31/01/2013

Sobre leitura dinâmica


Por esses dias tenho visto muita gente falando da famosa leitura dinâmica. Como eu tenho minhas opiniões a respeito disso, resolvi fazer esse post.
Para os que desconhecem o termo, aqui vai sua definição:

Leitura dinâmica (também chamada leitura rápida) constitui-se de vários métodos que buscam aumentar a velocidade da leitura, mantendo o entendimento e a retenção de informações.
Ultimamente andam rolando nas redes sociais algumas dicas para que você se torne um leitor dinâmico. Algumas dicas prometem fazer um leitor comum, que lê cerca de 100 palavras por minuto, ler até 900 palavras neste mesmo período de tempo. Mas será que isso dá certo?

(Não vou levar em consideração aqueles que fazem disso um trabalho, mas sim leitores como eu, que leem por prazer.)

Um leitor dinâmico pode até reter a maior parte das informações de um livro, mas será que ele vai captar a essência deste? A meu ver, essas pessoas acabam perdendo o que é de grande importância: o sentimento que o autor empregou ao escrever aquelas linhas. De que adianta você ler o livro em duas horas e não sentir pelo menos um pouquinho de emoção do romance, ou aquele suspense de querer saber quem é o assassino, de sentir a tristeza dos dramas?

Muita gente se importa mais com a quantidade de livros que lê do que com a qualidade da leitura em si. Para que ter uma quantidade imensa de lidos no Skoob se no final das contas nenhum livro vai ter aquele toque especial, nenhum vai se tornar seu favorito? Só para parecer um super leitor? Não vale a pena!

Cada detalhe que você deixa de reparar (uma das dicas que eu vi sugeria que você parasse de se ater a detalhes, passando assim a só reter as informações mais importantes de cada página para acelerar a leitura) pode fazer uma diferença significante no final das contas, pelo menos eu acredito nisso. Existem livros que exigem do leitor tanta atenção que se você não reparar em cada informação, pode acabar perdendo todo o fio da meada. 

É lógico que eu fiz uma generalização daquelas, com certeza existem leitores dinâmicos por aí que conseguem sim tirar todo o proveito da leitura, assim como alguém que presta atenção nos mínimos detalhes. Só que isso é bem raro de se encontrar e exige muita prática.

Claro que muita gente utiliza a leitura dinâmica para otimizar sua leitura, para não ficar muito tempo em um livro, principalmente se este não tiver agradando. Pra mim, se você empregar a leitura dinâmica como algo que vai te auxiliar como leitor, não vejo nenhum mal. Inclusive eu mesma a utilizo, principalmente naqueles livros bem lentos, em que o enredo demora para se desenvolver e nas partes que eu sei que não irão me prejudicar no final de tudo. 

Para tudo existe uma boa utilização, inclusive para o tema desta coluna. É claro que isso vai depender da intenção de cada um.

E qual é a sua opinião? Você concorda ou não com a leitura dinâmica?

28/01/2013

Resenha: Não conte para a mamãe

Título: Não conte para a mamãe - Memórias de uma infância perdida
Autora: Toni Maguire
Editora: Bertrand
Páginas: 308
A frase que dá título ao livro de Toni Maguire, Não conte para a mamãe, poderia ser uma pacto ingênuo entre dois irmãos ou uma brincadeira entre crianças. Infelizmente, não é o caso. Na verdade, é a ameaça sofrida pela autora durante os quase dez anos em que foi violentada pelo próprio pai. Quando aconteceu pela primeira vez, a pequena e inocente Antoniette tinha apenas seis anos. Apesar da tenra idade, tudo ficou gravado em sua memória, o tempo nada dissipou: os detalhes, os sentimentos, a dor. Foi a primeira de muitas, incontáveis vezes. Não conte para a mamãe, de Toni Maguire, desvela a comovente história de um infância idílica que mascarava uma terrível verdade.

Sempre gostei muito de variar o que eu leio. De livros infanto-juvenis até livros com temáticas mais fortes e polêmicas: tudo é válido quando o objetivo é evoluir como leitora.
Quando o assunto é pedofilia, porém, eu sempre fico com o pé atrás. Quando li Lolita, cada página parecia um soco no meu estômago de tão forte. Não conte para a mamãe, sendo uma história verídica, foi além: conseguiu me tirar o sono, fazer com que eu me colocasse no lugar da personagem e tivesse nojo e repulsa a cada página.

