21/12/2013

Resenha: A menina que fazia nevar

Título: A menina que fazia nevar
Autora: Grace McCleen
Editora: Paralela
Páginas: 312
Todos os dias se parecem na vida que Judith McPherson leva ao lado do pai. Eles têm uma rotina simples e reclusa, numa casa repleta de lembranças da mãe que ela nunca conheceu, e as únicas pessoas com quem convivem são os fiéis da igreja cristã a que pertencem. Judith não tem amigos na escola, onde é alvo de gozações, e para encontrar consolo se refugia no mundo de sucata que construiu em seu quarto. Lá, cada dia é um dia, e a vida pode ser incrivelmente feliz graças a sua imaginação. Basta acreditar que a Terra Gloriosa, como ela chama sua maquete, é realmente o paraíso prometido onde um dia vai viver ao lado da mãe. Aos dez anos, Judith vê o mundo com os olhos da fé, e onde os outros veem mero lixo, ela identifica sinais divinos e uma possibilidade de criar. Assim, constrói bonecos de pano e inventa para eles histórias felizes na Terra Gloriosa. O que nem Judith poderia imaginar é que talvez seu brinquedo seja mais do que uma simples maquete. Pelo menos é o que parece quando ela cobre a Terra Gloriosa de espuma de barbear e a cidade aparece coberta de neve na manhã seguinte. Um pequeno milagre, é assim que ela interpreta esse e outros sinais parecidos. Tão pequeno que muitas pessoas poderiam pensar que não passa de coincidência, mas Judith sabe que milagres nem sempre são grandes, e que reconhecê-los é um dom de poucas pessoas. Longe de ser benéfico, no entanto, esse poder traz consigo uma grande responsabilidade. Afinal, seria certo usar a Terra Gloriosa para se vingar de Neil Lewis, o colega que a maltrata todos os dias na escola? 


Na época em que foi lançado, A Menina Que Fazia Nevar fazia muita gente suspirar por conta da capa maravilhosa. As diversas críticas positivas começaram a surgir, mas foram as negativas que me fizeram adiar a leitura. Sabia que não estava no momento para ler um livro tão sensível quanto esse e que talvez não fosse gostar por conta disso. E foi exatamente isso: tentei lê-lo em outra oportunidade, mas ele simplesmente não fluía. Dei uma nova chance e o livro ganhou um aspecto totalmente diferente para mim. Me tocou e eu estou simplesmente encantada com o que recebi desse livro.

Judith McPherson e seu pai são devotos a Deus e todos os seus dias são dedicados para espalhar Sua palavra. Dentro de seu quarto, Judith construiu com sucata uma cidade chamada Terra Gloriosa, onde tudo parece ser possível de acontecer. O que ela não esperava era que, após fazer certas coisas acontecerem na Terra Gloriosa, elas aconteceriam na vida real. É a partir das consequências desse momento que Judith irá aprender mais sobre Deus e sobre a sua relação com seu pai.

Tudo é possível, em todos os tempos e em todos os lugares e para todos os tipos de gente. Se você acha que não, e só porque não consegue ver como está perto, como só precisa fazer uma coisinha que tudo vai começar a acontecer para você. Milagres não têm que ser coisas grandes e podem acontecer nos lugares mais improváveis; os milagres dão mais certo com as coisas mais simples. p. 33
A Menina Que Fazia Nevar não me encantou logo de cara. Há alguns meses atrás, quando comecei a ler, percebi que, por mais que a princípio o livro parecesse simples, ele iria exigir muito de mim. Com isso, foi uma leitura que eu fui fazendo em doses homeopáticas: sempre que eu me sentia preparada para encarar aquele mundo, lia um pouco e assim foi por muito tempo. E foi exatamente por isso que, logo de cara, eu não consegui me envolver. A leitura me parecia arrastada e eu não conseguia transformar aquele pouco que eu lia em algo mais longo, porque o livro simplesmente não me prendia. Foi aí que eu parei e resolvi focar somente nele. Essa foi uma sábia decisão.

Quando eu resolvi me entregar totalmente ao livro, sua atmosfera me ganhou. A inocência e a sutileza do enredo me atingiram de tal forma que, quando parei e me dei conta, tudo aquilo parecia um iceberg: à primeira vista parece pouco, mas, quando nos damos conta, é muito mais profundo. Como é um livro que lida muito com a fé que pode mudar toda uma vida, aqueles que acreditam e seguem alguma religião, com certeza vão encontrar uma história tocante, que te renova como alguém que crê. Mas, ao mesmo tempo, te deixa em conflito, uma vez que essa fé também pode ser utilizada para coisas ruins como a própria protagonista fez. Ou seja, é um livro de diversas nuances e você precisa se entregar a ele para ter toda a dimensão do enredo.

