ele agora prefere a amizade dela? Então era esse o tal compromisso que ele tinha? Por isso não quis sair comigo? Renata é mais legal e engraçada? p. 105
O enredo é clássico, nada de diferente dos usuais chick-lits que a gente costuma ler. Mas gente, não adianta contestar: isso vende. E se vende é porque agrada, não é mesmo? Não é de hoje que os livros nessa temática enrolam e que tem aquela história mais clichê possível. E o resultado? Continuam vendendo e continuam ganhando cada vez mais público. Então eu não vou discriminar de jeito nenhum Do Seu Lado, apesar de ter todo esse aspecto que já citei, pois eu sou uma consumidora de livros assim, gosto muito mesmo!

É mais um livro daqueles: ou você gosta ou não gosta. Não recomendo pra quem não gosta de chick-lits, pois vai ter uma baita decepção. Pra quem gosta, está aí uma dica maravilhosa de um livro nacional na temática e que é bem gostoso de ler. 

27/09/2012

Lançamentos #15: Novo Conceito

A editora Novo Conceito anunciou super lançamentos para o mês de outubro. Vamos conhecê-los?


Título: Romeu Imortal
Autora: Stacey Jay
Páginas: 320

Amaldiçoado a viver por toda a eternidade em seu espectro, Romeu, conhecido por seus modos rudes e assassinos, recebe uma chance de se redimir viajando de volta no tempo para salvar a vida de Ariel Dragland. Sem saber, Ariel é importante para os dois lados, os Mercenários e os Embaixadores, e tem o destino do mundo nas mãos. Romeu deve ganhar seu coração e fazê-la acreditar no amor, levando-a contra seu potencial obscuro antes de ser descoberto pelos Mercenários. Enquanto sua sedução se inicia como outra mentira, logo ela se torna sua única verdade. Romeu jura proteger Ariel de todo o mal, e fazer qualquer coisa que for preciso para ganhar seu coração e sua alma. Mas quando Ariel se decepciona com ele, ela fica vulnerável à manipulação dos Mercenários, e sua escuridão interna poderá separá-los para sempre.

 Título: Laços Inseparáveis
Autora: Emily Giffin
Páginas: 448
A autora de cinco romances de sucesso, Emily Giffin, lança uma história inesquecível de duas mulheres, as famílias que a fazem ser quem são, e a lealdade e o amor que as ligam.
Marian Caldwell é uma produtora de televisão de 36 anos, vivendo seu sonho em Nova York. Com uma carreira bem-sucedida e um relacionamento satisfatório, ela convenceu todo mundo, inclusive si mesma, que sua vida está do jeito que ela deseja. Mas uma noite, Marian atende a porta... para apenas encontrar Kirby Rose, uma garota de 18 anos com a chave para o passado que Marian pensou ter deixado para trás para sempre. Desde o momento que Kirby aparece na sua porta, o mundo perfeitamente construído de Marian — e sua verdadeira identidade — será chacoalhado até o fim, fazendo ressurgir fantasmas e memórias de um caso de amor apaixonado que ameaça tudo para definir quem ela realmente é.
Para a precoce e determinada Kirby, o encontro vai provocar um processo de descobrimento que a leva ao começo da vida adulta, forçando-a a reavaliar sua família e seu futuro com uma visão sábia e doce.
Enquanto as duas mulheres embarcam em uma jornada para encontrar o que está faltando em suas vidas, cada uma irá reconhecer que o lugar no qual pertencemos normalmente é onde menos esperamos — um lugar que talvez forçamos a esquecer, mas que o coração se lembra eternamente.

24/09/2012

Resenha: Jogador nº1

Título: Jogador nº1
Autor: Ernest Cline
Editora: Leya
Páginas: 464

Cinco estranhos e uma coisa em comum: a caça ao tesouro. Achar as pistas nesta guerra definirá o destino da humanidade. Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência. A vida, os perigos, e o amor agora estão mais reais do que nunca.

Eu preciso que alguém se solidarize com o que eu estou sentindo agora. Estou sentindo uma abstinência, uma vontade de voltar para o OASIS agora. Fui gamer há alguns anos e esse livro caiu como uma luva. Ou seja, eu estou apaixonada por esse livro.