Antoinette tinha seis anos quando o primeiro ataque aconteceu. Seu pai, antes visto como um herói, havia se transformado em um monstro. Sempre que possível a molestava e a dizia que se ela contasse para alguém, todos a culpariam e deixariam de amá-la. Isso durou até seus catorze anos. E hoje, no hospital onde sua mãe vive seus últimos dias, suas lembranças acabam vindo à tona e ela terá que lidar com todas as implicações que isso teve em sua vida.

“Toni”, sussurrou ela, “deixe-me contar a história do que realmente aconteceu. Chegou a hora.”
Eu sabia que Antoinette havia despertado, e não seria capaz de forçá-la a retornar aos anos de dormência em que a isolara. Fechei os olhos e permiti que seu sussurro penetrasse minha mente, quando ela começou nossa história. p. 19
A primeira coisa que me fez ler esse livro foi saber que era uma história verídica. Sempre acho que esses livros têm algum toque especial por conseguirem detalhar mais o que realmente aconteceu. Porém nesse livro teve um efeito totalmente contrário em mim. A cada cena mais forte eu simplesmente não podia acreditar que aquilo realmente aconteceu, que um pai foi capaz de fazer o que fez com a própria filha. Então em grande parte do livro eu fiquei tentando me convencer de que tudo era ficção, apesar de não ser.

Isso complicou ainda mais porque o livro é bem lento. A autora é detalhista ao extremo e isso chega a ser cansativo. Os estupros são mais detalhados que outros livros que li nessa temática, o que pode ser algo muito negativo se você não estiver preparado para ler isso. Mas não é só isso. Toni Maguire detalha cada partezinha de todas as sensações que ela tem – como o abandono de sua mãe e sua solidão – e isso não é bom. O livro logo se torna cansativo e eu mesma, por causa da lentidão e das cenas fortes, só conseguia ler cerca trinta páginas por dia.

Mas algo que eu notei e que realmente me chamou a atenção foi que Toni Maguire conseguiu transmitir a luta que ela teve com sua própria consciência, com as lembranças que a atormentavam durante toda sua vida. Essa foi uma das razões para eu insistir no livro e lê-lo até o final. A autora explorou bastante esse lado, principalmente com as alternâncias entre passado e presente do enredo.

As palavras que se seguiram estavam destinadas a se tornarem o refrão dele:
- Não vá contar para a sua mãe, minha menina. Isso é segredo nosso. Se contar, ela não vai acreditar em você. Ela não vai mais amar você.
Eu já sabia que isso era verdade. p. 75
Toni Maguire com certeza teve muita coragem – e por que não autoconfiança – ao publicar um livro sobre algo tão pessoal que aconteceu com ela. É por essa razão que eu preciso dizer: li mais o livro por admiração a autora do que pelo enredo em si. Não que o enredo seja ruim, mas eu não aguentei lidar com toda aquela situação, entendem?

Um livro para aqueles que procuram algo forte e que gostam situações que podem levar o leitor ao extremo de prazer ou de ódio, dependendo do estilo de cada um. Para quem não está acostumado com a temática, não é um livro que eu indico para iniciá-los nesta; mas para aqueles que já conhecem, tenho que dizer: é uma experiência bem diferente. 

25/01/2013

5 filmes que não consigo parar de assistir

Oi pessoal! Finalmente essa coluna de volta por aqui! A primeira e a segunda edição dela foram um grande sucesso, então ela volta por aqui, pela primeira vez em 2013.
Ainda não sei com qual frequência eu vou fazer esse post, mas com certeza muitos ainda virão. (:


  • Show Bar

Esse é provavelmente um dos filmes que mais marcaram minha fase pré-adolescente. Com o lançamento em 2000 (quando eu tinha 6 anos), eu só fui conhecer o filme lá por 2005. Mas gente, como eu ADORAVA assistir várias e várias vezes. Afinal, que garota nunca sonhou ser uma cantora super famosa? Violet se muda para NY sonhando com isso, só que, ao chegar, se depara com a realidade: ninguém vira um popstar do dia para a noite. É assim que ela vai parar em um bar chamado Coyote Ugly, onde terá que se adaptar para então conseguir se sustentar. Ao mesmo tempo, ela conhece o lindo do Kevin, que vai virar sua vida de cabeça para baixo. <3
Gente, é ou não é uma versão "moderna" dos antigos contos de fadas? Esses dias eu estava passando canais e esse filme tinha acabado de começar. Soltei um "AWN" (relembrando dos velhos tempos - afinal, já fazia algum tempo que não assistia), comecei a assistir... E foi só amores! O filme não perde a graça (pelo menos pra mim). 
E como vocês podem ver na foto, o filme conta com a participação especial da queridíssima LeAnn Rimes cantando Can't Fight the Moonlight (clique para ir ao vídeo). Inclusive, essa música apareceu para mim há um ano e eu pensei: conheço essa música de algum lugar... Mas simplesmente deixei para lá. Então fui assistir Show Bar e lá estava ela. Foi demais finalmente descobrir de onde eu a conhecia. :)


21/01/2013

Resenha: A Mulher de Preto

Título: A Mulher de Preto
Autora: Susan Hill
Editora: Galera
Páginas: 208
O jovem advogado Arthur Kipps, foi enviado a cidade mercante de Crythin Gifford para verificar os documentos e os papéis particulares da recém-falecida Sra. Alice Drablow, uma viúva idosa que vivia sozinha na solitária e afastada Casa do Brejo de Enguia. Enquanto trabalha na casa, Kipps começa a descobrir seus trágicos segredos. A situação piora quando ele entende que o vilarejo é refém do fantasma de uma mulher magoada, em busca de vingança.




Não tão fã assim de livros de terror. Me impressiono muito fácil e isso acaba comigo, no sentido de não conseguir dormir e de imaginar coisas onde não existem (principalmente imagens em espelhos). Mas, como eu estava precisando de alguma coisa diferente das temáticas que eu estava lendo, eis que surge A Mulher de Preto. Só que eu não esperava me decepcionar tanto.

Arthur Kipps está começando em sua carreira de advogado e é mandado para uma cidade no interior para fazer uma busca nos documentos de uma senhora que acabara de falecer. Ao chegar, Arthur descobre que a senhora, além de ser muito excêntrica, morava em uma casa que guardava muitos segredos – inclusive a presença do fantasma de uma mulher misteriosa que assombra todos na cidade.

Se a aversão e a maldade eram dirigidos a mim, eu não tinha como saber. Não tinha motivo algum para supor que pudessem ser, mas naquele momento estava longe de ser capaz de basear minhas reações em razão e lógica, pois a combinação do local isolado e peculiar com a aparição repentina da mulher e o horror de sua expressão começou a me encher de medo. Sem dúvidas, nunca em minha vida havia sido tão dominado por ele, nunca sentira meus joelhos tão trêmulos e tamanha apreensão. p. 85
O que você faz quando você encontra algo totalmente diferente daquilo que você esperava em um livro? Você respira e continua lendo, não é mesmo? Eu fiz isso. E acredito que essa foi uma das piores escolhas que eu fiz.

Assim que eu comecei a ler A Mulher de Preto, notei um detalhe que me incomodou e muito: o excesso de descrição. A autora tenta desesperadamente criar uma aura de mistério que envolva o enredo, porém isso não acontece. O resultado é que o leitor fica cansado de toda aquela enrolação – porque é isso que o excesso de descrição é – e simplesmente desiste. Mas esperando uma melhora na narrativa, continuei lendo, afinal, eram pouco mais de 200 páginas. Grande ilusão.

Além de a narrativa permanecer exatamente igual do início ao fim, o que nesse livro foi uma coisa extremamente negativa, o que a gente realmente quer que aconteça – mais aparições da Mulher de Preto ou mais explicações – só acontecem mesmo nas páginas finais. Até esse ponto, tudo gira em torno da tentativa frustrada de criar algum suspense.

