30/06/2014

Resenha: Infinity Ring #3 - O Alçapão

Título: O Alçapão (Infinity Ring #3)
Autora: Lisa McMann
Editora: Seguinte
Páginas: 224
Depois de lutarem ao lado de guerreiros medievais para corrigir mais uma Fratura, Dak, Sera e Riq retornam aos Estados Unidos e logo se envolvem em uma armadilha mortal. O ano é 1850, um pouco antes da Guerra Civil, quando o país está dividido em relação à escravidão. Nesses tempos sombrios, a Ferrovia Subterrânea é a única esperança de muitos escravos, que conseguem escapar por essa rota secreta. Mas a SQ aos poucos está tomando o controle dos trilhos, colocando a vida de muitos fugitivos em perigo e ameaçando apagar aquela ferrovia da história. Riq é forçado a se separar do grupo e encontrará dificuldades que o levarão a enfrentar seu próprio passado. Dak e Sera, por outro lado, tentam descobrir em quem podem confiar e o que precisa ser feito para consertar mais uma Fratura.


Não é segredo para ninguém que Infinity Ring é uma das séries que eu mais gosto atualmente. Sempre que sai algum novo volume, sou a primeira a querer ler. Isso se deve ao fato de que, além de ser um infantojuvenil (que como vocês bem, um dos meus gêneros favoritos), ele tem aventura e viagem no tempo. Essa mistura não poderia dar errado, poderia? Mesmo com o meu receio sobre cada livro ter um autor diferente (nunca tinha tido essa experiência antes), a série continua me surpreendendo e com O Alçapão não foi diferente.

- Você sabe, eSQuartejar. Com S e Q maiúsculos. Nossos velhos conhecidos, sabe? A SQ. Estudiosos de história acreditam que o movimento a favor da escravidão não era composto só por pessoas avulsas que compartilhavam da mesma opinião. Havia grupos altamente organizados trabalhando nos bastidores. (...) Pra mim, isso tem cara de SQ. p. 24/25
Dessa vez, Dak, Sera e Riq voltam ao seu país de origem no ano de 1850, justamente quando a escravidão está em alta nos Estados Unidos. Por causa do seu tom de pele, Riq é confundido com um escravo e é capturado para ser vendido e trabalhar forçadamente. Enquanto Dak e Sera desvendam mais essa fratura e lidam com as mais diversas pessoas possíveis, entre escravagistas e abolicionistas, Riq terá que encarar não só o que o aguarda daqui para frente, mas também o seu passado.

O terceiro livro da série Infinity Ring é diferente dos seus antecessores. Enquanto os dois primeiros tinham o foco na ação e em uma missão bem definida, em O Alçapão temos um lado um pouco mais dramático da história. Lisa McMann conseguiu trazer um lado um pouco mais sensível. Aqui, está em jogo o passado de Riq, um personagem que eu tinha muito interesse em conhecer melhor. A autora conseguiu desenvolver o tema forte com a delicadeza e a maturidade necessárias para que o leitor sinta empatia com a história, principalmente se ele estiver cheio de expectativa para um banho de ação assim como foram os dois primeiros volumes.

Conhecer o passado de Riq trouxe mais dimensão para a série do que eu imaginava que ela poderia ter. Já vimos um pouco da vida de Dak e Sera, mas até então, eu não tinha me mergulhado tanto na história. Isso fez com que Riq deixasse aquele papel um pouco mais secundário para mostrar que também pode ser um protagonista forte e de expressão por causa das diversas maneiras com que ele foi testado ao longo de O Alçapão. Como os outros livros, a narrativa em terceira pessoa não deixa nada a desejar e a McMann conseguiu abordar tudo que era necessário para que um grande livro fosse construído.

O grande ponto positivo aqui é a grande evolução da trama. Desde Um Motim no Tempo até agora, há um crescimento enorme dos personagens e da própria trama. Enquanto Dak, Sera e Riq ficam cada vez mais maduros, as tramas da SQ estão cada vez mais interessantes. Isso me dá ainda mais vontade de acompanhar a série e espero muito que isso seja mantido nos próximos volumes.