Em 2044, o mundo está um caos. A natureza está morrendo, os humanos estão cada vez mais desacreditados. É nesse contexto que um jogo salva todos dessa terrível realidade: o OASIS é uma realidade virtual de imersão, um jogo de MMORPG (Massive Multiplayer Online Role-Playing Game – ou, na tradução, jogo online de interpretação de personagens de múltiplos jogadores) onde as pessoas estão se refugiando. Se adaptando ao mundo real, o OASIS oferece desde escolas públicas online até a possibilidade de trabalhar no jogo.
Só que, ao morrer, o criador do jogo, James Halliday deixou um item raro no jogo e, ao conseguir este item o jogador ficaria com toda sua fortuna (só eu que vi uma referência a Willie Wonka?).
É nesse contexto que conhecemos Wade – ou Parzival, nome de seu avatar –, um garoto pobre e órfão que se torna um grande caçador deste item raro. E é a partir daí que o enredo se desenvolve.

"O ser humano é uma porcaria na maior parte do tempo. Os videogames são a única coisa que tornam a vida suportável." - Almanaque de Anorak, Capítulo 91, versos 1-2 – p. 19
Como eu queria chegar aqui e contar tudo do livro para vocês. Estou tão empolgada que fico com medo de acabar contado demais e estragar as surpresas. Mas vou me conter e tentar falar tudo direitinho para vocês. Mas antes, preciso que vocês entendam o quanto eu estou animada: a leitura foi tão maravilhosa que eu me pegava lendo devagar e até brigando com o livro quando ele ficava com aquele alerta piscando: me leia! Gente, para eu chegar a esse ponto, é porque a situação estava feia. Ou linda, na verdade.

O livro é cheio de referências a cultura pop dos anos 80, pois estas são as dicas para achar o Easter Egg de Halliday (o item raro do jogo). Eu ficava dando gritinhos quando reconhecia algum filme, videogame ou música citada. Jogador nº1 é tão completo nessas referências que eu cheguei a ficar admirada com o tanto de pesquisa que o autor deve ter feito para colocar tudo de uma forma interligada e de uma maneira que não cansasse quem não conhece muitas coisas dessa década.

A narrativa é em primeira pessoa e eu me senti quase uma amiga íntima do Parzival. Por mais que ele nos encha com informação algumas vezes – o que chega a deixar algumas referências um pouco confusas –, eu me senti uma caçadora. Diversas vezes fiquei procurando dicas e tentando desvendar os mistérios durante o jogo para que ele chegasse ao Easter Egg. Não sei se isso se deve ao fato de que eu já joguei MMORPG por alguns anos, mas eu estava imersa no jogo. O OASIS acabou se tornando parte dos meus dias, quase como um refúgio – assim como era para os jogadores.

Antes do OASIS, os jogos on-line de múltiplos jogadores estavam entre os primeiros ambientes sintéticos compartilhados. Eles permitiam que milhares de jogadores coexistissem simultaneamente dentro de um mundo simulado, ao qual se conectavam a internet. O tamanho geral desses ambientes era realmente pequeno, em geral, um mundo único ou uma dezena de pequenos planetas. O OASIS continha centenas (e às vezes milhares) de mundos em alta resolução 3D para as pessoas explorarem, e casa um deles era organizado com detalhes gráficos meticulosos, com insetos, folhas, grama, vento e padrões de clima. Os usuários podiam se mover por esses planetas e nunca ver o mesmo terreno duas vezes. Mesmo em sua versão mais primitiva, o escopo da simulação era assombroso. p. 76
O único defeito que notei foram algumas traduções desnecessárias. Como já tinha visto que isso poderia acontecer na resenha do Luciano, fui já sabendo o que ia encontrar. Mas mesmo assim acabei me irritando um pouco com algumas traduções que não deveriam estar ali. Acho que quem entende o pouco que seja sobre jogos, vai concordar comigo. Porém, para aqueles que não entendem nada, isso foi uma coisa boa para ampliar o público do livro. Então depende de que lado você está.

Altamente recomendado para os geeks de plantão, e com certeza vão amar cada página desse livro. Mas ele atende a um público bem amplo, que procuram um livro quase distópico (eu não o enquadraria como distopia, mas tem gente que o faz, então...) e que vai fazer você se sentir dentro do jogo. Vamos procurar o Easter Egg de Halliday?

Obs.: O livro já teve seus direitos comprados para ser adaptado para os cinemas pela Warner Bros. Nem preciso dizer que estou super ansiosa, não é mesmo? 

