30/09/2013

Resenha: Gélido

Título: Gélido
Autora: Tess Gerritsen
Editora: Record
Páginas: 368
Quando a médica-legista Maura Isles reencontra um antigo amigo de faculdade durante um congresso, parte em uma viagem com ele e seu grupo. Porém, um acidente com o carro em meio a uma nevasca os leva ao inóspito vilarejo de Kingdom Come, onde algo terrível parece ter ocorrido. Enquanto isso, a detetive Jane Rizzoli recebe a notícia do desaparecimento da amiga e decide investigar seu destino. Assim, enquanto tenta descobrir o que houve com Maura, embrenha-se em uma trama envolvendo uma misteriosa seita e segredos do passado.


Não sei quanto a vocês, mas eu sou uma pessoa extremamente medrosa. Passo longe de filmes de terror, e qualquer música de suspense me deixa nervosa, com aquele pressentimento de que  vou tomar um susto a qualquer hora. Quando li a sinopse de Gélido, pensei que ia ser apenas mais um livro policial. Porém, a tão bem falada autora Tess Gerritsen me surpreendeu: ela criou um thriller tão empolgante que, apesar do meu medo e dos vários sustos que levei, eu não conseguia parar de ler.

Maura Isles é uma médica-legista. Em uma convenção, ela reencontra Doug, um amigo de faculdade. Os dois começam a relembrar os velhos tempos, até que resolvem fazer uma pequena viagem em grupo depois da convenção. Quando eles sofrem um acidente de carro no caminho, acabam parando em Kingdom Come, um pequeno assentamento que estranhamente não possui habitantes e está isolado de todo o mundo. Agora, Maura terá que passar por grandes provações para sobreviver ao local. Enquanto isso, Jane Rizzoli fará tudo ao seu alcance para saber o paradeiro de sua amiga.

Maura fechou a janela e olhou para a noite. Não via qualquer luz, nenhum sinal de que outra pessoa no mundo estivesse vida, a não ser eles. (...)
- Muito bem, eu não estou em pânico. Temos comida e lenha. Não vamos morrer de fome nem de frio. – falou ele, dando um tapa nas costas de Arlo. – Vamos lá cara. É uma aventura. Podia ser pior.
- Quão pior? – contestou Arlo.
Ninguém respondeu. Ninguém queria. p. 61/62
Gélido foi um livro que só me deixou respirar quando cheguei à última página. Como foi o primeiro livro da autora Tess Gerritsen que li, não sabia o que esperar. A única coisa que tinha conhecimento era a série de livros que tinha dado origem à série de TV policial Rizzoli & Isles e por causa dela tirei algumas conclusões. Só que nem de longe elas fizeram diferença quando me deparei com a trama excelentemente desenvolvida pela autora.

Cheio de momentos de tensão e adrenalina, fiquei inquieta por todo o livro. A autora nos cerca de mistérios e não tem quem não fique curioso para saber o que realmente aconteceu em Kingdom Come. Toda essa atmosfera envolve o leitor desde as primeiras páginas e, por mais que sejam dadas várias pistas, todas as nossas teorias vão por água abaixo quando tudo é finalmente revelado. Isso se deve à narrativa (que é feita em terceira pessoa) que consegue conduzir tão bem o leitor que isso não dá margem para que ele descubra o que vai acontecer no fim. E isso é um ponto super positivo!

Os personagens são os grandes responsáveis por isso. Maura Isles é contida, fria, assim como é o padrão dos médicos-legistas. Se vendo em uma situação aterrorizante, ela consegue tirar a melhor avaliação possível do que acontece, o que a tornou uma protagonista forte e que não chega a irritar de modo algum. Seu conhecimento médico não assusta os leitores leigos, pois todas as informações passadas no livro são bem explicadas. Jane Rizzoli é uma policial determinada e é através de sua teimosia que conseguimos descobrir várias respostas. A autora criou personagens marcantes e que, mesmo com uma série tão extensa, continuam fazendo um grande sucesso.

Maura não queria deixar a garota mais apavorada do que já estava. Assim, não disse nada a ela sobre o que acabara de ver na floresta. Elaine, contudo, teria de saber. Precisavam estar preparadas, agora que sabia a verdade.
Não estavam sós naquele vale. p. 167
Com uma ambientação fria, um caso misterioso e muitas surpresas, Gélido é extremamente indicado, principalmente para os fãs de thillers. Para quem não gosta, vale encarar o medo e sair um pouco da zona de conforto nas leituras. Conseguiu me conquistar e, por mais que eu tente encontrar algum ponto negativo, não consigo. Tess Gerritsen conseguiu me encantar logo de cara e com certeza buscarei mais livros dela.

