26/12/2012

Resenha: Não me abandone jamais

Título: Não me abandone jamais
Autor: Kazuo Ishiguro
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 344

Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de "cuidadora". Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados. No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os "alunos" de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição. 
Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino - doar seus órgãos até "concluir". Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses "doadores", em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.

Vi a adaptação cinematográfica desde livro em 2011 e desde então ele está no topo dos meus desejados. Quando finalmente surgiu uma oportunidade de lê-lo, não pude deixar passar. Apesar de ter me decepcionado em algumas partes, tive uma grande surpresa, principalmente com a narrativa do autor.

Com um enredo totalmente inovador, Não me abandone jamais é considerado uma distopia, só que é melhor não ir esperando algo como Jogos Vorazes. O livro de Kazuo Ishiguro consegue através de algo aparentemente mórbido nos tocar com suas lições sobre o que é ser humano.

Me chamo Kathy H. Tenho trinta e um anos e sou cuidadora há mais de onze. Tempo demais, eu sei, mas eles querem que eu fique mais oito meses, até o fim do ano. O que dará quase exatos doze anos de serviço.Sei que o fato de ser cuidadora há tanto tempo não significa necessariamente que meu trabalho seja considerado fantástico. p. 9
O ponto alto do livro é a narrativa. Com uma narrativa em primeira pessoa do ponto de vista da Kathy H. com seus 31 anos, o livro todo é baseado nas suas memórias. Somos levados por sua infância na escola de Hailsham, por sua adolescência partilhada com Ruth e Tommy e por seus últimos anos como cuidadora. Todos esses fatos ficam se alternando, passado e presente contados ao mesmo tempo. A cada situação nos deparamos com perguntas sobre o que é certo e o que não é, sobre o que é feito e sobre o que deveria ser feito.

O livro demora um pouco para se desenrolar e isso até o deixa um pouco carregado para aqueles que não estão acostumados com o estilo de narrativa que mais escreve nas entrelinhas do que nas linhas propriamente ditas. É uma narrativa leve e que conta as coisas aos poucos, uma narrativa que pede paciência ao leitor.

Talvez o maior problema que eu tive com relação a esse livro foi ter visto o filme antes. É claro que sem ele muito provavelmente eu não teria lido o livro, mas isso fez com que grande parte da emoção do livro fosse perdida, até porque eu não tive aquela surpresa quando alguns fatos apareceram no livro.

Deve ser por isso que eu achei que o romance envolvido (não, não vou contar quem é o casal, ou os casais) um pouco forçado demais. Não senti a atmosfera de romance. E eu esperava bem mais nesse quesito do livro, uma vez que no filme isso é bem destacado. Uma baita decepção, mas que foi superada por todo o contexto geral de Não me abandone jamais.

A teoria de Tommy, no entanto, cheira demais a conspiração, no meu entender – não creio que nossos guardiões fossem tão habilidosos assim –, mas sem dúvida existe nela um fundo de verdade. De fato, parece que eu sempre soube das doações, ainda que de maneira muito vaga, mesmo com apenas seis ou sete anos de idade. E é curioso que, quando ficamos mais velhos e os guardiões vieram fazer aquelas preleções todas, nada constituísse surpresa total para nós. Era como se já tivéssemos escutado tudo antes, em algum lugar. p. 105
Para aqueles que têm a intenção de ler o livro sem nenhum spoiler, recomendo que passem longe de qualquer coisa relacionada ao filme. Até mesmo o próprio trailer conta em pouco mais de 2 minutos coisas que só ficamos sabendo em meados do livro.

Não é uma leitura que eu recomendaria para todos. Quem não está acostumado com um livro lento com certeza não vai apreciar a leitura e vai achá-lo chato, o que pra mim seria um desperdício enorme! Vão esperando algo que vai pedir muita sensibilidade e principalmente paciência do leitor, ok?

23/12/2012

4 filmes que todo mundo (re)vê no Natal

Olá pessoal! Essa última semana foi muito cheia, mas finalmente consegui ter um tempinho para vir aqui. :)
Aproveitando o clima natalino, nada melhor do que (re)ver alguns filmes com a temática, não é mesmo?
Selecionei quatro filmes que já se tornaram clássicos nos Natais de todas as casas. Vamos lá?