Riq sorriu para si mesmo, contente por ver que os dois tinham conseguido dormir. Depois de tantas mudanças de fuso horário, ele não sabia nem quantos dias haviam se passado desde sua última noite de sono. Sempre havia um inimigo por perto ou... Bem, às vezes o inimigo estava dentro dele. p. 33
Não sei o que acontece com Infinity Ring que, assim que eu começo a ler, não consigo mais parar. Não foi diferente com O Alçapão: a leitura seguiu um ritmo tão incrível que, quando notei, já havia acabado. Digo e repito: essa é uma série que vale totalmente a pena investir. Ela pode ter muitos livros, porém todos são bem finalizados, então não ficamos com aquela sensação de que algo está “incompleto”. Vale lembrar que a Editora Seguinte já lançou o próximo volume, A Maldição dos Ancestrais. Nem conto para vocês QUEM está ansiosa para ler. ;) 

Série Infinity Ring
1- Um Motim no Tempo
2- Dividir e Conquistar
3- O Alçapão
4- A Maldição dos Ancestrais
5- Cave of Wonders
6- Behind of Enemy Lines
7- The Iron Empire

8- Eternity

29/06/2014

II Semana Companhia das Letras


Os blogs No Universo da Literatura, Estante Vertical e Jantando Livros, se uniram novamente para trazer mais uma semana especial da Editora Companhia das Letras para vocês, abrangendo também os selos Paralela e Seguinte. Durante os próximos dias vocês poderão conferir resenhas, posts especiais, entrevistas e um bate-papo bem bacana entre os blogueiros organizadores da semana. As postagens estão bem diversificadas, com livros e temas de diversos gêneros! 

Abaixo está nosso cronograma, a cada postagem que for ao ar, virei aqui e atualizarei com o link para vocês não perderem nada. Lembrando que pode acontecer de algumas alterações serem feitas no decorrer da semana, contudo nós sempre avisaremos vocês e voltaremos nesse post.

27/06/2014

Resenha: As Herdeiras

Título: As Herdeiras (Herdeiras #1)
Autora: Joanna Philbin
Editora: Galera Record
Páginas: 304
Desajeitada e doida por literatura, Lizzie não poderia ser mais diferente de sua mãe, Katia Summers, a supermodelo mais famosa do mundo. Acostumada aos flashes de paparazzi e aos muitos admiradores de sua mãe, a menina sabe como ninguém como é não ser notada. Mas ela não está sozinha. Suas duas melhores amigas também sentem na pele como é ter pais famosos. Carina Jurgensen tem um magnata de telecomunicações como pai, enquanto Hudson Jones é filha da cantora pop Holla. Mas tudo muda quando Lizzie é descoberta por uma fotógrafa de modelos exóticas. Agora, ela tem que conciliar a escola com sua nova carreira, lidar com a constante comparação com sua mãe e conquistar o gato da sala... Ufa!


Sabem aquele livro pelo qual a gente não dá nada e ele acaba te surpreendendo? Estava bem cética com relação a As Herdeiras, visto que, pela sinopse e também pela capa, achava que ele seria um exemplo padrão daqueles livros despretensiosos que você lê em uma tarde de tédio, que não tem nenhuma intenção de passar uma grande mensagem. E não é que eu estava totalmente enganada? É claro, ele continua sendo um infantojuvenil perfeito para quando não se tem o que fazer, mas ele é muito mais que isso: é uma lição de amizade e de autoconhecimento. Uma das maiores surpresas dentre as leituras deste ano.

Desde o jardim de infância, Hudson e Carina eram suas melhores amigas. Lizzie pensava nelas como os filtros de água Brita da sua vida. Se lhe acontecia alguma coisa, boa ou ruim, passava por elas, e depois da conversa, quase sempre se sentia melhor. Lizzie achava que era porque as três tinham um enorme ponto em comum: as tês sabiam o que significava ter a vida dividida em duas partes: a pública e a privada. p. 11/12
Vocês sabem que os infantojuvenis são aqueles livros que me conquistam facilmente. Cada vez que eu leio mais um livro dentro do gênero, fico mais apaixonada e com mais vontade de lê-los. Foi exatamente o que aconteceu com As Herdeiras: após ler uma variedade imensa de livros despretensiosos e todos me agradarem, pensei: por que não mais um? E foi com essa premissa que fui lê-lo, com pouquíssimas expectativas. Talvez tenha sido por isso que eu me surpreendi e me dei conta de que este livro não é somente mais um. Um dos grandes trunfos utilizados pela autora Joanna Philbin é conseguir conciliar o drama necessário para construir a trama com a leveza que o gênero requer e em nenhum momento isso toma o rumo do forçado.

Isso acontece porque a narrativa em terceira pessoa é tão envolvente e consegue demonstrar tanto dos sentimentos das personagens a respeito do que elas estão passando que parece quase uma narrativa em primeira e, por causa disso, passamos a torcer para que dê tudo certo para Lizzie, Carina e Hudson.  Como nesse primeiro volume temos o foco em Lizzie, vemos a sua jornada em torno do descobrimento de quem ela é além de filha de uma modelo internacionalmente conhecida. É impossível não torcer para que tudo dê certo, uma vez que, apesar de serem apenas adolescentes e fazerem as coisas impulsivas e imprudentes da idade, todas elas já têm que lidar com dramas do mundo adulto.