A série Rizzoli & Isles já conta com oito livros publicados no Brasil, sendo Gélido o oitavo. São livros independentes, ou seja, podem ser lidos fora de ordem sem nenhuma perda para a leitura. São eles:
  1. O Cirurgião
  2. O Dominador
  3. O Pecador
  4. Dublê de Corpo
  5. Desaparecidas
  6. O Clube Mefisto
  7. Relíquias
  8. Gélido 

28/09/2013

Minha aposta nacional - A Ilha dos Dissidentes

Olá pessoal! :) Há um tempo eu não postava essa coluna aqui no blog, mas estava sentindo falta dela. Todo dia vemos mais e mais livros nacionais sendo publicados (o que é algo maravilhoso), mas infelizmente não dá para ficar sabendo de todos que são publicados diariamente. :(
Ainda assim, como vocês bem sabem, sempre tem aquele livro que acaba chamando atenção, acabamos buscando mais sobre ele e pronto: já colocamos nos desejados.
O livro que está fazendo isso comigo no momento é A Ilha dos Dissidentes, da autora Bárbara Morais. Vocês já conhecem?


Ser levada para uma cidade especial não estava nos planos de Sybil. Tudo o que ela mais queria era sair de Kali, zona paupérrima da guerra entre a União e o Império do Sol, e não precisar entrar para o exército. Mas ela nunca imaginou que pudesse ser um dos anômalos, um grupo especial de pessoas com mutações genéticas que os fazia ter habilidades sobre-humanas inacreditáveis. Como única sobrevivente de um naufrágio, ela agora irá se juntar a uma família adotiva na maior cidade de mutantes do continente e precisará se adaptar a uma nova realidade. E logo aprenderá que ser diferente pode ser ainda mais difícil que viver em um mundo em guerra.

26/09/2013

Resenha: O Pessegueiro

Título: O Pessegueiro
Autora: Sarah Addison Allen
Editora: Planeta
Páginas: 256
Willa Jackson vem de uma antiga família que ficou arruinada gerações antes. A mansão Blue Ridge Madam, construída pelo bisavô de Willa durante a época área de Walls of Water, e outrora a mais grandiosa casa da cidade, foi durante anos um monumento solitário à infelicidade e ao escândalo. Mas Willa soube há pouco que uma antiga colega de escola – a elegante Paxton Osgood – da abastada família Osgood, restaurou a Blue Ridge Madam e a devolveu à sua antiga glória, tencionando transformá-la numa elegante pousada. Talvez, por fim, o passado possa ser deixado para trás enquanto algo novo e maravilhoso se ergue das suas cinzas. Mas o que se ergue, afinal, é um esqueleto, encontrado sob o solitário pessegueiro da propriedade, que com certeza irá fazer surgir coisas terríveis. Pois os ossos, pertencentes ao carismático vendedor ambulante Tucker Devlin, que exerceu os seus encantos sombrios em Walls of Water setenta e cinco anos antes, não são tudo o que está escondido longe da vista e do coração. Surgem igualmente segredos há muito guardados, aparentemente anunciados por uma súbita onda de estranhos acontecimentos em toda a cidade.


O Pessegueiro é um desses livros que, não importa o momento em que você o leia, tirará alguma lição dele e a carregará por muito tempo, mesmo não sendo este seu objetivo principal. Apesar das minhas altas expectativas, fui presenteada com um livro que me envolveu de tal forma que ainda sinto como se estivesse vivendo aquela história. A sensação que ficou é que o livro poderia ser muito maior e ainda assim continuaria encantador.

Willa era conhecida como a piadista nos tempos de escola. Hoje, anos mais tarde, sua vida mudou. Agora a responsabilidade pesa nos seus ombros e ela tem que administrar a sua vida adulta. Quando Paxton a convida para participar de uma festa no Blue Ridge Madam, mansão em que a avó de Willa morou no passado, vários segredos envolvendo tanto a cidade de Walls of Water quanto suas famílias começam a aparecer e isso as leva a uma jornada de autodescoberta, amor e amizade.

