29/06/2013

Resenha: O novo mundo de Muriel

Título: O novo mundo de Muriel
Autora: Liliane Prata
Editora: Planeta
Páginas: 326
Muriel é uma garota de 16 anos que, um dia, quando vai ao banheiro, acaba num outro mundo: as aldeias de Landim. Landim é um mundo bem diferente, regido por leis distintas e inexplicáveis. A reação de Muriel vai mudando ao longo dos anos, refletindo sobre a convivência com diferentes culturas e sobre o mundo. Paralelamente a isso, há a busca pelas respostas do porquê de ela estar lá e a tentativa de ela voltar para casa. Qual seria de fato o novo mundo de Muriel? E quais seriam os reais limites entre realidade e fantasia? 



O novo mundo de Muriel surgiu bem no momento em que eu estava querendo ler alguma obra nacional. Então, por ter uma temática que parecia interessante, dei uma chance ao livro. Só que, quando eu estava bem no meio, tentando insistir com o livro, não resisti e a temida ressaca me abateu, como vocês viram no meu post sobre isso. Não culpo esse livro em particular, mas ele estava lá no momento errado e bom, já viram não é? Tive que abandonar, me recuperar e voltar a leitura somente duas semanas depois. E só tenho a dizer para vocês que me deparei com uma leitura agradável, mas longe de ser aquilo que eu esperava.

Muriel viu sua vida se transformar quando, ao ir ao banheiro de sua casa, acaba indo parar em um lugar totalmente diferente: as aldeias de Landim. Lá, se depara com uma cultura totalmente diferente. Obrigada a se acostumar, Muriel continua procurando pistas do que a fez parar naquele lugar tão estranho e busca maneiras de voltar para casa, mas, ao mesmo tempo, participará de acontecimentos que a marcarão e encontrará pessoas incríveis.

Pronto. Eu olhei à minha frente e não era mais a minha casa.
Era isso. Simples assim. Eu não sabia mais onde eu estava.
É muito difícil explicar o que senti naquela hora. Zonza, fiquei parada por algum tempo, sem reação, achando que estava completamente louca. Porque vou contar uma coisa: é muito esquisito abrir a porta do banheiro que dava para o corredor, aquele de sempre da sua casa, e não vê-lo mais. p. 11
Coloquei esse livro como uma grande aposta nacional. Não conhecia o trabalho da autora Liliane Prata e eu estava com certa expectativa, porque a temática costuma me agradar muito. Comecei achando que eu ia encontrar algo bem diferente, até porque as primeiras páginas me sugeriram isso, porém, ao decorrer da narrativa, o livro ficou cansativo. Eu tentava ler mais do que algumas páginas por dia, mas não conseguia, por mais que eu tentasse. Só lá pelo final que eu consegui fazer uma leitura contínua, sem parar toda hora.

Isso foi uma conseqüência do estilo de narrativa da autora. Como vocês bem sabem, sou totalmente a favor das narrativas mais dinâmicas, com capítulos com tamanhos médios ou pequenos, porque isso, a meu ver, torna a leitura muito mais gostosa e até mais rápida, independente do número de páginas. Mas nesse caso, a autora não foi por esse caminho. Os capítulos são grandes demais – alguns com cerca de quarenta páginas – e a autora opta por descrições longas. Tudo bem que em algumas partes isso foi estritamente necessário, afinal, o leitor precisa compreender o mundo em que a Muriel foi parar, mas em outras achei totalmente desnecessário e isso me incomodou bastante.

Mas em compensação, eu gostei dos personagens. A própria Muriel não me conquistou tanto quanto eu pensei que iria, mas os personagens secundários fizeram toda a diferença, pois eles tinham um toque diferente, seus os costumes me encantaram. Os habitantes das aldeias foram o ápice do livro, na verdade. Através das tradições deles, a autora conseguiu inserir diversos questionamentos morais nas entrelinhas, e fez isso de uma forma natural, sem parecer forçado, e isso fez com que a leitura adquirisse um aspecto bem diferente para mim, saindo um pouco da fantasia.