É claro que o romance não poderia faltar e este vem em forma de Todd, um amigo de infância que reaparece após anos na vida de Lizzie. Sim, é um romance gostosinho de acompanhar, porém não foi o que mais me chamou a atenção. Além da brilhante ambientação de Nova York (que, acreditem, me fez fica curiosa em relação a cidade), As Herdeiras tem um grande foco na amizade entre as três garotas, que, por passarem por dificuldades parecidas, são mais unidas que nunca e passam uma grande mensagem para o leitor.

- Acha que não sei disso? – gritou Lizzie de volta. – Você acha que eu não lido com isso todo santo dia? (...) Você acha que para mim é divertido? – continuou ela – Tirar foto com você? Ser comparada a você? Olhe para mim! Acha que é fácil ir para esses lugares com você? Por que não entende? Ou você só quer mostrar para as pessoas como é maravilhosa por ter uma filha de 14 anos? p. 65/66
As Herdeiras é o primeiro volume de uma série de quatro livros. A única coisa que não gostei na edição foram as folhas brancas, que provavelmente serão mantidas no restante da série para manter o padrão. Porém, apesar disso, o meu primeiro pensamento após a leitura foi pensar em quanto eu queria que o próximo livro já tivesse sido lançado e estivesse aqui comigo. Uma leitura despretensiosa, divertida e que com certeza vai ganhar o coração do leitor que der uma oportunidade para ele. Vale totalmente a pena investir! 

25/06/2014

Resenha: Desejos

Título: Desejos
Autora: Alexandra Buller
Editora: Galera Record
Páginas: 381
Para Olivia Larsen, nada poderia mudar o fato de que sua irmã gêmea, Violet, se foi. Até que um misterioso vestido de festa é deixado à sua porta, e ele é capaz de lhe conceder um único desejo. A única coisa que Olivia quer é ter a irmã de volta. Agora, as garotas têm uma nova chance de viver tudo o que sempre sonharam. De quebra, descobrem que existem mais dois vestidos com o mesmo poder, ou seja, mais dois desejos novinhos em folha! Mas mágica não pode resolver tudo e Olivia precisa confrontar os fantasmas de seu passado para aprender a rir, amar e viver novamente.

Desejos foi um livro que me chamou atenção desde que a Galera Record anunciou a capa lá em janeiro (clique aqui veja o post no blog da editora). Sinceramente, tem como não achar essa capa bonita? É claro que eu fui procurar a sinopse e logo fiquei curiosa. Desde então, fiquei esperando por esse lançamento, já que ele tinha basicamente tudo o que um livro adolescente precisa para me conquistar: um romance, desenvolvimento pessoal e a magia dos contos de fadas. Como ele foi lançado justamente enquanto eu estava em uma fase de livros despretensiosos, ele foi uma grande surpresa e já se tornou um dos meus queridinhos.

Algumas garotas são viciadas em fazer desejos. Você conhece o tipo. Esqueça estrelas cadentes e moedas jogadas num chafariz: Essas garotas ficam olhando um relógio digital pela maior parte de suas manhãs, esperando dar 11:11. E quando a hora chega, geralmente elas desejam uma coisa que, bem, não vale muito a pena desejar. Uma companhia para o baile. Uma nota alta. Uma herança inesperada, pelo menos grande o suficiente para comprar aquela calça jeans que todo mundo tem. Não são essas garotas que procuro. Eu procuro por aquelas que sabem o quanto vale um desejo. p. 7
Já li os mais diversos livros direcionados para o público juvenil. Para falar a verdade, eles são minha escapatória quando nenhum livro está me agradando e estou prestes a entrar na temida ressaca literária. Quando me deparei com Desejos, minha expectativa era de que ele fosse mais um desses livros relaxantes, e de certa forma ele foi. Porém a grande diferença dele é que todas as páginas estão repletas de magia. Mesmo que você não faça parte do público ao qual ele está direcionado, as possibilidades de que ele seja uma ótima leitura aumentam por causa disso, afinal, quem nunca sonhou em poder realizar alguns desejos?

Quando isso é acompanhado pela humanização dos personagens, fica ainda melhor. Olivia, nossa protagonista, está passando por uma fase péssima após a perda de sua irmã e a autora conseguiu trabalhar bem em cima disso, inclusive trabalhando na perda da estrutura familiar. A empatia com o leitor a respeito do sofrimento dela é crescente e, apesar de ter sentido certo exagero na autocomiseração da protagonista fiquei feliz ao ver o desenvolvimento de Olivia ao longo do enredo. Não sei quanto a vocês, mas ver essa evolução em algum personagem faz que com que as histórias tenham um objetivo e isso vale a pena todo o tempo investido na leitura. Mas quem realmente me chamou atenção foi a Violet – a irmã fantasma. Ela é o oposto de Olivia e é ela quem traz um pouco de cor para o enredo.


