21/11/2013

Resenha: Laços de Sangue

Título: Laços de Sangue
Autora: Richelle Mead
Editora: Seguinte
Páginas: 432
O trabalho de Sydney Sage não é nada fácil: ela e seus colegas alquimistas são os únicos no mundo todo que sabem que vampiros existem para além das telas de cinema - e são uma ameaça real à humanidade. Para manter a ordem, eles devem impedir, a qualquer custo, que esse segredo vaze e que os reles mortais se aproximem desses seres perigosíssimos.

Mas agora a paz que os alquimistas vêm garantindo há tempos está prestes a desabar, e Sydney, para o bem de todos os humanos, terá de passar a proteger vinte e quatro horas por dia a princesa vampira Jill Dragomir, ou uma guerra pelo trono eclodirá no mundo dos vampiros, trazendo consequências avassaladoras para os homens. E defender alguém que até então era alvo de seu desprezo será mais difícil do que Sydney imaginava...


Spin-off (derivada) da série Academia de Vampiros, a série Bloodlines veio com a proposta de mostrar um outro lado da história criada por Richelle Mead. Focado no mundo dos humanos, a autora fez com que personagens já utilizados na outra série fossem melhor trabalhados e isso foi um presente para os fãs da série originária. Porém, para aqueles que assim como eu não leram Academia de Vampiros, a autora não decepciona. Em momento algum me senti perdida e tive uma boa leitura, apesar de não ser tudo aquilo que eu esperava.

Sydney é uma alquimista que está na corda bamba. Por causa de ações do passado, ela agora está na mira de todo o alto escalão da sua classe e, por isso, precisa recuperar a confiança deles o mais rápido possível para que as consequências para a sua vida não sejam piores. É em uma missão para salvar a realeza da classe Moroi dos vampiros que ela vê essa oportunidade. Só que ela não esperava que isso seria mais difícil do que ela esperava: há inimigos por toda a parte e agora a vida dela e toda a segurança dos humanos estão em risco.

Por um momento, toda a minha confiança vacilou. Era fácil falar em andar com vampiros quando não havia nenhum deles por perto. Mais fácil ainda quando não se pensava naquilo que fazia dos vampiros o que eles eram. Sangue. Aquela necessidade terrível e antinatural que preenchia sua existência. Uma ideia horrível surgiu na minha cabeça e sumiu com a mesma rapidez que apareceu. Será que eu vou ter que dar o meu sangue para ela? p. 29
Quando soube, lá no começo do ano, que Bloodlines iria ser lançada aqui no Brasil pela editora Seguinte, fiquei com uma baita vontade de ler Academia de Vampiros, até porque eu gosto de ler séries em ordem, para fazer mais sentido. Porém isso acabou não dando certo e li Laços de Sangue sem nenhum precedente. Por mais que eu estivesse totalmente receosa por não ter uma base, Richelle Mead conseguiu um grande feito: conduzir o leitor novo como se fosse uma história totalmente independente e fazer com que aqueles que já conheciam tivessem algo a mais para afagar a saudade da antiga série.

É claro que Laços de Sangue é um livro cheio de spoilers sobre Academia de Vampiros. Se você não leu essa série, vai entender Bloodlines, mas não vai estar livre de ter várias informações essenciais sobre a série que deu origem ao spin-off. São revelações que fazem sim diferença se você ainda tem a intenção de ler AV, então, se esse for o caso, eu recomendo altamente que você não comece por Laços de Sangue. Mas, se assim como eu, não se importa tanto com isso, Laços de Sangue é sim um bom começo.

Como eu estava com bastante expectativa em relação à narrativa da Richelle Mead, eu fiquei um pouco decepcionada. Esperava um enredo que me envolvesse logo de cara e não foi exatamente isso que aconteceu. Por ser um livro que inicia uma série de (atualmente) cinco livros, já está na cara que ele iria ser introdutório. E é exatamente isso o que você encontra. Laços de Sangue não tem tanta ambição: ele é voltado para ambientar o leitor aos personagens e ao rumo que o enredo vai tomar. Isso de foi de certa forma prejudicial ao livro, uma vez que a maioria de suas 432 páginas é arrastada, sem nenhuma ação.

Porém, quando esta ação chega, lá no final do livro, você sente que a premissa que ela deixou pode fazer toda a diferença e te deixa super animado para ler o restante da série. Para ser sincera, essa foi a parte que realmente me animou em todo o livro. Como eu já tinha uma carga de todos os personagens e ainda não tinha me simpatizado com nenhum, foi justamente nesses últimos capítulos que a autora conseguiu que eles se tornassem mais envolventes pelo enredo fluir com mais facilidade.

Mas, por mais que esses personagens não te conquistem logo de cara, eles são realmente interessantes. Como é uma narrativa em primeira pessoa pelo ponto de vista da alquimista Sydney, vemos todo um outro lado das histórias de vampiros: vemos o trabalho dos alquimistas para proteger os humanos de todo o perigo que eles correm por causa desses seres sobrenaturais. Isso tornou o livro muito instigante, até porque a autora dá um grande foco para as relações interpessoais que esses seres de raças diferentes constroem e é muito bom ter contato com essas diferenças e não com uma simples aceitação.

Percebi que, (...) Keith na verdade não se sentia nada, nadinha confortável com a ideia de ficar perto de não humanos. Era compreensível. A maior parte dos alquimistas se sentia assim. Uma grande parte de nosso trabalho nem incluía interagir com o mundo dos vampiros – era o mundo dos humanos que necessitava dos nossos cuidados. Registros tinham que ser acobertados; testemunhas, subornadas. p. 49
Uma das coisas que eu mais gostei em Laços de Sangue foi a parte da mitologia. Richelle conseguiu criar vários seres diferentes e classes. Vemos vampiros dos mais diversos tipos, classes dentro da sociedade desses vampiros, seres que são uma mistura de vampiros e humanos. Ou seja, é uma mitologia extremamente rica. Essa parte foi a que me manteve na expectativa para ver o que ia vir, essa curiosidade de saber tudo a respeito dos seres criados pela autora.