Eu estava em uma situação difícil, ali, sozinha naquele lugar estranho. Acho que, por isso, eu precisava me agarrar à esperança de encontrar uma saída, de voltar para minha casa e minha vida. Eu só queria sair dali, e talvez isso tivesse apagado um pouco do meu bom-senso. p. 29
Foi quando eu retomei a leitura que tudo fluiu. Encontrei bem mais ação na segunda metade do livro, e foi a partir desse momento que eu passei a me sentir mais ligada com a história em si, porque a autora conseguiu dosar todos os aspectos e aquela narrativa que era arrastada, passou a ser envolvente, de forma que li super rápido as páginas finais. E fiquei chocada com tudo o que aconteceu também, juro para vocês que esperava um final totalmente diferente!

E exatamente por esperar um final totalmente diferente, fica meu pedido: faça uma continuação, Liliane Prata! Sério gente, a autora tem que dar um jeito nesse final, isso não pode ter acontecido! Mas é lógico que eu não vou contar, não é? Afinal, foi esse final que fez com que o livro fosse uma leitura agradável e eu espero que, caso haja uma continuação, a autora continue no ritmo que estava nesse final de O novo mundo de Muriel. Não é um livro que vai aos meus favoritos, mas eu curti. Foi uma boa leitura.

24/06/2013

Figurinhas Literárias: Simplesmente Ana e votação do próximo livro

Olá leitores! Estou vendo que estão todos ligados no Figurinhas Literárias, o que está deixando eu, a Dai e a Nica super felizes. Esse projeto, antes de tudo, é feito para que vocês, afinal, nós sabemos que grande parte dos leitores moram afastados dos grandes centros e nem sempre têm oportunidade de ir a eventos para poder discutir sobre os livros que gostam. A ideia do clube do livro online veio justamente com esse objetivo: aproximar leitores e difundir ainda mais a literatura.


Ontem foi o nosso segundo Figurinhas Literárias. O livro da vez foi Simplesmente Ana, e tivemos a participação da autora Marina Carvalho. Muito simpática, ela respondeu várias perguntas, inclusive muitas que foram enviadas por leitores pelo twitter e facebook. E o melhor: rendeu várias risadas! 
E você? Perdeu? Não fique triste! Gravamos tudo para quem não conseguiu chegar a tempo. Veja abaixo:



Além de tudo isso, nosso próximo encontro já está marcado! Será no dia 21/07, domingo, às 15h! Esperamos que vocês participem no hangout com a gente (quem quiser, já separe a webcam e o microfone, ein! haha) ou então pelo twitter, pelo facebook, que seja! Desde que vocês participem e gostem do nosso clube, já ficaremos muito felizes!
A votação para escolher o próximo livro que iremos falar já está aberta! Votem e torçam para o seu escolhido ganhar, ok? Nos vemos no dia 21!


18/06/2013

A tal da ressaca literária


É, mais uma vez ela me atingiu. Não sei quando, não sei o motivo, mas eu não consigo dar continuidade a nenhuma leitura que eu comece - que, até a data de hoje, já passam de cinco. 
Todos os livros estão me parecendo sem sentido, sem objetivo. Não consigo chegar e me encantar por uma história a ponto de ficar pensando nela e até contando os minutos até a hora em que eu consiga pegar o livro de novo. Inclusive, o livro que eu estou lendo no momento, o único entre os cinco que eu consegui ir além dos primeiros capítulos, está comigo há mais de uma semana e até agora não consegui terminar - e olha que não tem nem 400 páginas, número que eu costumo não levar mais que três dias para ler quando o livro é só bom, enquanto esse número pode ser diminuído para horas quando o livro realmente consegue me encantar.
Já tentei colocar em prática aquelas famosas dicas que todos falam que ajudam a resolver o problema, tais como largar os livros por um tempo e assistir filmes e séries, mas nem isso está funcionando. Estou completamente desmotivada com todas as leituras e, por mais que eu olhe os livros que estão na minha pilha de leituras, nenhum me atrai. O que está acontecendo comigo?
Desde o começo do ano minhas leituras não estão aquelas coisas. É claro que peguei livros maravilhosos, mas os livros ruins estão acabando comigo e isso me desanima muito!
Minha vida literária está uma bagunça e parece que nada vai pra frente. Espero que vocês não estranhem minha ausência temporária por aqui ou a ausência de resenhas. 
Enquanto isso, lá vou eu tentar ler algumas páginas daquele livro... Vamos ver no que vai dar. Até breve!