É claro que o romance não poderia ficar de lado. A autora investiu em um romance bem contos de fadas e, para quem adora aquela história de príncipe encantado, é um prato cheio. Porém, em algumas partes este romance pareceu forçado demais e isso foi reforçado pelo fato de eu não ter simpatizado com Soren, o dito cujo. Assim como esta parte, a grande antagonista, Calla, poderia ter sido melhor apresentada, já que a grandiosidade dos outros fatos que acontecem na trama faz com que ela fique ofuscada e o pior, praticamente irrelevante para o enredo.

Não era para ser assim, pensou. Violet nunca teria deixado isso acontecer. Eu quero a minha irmã. Eu quero a minha irmã. Eu quero a minha irmã. (...) Aconteceu tão rápido que mais tarde ela se perguntou se estava alucinando. Mas assim que abriu os olhos, um vento forte e vigoroso passou pela janela aberta, carregando junto o que parecia, à primeira vista, um vaga-lume. (...) Era tão pequeno quanto, tão brilhante quanto, mas suas asas eram largas e grandes e tinham espirais em prateado e dourado. Era uma borboleta. p. 70/71
Salvo algumas partes que poderiam ter sido melhor trabalhadas, Desejos cumpre sua premissa de ser um livro juvenil, bem descompromissado. Apesar de não ter grandes surpresas ao longo do enredo, é aquele clichê gostosinho que agrada em qualquer momento, mesmo se você for parte do público alvo. Se você está procurando um livro nesse estilo, vá em frente. É uma excelente dica! J

Observação: Desejos tem uma continuação, chamada Wishful Thinking (ainda não publicado Brasil). Para mim é totalmente desnecessária, já que o final é bem fechadinho. Então não se preocupem se vocês estiverem fugindo de séries, ok? 

24/06/2014

Resenha: The 100 - Os Escolhidos

Título: The 100 - Os Escolhidos
Autora: Kass Morgan
Editora: Galera Record
Páginas: 288
Desde a terrível guerra nuclear que assolou a Terra, a humanidade passou a viver em espaçonaves a milhares de quilômetros de seu planeta natal. Mas com uma população em crescimento e recursos se tornando escassos, governantes sabem que devem encontrar uma solução. Cem delinquentes juvenis — considerados gastos inúteis para a sociedade restrita — serão mandados em uma missão extremamente perigosa: recolonizar a Terra. Essa poderá ser a segunda chance da vida deles... ou uma missão suicida.


Para quem não sabe, sou uma viciada em séries de TV. Sempre que alguma nova sai e é tida como promessa, dou uma chance para ver se ela é tudo isso mesmo. Foi o que aconteceu com The 100: esperei meses até a estreia. Após ver o piloto, fiquei um pouco decepcionada, pois esperava mais (ao longo da série essa ideia mudou, porém falarei mais sobre isso em um post específico). Foi então que percebi que tinha que ler o livro e ver se ele me agradava mais, afinal, uma distopia não é de se jogar fora, não é? Apesar das diversas críticas que li a respeito dele, The 100 foi um livro que me agradou em seus próprios termos.

Tinha realmente acontecido. Pela primeira vez em séculos, humanos tinham saído da Colônia. Ela olhou para os outros passageiros e viu que todos também tinham ficado calados, um espontâneo minuto de silêncio em homenagem ao mundo que eles estavam deixando para trás. (Clarke) p. 44/45
Vamos ao ponto principal: se você está esperando um livro cheio de ação, com altas doses de ficção científica, pode parar agora. Os Escolhidos não chega nem perto disso. Essa foi a causa da decepção de muitos: a expectativa era grande nesse ponto e ele simplesmente não cumpriu o que prometia. Como eu já havia lido algumas críticas a respeito, fiz o sensato: não esperei nada por ele. E não é que deu certo? Apesar de não ter um livro grandioso, a decepção não foi tão grande quando apareceu mais drama no enredo do que eu esperava.


A autora Kass Morgan opta por seguir um caminho diferente do esperado por uma distopia: ela foca seu enredo no desenvolvimento de cada personagem. Só que o problema foi que ela não soube dosar e isso deixou o enredo incompleto: ao focar somente nos personagens, ela perdeu a dinamicidade e a parte distópica do livro. Eu esperei durante todas as páginas para que algo empolgante acontecesse, mas isso simplesmente não vem, o que pode tornar o livro um pouco maçante para alguns leitores. Para falar a verdade, a verdadeira ação só começa na última página – único fato que me deixou curiosa pela continuação.