21/09/2012

1 ano do Estante Vertical


Estou aqui tentando pensar em como vou colocar em palavras tudo o que estou sentindo aqui. 1 ano, não esperava que fosse chegar tão longe. E bom, aqui estamos.
Quando fiz o Estante Vertical, eu já acompanhava blogs literários há quase dois anos e era tão bom ler pessoas criticando algum livro que eu li e concordar ou até mesmo discordar da opinião delas! Aliás, foi por causa dos blogs literários que eu acabei aumentando o meu ritmo de leitura, que eram de míseros 3 livros por ano.
Só que, ao ler mais e mais livros, eu queria comentar com alguém. Tentei falar com amigos mas acabei recebendo só alguns Cala a boca! e Lá vem você de novo com isso! Então resolvi fazer um blog. E essa ideia ficou comigo meses até finalmente sair da minha cabeça e se tornar real.
Então, no dia 21 de setembro de 2011 ia ao ar o primeiro post do blog. Foi um passo e tanto para mim. No começo, pensei que talvez eu só conseguiria mantê-lo por alguns meses, como todos os outros blogs que um dia já criei. 
Mas, ao longo do tempo, acabei me apaixonando pelo o que eu faço aqui. É tão bom colocar o que eu achei de um livro e alguém me dizer: eu também já li e achei a mesma coisa que você! ou não concordo, mas respeito sua opinião.
Ao mesmo tempo em que eu encontrei um lugar onde eu posso expressar tudo o que eu sinto a respeito do que eu gosto, eu acabei encontrando muitos amigos. Alguns me apoiaram muito no início e acabei perdendo-os nesse longo tempo, outros me acompanham até hoje. Outros ainda eu conheci há pouco tempo e já se tornaram mais do que especiais. Na verdade, considero todos os meus leitores grandes amigos, que sempre estão me apoiando e me ajudando quando preciso. Não preciso citar nomes, mas aqueles que são especiais sabem que são. De verdade, se não fosse por vocês, talvez o blog não teria durado até hoje e alcançado tudo o que conquistou. É por isso que eu digo de todo o meu coração para vocês: obrigada por estarem comigo nessa
Não posso deixar de agradecer as minhas queridas editoras parceiras. Todas elas são especiais e ajudaram o EV a crescer. Obrigada pela confiança!
Talvez palavras sejam pouco para expressar tudo o que eu estou sentindo. Felicidade. Ansiedade pelo o que está por vir. Gratidão. Empolgação. É tanta coisa misturada que eu realmente não sei dizer a vocês o que se passa aqui. 
Mas é com muito orgulho que digo que, 1 ano depois, estou com todo o gás para mais um, dois, cinco anos. Estou empolgada para o que está por vir e eu tenho certeza que será tão bom ou até melhor do que vivi esse ano. E tudo graças a vocês. Vocês são incríveis! 

19/09/2012

Resenha: Dias Contados, vol. II

Título: Dias Contados, vol. II - Contos sobre o fim do mundo
Autor: Vários autores
Editora: Andross
Páginas: 96

Nos séculos que se passaram, eventos naturais como eclipses, erupções vulcânicas e maremotos foram encarados como sinais do fim dos tempos. Houve pânico e suicídios na passagem do ano 999 para o 1000. Mas a aurora surgiu, e então, tempos depois, uma suposta profecia, atribuída a Michel de Nostradamus, sobressaltou novamente os crédulos: De 1000 passarás, mas em 2000 não chegarás… Entretanto o Sol nasceu no primeiro dia do ano que não chegaria. Agora o mundo volta seus olhos para 2012, o último ano do calendário maia. Segundo alguns estudiosos, quando esse ano chegar, o planeta sofrerá transformações até então desconhecidas e uma nova era surgirá. Os alarmistas já se preparam literalmente para o fim do mundo. Neste novo volume do Dias Contados, escritores visionários trazem à tona mais argumentos para aguçar as expectativas dos crédulos nas transformações desta era. Não deixe de ler este livro. Afinal, ele pode ser sua última leitura.

Eu não costumo ler muitos livros de contos, porém quando surge oportunidade de ler algum, não costumo dispensar. Acho que todo mundo tem que sair da sua “zona de conforto” de vez em quando e ler outros estilos.
Li esse livro no começo do ano, eu acho, fiz a resenha, mas acabei não postando por causa da falta de tempo mesmo. Então tive que reformular e bom, aqui está.

Dias Contados II, é uma antologia da editora Andross que tem como foco o fim do mundo. Nos contos, várias são as causas para esta calamidade e todas acabam trazendo alguma surpresa no final.

Segundo a profecia, uma mudança aconteceria entre 1950 e o ano 2000, e quem não ouvisse a palavra de Deus iria sofrer com os males causados pela falta da fé. Metade da população mundial perderia a vida pelo simples fato de não crer. As pessoas materialistas padeceriam. p. 37
O que me chama mais atenção em uma antologia é que encontramos diversos estilos de narrativa por serem vários autores e isso faz com que você não se canse dos contos, apesar de todos terem o mesmo plano de fundo.
Outra coisa é que, por serem curtos, você pode ler um conto agora, outro daqui a pouco, outro amanhã e isso não vai fazer com que você perca a continuidade do livro, já que eu sei que essa característica é muito importante para muitos leitores – inclusive para mim.