17/06/2013

Promoção: Férias Literárias


Acho que todo mundo está contando os dias para as férias e claro, separando a imensa lista de livros que pretende ler nelas. Pensando em tornar as férias de alguém ainda melhor, eu e mais cinco blogueiras nos reunimos para fazer uma mega promoção. Vão ser seis livros para um só ganhador. Isso mesmo, quem ganhar vai levar para casa seis livros incríveis.
Como são seis blogs há muitas regras no formulário, porém para quem não gosta de ficar seguindo regras em promoções há uma entrada livre, onde você só vai informar o e-mail.

14/06/2013

Lançamentos #29: Grupo Editorial Record

Título: Amigos, amantes e outras indiscrições
Autora: Fiona Neill
Páginas: 384
Prestes a completar 40 anos, Jonathan Sleet é um conceituado chef que está a um passo de ganhar fama internacional. Para que tudo dê certo, ele só precisa de uma coisa: desenvolver seus verdadeiros dotes culinários. O roteirista Sam, seu confidente e amigo mais próximo, está em crise. Sua mulher, Laura, quer ter outro filho, mas o sonho dele é largar o emprego, que não mais o faz feliz. Já a wokaholie Janey não sabe como conciliar sua carreira de sucesso com a nova vida de mãe. Amigos há mais de duas décadas, eles dividem conquistas e tristezas. E até algo mais. Agora, chegando a meia-idade, eles estão às voltas com várias questões. A convite de uma revista. Jonathan reúne o grupo para passar alguns dias em uma ilha. Mas o que ele não desconfia é que amigos de longa data e um grande segredo do passado são a receita para uma semana explosiva.

 Título: As memórias perdidas de Jane Austen
Autora: Syrie James
Páginas: 320
Um dos maiores nomes da literatura inglesa, Jane Austen escreveu clássicos como Orgulho e preconceito. Embora seus livros tenham interessantes histórias de amor, a vida amorosa da autora nunca foi considerada notável. Esse foi o ponto de partida para Syrie James, estudiosa de Austen, criar uma versão romanceada sobre a vida da aclamada escritora. E se memórias escritas pela própria Austen fossem descobertas, revelando um grande caso de amor? Escrito em um estilo próximo ao da própria escritora britânica, As memórias perdidas de Jane Austen é um livro notável, irresistível para qualquer um que ame Jane Austen – ou grandes romances.


11/06/2013

Resenha: O futuro de nós dois

Título: O futuro de nós dois
Autores: Jay Asher e Carolyn Mackler
Editora: Galera
Páginas: 384
É 1996, e menos da metade dos alunos das escolas de ensino médio nos Estados Unidos já tinham usado a internet. Emma acaba de ganhar o primeiro computador e um CD-ROM da America Online de Josh, seu melhor amigo. E ao instalar o programa, logo no primeiro acesso, descobrem que acabam de entrar no Facebook, dali a quinze anos. Todos se perguntam como será o futuro. Josh e Emma estão prestes a descobrir...





Lá no começo do ano, fui a um evento da editora Galera – o Embarque com a Galera, veja as fotos aqui – e, durante esse passeio, foram anunciados alguns dos lançamentos desse ano. Quando falaram sobre O Futuro de Nós Dois, eu sabia que eu iria gostar da leitura, até porque parecia ser algo muito original. Claro que, como sempre, meu excesso de expectativa me atrapalhou um pouquinho, mas nada que o enredo muito legal e familiar não compensasse. Resultado: acabou sendo uma delícia de leitura.

É o ano de 1996 e Emma acaba de ganhar seu primeiro computador. Na época, poucas pessoas o tinham e aquilo era uma super novidade. Josh, seu melhor amigo e vizinho, a presenteia com um CD-ROM da America Online, um provedor de internet. Só que, assim que eles acessam, eles se deparam com um site chamado Facebook. E ele mostra como as coisas estão dali a quinze anos: Emma e Josh estão frente a frente com o próprio futuro. Até que ponto o que eles fazem hoje pode influenciar o amanhã?