Mas gostei muito do trabalho que a autora fez em cima dos personagens. Como muitos personagens do livro não estão na série de TV e a personalidade dos que eu já conhecia muda muito de um para outro, foi mais fácil desassociar as suas histórias. A narrativa é em terceira pessoa e temos o ponto de vista de cada personagem importante na trama, com vários momentos de flashback para ajudar a entender todos os motivos para tal coisa estar acontecendo. Falando dos principais, a Clarke se tornou indiferente para mim; já o Wells me irritou na maior parte do livro – sério, eu achava que não dava para ser mais chato do que na série de TV, mas isso realmente aconteceu aqui –; o Bellamy é interessante no livro e, para mim, um dos personagens mais promissores para os próximos da série.

Ele entortou o pescoço e olhou para o céu, seus olhos sorvendo nada além de um vazio em todas as direções. Não importava onde eles estavam. Qualquer lugar nesse planeta seria infinitamente melhor do que o mundo que eles tinham deixado para trás. Pela primeira vez em sua vida, estava livre. (Bellamy) p. 76
Apesar de não ser tudo o que eu esperava, The 100 foi um livro agradável, com uma leitura bem fluida. Como temos uma boa estrutura para as características de cada personagem, espero que no próximo livro da série a autora Kass Morgan dê um foco maior para as partes da distopia e da ação, que fizeram muita falta para o enredo deste primeiro volume, afinal, há muito que ser explorado a respeito da Arca e do passado da Terra e eu gostaria muito que a autora investisse nisso. Porém, mais uma vez, irei sem expectativas. Vai que dessa vez ele me ganha de vez? 

17/06/2014

Resenha: Coração Envenenado

Título: Coração Envenenado
Autora: S. B. Hayes
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 350
Compre: Livraria Saraiva
Sem os pais desde a infância, Genevieve Paradis tem uma história de vida trágica. Já passou por abrigos infantis e, inclusive, precisou dormir na rua por um tempo. Suas origens aparentam ser indecifráveis, até que, em mais uma de suas idas e vindas, ela se muda para a mesma cidade de Katy Rivers. Quando a intrusa começa a transformar a vida de Katy num inferno, tentando roubar tudo o que lhe pertence, tal comportamento se torna mais do que suspeito, e ela decide, então, investigar o passado dessa misteriosa menina.


Há muito tempo queria ler Coração Envenenado. Já tinha visto algumas poucas resenhas que exaltavam o livro e, isso combinado com uma sinopse instigante e aquela capa que chama a atenção onde quer que seja (um excelente trabalho da editora Bertrand, que fez a capa aveludada e com o título metalizado), fez com que eu o passasse a frente na minha lista de leituras assim que chegou. Por um momento, ele me encantou e fez com que eu ficasse ansiosa para saber tudo o que ele prometia. Porém, excesso de expectativa quase sempre acaba em um lugar: em decepção. Foi exatamente isso o que aconteceu.

Virei-me apenas uma vez e vi a garota me observando de longe, estranhamente petrificiada. Balancei a cabeça, brava comigo mesma porque deveria estar fantasiando. Porém, não importava o quanto me esforçasse para esquecer, ainda podia ouvir a voz dela retumbando dentro da minha cabeça e repetindo mil vezes: “Eu sou o pior pesadelo da sua vida. p. 42
Minhas primeiras impressões em relação a Coração Envenenado não foram tão boas. Logo de cara notei que os diálogos e a ambientação eram superficiais e isso fez com que eu tivesse receio de toda a expectativa que coloquei em cima dele. Porém, ao longo das páginas, nos adaptamos com a narrativa e com os personagens e o livro toma um rumo mais dinâmico, especialmente com o mistério que envolve Katy, a protagonista, com Genevieve, a garota que de repente aparece querendo tomar o seu lugar e promete ser seu maior pesadelo. Isso trouxe um pouco de ação para o enredo e fez com que minhas expectativas em torno dele voltassem.

Isso se mantém praticamente durante todo o enredo. A atmosfera do livro se torna inquietante e juntamente com a protagonista, não sabemos o que é real ou o que é só imaginação. Passamos a questionar todas as atitudes dos personagens, já que todos podem estar envolvidos no mistério. É a partir disso que eu comecei a ter as mais diversas teorias sobre o que poderia acontecer, pois ao longo das páginas temos várias pistas e embarcamos com a protagonista em busca da verdade. Por causa disso, esperei bastante pela resolução que a autora daria para essa história.


Porém (infelizmente ele apareceu aqui) há uma quebra de expectativa grande nas últimas páginas. Coração Envenenado segue por um rumo em grande parte do enredo para no final ter uma explicação totalmente diferente e bem mais simples do que eu esperava. Isso fez com que eu tivesse uma sensação de que várias páginas poderiam ter sido cortadas, uma vez que elas não acrescentam em nada para o final. Essa foi minha grande decepção: a autora poderia ter dado uma explicação grandiosa, que fechasse todos os pontos do mistério que envolvia o enredo, mas ela preferiu seguir por um caminho conhecido e até batido demais.