  • O Estranho Mundo de Jack

Pra mim esse é um dos melhores filmes de Natal de todos os tempos! Vamos ao primeiro fato: é um filme do Tim Burton. Só com isso já dá para saber a qualidade da produção, não é? 
Uma das coisas que mais me chamam atenção neste filme é que ele foge daqueles clichês de filmes de Natal em que o bom velhinho distribui brinquedos para as crianças e todo mundo fica feliz com isso no final. Não, vamos tentar algo novo: vamos sequestrar o Papai Noel! 
É exatamente essa a história de O Estranho Mundo de Jack. Após conhecer a festividade Natalina, Jack, que mora na Terra do Halloween, já cansado de ficar um ano planejando o macabro Dia das Bruxas, resolve planejar o Natal ele mesmo. Para isso, convence a todos os habitantes a sequestrarem o Papai Noel e todos começam a cooperar para organizar a festividade. Só que isso pode acabar dando muito errado. 
Quem ainda não viu está perdendo tempo. Ainda não conheci uma pessoa que tenha visto e que não tenha adorado. 


16/12/2012

Resenha: Halo

Título: Halo
Autora: Alexandra Adornetto
Páginas: 472
Editora: Agir
Três anjos são enviados à Terra com planos de se misturarem aos humanos para assegurar a paz e trazer a bondade: Gabriel, o Herói de Deus, um antigo guerreiro que se disfarça de professor de música; Ivy, serafim abençoada com poderes de cura; e Bethany, a mais nova e inexperiente do grupo, enviada como uma jovem estudante para aprender sobre a humanidade. Após Bethany se encantar com a vida humana, ela começa a viver todas as experiências de uma adolescente normal, até se apaixonar por um rapaz e colocar toda a missão em risco. As forças do mal se aproveitarão dessa situação para pôr seus planos malignos em prática. Um romance de tirar o fôlego, que responderá a pergunta: será que o amor é forte o suficiente para vencer as forças do mal?

Tá aí um livro que eu queria ler somente pela capa. E mais uma vez eu caí no velho ditado que a gente não deve julgar um livro pela capa. Além de não ser nada surpreendente em relação a abordagem da temática, ele se torna cansativo ao longo da leitura e acaba sendo apenas mais um livro de anjos.

Bethany é um anjo que junto com Gabriel e Ivy é enviada para a Terra para combater as forças malignas que atuam sobre ela. Para que isso possa dar certo, eles precisam se passar por humanos. Bethany é a que mais se adapta a essa vida e com isso ela acaba se apaixonando por Xavier e essa relação tem tudo para dar errado e pode colocar a missão dos anjos em perigo. Ao mesmo tempo, as forças do mal continuam se espalhando e agora é questão de tempo até que as forças do bem e do mal se enfrentem.

Uma das palavras mais frustrantes da linguagem humana, até onde sei, é amor. Tanto significado atribuído a essa única palavrinha... As pessoas falam nela livremente e a todo tempo, usando-a para descrever seu apego a bens materiais, bichos de estimação, destinos de férias e comidas preferidas. Às vezes, numa mesma frase, empregam essa palavra também para a pessoa que consideram mais importante em suas vidas. Isso não é um absurdo? Não deveria haver outro termo para descrever uma emoção tão profunda? p. 20
Comecei a leitura bem empolgada. Há tempos não lia nada relacionado a anjos e a possibilidade de encontrar algo bem legal me animou. Só que aconteceu justamente o contrário. O que tinha ali não era nada de novo, ou seja, o livro não superou as expectativas que eu tinha, mesmo que essas não fossem tão altas assim.

Infelizmente, a narrativa desse livro é extremamente cansativa. Eu acho que eu tiraria pelo menos umas 100 páginas, já que, durante a maior parte do livro, a Bethany fica remoendo sua relação com Xavier e as consequências que isso pode trazer. Eu sei que algumas vezes isso é até necessário para o desenvolvimento do enredo, mas não é preciso exagerar, não é?

A Bethany é uma personagem interessante. Como é uma narrativa em primeira pessoa, a gente acaba criando certa empatia com ela, apesar de ser um pouco chatinha com toda a sua pureza de anjo e de querer fazer tudo certinho. Até dá para entender, mas isso não a torna mais legal. Com certeza a torna mais sobrenatural, não que isso faça alguma diferença.

O casal principal não me convenceu tanto. Achei o começo muito forçado e muito superficial. Lá pela metade do livro que eu fui começar a gostar da Bethany e do Xavier juntos, apesar do romance soar muito falso pelo menos até o finalzinho, onde o livro dá uma grande melhorada (ainda bem).