Ela não acreditava nem em fantasmas, nem em superstições, nem que campainhas tocassem sozinhas.
Mas uma coisa em que ela acreditava era o amor. Acreditava que era possível sentir seu cheio, seu sabor, que ele podia mudar toda a trajetória de uma vida. p. 171
Da mesma autora de A garota que perseguiu a lua (resenha), O Pessegueiro fez com que eu esperasse muito. Como gostei demais do livro anterior da autora, esse tinha tudo para fazer com que eu colocasse a autora Sarah Addison Allen entre uma das minhas favoritas e foi exatamente isso o que aconteceu. Este livro segue o mesmo padrão do outro: a leitura fluida faz com que ele fique parecendo um conto, de tão gostoso que é de ser lido. Mesmo com suas 256 páginas, em nenhum momento o drama envolvido se torna maçante.

Isso ocorre porque Allen tem algo especial em sua escrita: ao mesmo tempo em que é suave, ela consegue abordar temáticas fortes sem perder a magia de seu enredo. Ela amarra tão bem todos os pontos envolvidos – mistério, romance, autodescoberta – que aquilo te absorve de tal forma que você só consegue parar de ler quando não há mais páginas a serem lidas. Foi assim comigo: em todas as vezes que eu fazia uma pausa na leitura, era como se algo me chamasse para ele.

Grande parte disso se deve aos personagens criados pela autora. Há uma sensação de familiaridade com cada um deles apesar de não haver tempo para que uma relação maior seja criada com o leitor. Mesmo que Willa seja dita como a protagonista, a autora faz com que cada personagem tenha relevância para o enredo e isso faz com que todos sejam bem construídos, de forma com que sempre existirá alguma característica de algum deles que vai fazer com que o leitor se coloque em sua pele e viva determinada situação.

A felicidade é um risco. Se você não sentir um pouquinho de medo, não está fazendo a coisa certa. p. 213
A doçura do livro já está explícita na capa. Vou falar a verdade para vocês: adoro as capas dos livros da Sarah Addison Allen! A editora Planeta fez muito bem em publicá-los com a capa original e ainda dar atenção para a diagramação de forma que a leitura ficasse ainda mais gostosa. Como eu já mostrei a diagramação de A garota que perseguiu a lua na resenha deste, agora vou mostrar a de O pessegueiro, que vocês podem conferir na foto abaixo:


O Pessegueiro é um daqueles livros que sempre que você olha para ele na estante, lembra com carinho de sua história e que, sempre que possível, irá reler. Uma história doce, com aquela pitada de mistério e romance que não podem faltar para que o leitor se sinta instigado a ler mais e mais. Recomendo não só esse, mas também o outro livro da autora, A garota que perseguiu a lua. E fico aqui, com o coração na mão, esperando que a editora lance mais livros da Sarah Addison Allen, afinal, ela merece espaço não só na minha estante, mas na de todos. 

21/09/2013

2 anos do Estante Vertical


UAU! Dois anos! Quem diria? Lá em 2011, quando resolvi finalmente criar o blog, não fazia ideia do que viria pela frente. Não tinha noção de que eu estaria aqui, tanto tempo depois, comemorando com vocês, olhando para trás e vendo o quanto esses dias foram maravilhosos.
Comecei o blog com a finalidade de ter meu espaço para que eu pudesse compartilhar as coisas que eu gostava com pessoas que gostavam das mesmas coisas que eu. E olha no que isso deu! Além de alcançar meu objetivo principal, a influência que o Estante Vertical teve na minha vida me fez crescer em vários aspectos. 

Não sei se vocês blogueiros já pararam para fazer uma avaliação pessoal comparando quem vocês eram antes de criar o blog e quem são agora. Essa semana eu estava meio nostálgica com toda essa preparação para o aniversário e comecei a pensar nisso. A Luara que criou esse blog, lá com seus 17 anos, era imatura demais. Por causa do amor por esse meu espaço, ganhei um senso de responsabilidade que eu não imaginava que existia. Meu senso crítico cresceu tanto que hoje não consigo ver algo e me abster opinião. Conheci pessoas que me fizeram ter outra visão do mundo e que me ensinaram tolerante com a opinião alheia. Ver que hoje o blog me tornou uma pessoa melhor fez tudo valer a pena e como eu disse essa semana, se eu tivesse a oportunidade de voltar no tempo, eu tomaria a mesma decisão de fazê-lo.

Mas tudo isso só aconteceu devido ao apoio incondicional que eu tive de várias pessoas. Não vou citar nomes porque eu provavelmente vou esquecer de alguém (e isso seria totalmente injusto), mas aqueles que fizeram parte desse caminho sabem. Foram essas pessoas que me deram forças para continuar quando eu desanimava, que me mostravam que eu ainda poderia alcançar muitas felicidades com o blog. Esses merecem agradecimentos dobrados, pois não sei se chegaria até aqui se não fosse por eles.