Laços de Sangue deixou uma ótima deixa para os próximos livros. Por ser o começo de uma série, não foi um livro que me arrebatou logo de cara, mas que me deixou curiosa para ver as surpresas que a autora Richelle Mead reserva para os leitores nos próximos livros da saga. Inclusive a editora Seguinte acabou de lançar O Lírio Dourado, segundo volume da série.
É aquilo: se você ainda não leu nada da Richelle e não se importa com spoilers, esse é sim um bom começo. Se você já leu Academia de Vampiros, é um complemento daqueles. Um começo bom que pode vir a trazer sequências ótimas. 

19/11/2013

Lançamentos #36: Galera Record

Título: Pausa (Slammed #2)
Autora: Colleen Hoover
Páginas: 304
Destinados um ao outro, Layken e Will superaram os obstáculos que ameaçavam seu amor. Mas estão prestes a aprender, no entanto, que aquilo que os uniu pode se transformar, justamente, na razão de sua separação. O amor pode não ser o bastante. Depois de testado por tragédias, proibições e desencontros, o relacionamento de Layken e Will enfrenta novos desafios. Talvez a poesida desse casal acabe num verão solitário... Sem direito a rimas ou ritmo. A ex-namorada de Will retorna arrependida de ter deixado o rapaz. E está disposta a tudo para reconquistá-lo. Insegura, Layken começa a ler novas reações no comportamento do rapaz. E na insistência para adiar a "primeira vez" de ambos. Presos em uma ironia cruel do destino, eles precisam descobrir se o que sentem é verdadeiro ou fruto da extraordinária situação que os uniu. Será que é amor? Ou apenas compaixão? Layken passa a questionar a base de seu relacionamento com Will. E ele precisa provar seu amor para uma garota que parece não conseguir parar de "esculpir abóboras". Mas quando tudo parece resolvido, o casal se depara com um desafio ainda maior - e que talvez mude não só suas vidas, mas também as vidas de todos que dependem deles. 

Título: Lágrima (Teardrop #1)
Autora: Lauren Kate
Páginas: 336
Depois de perder a mãe em um acidente no mar, Eureka acha que nunca mais voltará a sorrir. E a promessa que fez à mãe – a de nunca mais chorar – se torna quase impossível… até conhecer Ander. Louro, alto e de pele muito branca, o rapaz parece estar em todos os lugares e saber coisas que não deveria sobre Eureka. Inclusive um estranho segredo relacionado às suas lágrimas e aos três artefatos que herdou da mãe: uma carta, uma pedra e um misterioso livro que conta a história de uma menina com o coração partido. Ela chorou tanto que deixou debaixo d´água um continente inteiro. Logo Eureka vai descobrir que a antiga lenda é mais que uma história, que Ander pode estar dizendo a verdade e que sua vida pode ter um curso mais sombrio do que ela imaginou.


17/11/2013

Caixa de Correio #11


E aí pessoal, como vão vocês? Eu estou super empolgada com a quantidade de livros que chegou para mim na última quinzena! Na Caixa de Correio #10 eu disse que tinham chegado poucos, mas dessa vez o carteiro exagerou um pouquinho, não? Ok, sem desespero. A minha lista de leituras nem está aumentando mesmo.*cof cof* Só fico mais calma porque esse é um mal de leitor: sempre querer ter mais livros quando já tem muitos não lidos na estante. Acontece...
Mas vamos ver direitinho o que chegou por aqui?

12/11/2013

Feliz aniversário, Richelle Mead!


Considerada a escritora-diva-ídolo de vários aficionados por fantasia, Richelle Mead nasceu no dia 12 de novembro de 1976. É por causa do aniversário dessa mulher tão especial para tantas pessoas (inclusive para mim, que acabei de conhecer sua narrativa) que resolvi trazer esse post para contar um pouquinho mais sobre essa autora. Curiosos para saber tudo sobre ela? Então venham comigo!

10/11/2013

Resenha: Fator Nerd - Contatos Imediatos do 1º Amor

Título: Fator Nerd - Contatos Imediatos do 1º Amor
Autor: Andy Robb
Editora: Galera
Páginas: 320
No universo dos RPG, Archie é um Mago Nível 5. No mundo real, seu Fator Nerd é 100%... e seus problemas um pouco mais complicados do que invocar mortos-vivos ou gerir demônios. Sem nenhum livro de regras para navegar pelos grandes desafios da vida - os pais em guerra, um padrasto imbecil, os valentões da escola - ele está à beira do colapso. Mas uma bela gótica balança suas certezas nerds. E apesar de nunca ter chegado perto de uma garota (a não ser que você considere as miniaturas de guerreiras élficas que ele pinta para seus jogos), Archie embarca em uma busca para ganhar seu coração. 


A primeira palavra que me vem à cabeça quando penso em Fator Nerd é GENIAL. Assim que a editora Galera Record anunciou o lançamento, fui atrás de tudo o que podia: li a sinopse, entrei no site do autor, vi vários vídeos e, por causa disso, eu sabia que iria ser um livro que me conquistaria. Não deu outra: o enredo criado pelo autor britânico Andy Robb me encantou, me deixou acordada durante uma madrugada inteira só para poder saber o que ia acontecer. Sinceramente? Preciso de mais para ontem!