O Arthur é um personagem com quem eu criei uma relação de amor e ódio. Por vezes tive uma compaixão imensa com seus medos e tudo mais, mas, na maioria dos casos, tive raiva. Como alguém, mesmo na ficção, pode ser tão estúpido a ponto de ir para uma casa que todos ficam com medo e o alertaram para não ir? Acho que é por isso que o livro se tornou uma difícil tarefa para mim: o protagonista parece aquelas garotas que morrem primeiro em filmes de terror, que em vez de fugir e se salvar, vão na direção do assassino. É, assim fica difícil.

Eu não acreditava em fantasmas. Ou melhor, até aquele dia, não só não acreditava, como considerava qualquer história que ouvia sobre eles - como a maioria dos jovens racionais e sensíveis - nada mais do que simplesmente isso, histórias. Sabia, é claro, que certas pessoas alegavam ter uma intuição mais forte do que o normal em relação a essas coisas, e que certos lugares antigos eram tido como assombrados, mas resistia em admitir que realmente pudesse haver algo assim, mesmo que fosse apresentada alguma prova. E eu nunca havia tido provas. p. 87
Já tinha visto algumas pessoas comentarem que tanto o livro quanto o filme são decepcionantes nessa parte do suspense. E bom, comprovei. Nem o final consegue ser inesperado e eu fechei o livro pensando: por que eu fui escolher logo esse livro para ler?
Preciso admitir: fui totalmente enganada pela capa. Eu esperava algo mais substancial no livro.

Se fosse pela minha opinião, eu não recomendaria esse livro aos que gostam de um terror bem escrito, daqueles que te deixam morrendo de medo de ler durante a noite. É claro que quem nunca leu nada no estilo e não tem nada para comparar, pode se dar bem com esse tipo de livro. Então fica a critério e a gosto mesmo. 

20/01/2013

Promoção: Caia na folia com a NC

O Carnaval está chegando e nada melhor do que cair na folia curtindo vários romances da Novo Conceito, não é mesmo? Serão 5 livros sorteados para 2 ganhadores.




Prêmios
  • Livro Bem Mais Perto
  • Livro Conselho de Amiga
  • Livro Esperando Por Você
  • Livro P. S. Eu Te Amo
  • Livro Lola e o Garoto da Casa ao Lado

Regras

15/01/2013

Resenha: O Pacifista

Título: O Pacifista
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 304
Inglaterra, setembro de 1919. Tristan Sadler, vinte e um anos, toma o trem de Londres a Norwich para entregar algumas cartas à irmã mais velha de William Bancroft, soldado com quem combateu na Grande Guerra. 

As cartas, porém, não são o verdadeiro motivo da viagem de Tristan. Ele já não suporta o peso de um segredo que carrega no fundo de sua alma, e está desesperado para se livrar desse fardo, revelando tudo a Marian Bancroft. Resta saber se o antigo combatente terá coragem para tanto. 
Enquanto reconta os detalhes sombrios de uma guerra que para ele perdeu o sentido, Tristan fala também de sua amizade com Will, desde o campo de treinamento em Aldershot, onde se encontraram pela primeira vez, até o período que passaram juntos nas trincheiras do norte da França. O leitor testemunha o relato de uma relação intensa e complicada, que proporcionou alegrias e descobertas, mas também foi motivo de muita dor e desespero. 

Como grande fã do autor John Boyne, não poderia deixar a oportunidade de ler seu mais novo romance passar. O Pacifista pode não ser o melhor trabalho do autor, porém possui as brilhantes características dos outros romances dele: o autor consegue misturar fatos históricos com ficção como nenhum outro e mais uma vez emociona com a sensibilidade com a qual trata os aspectos humanos de seus personagens.

Tristan Sadler é um sobrevivente da I Guerra Mundial e está à procura de Marian Bancroft, irmã de seu amigo Will, morto durante os confrontos. Sua intenção é devolver as cartas que Will recebeu durante a guerra e contar toda a verdade sobre o que aconteceu – mesmo que isso faça Marian odiá-lo.
Vários segredos que Tristan guardou durante anos agora virão à tona e isso vai mudar drasticamente não só a sua vida, mas de todos ao seu redor.

