31/07/2014

Série x Livro: The 100

Sempre que eu vejo um filme ou uma série que é adaptação de um livro, fico com aquela vontade de saber o que deu origem àquilo que estou vendo. Foi o que aconteceu com The 100: primeiro eu vi a série e me apaixonei. Quando estava mais ou menos na metade da temporada, o livro chegou em minhas mãos e apesar de não ter cumprido todas as expectativas que eu tinha, foi uma boa leitura.

Como eu tinha prometido, aqui está uma comparação entre a série e o livro. A partir daqui você pode ver o que está perdendo se você estiver colocando todas as suas fichas em só um dos lados.

30/07/2014

Resenha: Princesa Adormecida

Título: Princesa Adormecida
Autora: Paula Pimenta
Editora: Galera Record

Páginas: 192
Era uma vez uma princesa... Você já deve ter ouvido essa introdução algumas vezes, nas histórias que amava quando criança. Mas essa princesa sou eu. Quer dizer, é assim que eu fiquei conhecida. Só que minha vida não é nada romântica como são os contos de fada. Muito pelo contrário. Reinos distantes? Linhagem real? Sequestro? Uma bruxa vingativa? Para mim isso tudo só existia nos livros. Meu cotidiano era normal. Tá, quase normal. Vivia com meus (superprotetores) tios, era boa aluna, tinha grandes amigas. Até que de uma hora pra outra, tudo mudou. Imagina acordar um dia e descobrir que o mundo que você achava que era real, nada mais é do que um sonho. E se todas as pessoas que você conheceu na vida simplesmente fossem uma invenção e, ao despertar, percebesse que não sabe onde mora, que nunca viu quem está do seu lado, e, especialmente, que não tem a menor ideia de onde foi parar o amor da sua vida. Se alguma vez passar por isso, saiba que você não é a única. Eu não conheço a sua história, mas a minha é mais ou menos assim... 

Finalmente li algo da famosíssima Paula Pimenta! Muitos de vocês provavelmente são fãs da autora, mas, até então, não tinha tido a oportunidade de ler nada dela (leia-se: o preço das outras séries da autora é exorbitante!). Eis que Princesa Adormecida é lançado e eu vejo várias e várias críticas negativas a respeito dele. Imaginem como a minha expectativa afundou depois dessa, não é mesmo? Porém, resolvi arriscar mesmo assim, afinal, vai que... E não é que eu me surpreendi? Não é um dos melhores livros que já li, mas com certeza foi uma leitura muito gostosa.

Imagine acordar e descobrir que o mundo que você achava que era real nada mais é do que um sonho. E se todas as pessoas que você conheceu na vida simplesmente fossem uma invenção e, ao despertar,  percebesse que não sabe onde mora, que nunca viu quem está do seu lado, e, especialmente, que não tem a menor ideia de onde foi parar o amor da sua vida.
Se alguma vez passar por isso, saiba que você não é a única. p. 9
Uma releitura sempre é um risco. Como já aconteceram com outros livros que já li, o risco de um autor se perder é enorme e os fãs do dito conto em questão ganham uma tremenda de uma decepção. Felizmente, Paula Pimenta tomou o risco para si e nos apresentou uma releitura de A Bela Adormecida, um conto que eu ainda não tinha tido a oportunidade de ver nessas novas versões. O fato é que, à primeira vista, me pareceu que de releitura aquilo não tinha nada, afinal, a única coisa parecida com o conto original era o nome da protagonista: Áurea. Sim, tínhamos aquele fundo de família real, mas de restante, era uma história totalmente diferente.

Isso me levou a uma pequena decepção no começo, afinal, é muito complicado esperarmos uma coisa e encontrarmos algo totalmente diferente. Porém, com a narrativa fluida da autora e à medida que o enredo foi se desenrolando, a história começou a me envolver e eu comecei a torcer pela protagonista, afinal, é um daqueles clichês que todo mundo gosta de ler de vez em quando: uma garota, romance, adversidades. Ou seja, não esperar por algo original é um dos fatores que te vão te levar a ter uma boa leitura, porque tudo é bem previsível, ainda mais se você já leu muitos livros do estilo. Por causa disso, aos poucos eu fui deixando a ideia de que era uma releitura de lado e foquei mais no enredo que era apresentado.

Aos poucos fui conquistada pela saga de Áurea (ou Rosa, como ela vem a se chamar durante um período do enredo). Mas vou ser sincera: eu não me afeiçoei muito a ela. Com uma narrativa em primeira pessoa, aquelas típicas atitudes de adolescente impulsiva ficam ainda mais evidentes (o que eu até entendi dentro da história), mas isso não me desce mais. Acho que acabei enjoando de tantas personagens com as mesmas características em livros – hoje eu prefiro aquelas protagonistas mais expressivas. Porém os personagens secundários são marcantes e fazem valer a pena, assim como o romance. É tão fofo! É bem estilo “príncipe encantado”, mas faz sentido, não é mesmo?