Em Fator Nerd – Contatos Imediatos do 1º Amor conhecemos Archie, um garoto de 14 anos que está naquela fase em que tudo parece feito para dar errado: seus pais acabaram de se divorciar e estão formando novas famílias; não tem o mínimo de jeito com garotas e sua maior diversão é jogar RPG com os amigos e pintar miniaturas de personagens de fantasia. Ou seja, ele é o que se pode ser considerado o estereótipo de nerd. O que ele acha disso? Para ele tudo bem, obrigado. O que ele não esperava era que Sarah, uma linda gótica, entraria em sua vida e viraria tudo ao avesso...

Em outro mundo, sou um Mago Nível 5, capaz de invocar um exército de mortos-vivos para fazer o que mando. Neste aqui, sou um nerd com tanta chance de enfrentar esses imbecis quanto um peido de enfrentar um furacão. p. 46
Tenho que confessar que eu sou louca por qualquer livro ou filme que envolva esse mundo das pessoas que são consideradas nerds (vide Jogador nº1, um dos meus favoritos de todos os tempos). Não sei o motivo, talvez seja pela minha alta identificação com personagens um pouco desajustados em relação ao padrão que a sociedade pede. E, ao saber tudo o que Fator Nerd tinha a me oferecer, não hesitei e, assim que chegou aqui em casa (lembram da tragédia com a capa?), não resisti e o passei a frente de todas as minhas leituras. Foi paixão à primeira leitura!

Sendo uma narrativa em primeira pessoa pelo ponto de vista do Archie, vemos o seu conflito entre o MI (Monólogo Interior – o que ele realmente pensa, mas não diz) e o seu ME (Monólogo Exterior – aquilo que ele faz para agradar aos outros, mas não gostaria de fazer) e isso dá uma dinâmica totalmente especial ao enredo, porque deixa a narrativa um pouco menos linear e afasta a possibilidade de que a leitura fique maçante. Pessoal, isso é genial! O autor Andy Robb atingiu perfeitamente o seu objetivo. Além disso, o diálogo de Archie com ele mesmo chega a ser cômico, além de altamente inteligente e instigante, porque, afinal, quem não se identifica com esse conflito interior?

Andy Robb consegue colocar de forma sutil em Fator Nerd vários assuntos que permeiam a vida de qualquer adolescente de 14 anos: a aceitação em grupos, a dificuldade com os relacionamentos, uma família que está passando por várias transformações. São poucos os autores que conseguem fazer isso sem tornar o livro pesado e ainda colocar isso de forma engraçada e inteligente, trazendo um entretenimento de primeira qualidade. Robb não subestima o leitor: nem todo livro adolescente precisa ser infantilizado para atingir todo o potencial que pode ter.

E então me dou conta: em três horas, uma garota vai estar na minha casa.
MI: E ela é linda.
E ela é linda!
MI: E você gosta dela.
E gosto dela!
MI: Puta merda. p. 126
Mas vamos a uma das coisas que mais me agradou e que com certeza vai agradar a todos os leitores: vemos diversas referências è cultura pop em geral. Várias vezes Harry Potter, Senhor dos Anéis ou Dungeons & Dragons são citados e eu, como uma fã daquelas, adorei quando eu reconheci algumas cenas que são descritas. Inclusive, o meu desafio para a minha releitura desse livro será identificar e registrar todas as referências do autor nesse livro. Porém, você não está familiarizado com as referências, não vai ficar perdido. O autor não joga as informações: ele explica e te guia pelo enredo de forma que tudo faz sentido.

Fechei Fator Nerd já pensando em minha releitura. Para mim, um dos melhores livros que eu li no ano e já entrou para a minha seleta lista de favoritos. Andy Robb criou um enredo altamente original, divertido e que te deixa preso até a última página. E, para aqueles que ficaram iguais a mim, loucos para ter um pouquinho mais do Archie, o autor já lançou uma continuação! Ok, sem desespero: o final desse primeiro livro é redondo e dá para ler como um livro único sem problemas! Mas, vão por mim, vocês vão ficar loucos querendo mais. 

Resenha: Simplesmente Ana

Título: Simplesmente Ana
Autora: Marina Carvalho
Editora: Novo Conceito
Páginas: 304
Imagine que você descobre que seu pai é um rei. Isso mesmo, um rei de verdade em um país no sudeste da Europa. E o rei quer levá-la com ele para assumir seu verdadeiro lugar de herdeira e futura rainha… Foi o que aconteceu com Ana. Pega de surpresa pela informação de sua origem real, Ana agora vai ter que decidir entre ficar no Brasil ou mudar-se para Krósvia e viver em um país distante tendo como companhia somente o pai, os criados e o insuportável Alex. Mudar-se para Krósvia pode ser tentador — deve ser ótimo viver em um lugar como aquele e, quem sabe, vir a tornar-se rainha —, mas ela sabe que não pode contar com o pai o tempo todo, afinal ele é um rei bastante ocupado. E sabe também que Alex, o rapaz que é praticamente seu tutor em Krósvia, não fará nenhuma gentileza para que ela se sinta melhor naquele país estrangeiro. A não ser… A não ser que Alex não seja esta pessoa tão irascível e que príncipes encantados existam. Simplesmente Ana é assim: um livro divertido, capaz de nos fazer sonhar, mas que — ao mesmo tempo — nos lembra das provas que temos que passar para chegar à vida adulta.


Essa resenha já era para ter sido escrita há muito tempo. Desde o Figurinhas Literárias que foi especialmente voltado para esse livro, fiquei pensando em como falaria desse livro e o tempo foi passando até que eu acabei deixando ela de lado. Mas, nunca é tarde para se falar de um livro que me encantou, não é verdade? Simplesmente Ana não seria um livro que eu iria amar em qualquer outro momento, mas, naquele em que eu me encontrava, caiu perfeitamente. Me encantei com o enredo, com os personagens e fechei o livro suspirando.