Quase nove meses depois do fim da guerra, eu finalmente reuni coragem para escrever a Marian. Passara muito tempo com aquilo na cabeça, um senso de responsabilidade que me mantinha desperto noite após noite enquanto eu tentava decidir qual era a melhor coisa a fazer. Um pedaço de mim queria removê-la inteiramente do meu pensamento, fingir que ela e sua família não existiam. Afinal, o que eu podia fazer por eles? Que consolo lhes podia oferecer? Mas a ideia persistiu e, um dia, atormentado pela culpa, comprei um bloco de papel de carta que me pareceu elegante e uma caneta-tinteiro nova – queria que Marian tivesse boa impressão de mim – e escrevi uma carta. p. 45/56
Antes de ler esse livro eu não sabia absolutamente nada sobre ele. A sinopse não nos diz muita coisa e o único contato que tive com ele foi pegá-lo em uma livraria e ler as duas primeiras páginas. Ou seja, peguei o livro totalmente cega e acredito que isso teve seu pontos positivos e negativos.

Primeiro vamos aos pontos positivos. Há uma genialidade na forma em que o Boyne escreve que é algo incomparável, não conseguiria dizer um autor que chega perto da emoção que ele transmite. A montagem do cenário é impecável e mesmo aqueles que não tenham nenhuma noção da época em que o livro está situado conseguem ter uma visão completa de tudo o que está acontecendo. Particularmente, eu não sei muita coisa sobre a I Guerra Mundial, só o básico. Mas John Boyne consegue enraizar o evento nos leitores, como se estivéssemos vivendo a realidade deles.

Além disso, há o desenvolvimento dos personagens. Cada um tem seus defeitos e suas falhas são altamente exploradas. E não, ele não faz com que os personagens sejam coitadinhos, cada um tem sua dose de culpa nos acontecimentos que rondam a história. Tristan, o protagonista, tem seus altos e baixos. Por vezes o adoramos e temos uma compaixão enorme pelo o que ele passou e todas as consequências que isso tem na vida dele. Mas, outras vezes, percebemos o quanto ele foi fraco e estúpido em algumas escolhas.

A alternância do enredo em passado e presente é algo que dá um toque de dramaticidade especial. A diagramação não nos deixa perdidos no tempo em que o livro está, já que conta com divisões informando o ano e o lugar em que os personagens estão. E isso ainda traz algo a mais: a curiosidade. Praticamente todos os capítulos dão uma pausa no seu ápice para mostrar outra cena, o que faz com que a gente não consiga se desgrudar, já que você quer saber o que vai acontecer em seguida. Ótima jogada do autor.

Quanto aos pontos negativos – que não são tão negativos assim – tenho que destacar que o elemento surpresa não foi tão legal assim, pelo menos pra mim. Vou deixar a critério de quem quiser saber, então se você é muito curioso e não tem medo de ter um baita spoiler (ou não) selecione: o livro é sobre um relacionamento gay. Não que eu tenha algum tipo de aversão a isso, não mesmo! Eu só não esperava e quando me deparei com essa situação, me assustei. Já que nunca tinha lido algo do tipo, foi uma experiência bem diferente, mas não posso dizer que eu gostei tanto de pegar o livro sem saber que isso viria, entendem?

Outro dia.

Acordo, saio da toca em que passei três ou quatro horas tentando dormir e reúno o meu equipamento, o fuzil e a baioneta, a munição que entra nos meus bolsos dianteiros e traseiros, a pá, o cantil com o resto de um líquido que chamam de água, mas que tem gosto de cloreto de cal e provoca ataques esporádicos de diarreia, no entanto, se algum dia eu tiver que escolher entre a desidratação e a merda, eu opto pela merda. (...) Digo a mim mesmo que hoje é terça-feira, embora não tenha como sabê-lo. Dar nome ao dia oferece uma pálida ilusão de normalidade. p. 159
Mas, ao me acostumar com a temática, tudo ficou perfeito. Mais uma vez fui surpreendida com um final digno de tirar o fôlego, assim como aconteceu em O Palácio de Inverno. Por todo o enredo, ninguém espera o que vai acontecer. E isso é excelente!