Não vou falar sobre cada conto, pois sei que vocês vão acabar achando isso chato e eu não quero deixar a resenha entediante. Mas é claro que tem alguns que se destacam, e não, não é pelo fato de eu conhecer os autores... Mas isso não está em questão (risos). O que importa aqui é que eu recomendo principalmente os contos Holocausto do Gabriel Valeriolete e A Profecia Não Se Realizará do Ricardo Biazotto.

Particularmente, eu não sou aquelas que gostam muito de livros sobre o fim do mundo. Entendam: não é que eu não leia, só não é meu estilo favorito. Porém eu gostei muito de Dias Contados, nesse ponto os contos foram muito bem vindos porque não é um livro com um enredo central que vai se desenvolvendo ao longo das páginas. O conto tem cinco páginas e acaba ali. Então a temática acabou caindo bem melhor nessa organização para mim.

Atordoados, voltaram seus olhos para os céus uma última vez. Entretanto, já não se viam olhares de esperança ou de oração, apenas súplicas e pedidos de piedade, exclamando pelos olhares, numa gritaria ensurdecedora velada no silêncio insano daquele instante. O silêncio da espera, o silêncio do fim. p. 67
Para aqueles que nunca leram um livro de contos – e eu sei que são muitos – uma recomendação é começar a ler antologias o quanto antes. É diferente, é gostoso... Enfim, não importa, vocês vão gostar, desde que seja com uma temática que vocês gostem e a gama de estilos é enorme. Então não tem desculpa, viu?

Recomendo Dias Contados principalmente para quem gosta de livros nesse estilo. Com certeza essas pessoas vão gostar. Para aqueles que não gostam, bom, aí não vai ser uma boa pedida. Vão por mim: anotem a dica.   

18/09/2012

Promoção: Dia das Crianças

Oi pessoal! Mais uma super promoção para vocês! Agora são 18 livros para 9 ganhadores
Vamos participar? Boa sorte!


  • Regras:

- Seguir todos os blogs.
- Ter endereço de entrega no Brasil.

16/09/2012

Resenha: Clube da Insônia

Título: Clube da Insônia
Autor: Tico Santa Cruz
Editora: Belas Letras
Páginas: 104
Na noite, a fúria e a paixão se encontram. O submundo emerge às ruas, evocando gente esquecida que não tem vez nem voz e perambula pela cidade em busca de luz. A noite também é a casa da diversão sem hipocrisia, da embriaguez, da luxúria, das angústias e das reflexões de quem não consegue adormecer antes de a loucura se recolher novamente aos seus abrigos diurnos. De olhos bem abertos, o músico Tico Santa Cruz, líder da banda Detonautas Roque Clube, leva o leitor a um mergulho na escuridão para compartilhar seus medos e seu inconformismo, em textos viscerais que pulsam do início ao fim, madrugada adentro, até o sol nascer.

Por incrível que pareça, li esse livro em uma madrugada em que eu estava com insônia. E não, não foi planejado. Eram 2h da manhã e eu não conseguia dormir, então pensei em ler. Só que o livro que eu estava lendo do momento não estava em uma parte muito legal, então vi Clube da Insônia na estante e comecei a ler. Só sei que, em algum momento da mesma madrugada, após a leitura, eu já estava colocando o livro entre um dos melhores do ano.

Esse não é um livro que segue um padrão. É composto por contos, crônicas, poesias... Enfim, um grande desabafo do Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas Roque Clube. Mas foi isso que acabou me conquistado: essa diversidade de gêneros fez com que todos esses desabafos não se tornassem enjoativos, entendem?

Se você soubesse a confusão que está na minha cabeça nesse momento – sussurrou –, abriria a tampa dessa caixa craniana, arrancava cada miolo, desmontaria feito quebra-cabeça, e montava tudo de novo. Como assim? Assim mesmo. O que há de errado? Tudo está errado, e por outro lado, quando tudo está errado, é o certo que se torna o errado. Estou confuso. p. 10
O livro é dividido em duas partes. Na primeira, o Tico fala mais sobre seus pensamentos, emoções e devaneios, criando uma atmosfera por vezes até um pouco densa demais – nada que atrapalhe –; já na segunda, vemos uma grande crítica política e social, onde suas opiniões são dadas de maneira crua, é aquilo o que ele acredita e ele não tem vergonha de expô-las.

Não sei se foi por causa da hora em que eu li – de madrugada tudo o que a gente lê parece mais significativo –, mas o livro me envolveu de uma forma tão anormal. Como se eu seguisse “nas ondas” que ele tinha e foi tão gostoso, porque a gente passa a ter uma intimidade com o autor e estabelecemos uma ligação durante toda aquela leitura que é realmente muito boa de ter.