Esses dois anos me fizeram conhecer pessoas incríveis. São tantas que eu poderia ficar listando aqui durante horas. São amigos que eu tenho certeza que vão sempre me ajudar quando preciso, não importa a situação. São pessoas que eu posso ficar conversando horas sobre livros e ninguém vai me dizer que eu estou ficando chata por causa disso. São aqueles que realmente leem o que eu escrevo e que gostam, elogiam, criticam, me falam como melhorar. O blog chegou a esse ponto que está hoje por causa de vocês! Obrigada, obrigada, obrigada!

Vou terminar esse agradecimento com o desejo de que venham mais um, dois, três anos de Estante Vertical! Eu sei que, com o apoio de todos vocês, isso vai ser fácil, porque eu amo esse lugar. 
Obrigada, de coração. Vocês tornam tudo isso possível. <3

P. S.: Sabem o que eu descobri? Que dia 21 de setembro também é aniversário do Stephen King. Coincidência? ;)

19/09/2013

Resenha: Vidas Trocadas

Título: Vidas Trocadas
Autora: Katie Dale
Editora: Benvirá
Páginas: 408
Quando sua mãe, Trudie, morre vítima da Doença de Huntington – mal que atinge o sistema nervoso –, Rosie sofre não apenas pela perda, mas também pela sombra que paira sobre seu futuro: o alto risco de também ser portadora da doença. Determinada a saber o que está à sua espera, Rosie conta para “Tia Sarah”, a melhor amiga de sua mãe, que pretende fazer o exame que revelará se tem ou não a doença. Apavorada com as outras verdades que o exame pode revelar, Sarah decide abrir o jogo e conta algo que desestrutura ainda mais a vida de Rosie: Trudie não era sua verdadeira mãe. Rosie fora trocada na maternidade logo após seu nascimento, pois o bebê de Trudie tinha pouquíssimas chances de sobreviver. Devastada pela notícia, Rosie decide procurar sua mãe biológica e, junto com o namorado, deixa a Inglaterra para trás e parte para os Estados Unidos, onde acredita que se reunirá à sua família. O que a garota não pode prever é que a revelação deste segredo irá mexer com a vida de pessoas que ela nem mesmo imagina que existem...

Vidas Trocadas é um livro único. Sabe quando você termina um livro sabendo que provavelmente nenhum terá a sensibilidade que ele teve para lidar com tal assunto? Tive a mesma sensação com Não me abandone jamais (resenha) e esse tipo de livro sempre me afeta, sempre me faz procurar mais sobre o que ele trata. Com Vidas Trocadas não foi diferente. Me emocionei, me afligi e encontrei um bom drama como há tempos não encontrava.

Rosie acaba de perder a mãe por causa da doença de Huntington. Por causa do medo de ter herdado essa doença genética, ela decide que irá fazer um teste para saber o que seu futuro a reserva. Só que ela acaba descobrindo que Trudie não era sua mãe, uma vez que ela tinha sido trocada na maternidade. Com a esperança de encontrar sua verdadeira família, Rosie toma coragem e vai atrás de todas as pistas possíveis. Com isso irá desencavar segredos que irão afetar mais pessoas do que ela imaginava.

Os eventos daquela noite fatídica rodopiam como um furacão na minha mente; mil perguntas ressoam como chuva de granizo, perfurando e destruindo todas as verdades em que acreditei a vida inteira e deixando somente um vazio tão escuro e vasto quanto o céu noturno, embora com algumas poucas e preciosas estrelas para me guiar.
Meu futuro.
Uma pessoa não pode existir se não tiver passado. (...) Mas e se sua existência inteira for uma mentira? p. 53
Vamos aos fatos: quem não acha a capa desse livro linda? É lógico que qualquer leitor que a ver em uma livraria (física ou online) vai tirar um tempinho para ler a sinopse e ver do que se trata. Foi isso o que aconteceu comigo. Após ver essa capa em alguns lugares, procurei saber mais sobre ele e me surpreendi, pois ele era totalmente diferente do que eu acreditei ser ao olhar a capa. Fiquei um pouco receosa, afinal, não é qualquer drama que consegue me ganhar (a maioria me parece exagerada demais), mas, depois de ler algumas resenhas, resolvi que era hora de encará-lo. Sábia decisão.