A própria Judith é uma protagonista que pede muito do leitor, pois ela é uma criança amadurecida demais e isso é perceptível pela narrativa em primeira pessoa. Por ter sido uma garota que foi criada somente pelo pai que não sabe muito bem o que fazer após a morte da tão amada esposa, Judith nunca conheceu um amor incondicional, nunca teve com quem falar. É por isso que sempre recorre a Deus e que constrói a Terra Gloriosa. Ou seja, por mais que ela tenha somente dez anos e sua visão de mundo seja completamente inocente, tudo o que ela passa é uma imensa provação para que ela atinja sua verdadeira fé. Qualquer um que já se viu em uma situação em que tudo deu errado e que ainda assim continuou crendo que algo melhor viria, vai se identificar com a Judith.

Eu sei como é a fé. O mundo no meu quarto é feito dela. Com fé bordei as nuvens. Com fé recortei a lua e as estrelas. Com fé colei tudo junto e fiz todas essas coisas cantarolando. Porque a fé é igual à imaginação. Ela vê uma coisa onde não há nada, dá um salto e de repente você está voando. p. 33
Uma das coisas que eu realmente achei que valeram a pena pelo livro inteiro é como a relação entre Judith e seu pai se desenvolve. Desde o começo somos confrontados com essa relação que é tão quebrada que a qualquer momento pode virar pó e ver como eles crescem e amadurecem diante das coisas com que eles tem que enfrentar só mostra a evolução do livro para um propósito maior e isso é genial.

A menina que fazia nevar acabou se tornando um livro muito especial para mim. Por ser totalmente ligado à religião, ele me fez refletir em como algumas coisas devem ser pensadas antes de serem feitas, em como devemos ter fé naquilo que acreditamos. É um livro que, à primeira vista, parece inocente, mas que acaba tocando quem o lê de uma forma incomparável. Vale a pena, de verdade. 

36 comentários:

  1. Já li muitas resenhas desse livro, e todas sempre notaram o ritmo lento da trama, e principalmente, a profundidade do argumento da autora. Tenho muita vontade em conhecer esta história, talvez porque ela fale sobre fé e tudo mais. Gosto de histórias assim, tocantes. Ótima resenha, apesar de todos os poréns descritos por você, a leitura deve valer muito a pena.

    Abraços, Joshua
    - pensamentosdojoshua.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Entendo totalmente o que você quis dizer com "preparada para a leitura", nesse ano de 2013 (que finalmente chegou ao fim!) exigiu muito do meu emocional. Então, to andiando e adiando aquelas leituras que sei que são pra mexer e nos fazer refletir e chorar horrores (apesar de eu ser difícil de chorar).

    Mas esse livro não dispertou meu interesse, tenho uma tendência a me irritar quando a trama tem religiao como foco principal (nada contra religião, mas me irrita e não sei dizer bem o porquê).

    Luara, um feliz Natal e ótimo Ano Novo!

    Beijoos
    Um Metro e Meio de Livros

    ResponderExcluir
  3. Oi Luara!

    Ainda não tinha ouvido falar nesse livro. A temática me interessou bastante, mas, como você disse, é um livro que precisa de preparação. Vou procurar saber mais sobre ele, pode ser que me convença mais um pouquinho a comprar e ler. A relação da Judith com o pai dela também me chamou bastante atenção, vdd.

    Adorei a sua resenha!

    Feliz Natal :)

    Beijos

    Ariel Cristina
    http://www.beingjournalists.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Eu tenho um pé atrás com livros que começam com "A menina que..." meio que virou grife... No entanto, eu já ouvir falar por boca segura do quanto esse livro é bom e também sou uma pessoa de fé e tudo o que diz respeito a crianças forçadas a amadurecer cedo e fé mexe comigo e me lembra tanto de coisas que não deveria esquecer quanto de coisas que não quero lembrar...

    Sei que um dia vou ter coragem para ler esse livro... embora esse dia não seja hoje. Adorei a resenha... Gosto muito quando o resenhista conta de sua trajetória com o livro na resenha, aproxima de quem ler...