Foi nesse final que Halo conseguiu mais alguns pontos positivos comigo. É só no final que temos alguma ação e isso deixa quem lê empolgado para saber o que vai acontecer. Só que, para chegar até esse final, são cerca de 300 páginas de pura enrolação. É cansativo e na verdade nem sei se vale muito a pena passar por isso.

Uma das coisas que eu achei legal foi que, ao contrário de vários livros na temática que já li, esse abordou mais a parte religiosa dos anjos, o que eu achei bem diferente. Nesse livro eles são criaturas de Deus e existem várias regras e várias castas de anjos que são citadas.

Não havia nada que eu pudesse fazer quanto a isso. Minha ligação com Xavier foi instantânea e abrasadora. De repente, minha vida antiga parecia distante.Eu estava certa de que não almejava o Céu como sabia que faziam Gabriel e Ivy. Para eles a vida na Terra era um lembrete diário das limitações da carne. Para mim, era um lembrete das maravilhas de ser humana. p. 151
Apesar de tudo, foi uma leitura razoável. Nada muito empolgante e que me faça dizer mil maravilhas, mas que me deixou com vontade de ler o próximo livro, Hades. Eu quero descobrir o que vai ser daquele final gente, não consigo resistir. :)

Talvez eu tenha me decepcionado mais porque achava que o livro fosse totalmente diferente. Quem for esperando algo como: um anjo que se apaixona e fica no dilema entre a vida humana e sua missão de anjo com certeza vai gostar bastante desse livro. Mas é uma pena que não tenha acontecido isso comigo. Lerei a continuação, mas só porque detesto ficar com histórias indefinidas na minha mente. Mas é só.

13/12/2012

Lançamentos #20: Novo Conceito

Título: Esperando Por Você
Autora: Susane Colasanti
Páginas: 308
É hora de iniciar o segundo ano do Ensino Médio, e Marisa está pronta para um novo começo e para seu primeiro namorado de verdade. No entanto, depois do popular Derek convidá-la para sair, as coisas ficam complicadas. Além de seus pais se separarem e de Marisa ter uma briga com seu melhor amigo, Derek ? o amor da sua vida ? a deixa desapontada. As únicas coisas que mantêm Marisa são os podcasts de um DJ anônimo, o qual parece entendê-la totalmente. Mas ela não sabe quem ele é... Ou sabe?



 Título: O Lorde Supremo
Autora: Trudi Canavan
Páginas: 400 
Na cidade de Imardin, onde aqueles que têm magia têm poder, uma jovem garota de rua, adotada pelo Clã dos Magos, se encontra no centro de uma terrível trama que pode destruir o mundo todo. Sonea aprendeu muito no Clã, e os outros aprendizes agora a tratam com um respeito relutante. No entanto, ela não pode esquecer o que viu na sala subterrânea do Lorde Supremo ? ou seu aviso de que o antigo inimigo do reino está crescendo em poder novamente. Conforme Sonea evolui no aprendizado, começa a duvidar da palavra do mestre de seu clã. Poderia a verdade ser tão aterrorizante quanto Akkarin afirma? Ou ele está tentando enganá-la para que Sonea o ajude em algum terrível esquema sombrio? 

10/12/2012

Resenha: Cordilheira

Título: Cordilheira
Autor: Daniel Galera
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 176
Recém-saída de um relacionamento amoroso e ainda sob o impacto do suicídio de uma amiga, uma escritora resolve aproveitar o lançamento da tradução argentina de seu romance para passar uma temporada em Buenos Aires. Primeiro título da coleção Amores Expressos, em que autores brasileiros escrevemhistórias de amor ambientadas em diversas cidades do mundo,Cordilheira gira em torno de um recomeço: ao se envolver com um misterioso fã argentino e conviver comseus amigos de hábitos bizarros, a protagonista começa a deixar o passado para trás e a se tornar algo que ainda não sabe bem o que é.

Denso. Se eu fosse resumir Cordilheira em uma só palavra, essa com certeza o definiria. Ao buscar mais sobre o livro antes de lê-lo, soube que ele foi eleito pela FBN (Fundação Biblioteca Nacional) como o melhor romance de 2008. Então criei certa expectativa para lê-lo, apesar de ainda não esperar muito. Só que esse foi o meu erro: o livro traz coisas DEMAIS e absorver tudo se tornou bem cansativo.