A autora divide o livro em duas partes. Na primeira parte nos deparamos com a narrativa de Rosie, uma garota que acaba de perder a mãe e está assombrada pela doença de Huntington. Como vinha de uma série de livros com temáticas bem longe de ser dramáticas, me deparar com algo diferente foi um baque. Ou seja, logo de cara não conseguia lidar com a Rosie exatamente por causa disso. A construção do meu relacionamento com ela foi gradual, até que ela me ganhou completamente e isso se deu principalmente por causa da sensibilidade da autora em demonstrar tudo que alguém faria caso estivesse à procura de sua família biológica.

Na segunda parte de Vidas Trocadas, conhecemos Holly e a partir daí as narrativas são intercaladas entre ela e Rosie. Ela é aquela personagem que, por mais que você entenda o motivo de fazer determinadas coisas, você não cria nenhuma empatia com ela. Passei a maior parte do tempo detestando suas atitudes, mas, se não fosse por elas, a carga dramática do livro não seria tão grande e isso faria com que nem tudo que a autora quis demonstrar fosse exposto. Ou seja, são meios para um fim.

A forma como o enredo foi conduzida é mais uma parte positiva. Algumas vezes eu cheguei a ficar confusa com algumas coisinhas que a autora fez, mas nada que atrapalhasse a leitura, uma vez que são explicadas logo em seguida. Mas, fora isso, a jornada de Rosie emociona desde o princípio. Você torce, fica ávido por mais informações e, mesmo assim quer e consegue degustar cada pedacinho da história. Isso tornou a leitura muito mais prazerosa.

A verdade pode até ferir, porém as mentiras são um ciclo vicioso. Elas se escondem aninhadas dentro de nós, para de repente nos atacarem sem aviso prévio, antes mesmo que percebamos que estão lá.
Preciso saber antes que seja tarde. p. 311
Katie Dale, além de fazer um livro primoroso, consegue informar e muito. Além de mostrar a realidade de trocas da maternidade, que, mesmo que a gente não veja muito, acontecem mais do que pensamos, temos uma visão bem aprofundada da doença de Huntington. Sabemos das partes médicas, como sintomas e que não existe cura e também lidamos com a carga emocional que afeta não só a pessoa portadora, mas todos ao seu redor. São tantas nuances abordadas que eu sinceramente duvido que qualquer autor conseguiria fazê-lo.

Terminei o livro com aquela sensação de que é uma história que merece ser lida, mesmo por aqueles que não curtem tanto a temática. É uma situação real, que mostra uma doença que pode acometer a qualquer pessoa. Livros assim sempre nos dão um choque de realidade, nos fazem dar mais importância às coisas ao nosso redor.  É por isso que eu digo: se você tiver oportunidade, leia sem medo. Você não vai se arrepender. 

17/09/2013

Resenha: O dia da caça

Título: O dia da caça
Autor: James Patterson
Editora: Arqueiro
Páginas: 212
Alex Cross está diante do criminoso mais cruel que já enfrentou Quando o detetive Alex Cross é chamado para investigar um caso de assassinato, depara-se com a cena de crime mais terrível que já viu em toda a sua carreira: uma família inteira foi morta dentro de casa. Tudo fica ainda mais chocante quando ele descobre que uma das vítimas é Ellie Cox, sua ex-namorada dos tempos de faculdade. Furioso, Cross decide pegar o assassino a qualquer custo Logo depois outro crime acontece, novamente envolvendo uma família inteira, só que dessa vez alguns membros dela estavam nos Estados Unidos e outros, na África. A investigação leva a crer que o assassino, conhecido apenas como Tiger, viajou para a Nigéria. Sem hesitar, Cross vai atrás dele. O detetive entra numa caçada implacável, numa terra sem lei Ao chegar lá, Cross se vê diante de um terrível cenário de miséria, violência e guerra civil iminente. Sem nenhuma ajuda, ele se envolve numa luta contra a corrupção e contra uma conspiração que parece não ter fronteiras, que pode pôr em risco sua vida e a de todas as pessoas que ele ama.


James Patterson é um dos autores mais completos que eu já li. Ele se dá bem em romance – como em O diário de Suzana para Nicolas, um dos meus livros favoritos –, em policiais e até se aventura em infanto-juvenis. Ainda não tinha lido nenhum livro da série do Alex Cross, um dos personagens mais famosos do autor. Quando tive a chance de ler O dia da caça aproveitei e mais uma vez me surpreendi, apesar de ser uma temática densa que eu não estou acostumada.