O monitor congela por uns vinte segundos. Então, a caixa branca se transforma em um pontinho azul e outra página aparece. Tem uma faixa azul na parte de cima que diz “Facebook”. Uma coluna no centro da tela tem o título de “Feed de notícias” e, embaixo disso, um monte de fotinhos de gente que não reconheço. Cada foto é seguida de uma frase curta. (...) Passo o mouse pela tela, confusa com a profusão de imagens e palavras. Não faço a menor ideia do que tudo isso quer dizer: “Status” e “Solicitação de Amizade” e “Cutucar”. p. 16/17
Depois do último livro que li, percebi que eu precisava de uma leitura mais leve. Algo que não fosse arrastado, que me envolvesse a ponto de não conseguir largar o livro. O Futuro de Nós Dois chegou e me tirou desse momento ruim: eu li as suas 384 páginas em questão de horas, algo que eu não fazia já há algum tempo. A leitura fluía tão bem que, quando terminei, nem parecia que eu tinha lido tantas páginas assim. E o melhor: eu estava querendo muito mais.

O enredo criado por Jay Asher – autor do livro Os Treze Porquês – e por Carolyn Mackler me surpreendeu. É claro que eu estava esperando uma história mais juvenil, com adolescentes e suas dúvidas e preocupações, mas, ao adicionar o Facebook e as reações que nossas ações podem causar no futuro – mostrando assim que, para os autores, nosso destino é feito através de escolhas tomadas no presente – eles conseguiram colocar nas entrelinhas vários questionamentos que podem ser transmitidos para o leitor. Afinal, quem não iria querer mudar o futuro caso soubesse que está infeliz? E será que não estamos nos expondo demais nas redes sociais?

Mas, deixando isso de lado, vamos falar especificamente sobre o uso do Facebook: os autores conseguiram introduzi-lo de forma que não parecesse forçado ou cansativo, só que eu esperava um pouquinho mais. No começo, com toda a surpresa dos dois em conhecer tal ferramenta que indicava como seria seu futuro, eu fiquei super empolgada esperando que algo super genial acontecesse... Mas não aconteceu. Não que isso tenha deixado o livro ruim, mas eu fiquei com aquela sensação de que o assunto poderia ter sido bem melhor explorado e que, se isso fosse feito, o final teria sido bem melhor.

O Futuro de Nós Dois me deixou com uma grande sensação de nostalgia. Posso não ter vivido a época exata de Emma e Josh, mas foi incrível quando meu pai finalmente me comprou um computador, com o Windows 95, se bem me lembro. Eu usava a internet discada – só aos finais de semana, porque era mais barato – e ninguém conseguia ligar aqui para a minha casa nesses dias; usei discman e me achava o máximo por ter um. Celular era um artigo de luxo e, como meu pai tinha um por causa do trabalho, eu adorava ficar com aquele tijolão para baixo e para cima. Essa sensação de familiaridade com o que o enredo nos traz foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Quando isso acontece, nós entendemos um panorama totalmente diferente do enredo, porque podemos nos colocar no lugar dos próprios personagens, e foi exatamente isso que aconteceu.

- Quando você diz “as pessoas que criaram isso”, você não entende? Em algum momento do futuro, nós é que criamos. Eu não sei exatamente o que é, mas parece ser um site interconectado em que as pessoas mostram suas fotos e escrevem sobre tudo o que está acontecendo na vida delas, como, por exemplo, que encontraram um lugar para estacionar ou o que comeram no café na manhã.
- Mas por quê? p. 52
Como a narrativa é alternada – em um capítulo vemos tudo da perspectiva da Emma e no outro na do Josh –, temos uma ótima noção de como tudo o que aconteceu afetou os dois individualmente. Só que eu achei a Emma tão chata! Eu queria que os capítulos dela passassem logo só para que eu encontrasse com o Josh novamente que, apesar de ter me decepcionado em alguns pontos, ainda era bem mais empolgante do que ela. Nada que me fizesse querer arrancar os cabelos, mas eu achava que a Emma deveria ter um algo que fizesse o leitor se simpatizar mais com ela, entendem?

Apesar de alguns defeitinhos ali e outros aqui, o livro me conquistou. Gostei de como a história foi conduzida e tenho certeza que muita gente – principalmente que viveram a adolescência na década de 90 – vai se identificar muito e ficar pensando em como os tempos mudaram e em como a gente envelheceu (haha!). Talvez os mais novos estranhem ou nem saibam o que é um discman (!), mas nada que atrapalhe a leitura. Para quem quiser curtir ainda mais, a editora Galera liberou uma super playlist para acompanhar (é essa que vocês estão vendo aqui embaixo!). E vão por mim: vale a pena ler!