Anita é uma escritora e seu maior desejo no momento é ter um filho, porém, todos os seus amigos e inclusive seu namorado são contra esta ideia. Então, para fugir um pouco de todos, ela aceita ir para Buenos Aires para o lançamento de seu livro em solo argentino. É lá que ela conhece Holden, um escritor argentino que irá mudar sua vida.

Fazia três meses que tinha parado de tomar pílula e cinco dias que tinha encerrado um relacionamento de quase dois anos porque o filho-da-puta simplesmente se recusava a me engravidar, por mais que eu implorasse. (...) A palavra filho chegava a lhe dar certo mal-estar, e ele franzia a testa como se estivesse sofrendo o ataque de um inseto ou como se algum tipo de frequência sonora quase inaudível porém perturbadora invadisse seus ouvidos. p. 16
A primeira coisa que eu tenho a dizer é: não é um livro para qualquer um. Apesar de toda a minha carga literária eu ainda tive dificuldades de encarar o peso deste. Daniel Galera conseguiu fazer sim um livro que surpreende em todos os aspectos – apesar de inicialmente a sinopse parecer clichê – porém é algo que poucos irão apreciar.

No começo do livro eu fiquei totalmente perdida. Não sabia o rumo que o autor queria tomar, deixando a leitura extremamente cansativa. Simplesmente detesto quando isso acontece, pois pegar o livro para retomar a leitura se torna um fardo, entendem? Mas quando eu entendi o verdadeiro propósito do livro, o enredo ficou fantástico! É algo tão original que eu fiquei chocada!

Os personagens são extremamente chatos e misteriosos até demais. Eu ainda não consegui definir a personalidade de nenhum deles, e com isso não houve um envolvimento meu com nenhum deles. Eu não conseguia sentir o que a Anita estava sentindo e não houve compaixão com a situação dela, entendem? O mesmo acontece com o Holden, que é um cara que eu não tive simpatia nenhuma.

Outra coisa que pesou no livro é que ele tem algumas passagens um pouco pesadas, voltadas para o erótico. Não que isso defina o livro, mas elas existem. Assim como palavrões, que por vezes chegam a ficar irritantes.

Porém tenho que reconhecer: o autor tem uma narrativa brilhante. Não é qualquer homem que conseguem narrar em primeira pessoa na visão de uma mulher. E o Daniel Galera conseguiu fazer isso com maestria.

A segunda decisão é que eu passaria um tempo em Buenos Aires. Não sabia por quanto tempo nem exatamente por quê, mas era a coisa certa a fazer. p. 29
Não é que o livro seja ruim – eu sei que apontei mais pontos negativos do que positivos –, mas esses detalhes realmente pesaram na minha leitura. Por mais que ele fique bem melhor nas últimas páginas, foi um alívio finalmente terminá-lo, já que demorei alguns dias para ler um livro de menos de duzentas páginas, o que é algo que não costuma acontecer.

Analisando em um contexto mais geral após a leitura do livro, ele com certeza tem um enredo original, porém não foi uma leitura fácil. Para quem quiser conhecer um enredo original, com certeza é um livro para ser lido (fica a dica especial para o Luciano e para a Isabel), mas para quem não está acostumado a se aventurar por outras vertentes literárias, com certeza será uma decepção. 

07/12/2012

Resenha: É o primeiro dia de aula... sempre!

Título: É o primeiro dia de aula... sempre!
Autor: R. L. Stine
Editora: Seguinte
Páginas: 168

No primeiro dia de aula Artie cai da cama e bate a cabeça. Então, no café da manhã, seu irmão mais novo derruba a calda da panqueca no cabelo dele, que não tem tempo para lavá-lo. No caminho, um caminhão passa por uma poça d'água e espirra toda a água nele. Não é só o primeiro dia de aula - é o pior dia de aula da história.
Na manhã do dia seguinte, Artie caí da cama e bate a cabeça. Seu irmão mais novo derruba a calda da panqueca no cabelo dele e... Hã??? Tudo está acontecendo exatamente da mesma maneira que no dia anterior! O primeiro dia de aula se repete no dia seguinte, e no dia seguinte, e no dia seguinte...
Será que Artie vai conseguir encontrar um jeito de mudar isso? Ou será o primeiro dia de aula... SEMPRE?