    Pandora

    ResponderExcluir
  5. Eu troquei esse livro no skoob e nem sabia qual era a história dele, mas depois que eu comecei a ler, não consegui parar. A história da Judith é muito bonita e ao mesmo tempo triste, pelas mil dificuldades que ela teve e tem e pelo jeito que ela lida tudo com muita maturidade. Virou meu livro favorito já na metade.

    ResponderExcluir
  6. Bom dia Luara,

    Esse livro esta na minha lista de desejados e cada resenha que leio fico com mais vontade...parabéns pela sua resenha...abraços.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  7. Minha professora de português me disse que esse livro vale muito a pena ler e que é uma história linda. Estou muito ansiosa para le-lô
    Livros e Nutella

    ResponderExcluir
  8. É a primeira vez que leio uma visão tão tocante sobre um livro. A premissa da história realmente parece ser demais e chorante e talvez, por falar de fé, eu precise lê-lo com urgência. A minha fé é um tanto quanto delicada e eu estou passando por umas coisas que acho que livros assim pudessem me ajudar - a chorar também, é claro. Adorei a resenha, Parabéns. -
    A Hora do Livro

    ResponderExcluir
  9. Oi Luara!

    Comecei a ler esse livro umas três vezes e nas três não passei da página 30. Depois da terceira vez, desisti mesmo. Acabei dando o meu exemplar de presente para uma amiga.

    http://roendolivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  10. sabe que quando eu comecei a ler ele pela primeira vez, por conta da enxurrada de resenhas positivas, eu também me decepcionei? depois de um tempo retornei a leitura e ela acabou me agradando!
    adorei a resenha. foi super exclarecedora :D

    ResponderExcluir
  11. Esse é um livro lindo, gosto de livros assim, tocantes e diferentes. Essa questão da fé tbm me chamou a atenção, e é interessante como mostra justamente isso, que tudo em excesso pode não ser bom... É necessário um equilibrio. que bom q vc gostou do livro. costumo dizer que livros tbm são coisas de momento, qdo não é o momento certo de lê-lo.. não rola, mas qdo ele nos chama é diferetnte ;)
    Linda resenha lu!
    Bjs
    Daiane
    www.nouniversodaliteratura.com.br

    ResponderExcluir
  12. Gosto muito dessa temática,a todo instante nossa fé é provada, adorei a sua resenha, com certeza entrará na minha lista. Feliz Natal pra vc!

    ResponderExcluir
  13. Luara!
    Bom quando um livro nos surpreende e nos faz mudar de opinião sobre ele.
    Não tinha ouvido falar sobre a historia e gostei de saber que a relação da protagonista com o pai é interessante.
    Fiquei sim com vontade de ler devido a sua resenha bem conduzida.

    FELIZ NATAL!!
    cheirinhos
    Rudy
    Blog Alegria de Viver e Amar o que é Bom!
    " A Melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida. (Desconhecido)".

    ResponderExcluir
  14. Ótima resenha, realmente me fez ficar interessada. Eu nunca tinha ouvido falar desse livro.

    ResponderExcluir
  15. Parabéns pela resenha ,não conhecia o livro mas a história mim chamou atenção e interesse pela sua tragetória e como ela enfrentou!
    beijinss!

    ResponderExcluir
  16. Ótima resenha, realmente me fez ficar interessada. Eu nunca tinha ouvido falar desse livro.

    ResponderExcluir
  17. O Bruno Miranda do vlog Minha Estante disse que o final desse livro é sem sentido, acaba de repente.. talvez não foi o momento ideal para ele assim como não foi pra voce na primeira tentativa né? A temática do livro é interessante principalmente pelo fato de falar de Deus, de fé... gosto de livros assim.
    Sua resenha está ótima, parabéns.
    Beijos

    ResponderExcluir
  18. Me parece ser um livro carregado de sentimentos..Histórias que envolve fé e relação de pai e filhos têm uma carga bastante forte,deve ser uma historia muito bonita.
    Sua resenha transpareceu esses sentimentos, que nos faz querer conferir essa relação da personagem com seu pai.
    Bjs'

    ResponderExcluir
  19. Concordo que alguns livros tem um momento certo para serem lidos, adorei a resenha!