Por causa da morte de uma amiga do passado, Alex Cross se vê envolvido em uma rede de homicídios. Por causa disso, ele precisará encontrar o assassino de sua amiga e desvendar todos os enigmas que o cercam para que outras pessoas não acabem seguindo o mesmo destino. Sua aventura começa nos Estados Unidos e acaba parando na África, onde o caso fica ainda mais misterioso e cada movimento pode fazer com que tudo se vire contra Cross.

Os mistérios mais difíceis de solucionar são aqueles que você vê que estão perto do fim, pois já não há evidências suficientes nem muito mais a desvendar. A menos que você possa voltar ao início – retroceder e rever tudo. p. 12
Cada livro do James Patterson é uma surpresa para mim. Não importa que a série tenha vários livros (como a própria série do Alex Cross) ou que ele escreva vários do mesmo gênero, sempre há algo que me fisga e me deixa sem fôlego no final. Não foi diferente com O dia da caça. Comecei o livro achando que ele teria as mesmas bases da série O clube das mulheres contra o crime, em que o enredo é mais leve e fluído, porém me enganei completamente.

O dia da caça é um daqueles livros que você tem que ter estômago. O autor James Patterson não economiza nas cenas fortes e faz com que o leitor sinta toda a tormenta que seu protagonista passa. Esse foi um dos grandes causas para que a minha leitura fosse lenta. Para ser sincera com vocês, demorei quase duas semanas para finalizar o livro porque a cada dez páginas eu tinha que parar, absorver tudo aquilo que tinha acabado de acontecer, tomar coragem e só então continuar. Como disse no começo da resenha, essa não é uma temática que estou acostumada, logo, foi um livro que mexeu demais comigo.

Isso acontece porque o próprio Alex Cross é difícil de lidar. Um personagem impulsivo, que não pesa as consequências de seus atos e que se mete em lugares que ninguém deveria se meter. É claro que essas são características que fazem qualquer livro policial se tornar ainda mais instigante, mas isso me irritou na maior parte do tempo. Então, somando isso ao fato de que o enredo já estava bem denso, o livro se tornou ainda mais arrastado. Porém, aos poucos, fui criando um vínculo com Alex Cross e vi que todas os seus defeitos eram totalmente humanas, o que fez com que James Patterson ganhasse mais um ponto positivo por criar um personagem tão propenso a falhas.

Apesar dessa lentidão no enredo, o próprio é muito instigante. Toda a evolução, desde os capítulos iniciais até os finais, deixa qualquer leitor boquiaberto porque a história é muito bem conduzida. Os fatos são muito bem amarrados e dá para ter uma visão geral através da alternância da narrativa em primeira e terceira pessoas. Foi por causa disso que o livro me surpreendeu, apesar de seus pontos negativos.

Circulei lentamente os corpo mutilados, desviando das poças de sangue, procurando pisar nas partes secas do assoalho sempre que possível. (...) Dei a volta completa para ver o rosto da mãe. O ângulo era tão bizarro que ela parceria estar com os olhos erguidos para mim, com uma expressão quase esperançosa, como se eu ainda pudesse salvá-la. Inclinei-me para analisá-la mais de perto e de repente fiquei tonto. (...) Eu não podia acreditar no que estava vendo. p. 15
Uma das características do autor que eu mais gosto são seus capítulos curtos. Como já disse diversas vezes por aqui, esse é um dos métodos que mais gosto que os autores utilizem para que a leitura se torne mais dinâmica. E em O dia da caça isso também foi empregado e tenho que confessar: ainda bem que o autor fez isso. Com tantas cenas horrorosas que mostram a realidade em sua forma mais crua, só assim para que eu conseguisse avançar na leitura.

Apesar de ter sido uma leitura densa, mais uma vez me surpreendi com a habilidade do autor de fazer um livro tão cru, tão real. É um prato cheio para os fãs do gênero e, para aqueles que não têm costume de ler, já vão preparados para o enredo bem pesado, mas que vale totalmente o tempo investido na leitura. 

14/09/2013

Lançamentos #34: Novo Conceito

Título: Até eu te encontrar
Autora: Graciela Mayrink
Páginas: 384
Booktrailer
Na Universidade de Viçosa, em Minas Gerais, calouros e veteranos começam a se conhecer e as amizades vão se formando em um mundo de estranhamentos que é a vida universitária.