Uma coisa que eu tenho que comentar e que eu vi também na resenha do Ricardo, é que, durante todo o livro, temos um contato com a musicalidade que, creio eu, sai do Tico mesmo sem ele perceber. É algo dele, por ser cantor e compositor, ter essa musicalidade impregnada em tudo que escreve. Então vemos isso, não muito explícito, mas dá para notar, está ali e isso torna o ritmo de leitura muito melhor.

O mundo “encaretou” de vez.
A onda, politicamente correta, vai mascarando a hipocrisia como se fosse uma festa à fantasia. O acesso fácil à informação diluiu o conhecimento. É uma piscina olímpica, porém rasa, como uma banheira para bebês. Uma geração criada por outra geração, que foi criada para engolir sem mastigar. Recebemos uma herança de mingau: colheradas na boca e tapinhas no bumbum. p. 82
O destaque vai para a parte gráfica do livro. A editora Belas Letras fez um trabalho impecável, enchendo os olhos de quem for. Páginas brancas e pretas alternadas, ilustrações maravilhosas. Não dá para explicar o quanto essa parte ficou bem feita.

Sem mais delongas, esse é um livro que eu recomendaria de olhos fechados. Uma leitura diferente, um pouco mais densa apesar de ser incrivelmente gostosa, ótima para quem está procurando livros assim. Fica a dica.

14/09/2012

Biografias #10: Ian McEwan


Ian McEwan nasceu no dia 21 de junho de 1948, em Aldershot, na Inglaterra.  É conhecido por muitos como Ian Macabro, por causa das temáticas abordadas em suas primeiras obras.
Seu trabalho é aclamado internacionalmente, tendo ganhado diversos prêmios por suas obras, como o Man Booker, um dos prêmios literários mais importantes concedidos na atualidade.
Muitos consideram o livro O fardo do amor, uma obra-prima e um dos melhores livros sobre uma pessoa com síndrome de down.
É dito pelos críticos como um dos melhores autores da nossa geração.
Seu último livro lançado no Brasil pela editora Companhia das Letras é Serena (resenha).

11/09/2012

Resenha: Ídolo Teen

Título: Ídolo Teen
Autora: Meg Cabot
Editora: Galera Record
Páginas: 272

Jenny Greenley, estudante do ensino médio, é boa em solucionar problemas... tão boa que se tornou a conselheira anônima do jornal da escola. Ainda que resolver os problemas dos outros não faça os seus desaparecerem - como o de não ter namorado -, é uma tarefa muito divertida. Mas quando o jovem Luke Striker, ídolo das telas, vai à cidadezinha de Jen fazer "laboratório" para um personagem, cria um tumulto que nem mesmo a sensata Jenny sabe se pode consertar... Principalmente porque está mais do que envolvida na história. Será que Jen, a confidente de todas as horas, que sempre consegue ajudar todo mundo, vai aprender a seguir o próprio conselho e finalmente encontrará o verdadeiro amor?

Preciso contar algo para vocês: eu não sei por que diabos eu deixei de ler Meg Cabot. Essa mulher consegue te envolver com o enredo de uma forma que mesmo quem não gosta de chick-lits vai ler o livro e vai gostar mesmo sem perceber.

Jenny se dá bem com todo mundo. É aquela garota que consegue lidar com os populares e ajudar aos excluídos e ainda ser querida por todos. É por isso que a direção da escola a escolhe para uma missão: o astro de Hollywood, Luke Striker, vai passar duas semanas na sua escola para fazer uma pesquisa para seu próximo papel, então Jenny será a responsável por manter a identidade dele oculta e ainda guiá-lo nos próximos dias.

Disse para ele não se preocupar, depois voltei para o dever de trigonometria. Porque até mesmo garotas que não são desse tipo têm que fazer o dever de casa.Até mesmo garotas que, sem que o resto do mundo saiba, estão para ser amigas de um grande astro como Luke Striker. p. 52
Eu ainda estou aqui lamentando o tempo perdido. Acho que o último livro que li da Meg Cabot foi Insaciável (que foi uma baita decepção) e isso foi há quase um ano. Desde então, ficava dizendo sempre: eu tenho que ler um livro da Meg. Eis que surge a oportunidade de ler Ídolo Teen e não me arrependo nem um pouco.