Vamos àquela velha história: não são todos que vão gostar. É um enredo que demora um pouco a se desenvolver porque precisa ambientar o leitor ao ambiente, a época do livro. Eu considero isso um ponto muito positivo dos livros do John Boyne, mas muitos podem não achar. E tem o caso da temática também, que pode afastar alguns. Mas, por mim, todo mundo deveria ler um livro do autor, pelo menos. Sempre muito sensíveis e que com certeza sai da zona de conforto de muitos. Vale a pena!

09/01/2013

Resenha: Sociedade Secreta: Rosa & Túmulo

Título: Sociedade Secreta: Rosa & Túmulo
Autora: Diana Peterfreund
Série: Sociedade Secreta #1
Editora: Galera
Páginas: 397
Amy Haskel é editora da revista literária da faculdade e acredita que logo será convocada para a sociedade secreta Pena & Tinta. Mas tudo muda quando ela se torna uma das primeiras garotas convidadas a integrar a Rosa & Túmulo, a sociedade secreta mais poderosa - e infame - do país. Amy vê sua vida virar do avesso depois que se transforma em uma Coveira (como são chamados os integrantes da Rosa & Túmulo) - não consegue estudar, se afasta dos amigos e está prestes a perder seu quase-namorado. E é só o começo. Em nome da sociedade, Amy deverá assumir a liderança de uma grande conspiração que envolve dinheiro e poder, e que tem (grandes) chances de destruir sua vida.

Há muito tempo ouvia falar dessa série e só lia críticas super positivas. Então, quando as meninas do Lendo e Comentando fizeram um booktour do primeiro livro da série, eu sabia: eu tinha que ler para comprovar. É claro que eu também morria de amores pela capa e a sinopse sempre me chamou muito a atenção. A melhor coisa foi quando eu vi que todo mundo tinha razão. O livro é incrível e com certeza é o início de uma série maravilhosa.

Amy Haskel está na faculdade e logo será convocada para uma das sociedades secretas existentes no campus. Estas sociedades são historicamente conhecidas por abrirem portas para os que delas participam. Por ser editora da revista literária, Amy acredita que será convocada pela Pena & Tinta, sociedade pela qual todos os ex-editores foram convocados. Só que ela acaba sendo convocada pela Rosa & Túmulo, sociedade conservadora e conhecida por aceitar somente homens. Ela então é uma das primeiras convocadas e isso acaba gerando diversos conflitos entre os membros atuais e diretores mais antigos e conservadores. Além disso, ela tem que guardar diversos segredos e por causa disso, ninguém é mais tão confiável assim.

A parte divertida de se humilhar na frente de um bando de silhuetas na sombra é que você passa os próximos dois dias imaginando se todo mundo com quem você cruza no campus a viu em seu pior momento. Eu estava na fila do refeitório ontem à noite e juro que vi essa garota riquinha e maconheira dando risadinhas por trás de cuscuz marroquino. Passei as duas horas seguintes (Guerra e Paz esquecido!) tentando descobrir qual sociedade secreta era capaz de convocar estudantes vegetarianos de biologia que usam dreadlocks feitos por estilistas e colares de cânhamo de cem dólares - bem, além de organizações de brincadeira, como a Baseado & Cachimbo. p. 31
Quando eu peguei esse livro para ler, eu esperava algo totalmente diferente. Comecei achando que era um chick-lit sem muito fundamento, só com as sociedades para incrementar e ter algo de diferente. Só que não é bem assim. Sociedade Secreta: Rosa & Túmulo é um livro que, apesar de ser superficialmente sobre uma garota indecisa, envolve questões políticas também. É claro que não é algo tão aprofundado e os mais leigos nem notarão referências a sociedade atual, mas acho interessante comentar, uma vez que a autora conseguiu fazer com que eu me interessasse cada vez mais a cada página que lia.

Outra coisa que me cativou foram os personagens. Além da habilidade incrível de citar fatos nas entrelinhas, a autora conseguiu criar personagens que são totalmente imperfeitos e é exatamente isso que me atrai neles. Nada de garota sentimentalmente fracas. Aqui isso não acontece, afinal, sociedades secretas não iriam convocar garotas assim. Amy Haskel, apesar de ser uma garota forte, também tem suas indecisões, e é isso que faz ela imperfeita e acima de tudo engraçada.