08/06/2013

Resenha: Lolly Willowes

Título: Lolly Willowes
Autora: Sylvia Townsed Warner
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 196
A perda do pai marcou para sempre a vida de Lolly Willowes. É por isso que, ainda criança, ela decide morar com o irmão, onde cuida dos sobrinhos e ajuda a cunhada nas tarefas domésticas. Durante vinte anos, Lolly se anula, resumindo-se a uma tia amada pela família. Solteirona com apenas vinte e oito anos, ela decide abandonar a Londres urbana e se mudar para a vila rural Great Mop, onde florescerá emocional e espiritualmente. No entanto, tudo se complica após a visita de um gato que a jovem tem certeza de que foi enviado pelas forças das trevas, pelo próprio demônio.


Sempre disse aqui que ter poucas informações sobre um livro costuma me surpreender. Não são poucos os títulos que eu começo a ler não dando nada e termino adorando. Só que isso não foi válido nesse caso. Sabia muito pouco sobre Lolly Willowes, o que foi uma das grandes causas para a minha enorme decepção com ele. Com um enredo que enrola para chegar a lugar nenhum, foi uma das minhas leituras mais arrastadas do ano.

Sem mais delongas, vamos ao principal: eu não entendi o livro. Juro pra vocês que eu passei as exatas 196 páginas desse livro tentando achar um sentido para ele. Devido a sinopse – que, diga-se de passagem, entrega o livro quase todo –, eu esperava algo além do que estava ali. Só que, quanto mais próxima do final eu chegava, mais eu torcia para que acontecesse alguma reviravolta que tornasse Lolly Willowes mais agradável. Mas, infelizmente, nada – nada mesmo – conseguiu prender minha atenção e aquele sentido que eu estava procurando desde o começo não existia.

Laura despertou do devaneio. Estava tudo acertado, então, e ela iria morar em Londres com Henry e a esposa, Caroline, e as filhas, Fancy e Marion. Tornar-se-ia moradora da casa imponente de Apsley Terrace, onde até então não passava de uma cunhada provinciana em visita. p. 9
A questão temporal do livro foi a primeira coisa que me incomodou. Nas poucas páginas, temos quase quarenta anos de história, que se passam sem que o leitor se dê conta e sem que a autora conduza o leitor através do tempo de modo confortável. Eu fiquei chocada quando Sylvia Townsend Warner citava que Lolly tinha vinte anos e, duas páginas depois, tinha quarenta. Toda hora eu tinha que voltar no enredo para ter certeza de que aquilo estava certo. Foi muito complicado isso.

Só que, o que foi mais complicado ainda, foram os capítulos. O livro é dividido em três partes que seguem em narrativa contínua, sem nenhuma pausa. Ou seja, como eu demorei muito nessa leitura, imaginem: eu tinha que parar no meio do nada quando ficava cansada. Não tinha um momento em que desse para sentir que seria cômodo parar por ali e isso me irritou, até porque sou daquelas que detestam parar antes do fim do capítulo. Só que com esse não teve jeito. E, por fazer isso, eu fiquei perdida todas as vezes em que voltava a leitura.

A própria narrativa é arrastada. Tudo bem que o livro é do começo do século XX (foi lançando originalmente em 1926) e que a linguagem utilizada na época era mais rebuscada e o estilo de escrita era diferente, mas a autora exagera em detalhes exteriores que eram totalmente desnecessários quando ela tinha um assunto incrivelmente promissor em mãos. Por vezes ela usava um parágrafo que ocupava a página inteira para falar de mobília. Eu ainda não entendi o sentido disso.

Se ao menos a protagonista conseguisse conquistar o leitor, talvez a trama se desenrolasse de forma melhor. Mas isso não acontece. Como temos uma narrativa em terceira pessoa totalmente focada nela, fica ainda pior. Lolly Willowes é uma mulher angustiada, solitária, com demônios interiores dos quais não consegue fugir. E não consegui me simpatizar com a situação dela, por pior que fosse. Quando eu pensei que poderia surgir algo, algum tipo de empatia, o final colocou tudo a perder.