Como é uma narrativa em primeira pessoa, temos um bom desenvolvimento de Katy, a protagonista, mas ainda assim eu não consegui me afeiçoar tanto a ela. Por mais que a paranóia dela dê um algo a mais para o enredo e ajude muito para que o mistério fique ainda melhor, por vezes isso é irritante. Mas algo que eu teria ter visto mais foi sobre a personalidade de Genevieve, pois achei que muitas atitudes dela ficaram no ar.

A terrível verdade foi se revelando, não só Genevieve era mais bonita, extrovertida e confiante do que eu, como também estava anos-luz à frente em todos os assuntos que eu amava. Comecei a me sentir fisicamente enjoada. p. 69
Coração Envenenado tinha tudo para ser um livro brilhante, daqueles que tem todas as características fundamentais para atrair qualquer leitor: muita ação, um mistério que te prende e que te faz questionar todas as atitudes dos personagens e te deixa com aquele gostinho de “quero mais”. Infelizmente o livro se perdeu terrivelmente no final, mudando o rumo que o enredo vinha construindo. É uma pena que um final tão mal articulado tenha apagado o brilho de um livro que poderia ser espetacular. 

11/06/2014

Resenha: Veneno

Título: Veneno (Saga Encantadas #1)
Autora: Sarah Pinborough
Editora: Única
Páginas: 224
Acompanhe a história de Branca de Neve e seu embate com a Rainha, sua madrasta. Você vai entender por que nem todos são só bons ou maus e que talvez o que seria “um final feliz” pode se tornar o pior dos pesadelos! Veneno é o primeiro livro da trilogia Encantadas, e já é um best-seller inglês. Sarah Pinborough coloca os contos de fadas de ponta-cabeça e narra histórias surpreendentes que a Disney jamais ousaria contar. Com um realismo cínico e cenas fortes, o leitor será levado a questionar, finalmente, quem são os mocinhos e quem são os vilões dos livros de fantasia!


Veneno foi uma leitura diferente. Já havia tentado há algum tempo, mas não consegui passar das primeiras páginas, o que me deixou totalmente receosa em relação a ele. Porém, resolvi dar mais uma chance para o livro e me impressionei, pois nessa segunda tentativa ele se mostrou uma releitura bem inusitada, diferente do que eu estava esperando e me surpreendeu principalmente nas páginas finais. Veneno é um livro que merece seu crédito, apesar de ter me decepcionado um pouco aqui e ali.

Branca de Neve se afastou; em seguida fez uma reverência e baixou a cabeça – sempre a boa filha e a princesa obediente e cumpridora de seus deveres. As pessoas enlouqueceram. Branca de Neve, a rainha de seus corações. A garota que podia conquistá-los com algo tão simples quanto uma maçã. Tudo era tão fácil para a bela, adorável e perfeita Branca de Neve. p. 13
Já li diversas coisas relacionadas com a Branca de Neve (inclusive tem resenha aqui no blog do livro “Branca de Neve – Os Contos Clássicos”) e, como muitas pessoas sabem, entre todos os contos de fada, é o meu favorito. Isso foi o que mais pesou em minha decisão de lê-lo. Já tinha visto algumas pessoas falando bem do livro e isso me encheu de expectativa, porém o começo do livro não cumpriu exatamente o que eu esperava. O enredo parecia sem rumo e o pior de tudo: uma cópia do conto original. Afinal, temos uma rainha má que se casa pelo status e que sente ciúme de sua enteada, vista como a mais bonita do reino.

Um pouco da diagramação de Veneno. MUITO bonita, não é? Uma das partes que mais gostei no livro. Uma pena que minha câmera não colaborou totalmente. Da próxima vez juro que vou tirar fotos de dia! <3

Fiquei esperando algo acontecer, mas simplesmente não acontecia. O livro ficava naquilo que eu já conhecia e estava começando a duvidar da tal releitura. É claro que temos algumas cenas eróticas logo no começo do livro, mas esse foco é perdido ao passar das páginas e voltamos para aquele sentimento de que nada acontecerá. A primeira metade de Veneno foi bem chata nesse sentido e a diferença aconteceu quando enfim os anões passaram a ser um corpo ativo dentro do enredo. A partir desse momento finalmente temos um pouco de ação e a história começa a tomar um novo rumo e foi aí que o enredo passou a fluir melhor.