Eu nunca fui muito fã de infanto-juvenis. Foram poucas as vezes que eu cheguei e disse que tinha adorado um livro nesse estilo. E com esse não foi diferente. É claro que o enredo é engraçado, mas não é tudo aquilo que eu achava que iria ser.

Artie irá começar em uma nova escola. Como todo mundo fica, ele está muito ansioso para o seu primeiro dia de aula. Só que tudo sai errado: seu irmão mais novo derrama calda em seu cabelo, sua camisa está manchada, seu cão o segue e acaba mordendo o diretor da escola. Em suma, é o pior dia da vida dele. Só que as coisas ficam ainda piores quando ele acorda no outro dia e é o primeiro dia de aula... de novo!
Esse dia se repete e agora Artie precisa encontrar o motivo para isto estar acontecendo.

Meu nome é Artie Howard e, bom, lá vai: este é o pior dia da minha vida.
O que poderia ser pior que hoje?
Bem, imagine que você tenha uma consulta com o dentista, e ele tenha que abrir um buracão no seu dente. Ele fica ali, cavoucando e cavoucando e cavoucando com a broca. Por horas. (...)
Você está sentindo? Consegue imaginar?
Bem... meu dia foi pior do que isso. Muito pior. p. 8
É o primeiro dia de aula... sempre! foi uma leitura daquelas bem levinhas. O li em cerca de 40 minutos ou um pouco menos. Não pretendia lê-lo tão rápido, mas os capítulos fluíram tão bem que nem me dei conta que já estava no fim.
Pra mim essa é uma das vantagens de livros infanto-juvenis, não é nada muito pesado e que te faça ficar horas refletindo depois, mas... Não é meu estilo.

Mas não dá para negar que ele é muito engraçado. Há tempos que eu não lia algo que me fazia interromper a leitura para rir da situação e isso aconteceu com É o primeiro dia de aula... sempre!. Acho que esse é o primeiro livro em algum tempo que me fez rir tanto.
A narrativa em primeira pessoa faz com que tudo seja ainda mais engraçado. Imaginem um garoto com seus 13, 14 anos, enfrentando as piores coisas da sua vida no primeiro dia de aula que fica se repetindo por vários dias? As coisas que o Artie pensa durante as coisas que estão saindo erradas durante seu dia são bizarras e isso é engraçadíssimo.

Só que... tudo tem um porém. Ainda estou chocada com aquele final. Quem já leu vai entender o que eu estou dizendo. Eu esperava tudo, menos aquilo.
E por ainda estar em choque, vou ter que deixar minha opinião em aberto sobre ele. Ainda não sei se gostei ou não, então prefiro nem dizer nada. Ainda estou em choque! :O

A garotada gritava. Todos atravessaram o corredor correndo na direção de Brick.
Congelei. Não conseguia nem respirar.
Isso não está acontecendo. Isso não está acontecendo. (...)
Eu não havia me mexido desde o momento em que arremessara a bola. Todos os olhares se voltaram na minha direção.
Tenso. Foi um momento tenso. p. 31
Para quem curte infanto-juvenis, não posso dizer outra coisa: leiam já! É uma leitura mais do que recomendada para quem gosta. Agora para quem, que como eu, não é tão fã assim, vai pelo momento de cada um. É um livro relaxante e que ajuda naquelas ressacas literárias que sempre nos atingem. Mas nada além disso. 

02/12/2012

Resenha: A Seleção

Título: A Seleção
Autora: Kiera Cass
Série: The Selection #1
Editora: Seguinte
Páginas: 368

Para trinta e cinco garotas, a Seleção é a chance de uma vida. É a oportunidade de ser alçada a um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha. Para America Singer, no entanto, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás o rapaz que ama. Abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes. Então America conhece pessoalmente o príncipe - e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que nunca tinha ousado imaginar.

Como é bom ter uma boa surpresa com um livro. Foram duas tentativas para ler A Seleção: na primeira, abandonei logo nas primeiras páginas, não me sentia em um momento legal para lê-lo; na segunda o tiro foi certeiro. Não conseguia largar o livro enquanto não descobrisse o que ia acontecer e aqui estou eu, mal conseguindo me aguentar pela continuação.