    ResponderExcluir
  20. Estou com esse livro há um tempinho na estante, e tenho adiado a leitura.
    Se tivesse lido sua resenha antes, teria lido agora em Dezembro... parece que ficamos mais sensíveis com o clima natalino, o que combinaria com a aura do livro. :)
    Vou tentar ler assim que tiver um "furo" na fila de leitura! rsrsrs

    ResponderExcluir
  21. Fiquei muito curiosa pra ler em função da capa, que é com certeza linda de morrer...
    Mas eu não sabia dessa temática que a história aborda, então eu terei que me arriscar um pouco com essa leitura.
    Mas esse livro tem tudo pra me ganhar de acordo com a sua resenha.
    Beijos e até,
    Ana.
    http://umlivroenadamais.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  22. Sou apaixonada por esta capa.Sempre escutei falar nesse livro,comprei,e até hj não li! Até comecei a ler,mas achei a leitura um pouco lenta,e fui ler outros livros.Mas preciso retomar a leitura!! :)

    ResponderExcluir
  23. A princípio eu tinha me interessado muito por esse livro, pela capa e comentários que eu li, mas apenas superficialmente, nunca tinha parado para ver do que realmente se tratava e agora que eu me inteirei da história e do tema do livro, me decepcionei um pouco, não achei que seguisse esse estilo de drama e muito menos que fosse religioso. Como eu não sou nem um pouco religiosa, acho que não conseguiria me identificar ou gostar do livro, por isso, apesar dos elogios, desisti da leitura e perdi totalmente o interesse. Não que eu tenha qualquer preconceito com o tema, mas seria complicado ler um livro que não condiz em nada com a forma como eu vejo as coisas e sem identificação nenhuma com os personagens ou a história é bem complicado apreciar qualquer leitura. Mas ótima resenha e dica pra quem gosta desse tipo de livro. ;D

    ResponderExcluir
  24. Não pensava em ler este livro, mais depois de sua resenha mudei de opinião. Achei a história interessante e fiquei muito curiosa a respeito da personagem. vou tentar ler. beijos.

    ResponderExcluir
  25. Este livro é maravilhoso, ganhei de presente no natal

    ResponderExcluir
  26. Após ler esta resenha gostei ainda mais deste livro e a história parece ser interessante (porém entediante), mas de qualquer forma pretendo comprá-lo.

    ResponderExcluir
  27. Já ouvi muitas pessoas falarem desse livro e é um dos que eu pretendo ler esse ano

    ResponderExcluir
  28. *-* Parece SUPER HIPER tudo esse livro! Tenho que ler!

    ResponderExcluir
  29. Acho que é a primeira resenha que leio desse livro e não sabia que ele era assim, ligado à religião e capaz de nos tocar dessa forma tão irreversível e nos fazer pensar. Acho que vou dar uma chance também à história.

    ResponderExcluir
  30. Engraçado esperava de tudo nesse livro de menos essa história que você postou. Até assustei. Sinceramente não gostaria de lê-lo, e o interessante que pelo título havia ficado muito maravilhada e desejosa por ler.

    ResponderExcluir
  31. Que resenha apaixonante! Adorei... gosto de histórias tocantes como essa! Acho que vou amar! Quero muito ler, de verdade! Amei, estou até sem palavras...

    ResponderExcluir
  32. me interessei pelo titulo, e quando fui ler a resenha parece mais diferente ainda, ligada a fé, parece que é uma forma diferente de mostrar o cristianismo... nem imaginava, fiquei curiosa pra ler.

    ResponderExcluir
  33. Fiquei encantada com sua resenha, deu vontade até de ler o livro.
    Ultimamente estou procurando história assim, que deixam um ensinamento para a gente. Já vou adicionar ele a minha lista.
    Beijos..

    ResponderExcluir
  34. Eu tenho um livreto com o primeiro capítulo. Li e vi que não é um livro para mim, pois como uma pessoa não religiosa, a história não me chama atenção.
    Mas, percebi ser uma obra sensível, bonita e especial para quem tem fé.

    ResponderExcluir
  35. Faz muito tempo que desejo ler este livro pelo fato de que dizem que é fantástico. Meso que seja algo mais ligado a fé, eu gosto de ler coisas diferentes!

    ResponderExcluir
  36. Já vi muita gente falando desse livro, porém não fazia ideia do que se tratava. Confesso que fiquei surpresa, mesmo pela capa, que é linda, e pelo título, não imaginava nada relacionado a uma família religiosa e sucata.
    Tenho vontade de ler A menina que fazia Nevar, mas pelo que você disse acho que não é um bom momento, e talvez eu não goste do livro. Acabei de ler um daqueles livros que exigem um pouco da gente, então estou a fim de algo mais leve. Mesmo assim, tentarei ler ainda este ano e não continuar adiando.
    Blog |Curte?

    ResponderExcluir