Por causa disso, os personagens começam a ter uma maior desenvoltura. Temos uma Branca de Neve mais ousada do que eu esperava e uma rainha se remoendo em seu ódio por sua enteada e esses sentimentos eram praticamente palpáveis, o que mostra que a autora Sarah Pinborough conseguiu trabalhar muito bem em cima disso. Os anões fizeram toda a diferença no enredo e eu queria era que eles tivessem um pouco mais de destaque, pois eu queria muito conhecer um pouco mais deles. Mas o grande responsável pela grande – e única – reviravolta do enredo é príncipe. Este se tornou um dos personagens que mais me surpreenderam e fizeram com que eu precisasse da continuação.

- Todos a amam, não é? E é tão fácil ver o porquê. É boa, bela e, além disso, livre e selvagem. Ela terá vários príncipes por quem se apaixonar. Sim, sem dúvida é a mais bela na terra. Não é? Ela não é bonita? (...)  Ela tremia e sentia a magia formigar na pele. (...) De um jeito ou de outro, Branca de Neve tinha de sumir dali. p. 28
Veneno é um livro que cumpre com a premissa de ser uma releitura com uma linguagem bem jovem do conto da Branca de Neve, mas ainda assim, eu esperava um pouco mais de originalidade e ação ao decorrer do enredo. Porém, apesar das minhas altas expectativas, foi uma leitura agradável e o final praticamente me obriga a ler o próximo da trilogia (os próximos volumes se chamam Feitiço e Poder). Para os grandes amantes de releituras, a dica é: não crie grandes expectativas e o livro poderá ser bem mais surpreendente do que foi para mim. ;) 

Pesquisa de Opinião

Oi pessoal! :)
Para quem acompanha as redes do blog, já sabem que estou preparando uma série de mudanças aqui para o Estante Vertical. Mas não se preocupem: ele não irá perder a essência, irei só fazer algumas mudanças aqui e ali para que ele fique ainda melhor para vocês navegarem.
Por causa disso, resolvi fazer uma pequena pesquisa de opinião, com algumas perguntas simples, mas que no final irá me ajudar muito em descobrir a direção a tomar com o blog.

A pesquisa é totalmente anônima e só vai tomar alguns minutinhos. Espero que vocês possam contribuir com essa melhoria que eu estou preparando aqui para o blog. 
Obrigada por tudo! <3

09/06/2014

Resenha: Dançando Sobre Cacos de Vidro

Título: Dançando Sobre Cacos de Vidro
Autora: Ka Hancock
Editora: Arqueiro
Páginas: 336
Lucy Houston e Mickey Chandler não deveriam se apaixonar. Os dois sofrem de doenças genéticas: Lucy tem um histórico familiar de câncer de mama muito agressivo e Mickey, um grave transtorno bipolar. No entanto, quando seus caminhos se cruzam, é impossível negar a atração entre eles. Contrariando toda a lógica que indicava que sua história não teria futuro, eles se casam e firmam – por escrito – um compromisso para fazer o relacionamento dar certo. Mickey promete tomar os remédios. Lucy promete não culpá-lo pelas coisas que ele não pode controlar. Mickey será sempre honesto. Lucy será paciente. Como em qualquer relação, eles têm dias bons e dias ruins – alguns terríveis. Depois que Lucy quase perde uma batalha contra o câncer, eles criam mais uma regra: nunca terão filhos, para não passar adiante sua herança genética. Porém, em seu 11° aniversário de casamento, durante uma consulta de rotina, Lucy é surpreendida com uma notícia extraordinária, quase um milagre, que vai mudar tudo o que ela e Mickey haviam planejado. De uma hora para outra todas as regras são jogadas pela janela e eles terão que redescobrir o verdadeiro significado do amor. Dançando sobre cacos de vidro é a história de um amor inspirador que supera todos os obstáculos para se tornar possível.


Vocês provavelmente já devem ter visto alguém falando de Dançando sobre cacos de vidro por aí. Talvez vocês já tenham visto a capa em algum lugar e é muito provável que ele tenha passado despercebido. Infelizmente, esse livro não tem todo o destaque que merece. Porém, em uma dessas minhas aventuras literárias, acabei dando uma chance para ele. E ainda estou abalada e ainda nem sei quais são as palavras para descrever tamanha qualidade em um livro. É tão difícil escrever resenhas nas quais o livro em que tratamos é incrível, parece que nada vai alcançar tamanha grandeza, mas juro que farei o possível.

Lucy e Mickey teriam todos os motivos para não ficarem juntos. Ela, uma batalhadora contra a ameaça do câncer em sua família; ele, uma pessoa diagnosticada com transtorno bipolar. Mesmo com todos os problemas que os aguardavam, os dois decidiram apostar nessa relação e confiar que o amor deles seria mais forte. A única condição que eles se propuseram, seria não ter filhos, pois não queria que o sofrimento passasse para seus descendentes. Porém, 11 anos depois de casados, Lucy descobre que está grávida. Apesar de todos os contras, o casal decide ter a criança e vão passar por diversas provações para mostrar que o amor supera tudo.