Ana é uma garota comum, que mora em Belo Horizonte com a mãe. Nunca tinha conhecido seu pai até que o dito cujo entra em contato com ela em um dia aleatório. O que ela não poderia imaginar era que ele era o rei da Króvia, um país da Europa. Agora, ela tem que escolher entre sua vida comum no Brasil e sua vida de princesa ao lado de seu pai. Para ajudar nisso, ela viaja até a Króvia para conhecer um pedaço de seu passado. Só que ela não esperava conhecer Alex, o enteado de seu pai. À primeira vista, ele é o homem mais irritante que já conheceu. Mas nem sempre a primeira impressão é a que fica...

Eu nunca tinha conhecido um rei de verdade e sempre pensei que eles fossem pomposos e esnobes. Mas Andrej Markov, meu pai, é o contrário disso, o que me deixa muito feliz. Já pensou se eu tivesse que conviver com uma pessoa intratável, arrogante e soberba só por causa do grau de parentesco?  p. 18
Quem aqui nunca curtiu contos de fadas? É bem raro encontrar alguém que nunca gostou. Essa é a fórmula do sucesso de Simplesmente Ana: um conto de fadas com um aspecto moderno. Apesar de já termos visto isso em diversos livros (como em O Diário da Princesa, da Meg Cabot), a brasileiríssima Marina Carvalho conseguiu criar um enredo próprio, com uma desenvoltura que envolve o leitor, e isso resultou em um livro totalmente encantador.

Vamos aos fatos: Simplesmente Ana não me ganhou logo de cara. Achei o começo muito corrido e, pra mim, muito do potencial do livro foi perdido ali, já que, entre o momento em que descobre que seu pai é um rei até ela ir para a Krósvia, poucas páginas se passam. Sei que isso pode ter sido uma estratégia para que o livro não se tornasse muito dramático ou arrastado, mas os sentimentos da Ana em relação a isso deveriam ter sido melhor aproveitados.

Porém, assim que eu consegui me envolver com o enredo – o que só aconteceu após aquele começo corrido –, tudo fluiu. Os personagens começaram a ser trabalhados e todo esse desenvolvimento me atraiu. Até porque a Ana não é personagem que te conquista assim que você a conhece. Como é uma narrativa em primeira pessoa pelo ponto de vista dela, muito do que ela diz pode parecer infantil e até irritante. Mas, com o passar da história, ela cresce e, ao chegar ao final, não tem como não torcer para que tudo dê certo para ela.

Para os românticos de plantão: sim, temos um romance de tirar o fôlego nessa história. É envolvente, tem aquelas reviravoltas que todo mundo espera, uma garota totalmente intragável tentando arruinar tudo e faz com que você fique torcendo até o final. Temos um pequeno apelo sexual, mas nada que seja tão focado ou o deixe com cara de new adult ou de erótico. Estou suspirando e querendo mais do Alex e da Ana!

Sempre ouvi dizer que saudade é uma palavra exclusiva da língua portuguesa. Quando dizemos que estamos com saudade, significa que sentimos uma falta tão imensa se alguém que a dor queima no peito. É como se a alma ficasse meio perdida sem a proximidade das pessoas de quem temos saudade. P. 200
É claro que, para que você possa desfrutar tudo o que livro tem a oferecer, você tem que abaixar as expectativas. Afinal, a história já é mais que conhecida: garota desajeitada, que descobre algo extraordinário em sua vida, se apaixona pelo garoto bonitinho e acontece um romance. Se você esperar algo que seja surpreendente, que vai mudar sua vida, você vai ter uma bela de uma decepção, porque o final vai seguir o caminho óbvio. Agora, se você for sem esperar absolutamente nada, assim como eu, o encanto está garantido.

Simplesmente Ana é um nacional que merece um espaço na estante. Sendo um conto de fadas, é um livro que é fácil de ler. Você se perde entre as páginas e, quando vai ver, já terminou. A autora já está preparando uma continuação, mas não se desesperem! Ela deixa sim algumas pontas soltas, mas que, para o enredo geral não fazem tanta diferença, ou seja, o final é bem definido. Uma leitura divertida, deliciosa e que vai te deixar suspirando. 

09/11/2013

Resenha: Easy

Título: Easy
Autora: Tammara Webber
Editora: Verus
Páginas: 308
Quando Jacqueline segue o namorado de longa data para a faculdade que ele escolheu, a última coisa que ela espera é levar um fora no segundo ano. Depois de duas semanas em estado de choque, ela acorda para sua nova realidade: ela está solteira, frequentando uma universidade que nunca quis, ignorada por seu antigo círculo de amigos e, pela primeira vez na vida, quase repetindo em uma matéria. Ao sair de uma festa sozinha, Jacqueline é atacada por um colega de seu ex. Salva por um cara lindo e misterioso que parece estar no lugar certo na hora certa, ela só quer esquecer aquela noite — mas Lucas, o cara que a ajudou, agora parece estar em todos os lugares. A atração entre eles é intensa. No entanto, os segredos que Lucas esconde ameaçam separá-los. Mas eles vão ter de descobrir que somente juntos podem lutar contra a dor e a culpa, enfrentar a verdade — e encontrar o poder inesperado do amor.


Eu tinha um grande receio com Easy. Segundo a divulgação, ele era indicado para os fãs de Belo Desastre e, como fã deste último, a comparação sempre me pareceu um pouco exagerada. Foi exatamente por isso que esse livro ficou na estante desde que chegou e isso já faz alguns meses. Vi muita gente gostando, mas também vi muita gente odiando. Porém, como eu estou em uma fase de diminuir minha lista de leituras, resolvi de vez ler Easy depois que percebi que precisava de algum romance. E só tenho algo para dizer: como eu fiquei tanto tempo deixando esse livro de lado?