Até que... Até que as paixões começam a aparecer.
Carla é uma moça intragável que acredita ser a dona do mundo — e que tem atitudes que podem ser bem mais perigosas do que pensam seus amigos...
Flávia é caloura na universidade e aprendeu muito mais do que se ensina nas salas de aula — especialmente sobre alguns temas esotéricos, como o encontro de almas gêmeas e a existência de bruxas (boas e más)...
E Luigi — que além de lindo é querido por todos os amigos — está prestes a ter, mais uma vez, sua vida modificada de uma maneira arrebatadora...
No redemoinho destas paixões, até onde podemos controlar nossas vidas? E será que a perversidade de alguns é mais forte que a força do destino?

 Título: O amor mora ao lado
Autora: Debbie Macomber
Páginas: 160
Lacey Lancaster sempre quis ser esposa e mãe. No entanto, depois de um divórcio bastante doloroso, ela decide que é hora de dar um tempo em seus sonhos e seguir sozinha mesmo. Mas não tão sozinha: sua gatinha abissínia, Cléo, torna-se sua companhia de todas as horas. Até é uma vida boa — um pouco aguada, é verdade — a de Lacey. A não ser por seu escandaloso vizinho, Jack Walker.
Quando Jack não está discutindo, sempre em voz muito alta, com sua namorada — com quem insiste em morar junto — está perseguindo seu gato, chamado Cão, pelos corredores do prédio. E Cão está determinado a conseguir que a gatinha Cléo sucumba aos seus avanços felinos. Jack e Cão são realmente muito irritantes.
Mas acontece que a primeira impressão nem sempre é a que fica...


12/09/2013

Capa x Capa: Sob o céu do nunca

Olhem a coluna que está de volta! Sim, é mais um Capa x Capa e dessa vez é do último livro que resenhei aqui no blog: Sob o céu do nunca. Como eu disse na própria resenha, eu adoro a capa dos Estados Unidos, mas também fiquei maravilhada quando vi a capa brasileira. Então resolvi fazer essa enquete com vocês e descobrir qual é a capa que vocês mais gostam. Vamos lá? :)

- As nuvens se dissipam? - perguntou ela.
- Completamente? Não. Nunca.
- E quanto ao Éter? Ele some em algum momento?
- Nunca, Tatu. O Éter nunca some.
Ela olhou para cima.
- Um mundo de nuncas sob o céu do nunca. p. 116

                          Brasil                                                     Estados Unidos                                             Grã-Bretanha

                       França                                                           Alemanha                                                       Espanha

10/09/2013

Resenha: Sob o céu do nunca

Título: Sob o céu do nunca (Never Sky #1)
Autora: Veronica Rossi
Editora: Prumo
Páginas: 336
Primeiro livro de uma eletrizante trilogia ambientada em um futuro imaginado, mas assustadoramente possível, “Never Sky: Sob o Céu do Nunca” chega ao Brasil rodeado de grande expectativa por parte dos fãs de distopias. Em um cenário pós-apocalíptico, a população do planeta se dividiu entre aqueles que conseguiram esconder-se em cidades encapsuladas, conhecidas como núcleos, e as que sobreviveram nas áreas externas, mas tornaram-se primitivas. Através de um dispositivo eletrônico, os habitantes dos núcleos podem frequentar diferentes Reinos, cópias virtuais e multidimensionais do mundo que elas deixaram para trás. Neles se pode fazer qualquer coisa, ser qualquer pessoa, sem consequências no mundo real. Mundos sem dor, sem medo. As palavras dor e medo, porém, fazem parte do vocabulário cotidiano dos que vivem além das paredes dos núcleos. A escritora Veronica Rossi se utiliza da oposição dessas duas sociedades para pensar o poder da tecnologia, seus benefícios, malefícios e alienação que pode provocar nas pessoas.


Sabe aquele livro que você sempre quis ler, mas nunca tinha a oportunidade? Sob o céu do nunca é exatamente esse livro. Já o conhecia em inglês porque a capa original é maravilhosa. Quando a Editora Prumo trouxe o livro para o Brasil, fiquei tão decepcionada por terem mudado a capa, que minha vontade acabou ficando um pouco de lado. Mas, quando essa belezinha chegou aqui, só tive vontade de pegar e lê-lo na mesma hora: o efeito metalizado que colocaram a deixa fascinante, daquelas que te chamam atenção. E foi com as expectativas lá em cima que iniciei minha leitura.