A vida em Iléa para as castas mais baixas não é fácil. Muitos são pobres e são obrigados a achar alternativas para ter o que comer em casa. Por causa disso muitos vêem na Seleção uma forma de mudar de vida. A Seleção consiste em uma espécie de competição em que 35 garotas de todo o país são sorteadas para que no final, uma se case com o príncipe e venha a ser a futura rainha do país. É nessa situação que encontramos America Singer, uma garota da casta cinco e que, por diversas situações, se encontra na Seleção. Dividida entre um amor que deixou para trás e uma forma de ajudar sua família, ela agora tenta encontrar uma solução para o problema em que se meteu.

Nenhuma das opções me parecia muito boa. E a ideia de entrar em um concurso que o país inteiro acompanharia só para ver um riquinho esnobe escolher a moça mais linda e sonsa do grupo para ser o rosto calado e bonito que apareceria ao lado dele na TV... era o bastante para me fazer gritar. Haveria humilhação maior? p. 14
Quem disse que as histórias sobre príncipes e triângulos amorosos um dia vai sair de moda? É isso que a autora Kiera Cass prova em A Seleção.
Apesar de ter um cenário distópico – com o envolvimento de castas e uma família real –, o livro é focado no romance que da protagonista tanto com o seu amor “de casa” quanto com o príncipe. Para quem gosta de ação, aqui vai uma péssima notícia: são pouquíssimas cenas onde encontramos alguma agitação. Ele é parado nesse sentido. Mas em compensação é um prato cheio para quem gosta de intrigas, de indecisão e romance.

Vamos ao ponto principal: o romance. O que melhor o descreve é indecisão. America tem que escolher entre Aspen, um garoto de casta inferior e que não seria aprovado por sua família; e Maxon, o príncipe que arranca suspiros de qualquer uma.
Preciso dar minha opinião quanto a esse triângulo: o romance da America com o Aspen não me convenceu muito. Senti que foi uma coisa muito forçada e que não deveria acontecer. Porém o romance com o Maxon fluiu de uma maneira mágica. De verdade, fiquei torcendo para topar com um desses na rua, gente! Enfim, já deu para perceber que eu sou totalmente Team Maxon, não é?

A America é uma protagonista interessante. Ela não tem uma característica que a defina como inesquecível ou algo assim. Mas pelo menos ela é normal. Nem fraca nem forte demais. É um personagem na medida certa.
No começo eu não tinha uma empatia tão grande por ela, porém com o desenvolvimento do enredo isso nem fez tanta diferença, uma vez que no final eu já sentia um envolvimento tão grande com ela a ponto de aceitar o que ela fazia mesmo não entendendo. Principalmente as partes com o Aspen, mas ok. Esse envolvimento é muito facilitado pela narrativa em primeira pessoa.

Não era da Um, mas estava vivendo como se fosse. Tinha mais comida do que podia dar conta e a cama mais confortável possível. As pessoas me serviam o tempo todo, mesmo que eu não quisesse. Se eu precisasse de algo, bastava pedir.
A única coisa que realmente queria era algo que fizesse aquele lugar parecer menos um palácio. Queria minha família correndo pelos corredores, ou não estar tão arrumada. p. 152
Outra coisa que eu preciso destacar: e essa capa? Estou apaixonada por ela. E ainda estou em dúvida se essa ou a capa do próximo volume da série é mais bonita. As duas são lindas demais e são um charme, não é?

E aqui estou eu, me contorcendo de ansiedade para que o próximo livro – The Elite – seja lançado logo. Só que tem um probleminha: ele só vai ser lançado lá por abril de 2013 nos EUA (obrigada pela informação, Thaís!). Ainda teremos que esperar mais um pouco do que isso. Triste!
Tenho certeza de quem gosta de um bom romance e de um livro mais leve vai se encantar com A Seleção. Mais do que recomendado! 

01/12/2012

Promoção: Mega Sacolão NC

Suas festas de final de ano vão ficar melhores com o Mega Sacolão NC! Serão 15 livros sorteados. Ficaram curiosos? Vamos aos detalhes!



Prêmios

  • Livro Do Seu Lado + Livro Bem Mais Perto + Livro Surpresa
  • Livro A Vez da Minha Vida + P.S. Eu Te Amo + Livro Surpresa
  • Livro Um Porto Seguro + A Escolha + Livro Surpresa
  • Livro Cruzando o Caminho do Sol + Livro Belle + Livro Surpresa
  • Livro Romeu Imortal + Livro Charlotte Street + Livro Surpresa
Regras