Jacqueline acabou de terminar um namoro de longa data. Está chateada e não consegue lidar com o rumo que sua vida tomou. Ao sair de uma festa em que foi obrigada a ir, tudo dá errado. Ela é atacada por uma pessoa que considerava sua amiga e é salva por Lucas, um garoto que ela nunca havia reparado antes. A partir desse dia, os dois ficam ainda mais ligados e sabem que, somente juntos, poderão enfrentar seus demônios pessoais.

Eu nunca havia notado Lucas antes daquela noite. Era como se ele não existisse, mas de repente parecia que ele estava por toda parte. p. 5
UAU! Que surpresa! Preciso dizer para vocês que a falta de expectativa foi a grande responsável por esse livro ter sido tudo o que foi para mim. Afinal, não temos nada muito original: a garota está passando por um momento difícil, conhece um garoto e se apaixona. Quem nunca leu essa história, não é verdade? Mas vamos aos fatos: por mais clichê que possa ser, quando um romance consegue envolver, ele vai te fazer suspirar com as cenas típicas do gênero. É exatamente isso que Easy faz: a falta de pretensão conquista e te prende até a última página.

A narrativa da autora é uma das partes mais positivas: a autora Tammara Webber consegue criar um enredo que não é objetivo, porém não se arrasta demais. É tudo muito bem dosado para que o livro não se torne maçante, desde as reviravoltas e o romance, até os temas mais profundos e delicados que são abordados ao decorrer da história. Isso faz com que a leitura seja gostosa e as páginas vão passando e você nem percebe. Para falar a verdade, acabei lendo esse livro em somente um dia! Há quanto tempo eu não fazia isso!

Os verdadeiros responsáveis por isso foram os personagens. A autora trabalha muito bem em cima deles: há espaço suficiente para isso. Esse desenvolvimento cria uma empatia enorme. Como a narrativa é em primeira pessoa pelo ponto de vista da Jacqueline, temos a impressão de que a conhecemos melhor e por isso é quase que impossível não se identificar com ela ou pelo menos de solidarizar com a situação pela qual ela passa. Já o Lucas... Ah, o Lucas! Em que lugar eu assino para pedir um livro focado nele? Estou completamente apaixonada! A autora criou um homem dos sonhos de várias mulheres por aí – e claro que isso sempre funciona!

Amor não é a ausência de lógica
mas a lógica examinada e recalculada
aquecida e encurvada pra se encaixar
dentro dos contornos do coração. p. 209
Mas algo que é preciso comentar é que o livro tem sim sua carga dramática. Como eu já disse, a autora aborda temáticas até um pouco polêmicas, mas consegue fazer isso de forma sutil, tendo espaço de sobra para o romance. Então, já se preparem, pois, apesar dessa carga dramática, não é um livro emocionante, que te arranque lágrimas. É um livro que alerta e informa, mas que é prioritariamente um entretenimento delicioso.

Se você está procurando por um romance bem envolvente, não tenha dúvidas: leia Easy. É uma história envolvente, que, por mais que possa ser um pouquinho previsível, vai te deixar grudado até a última página, esperando para ver o que vai acontecer. Dê uma chance e se apaixone por essa história também. 

08/11/2013

Resenha: Will & Will

Título: Will & Will
Autores: John Green e David Levithan
Editora: Galera
Páginas: 352
Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra... Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio.





Se teve um livro que abalou o mercado editorial esse ano, esse foi Will & Will. Muita gente ficou super animada pelo romance homossexual desses dois autores que estão fazendo um sucesso enorme atualmente enfim chegar ao Brasil e estou incluída nessa. Porém, apesar do receio que temos quando estamos com altas expectativas, eu não me decepcionei. Muito pelo contrário: esse livro foi uma grata surpresa e acabei gostando tanto que hoje ele é um dos meus queridinhos da estante.

Will Grayson é um adolescente sem muitos atributos chamativos. Ele é tímido, um pouco desajeitado demais para o comum. Seu melhor amigo é o fabuloso Tiny Cooper, um garoto grandalhão, homossexual assumido e que está planejando um musical para contar a história da sua vida. O outro Will Grayson é um garoto introspectivo, depressivo e homossexual. Em um acaso do destino, os Will Grayson e Will Grayson acabam se encontrando. A partir desse momento, o rumo de suas vidas é totalmente alterado.

– Quem é você?
Eu me levanto e respondo.
–Hã, eu sou Will Grayson.
– W-I-L-L G-R-A-Y-S-O-N? – pergunta soletrando impossivelmente rápido.
– Hã, sim – digo – Por que a pergunta?
O garoto me olha por um segundo, a cabeça inclinada como se pensasse que eu poderia estar passando um trote nele. Então finalmente diz:
– Porque eu também sou Will Grayson.
John Green e David Levithan. Dois autores que estão na boca das pessoas aficionadas por livros e que até então eu não tinha tido experiência alguma por causa da minha falta de tempo. Tanta gente tinha me falado que eu deveria ler algo dos dois e eu só falava: “tenho mesmo” e nunca parava para ler. Quando eu tive a oportunidade de conhecer os dois autores com um livro só, foi quase que amor instantâneo. Minhas expectativas não poderiam estar mais certas: um livro especial, que transmite uma lição importante de maneira suave e que encanta qualquer leitor.

Uma das coisas que mais me agradaram, também foi o motivo de grande receio: ter dois autores escrevendo o mesmo livro nem sempre é uma coisa boa. Já vi grandes histórias sendo arruinadas por causa da falta de sincronia entre os autores. Mas, felizmente, John Green e David Levithan são únicos: se alguém me falasse que aquele livro era de um autor só, eu acreditaria. Um completa o outro de uma forma extremamente natural, o que fez com que o enredo fluísse perfeitamente sem perder o fio da meada em momento algum.