Se existe algum ponto que eu tenho que destacar, são os personagens. Eu acho incrível como a Meg consegue torná-los tão reais. Acho que isso é algo que eu procurei em outros autores de chick-lit (não que eu tenha lido muitos) e não consegui achar um que conseguisse fazer isso de uma forma tão maravilhosa como ela faz. Por vezes eu imaginava pessoas que eu conhecia sendo os personagens, então isso fez com que o livro tivesse uma identificação única.

E eu não preciso, mas vou comentar: não é à toa que 90% dos que já leram algo da autora gostam do que ela escreve. E é claro que isso tem explicação: é difícil encontrar um autor que consegue te envolver a ponto de ler o livro em poucas horas e sem se cansar. Isso se deve ao fato das tiradas engraçadas que a autora conseguiu colocar no enredo, principalmente com relação a melhor amiga da Jenny, que é super engraçada. Claro que não pode faltar o romance, que a Meg conseguiu colocar de um jeito tão bonitinho (suspiros).

Eu deveria saber que todo mundo na escola ia se apaixonar por Luke. Quero dizer, mesmo disfarçado de Lucas Smith, ele é totalmente gato. p. 82
O que é super legal no livro é que, para dividir os capítulos do livro, são usadas as colunas que a Jenny publica no jornal da escola. Além de ser super divertida, dá um charme super especial à diagramação do livro.

Só sei que se me deixarem vou continuar só nos elogios para a Meg e só vou parar amanhã. Ídolo Teen é ideal para aqueles que procuram uma leitura mais leve, divertida e onde você vai encontrar muitas histórias semelhantes ao seu Ensino Médio. 

09/09/2012

Espaço do Autor: Lu Piras

Olá leitores! Não postava essa coluna havia algum tempo, mas aqui está ela de volta. Dessa vez, temos como convidada Lu Piras, a autora do livro Equinócio - A Primavera.
O tema dessa vez é A importância do autor nacional. Vamos conferir?



A cidade do Rio de Janeiro é o pano de fundo onde a estudante de medicina Clara vive sua rotina diária com a família e amigos. O que ela não imaginava é que tudo o que acreditava estivesse prestes a mudar, com a visita inusitada de um anjo. As força do mal ameaçam escravizar a raça humana e, para impedir, o anjo da guarda Nath-Aniel (Nate) vem à Terra, disfarçado de humano, para alertar sua protegida Clara de que sua vida está em risco. Proibido de agir em nome dos humanos e alterar seus destinos, o anjo acaba por se envolver demasiado quando revela a Clara que o pai dela, um renomado cientista, é o responsável pela descoberta que despertou as forças do mal: a fórmula da perpetuação da vida humana (criônica). Toda a missão da legião de anjos celestiais é colocada em risco quando Nate e Clara se apaixonam.

07/09/2012

Teste: que livro você é?

Estava aqui procurando alguns testes legais para fazer - não que eu confie muito no resultado destes, só faço mesmo para passar o tempo - quando me deparei com um teste que achei que vocês iriam adorar: que livro você é?



O teste foi disponibilizado no site da Abril em um espaço chamado Educar Para Crescer, que é um movimento apoiado pelo Ministério da Educação para destacar a importância da educação para o crescimento do Brasil e de seus cidadãos. 
Ao final do teste, você terá como resultado um ou mais livros nacionais que combinem com você.
Não se enganem: as perguntas podem parecer um pouco nada a ver com literatura - salvo algumas -, mas elas foram muito bem elaboradas para te darem um resultado super certo. Bom, pelo menos comigo combinou bastante.
Vejam os meus resultados:

05/09/2012

Resenha: Serena

Título: Serena
Autor: Ian McEwan
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 384

Ao ser contratada pelo MI5, o Serviço Secreto Britânico, a protagonista Serena se vê como participante de uma mentira cujo objetivo é fomentar a criação de uma ficção. Isso porque ela é incumbida de estabelecer contato com um escritor a quem não pode contar que é uma espiã, nem que o dinheiro que ele passará a receber virá do Estado. Mas o contexto de toda essa armação é uma guerra muito real, num período (começo da década de 1970) bastante violento da história da Inglaterra, especialmente por causa da atividade do IRA. E, para Serena, o caso envolve ainda sua vida pessoal, tanto no que se refere a seu antigo amante, que a introduziu no MI5, quanto no que se refere ao escritor que é vítima do ardil, por quem acaba se apaixonando. Ela é, portanto, agente e vítima, personagem e criadora, num romance em que todos esses papéis são questionados com fervor.


Estou aqui olhando para uma página em branco do Word, incerta do que falar sobre esse livro. Acho que quando a gente gosta muito de um livro é quase impossível você transmitir tudo o que sentiu com ele. E é exatamente o que eu estou sentindo agora. Serena conquistou seu lugar de prestígio entre meus favoritos.