Ária vive em Quimera, uma de várias cúpulas em que a vida é perfeita. O lado de fora é visto como o pior lugar possível para estar: a morte pode alcançar os habitantes de Quimera só com o simples fato de estarem debaixo de constantes tempestades de éter. Em uma confusão, Ária acaba indo parar nessa Terra dos Selvagens e tudo o que ela acreditava precisará ir por água abaixo se ela quiser sobreviver. Nessa saga, ela conta com a ajuda de Perry, um caçador que tem opiniões totalmente diferentes dela, mas que vai mudar totalmente sua forma de encarar o mundo.

Ninguém em Quimera jamais morreu por um coração partido. Traição nunca levava ao assassinato. Essas coisas não aconteciam mais. Agora, eles tinham Reinos. Podiam experimentar qualquer coisa sem correr riscos. Agora, a vida era "Melhor que real. p. 76
O meu excesso de expectativa atrapalhou e muito. Todas as resenhas que tinha lido até então classificavam esse livro como fantástico e, quanto mais eu lia, menos eu achava que o livro iria dar em algum lugar, uma vez que ele não tinha nada que me envolvesse. Para ser totalmente sincera com vocês, nas primeiras cento e cinquenta páginas eu ficava me perguntando qual era o sentido do livro e eu fiquei tentada a abandoná-lo. Porém, como sou uma dessas leitoras que só em último caso desistem de um livro, me forcei a continuar. E que bom que eu fiz isso!

O enredo dá uma reviravolta inesperada após a primeira metade e, a cada capítulo a partir de então, teu fôlego vai embora. Você quer ler, você precisa saber o que vai acontecer. Isso acontece quando o livro finalmente ganha alguma ação, já que a primeira parte é muito introdutória, o que deixou o começo Sob o céu do nunca muito arrastado. Por causa dessa acelerada que a autora Veronica Rossi aplica ao enredo, a ansiedade cresce no mesmo ritmo e deixa a relação com os personagens muito mais favorável.

Um dos grandes trunfos utilizados pela autora foi desenvolver o crescimento dos personagens juntamente com o enredo, pois, por mais que a narrativa seja em terceira pessoa, a autora dá enfoques tanto para as situações da Ária, quanto para as do Perry, dividindo os capítulos com os respectivos nomes. No começo, eu não conseguia gostar nem da Ária, nem do Perry. A primeira aparentava ser muito fútil (o que, levando em consideração as condições em que ela vivia, faz todo sentido) e eu tive medo que isso perdurasse até o fim. Já com relação a Perry, infantil demais. Juntamente com a evolução do enredo, os dois protagonistas também se desenvolvem, o que pra mim foi um dos pontos altos.

- As nuvens se dissipam? - perguntou ela.
- Completamente? Não. Nunca.
- E quanto ao Éter? Ele some em algum momento?
- Nunca, Tatu. O Éter nunca some.
Ela olhou para cima.
- Um mundo de nuncas sob o céu do nunca. p. 116
E nem preciso comentar da diagramação, não é? Como vocês podem ver na foto abaixo, a editora teve um super cuidado nos detalhes:


Uma distopia com nuances de ficção científica daquelas de tirar o fôlego. Terminei o livro sem acreditar que a autora teve coragem de deixar o leitor nesse estado, querendo infinitamente o segundo o volume (pois é, é uma trilogia). É aquele esquema: tem que ter paciência com o começo, mas, quando você se dá conta, já está apaixonado por Sob o céu do nunca. Altamente recomendado! 

05/09/2013

EXTRA! Confira a capa do terceiro volume da trilogia "Reiniciados"

É com muuuuita alegria que venho mostrar para vocês a super novidade do dia: a capa do terceiro livro da trilogia Reiniciados! Como vocês bem sabem, Reiniciados ganha disparado quando me perguntam qual foi a melhor distopia que li no ano. Mas vamos parar de enrolação e vamos direto ao ponto.
Confiram a capa de Shattered:



Shattered (nome ainda sem tradução para o português) sai na Grã-Bretanha e no Brasil em 2014 e fecha a trilogia que promete ser uma das melhores distopias do mercado.
E vamos falar a verdade: com essas capas lindas, quem não fica com vontade de ler?

 


Conheça a trilogia Reiniciados:

1) Reiniciados, lançado em abril pela Farol Literário (resenha)
2) Fractured, lançamento previsto para novembro de 2013
3) Shattered, lançamento previsto para 2014


E aí, o que acharam da capa de Shattered