Como são narrativas alternadas, a cada capítulo vemos a perspectiva de um Will, cada um deles escrito por um autor. Para ajudar na identificação, até a diagramação entre um Will e outro é diferente. Mas a essência que cada autor dá para o personagem que escreve é o grande diferencial: gostamos tanto dos dois que não queremos que o capítulo de tal personagem acabe. É uma situação bem engraçada, na verdade. É essa empatia que você tem com os personagens que te leva até o fim, ansiando por conhecer um pouco mais sobre os dois.

Mas aqui, o personagem secundário também tem uma veia de protagonista: Tiny Cooper rouba a cena. Por mais que eu tenha amado ambos os Will Grayson, Tiny mostrou a realidade de muitos adolescentes que se encontram em sua situação. Na verdade, todos os personagens são bem palpáveis, você vê que aquilo realmente acontece. Essa proximidade com eles é muito interessante para quem está lendo se envolver ainda mais na história.

Eu só te amo. Quando foi que quem você quer foder se tornou mais importante? Desde quando a pessoa que você quer foder é a única pessoa que você (...) Quero dizer, meu Deus, quem se importa com a porra do sexo?! As pessoas agem como se essa fosse a coisa mais importante que os seres humanos fazem, mas vamos combinar. (...) Quero dizer, tudo gira em torno de quem você quer foder e se você fode com essa pessoa? Essas perguntas são importantes, eu acho. Mas não tão importantes assim. Sabe o que é importante? Por quem você morreria? Por quem você acorda as 5:45 sem nem saber pra que ele precisa de você? De que bêbado você limparia o nariz? p. 292
O romance homossexual está presente sim, mas não é tratado como um tabu. Esse é o foco: mostrar que isso existe, faz parte do dia-a-dia e precisa ser algo para encararmos com naturalidade. Sei que muita gente vai deixar de ler esse livro por causa desse aspecto, mas eu ainda acho que ele vale a pena ser lido, nem que seja para sair da sua zona de conforto. A lição de amor, superação, amizade é tão grande que faz com que o livro transcenda essa classificação e se torne lindo ser lido e traga uma carga de reflexão enorme.

Will & Will é um livro único. Não consegui nem falar metade de tudo o que ele me proporcionou durante a leitura. Foram muitos sentimentos abordados, tanta coisa para pensar e absorver. Carregado de bom humor, de realidade, de originalidade, esse é um livro que vai ficar martelando em sua cabeça por um bom tempo até que você consiga pegar tudo o que ele tem a te transmitir. Vale a pena mesmo dar uma chance, mesmo que isso te tire de sua zona de conforto.

Promoção: 2 anos do No Universo da Literatura

Olá pessoal! O blog No Universo da Literatura está completando 2 anos e nós também não poderíamos ficar de fora dessa festa. Diversos blogs se reuniram e prepararam uma promoção recheada de prêmios para vocês! Então venham para essa festa vocês também e participem!




06/11/2013

Resenha: Legend

Título: Legend - A verdade se tornará lenda
Autora: Marie Lu
Editora: Prumo
Páginas: 256
De mundos diferentes, June e Day não têm motivos para se cruzarem – até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Preso num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.





Distopia. Essa é uma palavra que, por si só, já me atrai. Só de saber que um livro é dessa temática, já dou uma atenção especial para ele. É nesse contexto que Legend veio parar em minhas mãos. Apesar de todo esse meu amor com distopias, eu ainda tinha receios com este livro, porque a sinopse nunca me atraiu tanto. Depois de pedir a opinião de várias pessoas que já tinham lido, tomei coragem e comecei a ler, sem nenhuma expectativa envolvida. E foi exatamente por isso que ele me surpreendeu.

Day e June são pessoas completamente diferentes. Ele é um dos criminosos mais procurados pela República – atual governo da região em que vivem – e ela é uma prodígio que faria de tudo para defender seu país. Quando o irmão de June é assassinado e Day se torna o principal suspeito do ocorrido, ela fará de tudo para capturá-lo e fazê-lo pagar por isso. Só que nenhum dos dois imaginava que a partir desse encontro muitos segredos viriam à tona e que isso poderia mudar totalmente o rumo de suas vidas.

Mentalmente, faço uma promessa silenciosa dirigida ao assassino:
"Vou perseguir você até o inferno. Vou vasculhar as ruas de Los Angeles à sua procura. Se preciso, vou procurar em todas as ruas da República. Vou enganar você, usar de truques, mentir, fraudar, roubar para encontrar você, atraí-lo para que saia do seu esconderijo, e persegui-lo até você não ter mais para onde fugir. Estou fazendo um juramento: Sua vida é minha" p. 45
Ação. É essa a palavra que consegue explicar a diferença de Legend para as outras distopias. Com uma escrita simples e sem rodeios, Marie Lu consegue criar um enredo com tanta ação que ficamos sem fôlego. Essa dinâmica é essencial para que o clima do livro fosse um diferencial, pois, como uma distopia, ele não é tão original assim. Vemos um governo autoritário, um casal se formando em meio ao caos e vários segredos sendo desvendados. Onde foi que eu já li essa história mesmo? Pois é, é exatamente aí que eu quero chegar. Se você está esperando demais, talvez se decepcione.

Mas, se o livro segue tão a risca a regra e clichês das distopias, o que o faz ser tão bom? Além do que eu falei sobre a dinâmica, a autora trabalha muito bem com a dosagem de enredo. Como é Legend é o primeiro livro de uma trilogia, a autora não se aprofunda tanto na história da República nem nos mistérios que a envolvem, assim como não trabalha muito os personagens secundários (o que pode vir a melhorar muito nos próximos volumes), dando um foco maior para a história dos protagonistas e adicionando aquela pitada de romance que não deixa o enredo perder a sua velocidade. Ou seja, ela consegue dar aquele gancho perfeito para que você continue lendo sem parar e ainda fique louco pela continuação.