Não dá para explicar algum livro do McEwan. Antes de lê-lo, já sabia que o que eu ia encontrar seria singular. Do mesmo autor de Reparação (que foi adaptado para o filme Desejo e Reparação), Serena pode ser considerado diferente de tudo o que eu já li.

Eu queria personagens em que eu pudesse acreditar, e queria que me deixassem curiosa sobre o que iria acontecer com eles. De maneira geral, eu preferia que as pessoas estivessem ou no começo ou no fim de uma paixão, mas não fazia muita diferença se elas tentavam outras coisas pelo caminho. Era vulgar admitir, mas eu gostava que alguém dissesse “Case comigo” no fim. p. 13
Serene Frome é da geração pós-Segunda Guerra Mundial, época em que os jovens são tratados com todas as regalias que os pais podem dar, a tensão política e econômica ainda assola todo o mundo e as mulheres estão começando a conquistar seus direitos de igualdade.
Apesar de ser apaixonada por literatura, acabou se formando em matemática por pura pressão de sua mãe, que queria que ela tivesse algum futuro. Ao se envolver com um ex-agente do MI5 (serviço britânico de inteligência), ela acaba indo trabalhar nesse serviço do governo. Por sua paixão de livros, ela é designada para uma missão com um escritor, só que ela não esperava se apaixonar por ele.

Serena é um livro que pode ser visto de vários ângulos: pode ser considerado político/econômico, devido às várias referências as tensões que assolaram a Europa pós-guerra e a Guerra Fria entre Rússia e EUA, que acabou afetando o mundo todo; pode ser visto como um livro romântico, em que uma mulher está à procura do amor de sua vida e também como um livro de referências bibliográficas, devido aos vários grandes autores citados em suas páginas. Em suma, Serena é composto por uma grande teia de ideologias, romance e literatura.

Essa mistura me deixou claro que esse não é um livro que qualquer um vai gostar. Muita gente vai acabar se cansando com a narrativa, já que são feitas muitas referências políticas e eu sei que muita gente não gosta. Mas tenho que admitir que isso me deixou em êxtase! Acho o que aconteceu comigo após a leitura só tinha acontecido uma vez, em O Palácio de Inverno: fui procurar mais sobre a época retratada. Procurei sobre os serviços de segurança, procurei mais sobre as guerras... Enfim, foi um livro que ficou marcado e me deixou pensando durante dias depois de tê-lo terminado. Sem contar com a noite de insônia após a leitura pensando no que eu ia escrever aqui.

Mas graças a Tony agora eu sabia o trabalho que tinha sido erigir a sociedade ocidental, por mais que ela fosse imperfeita. Nós estávamos tendo que suportar um governo com problemas, as nossas liberdades eram incompletas. Mas neste canto do mundo os nossos líderes não tinham mais poder absoluto, a selvageria era basicamente uma questão privada. Fosse o que fosse que estava sob os meus pés nas ruas do Soho, nós tínhamos nos erguido da lama. p. 52
Um dos motivos de eu ter gostado tanto desse livro também foi a minha identificação com os personagens. A própria Serena é incrível e sua paixão por livros pode ser motivo de identificação de muitos de nós. Além dela, personagens secundários como o Tom Healy (escritor com quem ela foi trabalhar), que fez com que eu lembrasse alguém o livro todo, fizeram toda a diferença no enredo.

Mas o que ficou marcado em Serena foi a grande surpresa que eu tive. Não esperava de jeito nenhum o que aconteceu e esse é um ponto destaque do livro. Ainda estou boquiaberta aqui. Como diz a contra-capa: Afinal, um romancista é um ótimo espião. O que, neste romance, o leitor também precisará ser. Deixei vocês curiosos?

Só sei que se eu falar mais vou acabar contando tudo. Então, minha (enorme) resenha fica por aqui. Um livro mais do que recomendado e que, se eu pudesse, compraria milhões de exemplares e sairia distribuindo por aí só para todos terem o prazer que é essa leitura. 