Enquanto afagava o gatinho em seu colo, Laura refletia. Seus pensamentos tinham agora um colorido diverso. Aquele consentimento confiante, aquela quentura sobre os joelhos, a embalavam como um modelo a seguir. (...) Como o corpo já aceitava a nova ordem das coisas e progredia tão metodicamente a caminho do futuro, cabia-lhe, pensou, tentar reajustar o espírito. p. 138/139
É claro que o livro aborda temas que, para a época, eram tidos como revolucionários. Mas só os compreendi quando finalizei a leitura. Aborda religião, a hierarquia familiar de uma forma muito forte e em como a mulher não era vista como alguém que era independente. Ou seja, nessa questão, a autora conseguiu colocar tudo, mesmo que entrelinhas, que a incomodava na época. Mas eu me pergunto até que ponto vale a pena chegar a essas conclusões depois de um livro que não fez sentido nenhum pra mim.

Se eu tivesse entendido qual era o verdadeiro propósito do livro, talvez minha experiência com ele fosse totalmente diferente com ele. Mas, para mim, não passaram de palavras em folhas que não direcionavam para lugar algum. O que é uma pena, pois eu realmente me empolguei tanto com a sinopse quanto com o carinho que tiveram com a capa dele (está bem bonita!) aqui no Brasil. Infelizmente não foi uma boa leitura.

07/06/2013

Minha aposta nacional #2 - O novo mundo de Muriel

Eu só fui conhecer o trabalho da autora Liliane Prata há pouco tempo, quando a editora Planeta anunciou que iria lançar seu livro O novo mundo de Muriel. Comecei a pesquisar sobre seu trabalho e principalmente por esse novo livro, que parece ser uma fantasia bem legal, daqueles que costumam me fazer ter uma leitura bem tranquila e gostosa. Resultado: já estou com o livro aqui em casa. Comecei a lê-lo hoje e já estou sentindo que vem muita coisa boa por aí, minhas expectativas já começaram a crescer.
É por isso que ele é a minha escolha para a aposta nacional


Autora: Liliane Prata
Editora: Planeta
Páginas: 326
Muriel é uma garota de 16 anos que, um dia, quando vai ao banheiro, acaba num outro mundo: as aldeias de Landim. Landim é um mundo bem diferente, regido por leis distintas e inexplicáveis. A reação de Muriel vai mudando ao longo dos anos, refletindo sobre a convivência com diferentes culturas e sobre o mundo. Paralelamente a isso, há a busca pelas respostas do porquê de ela estar lá e a tentativa de ela voltar para casa. Qual seria de fato o novo mundo de Muriel? E quais seriam os reais limites entre realidade e fantasia? 



03/06/2013

Resenha: Adeus, por enquanto

Título: Adeus, por enquanto
Autora: Laurie Frankel
Editora: Paralela
Páginas: 320

A talentosa autora de Atlas do amor inova em seu segundo romance, no qual conta a história do jovem casal que estendeu seu amor para além dos limites da vida. Não é milagre e nem magia, é pura ciência da computação. Graças ao software que Sam Elling, um divertido programador do MIT, desenvolve, torna-se possível conversar com projeções perfeitas de pessoas queridas que morreram. Assim, ele ajuda sua namorada a superar a perda recente da avó, mas não esperava que um dia fosse precisar se tornar usuário de seu próprio programa...

Adeus, por enquanto me afetou. E só fui saber disso quando virei a última página e não me vi em condições de começar outro livro. Inclusive, estou há uma semana sem conseguir ler direito por causa dele (para vocês terem noção, foram três tentativas). O enredo não sai da minha cabeça, sinto que ainda estou vivendo o mundo de Sam e Merde. Para isso se dá o nome de ressaca literária, como vocês bem sabem. Não foi o melhor momento para isso, mas posso dizer que valeu a pena.

Sam é um programador que acabou de perder seu emprego por causa de um algoritmo que lhe trouxe a pessoa mais importante de sua vida: Meredith, ou como ele carinhosamente a chama, Merde. Só que, ao invés de curtir esse novo relacionamento, ela está um momento horrível, pois acabou de perder a avó, por quem tinha grande consideração. É aí que Sam entra com suas habilidades e inventa uma forma de amenizar a tristeza de sua amada: ele faz um programa, chamado RePose, que permite a interação com as pessoas que já faleceram. É por causa desse programa que conhecemos várias histórias, conhecemos o verdadeiro lado da superação, da tristeza e da amizade.