A empatia que você cria com os personagens também é grande responsável por isso. Os dois opostos criados por Marie Lu convencem nesse cenário em que somos introduzidos. Os dois são imperfeitos, cometem erros. Não podem ser considerados heróis ou vilões. E, uma vez que a narrativa é alternada entre Day e June, isso fica muito mais claro. Essa narrativa, aliás, também foi muito bem trabalhada: ela mantém o ritmo no enredo e em nenhum momento há aquela sensação de que a autora cortou o personagem na hora errada.

Porque cada dia significa novas 24 horas. Cada dia quer dizer que tudo é possível de novo. Você pode aproveitar cada instante, pode morrer num instante, e tudo se resume a um dia após o outro. p. 253
O capricho na edição foi um espetáculo à parte. Cada personagem ganha uma fonte diferente na narrativa alternada, o que deixa a identificação de cada um dos personagens mais fácil. Além do efeito envelhecido na borda das páginas, que o deixou ainda mais bonito.

Legend é uma distopia que não para em momento algum. O ritmo acelerado o diferencia e, somado com o romance nada exagerado, o deixa ainda melhor. É um livro bem introdutório, que, apesar de não ser tão original, dá uma sensação de ser completo, nos convence e já nos deixa bem curiosos para saber o que está por vir. Tenho certeza que Prodigy, o segundo livro da trilogia, tem tudo para ser ainda melhor. Uma distopia mais que indicada!  

05/11/2013

Resenha: Cadê você, Bernadette?

Título: Cadê você, Bernadette?
Autora: Maria Semple
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 376
Bernadette Fox é notável. Aos olhos de seu marido, guru tecnológico da Microsoft e rock star do mundo nerd, ela se torna mais maníaca a cada dia; para as demais mães da Galer Street, escola liberal frequentada pela elite de Seattle, ela só causa desgosto; os especialistas em design ainda a consideram uma gênia da arquitetura sustentável, e Bee, sua filha de quinze anos, acha que tem a melhor mãe do mundo. Até que Bernadette desaparece do mapa. Tudo começa quando Bee mostra seu boletim (impecável) e reivindica a prometida recompensa: uma viagem de família à Antártida. Mas Bernadette tem tal ojeriza a Seattle - e às pessoas em geral - que evita ao máximo sair de casa, e contratou uma assistente virtual na Índia para realizar suas tarefas mais básicas. Uma viagem ao extremo sul do planeta é uma perspectiva um tanto problemática. Para encontrar sua mãe, Bee compila e-mails, documentos oficiais e correspondências secretas, buscando entender quem é essa mulher que ela acreditava conhecer tão bem e o motivo de seu desaparecimento.


O que fazer quando um livro supera todas as suas expectativas e se torna um dos melhores que você leu no ano? Foi exatamente isso o que aconteceu com Cadê você, Bernadette? e ainda não sei exatamente como colocar em palavras tudo o que o livro é. Não esperava muita coisa (apesar da capa super atraente) e, só após alguns comentários no twitter falando muito bem sobre o enredo, finalmente o tirei da lista espera e li. E, sinceramente? Foi uma das minhas melhores decisões.

Bee é uma aluna muito aplicada. Após tirar as melhores notas que poderia tirar na escola Galer Street, ela faz um pedido aos seus pais: ela quer viajar para a Antártica. Como ambos tinham prometido dar a ela qualquer coisa que desejasse caso conseguisse notas suficientes, eles acabam cedendo a esse desejo. Só que, um pouco antes da viagem, sua mãe, Bernadette, acaba desaparecendo. Agora Bee precisará fazer de tudo para encontrá-la.

A coisa que mais me irrita é que quando eu pergunto ao papai o que ele acha que aconteceu com a mamãe, ele sempre responde: “O mais importante é que você saiba que não é sua culpa”. Perceba que não foi isso que eu perguntei. (...)
Mamãe desaparece dois dias antes do Natal sem me dizer nada? Claro que é complicado. Mas só porque é complicado, só porque não há como saber tudo sobre outra pessoa, não quer dizer que não se possa tentar. p. 7
Cadê você, Bernadette? é um livro singular, diferente do que a maioria das pessoas está acostumada a ler. Eu mesma, ao começar a lê-lo, tomei um susto. Logo damos de cara com uma narrativa feita através de e-mails, cartas, bilhetes em conjunto com a linear e somos bombardeados com muita informação, o que deixa o começo bem confuso. À primeira vista, a maioria das coisas que vemos é trivial, sem muita importância para o enredo. Porém, ao decorrer do mesmo, tudo se encaixa. Acabamos nos acostumando com o ritmo que a autora emprega lá pela página 50 e isso acaba tirando a impressão de que o livro poderia ser maçante e isso dinamiza a história.

Essa dinâmica se deve em sua maioria aos personagens. Bernadette Fox é única. É aquele tipo de personagem que chega de mansinho e, quando você começa a conhecer sua essência, vê que ela já te conquistou. A autora usa e abusa do humor irônico para caracterizá-la e isso é perfeito! Afinal, personagens como Bernadette estão em falta, infelizmente. Mas é claro que não só ela merece destaque: Bee, sua filha, conduz a história maravilhosamente bem, além de termos Elgin, seu marido e pai de Bee, um personagem aparentemente “apagado” no enredo, mas que faz uma baita diferença. Ou seja, todos foram muito bem trabalhados, o que torna o livro ainda mais completo.

A curiosidade é o que leva o leitor pelas páginas. O mistério envolvendo o desaparecimento de Bernadette é desvendado nos detalhes e em doses homeopáticas, ou seja, de pouquinho em pouquinho. Isso é bom porque de certa forma nos dá tempo para construir a personalidade, não só dessa mulher complexa, mas de todos que estão envolvidos direta ou indiretamente com ela e de criar nossas próprias teorias sobre o que realmente aconteceu antes do desfecho do enredo e, particularmente, eu simplesmente adoro quando o autor dá essa liberdade para o leitor.