Minha única certeza era a de estar me apaixonando por um homem que, aos 11 anos, concluíra que era diferente do restante do mundo. Um homem que crescera com medo do modo como sua mente funcionava. Eu estava me apaixonando por um homem que se esforçava ao máximo para me fazer entender quanto ele se sentia imortal às vezes e quão expansivo, autoritário e egoísta também podia ser. Ocasionalmente isso me assustava, mas então Mickey me oferecia uma saída. p. 88
Imaginem uma pessoa arrasada, abraçada a um livro de madrugada, chorando como se não houvesse amanhã. Essa pessoa era eu assim que terminei Dançando sobre cacos de vidro. Há tempos não lia uma história que mexesse tanto comigo, pois ela veio e se tornou tão palpável que me inseri na situação de forma que não dá para explicar. Particularmente, não esperava que esse livro fosse ser tão único, afinal, há uma grande quantidade de sick-lits no mercado. Porém ele veio e me surpreendeu de todas as formas possíveis e o colocou entre os melhores livros de 2014.

A grande responsável por isso foi a narrativa muito fluída da autora Ka Hancock. Como a autora é uma enfermeira e esse é seu romance de estreia, fica claro que ela optou por trabalhar muito em cima dos detalhes das doenças que acometem os protagonistas e isso só fez com que seu livre ficasse impecável. A autora fez com que encarássemos o dia a dia conturbado de quem convive com doenças, porém esse não é seu único foco: também vemos as partes felizes, aquelas que impulsionam os personagens a seguirem em frente, mesmo com todas as dificuldades e é exatamente isso que faz com que a carga dramática do livro não fique tão pesada.

Essas experiências se tornam ainda mais reais com a narrativa em primeira pessoa. Como temos uma alternância entre a Lucy e o Mickey, conhecemos bem a fundo seus problemas e dilemas diários, tanto com o casamento quanto com as doenças que os afligem e é impossível não sentir na pele todos os desafios – impostos pelas adversidades, pelas pessoas ao redor e até por eles mesmos – que eles precisam encarar dia após dia para permanecerem unidos. São tantos os sentimentos que a autora consegue transmitir através das páginas que nos tornamos amigos íntimos dos protagonistas. Mas não podemos dar todos os créditos a eles: todos os personagens secundários também fizeram diferença.

Todo casamento é uma dança: complicada às vezes, maravilhosa em outras. Na maior parte do tempo não acontece nada de extraordinário. Com Mickey, porém, haverá momentos em que vocês dançarão sobre cacos de vidro. Haverá sofrimento. Nesse caso, ou você fugirá ou aguentará firme até o pior passar. p. 99
O grande diferencial de Dançando sobre cacos de vidro é a complexidade dele. Ka Hancock não se prende somente a retratar o cotidiano da doença, ela retrata perfeitamente o cotidiano das pessoas. É exatamente isso o que mais me prendeu: não dá para sintetizar o livro em somente algumas palavras: é preciso que o leitor desenvolva uma relação com ele, se abra para que as emoções possam fluir através dele.

A minha grande dica é: preparem os lencinhos. É impossível não se emocionar com a trajetória de Lucy e Mickey. Mesmo aqueles que não gostam tanto de um drama, se derem uma chance, vão mergulhar e se envolver nessa história, afinal, temos um grande testemunho de amor, fé, amizade e família. Ficamos com aquele pensamento de “e se tivesse acontecido comigo?”. Dançando sobre cacos de vidro é um livro poderoso, que mostra como grandes sentimentos e força de vontade podem superar até as mais altas barreiras. Altamente recomendado! 

02/06/2014

Promoção: Kit A Culpa é das Estrelas


Não tem como NÃO conhecer o grande fenômeno que é o livro A Culpa é das Estrelas, não é mesmo? Como a adaptação para os cinemas está chegando, preparamos um kit muito bacana para vocês. 

Confiram os prêmios:
  1. A Culpa é das Estrelas - Capa Original - Amigo do Livro
  2. A Culpa é das Estrelas - Capa do Filme - Viaje na Leitura
  3. A Estrela Que Nunca Vai se Apagar - Livraria Criativa
  4. Caneca "A Culpa é das Estrelas" da loja AMC Studio Design - Estante Vertical, No Universo da Literatura e Jantando Livros
  5. Camisa "Okay? Okay." - Estante Vertical, No Universo da Literatura e Jantando Livros
  6. Bottons - Oh My Dog Estol Com Bigods