“A verdade é que estou tão apaixonado por ela que faria qualquer coisa para fazê-la me amar metade do quanto a amo. A verdade é que sou um filho da puta tão arrogante que minha resposta para ‘Estou triste porque minha avó morreu’ é ‘Deixe-me inventar um programa de computador para ela poder escrever cartas para você’. A verdade é que sou tão desajeitado e sem noção que acho que mostrar para alguém na cama um e-mail de sua avó morta é romântico.” p. 61
Sabem quando um livro inicia e você não dá nada por ele nas primeiras páginas? Pois é. Assim que comecei Adeus, por enquanto, nada me ganhou. A princípio, pensei que ia ser mais um daqueles que eu classificaria como bom, até porque logo de cara eu me identifiquei com o Sam, mas era só isso. Ao passar das páginas, porém, o enredo foi me envolvendo, e de repente me vi completamente comovida com as histórias paralelas que o livro carrega, querendo que todo mundo ficasse bem de alguma forma, mesmo que a morte fosse o principal assunto do livro.

Por mais que a morte seja um assunto pesado, pelo menos para a maioria de nós, Laurie Frankel consegue dosar o drama, explorando mais a parte de como as pessoas lidam com o luto e em como seria se pudéssemos dizer adeus para uma pessoa com quem nos importávamos muito, mas que nem sempre conseguimos demonstrar. É incrível como ela consegue mostrar a reação das pessoas de vários ângulos, mostrando que, mesmo com a presença constante da morte em suas vidas, elas continuam vivendo.

E foi exatamente por isso que a autora me fez questionar: será que eu me adaptaria bem ao uso do programa? A própria Laurie aponta algumas dessas questões durante o enredo, sem ser tendenciosa, fazendo com que nos coloquemos no lugar dos personagens que estão vivendo aquela situação – mesmo aqueles que nunca tenham vivido uma grande perda. Será que seria ético mexer com os sentimentos das pessoas desse jeito, mesmo que elas procurem? Será que o RePose não adiaria ainda mais uma fase por qual todos teremos que passar algum dia?
A narrativa de Laurie é essencial para que isso aconteça. Se não fosse pela objetividade e pela clareza com que ela aborda todos os assuntos envolvidos, o livro não seria tão bom. Digo isso porque o assunto já é pesado o suficiente para que a autora se demorasse com delongas desnecessárias.

No final, entretanto, o que era preciso era um salto por cima do abismo com os olhos bem fechados, os dedos das mãos e dos pés cruzados. Não podiam fazer testes beta. Não funcionaria teoricamente, só na realidade. Não funcionaria para usurários fictícios, somente para usuários reais que fossem realmente queridos. Os EQFs – entes queridos falecidos – podiam ser projeções inanimadas, mas o único lugar para testá-los era em um mundo que era bem, bem real. p. 125
Mas um personagem foi essencial: Sam. Não teve como não gostar da forma como ele foi construído. Desde o começo eu soube que ele seria meu personagem favorito, que eu torceria com todas as minhas forças para que tudo desse certo para ele. Mas claro, não posso tirar o mérito dos outros personagens, como a Merde ou o Dashiell; cada um me emocionou de uma forma diferente com suas histórias pessoais.

Fechei o livro chorando. Não queria acreditar no que tinha acontecido. Por mim eu faria outro final só para que tudo o que eu estava esperando acontecesse. Mas essa é a mensagem que Laurie Frankel quis passar desde o começo: a morte sempre está presente em nossas vidas. O que nos difere é a reação que temos perante ela. Isso não sai da minha cabeça, para vocês verem o quanto esse livrou pesou em mim. E não posso dar um conselho melhor: leiam!

Figurinhas Literárias: Votação e anúncio do segundo evento



Já contei aqui nesse post, mas vou reforçar: a Nica do Drafts da Nica, a Dai do No Universo da Literatura e eu criamos um Clube do Livro Online, que é feito através de um hangout pelo Google Play, e então conversamos sobre um livro. Como se fosse um clube do livro como qualquer outro, a diferença é que cada um está em um canto do país ou do mundo.