E como esse livro tem cenas engraçadas, gente! Teve momentos em que eu me acabava de rir – especialmente com as descobertas e pensamentos da Amy. Como é uma narrativa em primeira pessoa isso fica muito mais evidente, já que ela é uma graça só e melhor ainda: super irônica. As situações acontecem principalmente com o seu quase-namorado, que é o ilustrador da revista literária onde trabalha, com sua melhor amiga e com seu “irmão mais velho” na sociedade.

Passei um longo tempo só olhando para o selo. Será que iria quebrar quando eu o abrisse? Virei o papel nas mãos várias vezes. É, aquele era o meu nome, e sim, aquele era o selo da Rosa & Túmulo. E aquele ainda era o meu nome.

Mas a Rosa & Túmulo não convocava mulheres.
O que diabos estava acontecendo? p. 46
E mais uma vez eu tenho que admitir: entrei em outra série. Eu sei que eu tinha me prometido e prometido a várias pessoas que não iria entrar em mais uma (entrei em umas 3 ou coisa assim desde que comecei com essa promessa), mas como resistir a uma que me chamou tanto a atenção e que é ótima? O ruim é que essa série é composta por quatro livros. Ou seja, estou literalmente ferrada. Mas ninguém mandou eu gostar tanto, não é?

Para aqueles que entram em séries sem medo, fica a indicação. Não é um livro especificamente feminino, apesar de que mais mulheres irão gostar do que homens, logo qualquer um pode ler sem medo. O enredo é fantástico e eu sei que há muito ainda para ser descoberto dentro dessa sociedade secreta. Fica a dica! 

03/01/2013

Resenha: Quem poderia ser a uma hora dessas?

Título: Quem poderia ser a uma hora dessas?
Autor: Lemony Snicket
Série: Só Perguntas Erradas #1
Editora: Seguinte
Páginas: 240
Em uma cidade decadente, onde se criam polvos para a produção de tinta, onde há uma floresta de algas marinhas e onde um dia funcionou uma redação de jornal em um farol, um jovem Lemony Snicket começa o seu aprendizado em uma organização misteriosa. Ele vai atender seu primeiro cliente e tentar solucionar o seu primeiro crime, aos comandos de uma tutora que chama carro de “esportivo” e assina bilhetes secretos. Lá, ele vai cair na árvore errada, vai entrar no portão errado, destruir a biblioteca errada, e encontrar as respostas erradas para as perguntas erradas - que nunca deveriam ter passado pela cabeça dele. Ele escreveu um relato sobre tudo o que se passou, que não deveria ser publicado, em quatro volumes que não deveriam ser lidos. Este é o primeiro deles.

Eu ainda estou tentando definir Quem poderia ser a uma hora dessas? Um livro infanto-juvenil, com certeza, e que é a especialidade do autor, Lemony Snicket. Mas ao mesmo tempo, pessoas como eu, que nem sempre gostam de livros nessa temática, se encantarão ao ler. Snicket conseguiu reunir elementos que tornam Quem poderia ser a uma hora dessas? um livro para todas as idades.

Lemony Snicket – sim, neste livro o autor se coloca como o protagonista – é aprendiz de uma organização secreta e tem a incrível capacidade de só fazer as perguntas erradas. Para que pudesse fazer coisas além do que um aprendiz faz, ele escolheu a pior tutora de uma lista de cinquenta e dois nomes: S. Teodora Markson. O que ele não poderia prever é que essa seria uma das piores escolhas que poderia fazer e que ele iria parar em um vilarejo chamado Manchado-pelo-Mar, que é um lugar esquecido pelo mundo, onde quase não se vê mais pessoas andando pela rua e tudo parece parado no tempo.
É lá que ele recebe sua primeira missão: recuperar um objetivo que foi roubado. Para resolver esse mistério, ele terá que confiar em algumas pessoas e desconfiar de outras e principalmente, aturar as manias irritantes de S. Teodora Markson.