O sr. Branch não conseguiu andar muito pelo porão; logo foi pego pelos espinhos das trepadeiras. Ele saiu de lá ensanguentado, com as roupas em farrapos. (...)
Um time de cães farejadores vasculhou o perímetro. Não acharam nenhum sinal de Bernadette Fox. p. 241
Mas o que realmente encanta é o rumo que o enredo toma. Ele é imprevisível. Acontecimentos cotidianos são retratados com um ponto de vista quase sarcástico, pois tudo toma uma proporção gigantesca e isso rende situações hilárias, até porque não estamos falando de qualquer personagem e sim de Bernadette Fox. Além disso, vemos uma evolução enorme em todos os personagens, pessoal e interpessoalmente, desde a nossa protagonista até todos os secundários. O melhor é que o desfecho convence e amarra muito bem a história. Poderia ser melhor?

Cadê você, Bernadette? é um livro divertido, com uma sacada simples e com uma condução genial. É daqueles que você constrói uma relação aos poucos e no final não quer largá-lo, uma vez que a autora Marie Semple consegue prender o leitor do início ao fim com suas situações hilárias, não perde sua qualidade ao longo do enredo e faz um desfecho incrível.
Deem uma chance a Bernadette Fox. Tenho certeza que ela vai surpreendê-los. 

04/11/2013

Resenha: O Amor Mora ao Lado

Título: O Amor Mora ao Lado
Autora: Debbie Macomber
Editora: Novo Conceito
Páginas: 160

Lacey Lancaster sempre quis ser esposa e mãe. No entanto, depois de um divórcio bastante doloroso, ela decide que é hora de dar um tempo em seus sonhos e seguir sozinha mesmo. Mas não tão sozinha: sua gatinha abissínia, Cléo, torna-se sua companhia de todas as horas. Até é uma vida boa — um pouco aguada, é verdade — a de Lacey. A não ser por seu escandaloso vizinho, Jack Walker. Quando Jack não está discutindo, sempre em voz muito alta, com sua namorada — com quem insiste em morar junto — está perseguindo seu gato, chamado Cão, pelos corredores do prédio. E Cão está determinado a conseguir que a gatinha Cléo sucumba aos seus avanços felinos. Jack e Cão são realmente muito irritantes. Mas acontece que a primeira impressão nem sempre é a que fica...

Regado a simplicidade, O amor mora ao lado é um livro totalmente despretensioso. Debbie Macomber criou um enredo que prende e encanta o leitor, o que fez com que a leitura fosse muito leve, rápida e o melhor de tudo: engraçada. Isso tudo acompanhado com o enredo fluido, criou uma ambientação muito propícia para que eu pegasse o livro só o deixasse de lado após a última página, de tão delicioso que estava.

Lacey Lacaster mudou-se de cidade após um divórcio que a fez desistir inteiramente do amor. Um ano depois dessa mudança, sua gata (e agora companheira de vida) Cleo, acaba fugindo para o apartamento de Jack, seu vizinho e personificação de tudo que ela odeia e foge em um homem. O que ela não imaginava era que Cleo fosse “engravidar” de Cão, o gato de rua de Jack. Agora os dois terão que dar conta da responsabilidade e, a partir dessa convivência, a vida dos dois tomará rumos totalmente diferentes do esperado.

Talvez um dia ela se lembrasse do casamento sem sentir aquela dor esmagadora. Ele prometeu amá-la e respeitá-la, e então anunciou, calmamente, em uma tarde de domingo, sem aviso prévio, que a estava deixando para ficar com outra pessoa. p. 10
Clichê. Essa é a palavra ideal para definir o delicioso O amor mora ao lado. Mas quem disse que isso é ruim? Esse foi exatamente o propósito de Debbie Macomber ao escrevê-lo: mostrar uma situação cômica que gera efeitos esperados e ainda é arrematado por um romance bem óbvio. E para falar a verdade, quem não se diverte com uma comédia romântica? É uma temática que consegue agradar uma grande parte dos leitores.

Isso tudo se torna ainda melhor com a narrativa bem direta que a autora emprega. Para um livro de 160 páginas, não havia espaço para a autora enrolar, logo tudo acontece em um fluxo contínuo até o fim, com capítulos relativamente curtos. Ao terminar o livro, parece que acabamos de ler um conto, por causa do enredo fluido. Os personagens são grandes responsáveis por isso: boa parte das cenas envolvendo os protagonistas são cômicas, o que ajuda e muito na fluidez apesar de não haver uma conexão maior com eles.

Quanto mais o analisava, mais se sentia atraída por ele, o que não fazia sentido algum. Ela parecia alguém em uma dieta restrita, totalmente seduzida por uma bandeja de sobremesa. p. 23
Mas vamos falar da parte gráfica do livro: a capa e a contra-capa que se completam ficou incrível e resume muito bem o enredo. Além da diagramação interna, que não tinha como ficar mais fofa, como dá para ver na foto abaixo:


Não esperem nada surpreendente. É um livro em que tudo o que você acha que pode acontecer, vai acontecer. Mas essa é a parte gostosa de O amor mora ao lado: é aquele tipo de história que você vai ler milhares de vezes e nunca vai se cansar porque elas continuam divertidas e deliciosas de serem lidas. É especialmente recomendado para aquela tarde em que você não tem o que fazer e quer algo bem leve. Vale a pena dar uma chance.  

03/11/2013

Caixa de Correio #10


Esses últimos quinze dias foram bem tranquilos por aqui. O carteiro veio poucas vezes, o que aliviou minha fila de leitura um pouco (ainda bem, porque a situação tava ficando crítica) e isso deu um gás nas minhas leituras de livros que já estavam aqui em casa. Mas vamos deixar isso de lado para vocês verem o que chegou por aqui, afinal, são poucos e ótimos livros.