03/09/2012

Resenha: A Idade dos Milagres

Título: A Idade dos Milagres
Autora: Karen Thompson Walker
Editora: Paralela
Páginas: 216
Em um sábado aparentemente comum, na Califórnia, Júlia e sua família acordam e descobrem, com o resto do mundo, que a velocidade de rotação da Terra está diminuindo. Os dias e as noites vão ficando mais longos, fazendo com que a gravidade seja afetada e o meio ambiente entre em colapso. Pássaros desorientados caem mortos do céu, centenas de baleias encalham na praia, as marés saem de controle. Enquanto alguns entram em pânico, outros procuram viver como se nada estivesse acontecendo, agarrando-se a qualquer custo à sua rotina e ignorando a evidência de que o fim do mundo se aproxima. Ao mesmo tempo que luta para sobreviver às mudanças e se adaptar à nova "normalidade", Júlia tem que lidar com os problemas típicos da adolescência e os desastres do cotidiano: a crise no casamento de seus pais, a perda de antigos amigos, as amarguras do primeiro amor e o estranho comportamento de seu avô, que acredita que tudo se trata de uma conspiração do governo e passa os dias catalogando suas posses obsessivamente. Com uma prosa econômica e prazerosa e a sabedoria emocional de uma contadora de histórias nata, Karen Thompson Walker criou uma narradora singular em Júlia, uma garota forte e perspicaz. Entre as tradições do romance de formação e do filme catástrofe, A Idade dos Milagres é uma obra visionária que discute a capacidade de adaptação do homem, traçando um retrato comovente da vida familiar em um mundo gravemente alterado. 

Estava bem ansiosa para ler A Idade dos Milagres. A sinopse prometia um enredo original e, além disso, já tinha lido algumas resenhas bem positivas – e tive que ouvir certa pessoa me falando: Leia, leia! Só que, no final das contas, o livro revelou-se não apenas bom, mas maravilhoso.

A notícia veio quando a população menos esperava: a velocidade da rotação da Terra está diminuindo. Os dias estão ganhando alguns minutos a mais, ficando cada vez mais longos. O equilíbrio natural está comprometido e todos estão à procura de uma solução para encarar essa nova realidade. Enquanto isso, Julia, que está com 11 anos, a famosa idade dos milagres, passa pelas transformações que a adolescência traz em meio a todo esse caos.

A notícia chegou num sábado.
Na nossa casa, ao menos, a mudança havia passado despercebida. Ainda dormíamos quando o sol surgiu naquela manhã, de modo que não percebemos nada diferente no horário do alvorecer. Aquelas últimas horas antes de ficar sabendo da desaceleração permanecem na minha memória – mesmo depois de tantos anos –, como se estivessem aprisionadas em um pote de vidro. p. 9
O tom realista do enredo é um ponto que deve ser destacado. Karen Thompson Walker conseguiu mostrar uma realidade quase apocalíptica que uma alteração nos nossos padrões pode gerar. Era agonizante ver tudo o que eu conhecia – desde a concepção de o que é dia e o que é noite, até a morte dos pássaros e a mudança das marés – simplesmente desmoronar. Conseguir misturar toda essa situação com a vida de uma adolescente é ainda mais legal, pois, por mais inocente que a visão dela possa parecer, o novo mundo é retratado de uma maneira sem igual.

Por mais que haja poucos diálogos, coisa que eu acabei sentindo falta, a narrativa feita pela Julia é suficiente para termos uma visão completa desse mundo onde nada do que a gente sabe faz mais sentido. Mas era comum eu chegar a um momento que essa escassez de diálogos me cansava, mas isso no final foi necessário, já que, como são poucas páginas, as muitas explicações para alterar nosso modo de ver o novo cenário precisaram ser condensadas nelas. É claro que só percebemos isso no final da leitura, então, até lá, foi preciso encarar esses momentos monótonos.

O que não me fez achar esse livro ótimo foi que o enredo seguiu um rumo que eu não esperava e não queria. Torcia para que acontecesse algo totalmente diferente, mas infelizmente o livro não seguiu como eu esperava. Isso acabou me decepcionando, já que eu tinha grandes expectativas para o final que eu queria. Mas, dependendo do ponto de vista, isso pode ser encarado como algo bom também, já que a autora conseguiu me surpreender.

Os dias se passaram. Manhãs e noites no Horário do Relógio. Trevas e luz cruzavam o céu feito de tempestades, sem ter mais ligação com nossos dias ou nossas noites. O crepúsculo chegava, às vezes, ao meio-dia; outras vezes, o sol não se levantava até o entardecer e atingia o zênite no meio da noite do relógio. Dormir era difícil. Acordar, mais ainda. Insones andavam pelas ruas. E a Terra continuava a girar, cada vez mais lentamente. p. 81
Preciso comentar: a capa do livro brilha no escuro! E não, não é história de pescador! A capa, além de ter me chamado muito a atenção pela arte, ainda vem com esse detalhe incrível que faz todo sentido ao ler a sinopse e ainda mais depois que vocês leem o livro.

Para aqueles que estão pensaram ao ver a capa: esse livro parece ser muito adolescente... Fica a dica: ele não é. É claro que ele pode ser lido por qualquer um, mas não é um daqueles livros que você já classifica como adolescente e já tira da lista de leitura. É um enredo original e que merece ser lido.