Havia um vilarejo, uma garota e também um roubo. Eu estava no vilarejo, fora contratado para investigar o roubo, e achava que a garota não tinha nada a ver com aquilo. Eu tinha quase treze anos e estava errado. Sobre tudo. Eu devia ter feito a pergunta: “Por que alguém diria que roubaram uma coisa que nunca foi sua, pra começar?”. Em vez disso, fiz a pergunta errada – quatro perguntas erradas, mais ou menos. Esta é a história da primeira delas. p. 13
Esse foi o primeiro livro que li do autor como Lemony Snicket – já o tinha lido sob o nome de Daniel Handler, seu nome verdadeiro, em Por isso a gente acabou – adorei! Não tinha grandes expectativas já que me decepcionei com o único livro que li dele, e quando me deparei com aquele tom de mistério e diria até de espionagem foi incrível, uma vez que eu realmente não esperava isso – apesar de todo o suspense que a sinopse faz.

Apesar de o protagonista ter apenas 13 anos – normalmente eu me irrito muito com personagens com essa idade – foi com ele que eu mais simpatizei. O tom da narrativa que ele assume, como se aquilo fosse algo proibido de ser contado, dá um clima bem característico de livros que envolvem mistérios e principalmente, memórias que só foram reveladas por algum motivo.

Lemony Snicket é um autor diferenciado. Ao mesmo tempo em que ele consegue construir cenários maravilhosos – o vilarejo de Manchado-pelo-Mar é descrito de uma forma excepcional, apesar de ser totalmente excêntrico –, os personagens secundários são muito bem construídos e são não só importantes, mas essenciais para o desenvolvimento do enredo.
Personagens como S. Teodora Markson – esse S. é um grande mistério que perdura durante toda a trama –, que tem como mania explicar o sentido cada termo gramatical ao Snicket; Qwerty (quem ficar chocado com a escolha desse nome, pode falar nos comentários), o sub-bibliotecário que o ajuda a encontrar respostas para todos os seus mistérios nos livros; Chico e Juca, irmãos que levam o protagonista a todos os lugares, Moxie, uma pseudo-jornalista que vive escrevendo tudo o que acontece no vilarejo. Todos esses personagens são adoráveis, apesar de estarem estranhamente em Manchado-pelo-Mar.

Ali, parados na porta errada do lugar errado, parecia a coisa errada a se fazer. Mas fizemos mesmo assim. Saber que uma coisa está errada e mesmo assim fazê-la é algo que acontece com bastante frequência na vida, e duvido que algum dia eu saiba o porquê. p. 40
Além de todas as qualidades que o enredo tem, ele é enriquecido com ilustrações incríveis feitas por Seth (sim, só Seth), que deixam o livro muito mais bonito visualmente. A Editora Seguinte também fez um excelente trabalho na diagramação, que conta com letras em um tamanho e um espaçamento maravilhosos (minha visão agradece!).


Eu estava e estou fugindo de qualquer livro que seja ou que possa vir a se tornar uma série – Só Perguntas Erradas terá quatro livros –, mas não pude resistir e não me arrependo de jeito nenhum. Lemony Snicket me ganhou e com certeza vai conquistar tanto os fãs de Desventuras em série assim como novos leitores. Podem ir com coragem: vocês vão adorar as aventuras de Snicket. 

01/01/2013

Filmes para marcar no calendário #1

Janeiro começou e o mês está cheio de estreias interessantes de filmes. Confiram e anotem as datas na agenda:

  • Jack Reacher - O Último Tiro

Lançamento: 11 de janeiro
Direção: Christopher McQuarrie
Sinopse: Um crime brutal foi cometido contra cinco pessoas ao mesmo tempo e um atirador de elite, veterano de guerra, foi acusado pelos assassinatos sem muita chance de defesa. Durante o interrogatório, ele cita apenas o nome de Jack Reacher (Tom Cruise), um ex-combatente com inúmeras condecorações, dado como desaparecido para o governo e autoridades. Só que ele aparece do nada e resolve investigar por conta própria o tal mistério. Sua teoria é que existe uma ligação entre as mortes e o verdadeiro responsável tem outros interesses, procurando desviar a atenção. Só que Jack não desiste da verdade e tem um jeito especial de fazer a sua justiça, doa a quem doer.