- Cai na real, Anna Rosa! Sua família realmente estragou você com essa superproteção! De tanto viver enclausurada, você criou um mundo paralelo na sua imaginação e acha que a vida é um livro de princesas. Pois saiba que a realidade é diferente. Não existem príncipes destinados para nós desde o nascimento, nem bruxas malvadas, muito menos fadinhas para realizarem nossos sonhos. Na vida real, são os amigos que nos ajudam a conseguir o que queremos, Que nos dão força. Que salvam nossa pele nas épocas difíceis. É uma pena que você não saiba disso. p. 72
A boa notícia é que no final das contas eu entendi toda a releitura! Todos os elementos do conto original estão ali e eu fiquei maravilhada com a forma que a Paula Pimenta desenvolveu o seu enredo. Como eu disse, não é um livro de altas surpresas e nem daqueles que vão entrar para os favoritos, mas foi uma leitura tão gostosa que li em um só dia. Além disso, não dá para negar que a capa do livro é linda, não é mesmo? Juntamente com a gramatura alta das páginas (são tão grossinhas que parece até papel cartão), fizeram do livro um espetáculo. Tenha baixas expectativas e se jogue. É uma ótima diversão. 

26/07/2014

Resenha: Todos os meus amigos são super heróis

Título: Todos os meus amigos são super heróis
Autor: Andrew Kaufman
Editora: Leya
Páginas: 176
Existem aproximadamente 249 super-heróis na cidade de Toronto. Tom não é um super-herói, mas conhece vários. Tom casou-se com uma super-heroína, A Perfeccionista, cujo poder é tornar tudo perfeito. No dia do casamento, Hipno, supervilão e ex-namorado de Perfeccionista, hipnotizou-a: Tom ficou invisível, mas somente aos olhos dela. Depois de dois meses sem notar o marido, a Perfeccionista está prestes a pegar um avião para recomeçar a vida em Vancouver. É a partir de uma bela história de amor que Todos os Meus Amigos São Super-Heróis constrói um universo onde amizade, romance, profissões e cotidianos muito parecidos com os nossos ganham uma fina pátina de superpoder - ou mostra que superpoderes são apenas uma questão de ponto de vista. Tom está desesperado para que sua amada Perfeccionista volte a enxergá-lo e amá-lo. Como resolver isto sendo o único ser humano sem poderes nessa história?


Sabem quando você lê a sinopse, espera algo e quando você lê o tal livro, acaba sendo totalmente diferente daquilo que você esperava? Pois então, é nessa categoria que Todos os meus amigos são super heróis se enquadra. Quando comecei a leitura da obra de Andrew Kaufman tinha grandes expectativas, porém nem todas foram atendidas. Isso poderia ter frustrado toda a minha leitura, porém outros aspectos dentro da obra foram destacados, o que fez com que o livro se tornasse muito instigante.

Tom é o único que não tem poderes dentro de seu grupo de amigos. Ele é casado com a Perfeccionista, cujo poder é deixar tudo perfeito, seja o que for. Porém, no dia do seu casamento, o ex-namorado dela, Hipno, a hipnotizou para que Tom se tornasse invisível para ela. É a partir desse momento que ele faz de tudo para fazer que ela o enxergue e volte a amá-lo novamente.

- Eu não quero nenhum desses.
- Que tipo você quer?
- Eu quero do tipo que eu tinha com o Tom.
- E que tipo era?
- Era amor de verdade - disse a Perfeccionista. p. 80/81
A grande verdade é que o enredo em si de Todos os meus amigos são super heróis não me ganhou. Se eu fosse analisar por um aspecto somente de como a história se desenvolve, provavelmente essa seria mais uma resenha negativa. A trajetória de Tom ao tentar reconquistar sua amada é fluida e você fica na torcida para que no final das contas tudo dê certo, porém Tom não é um personagem comovente – para falar a verdade, eu não senti o mínimo de empatia por ele, e a quantidade reduzida de páginas só acentuou isso.

Porém, a grandiosidade do livro se encontra na crítica social que Andrew Kaufman faz com que os leitores confrontem. Características humanas são exaltadas e se tornam os super poderes dos nossos personagens, o que faz com que o leitor se identifique e veja que nem sempre é bom ter um super poder desses dentro de determinadas circunstâncias. O autor inclusive acrescentou várias listas de poderes de vários heróis que não aparecem na trama principal e o que os caracterizava. Só que algumas destas listas aparecem no meio do enredo e isso prejudicou sua continuidade – preferia que ele tivesse deixado tudo para colocar no glossário que vem ao fim.

Uma coisa eu não posso negar: a diagramação do livro é incrível. Vejam algumas fotos:


Todos os meus amigos são super heróis poderia ter sido melhor em relação ao enredo, afinal, o autor tinha tanto com o que trabalhar e acabou se perdendo no meio da crítica que ele tinha a intenção de fazer, o que fez com que os personagens em si não tivessem tanta relevância no final das contas e isso me decepcionou bastante. Porém, essa crítica social foi tão bem trabalhada que a outra parte ficou ofuscada. É um livro bem objetivo, que cumpre o que propõe e que é bem rapidinho de ler. <3 

Resenha: Uma Bruxa na Cidade

Título: Uma Bruxa na Cidade (Winter #1)
Autora: Ruth Warburton
Editora: Leya
Páginas: 344
Quando o amor e a magia se misturam, quem poderá distinguir a fantasia da realidade? Anna Winterson não sabe que é uma bruxa, e provavelmente zombaria de quem insinuasse algo parecido. Quando ela se muda para a cidade de Winter, começa a descobrir do que é capaz quando usa seus poderes. A confusão começa quando ela conhece Seth, o garoto mais bonito e cobiçado da escola. Numa brincadeira aparentemente inofensiva, Anna o enfeitiça para que ele se apaixone. E, sem querer, acaba deflagrando uma guerra entre dois clãs de bruxos rivais. A bruxinha quer apenas viver seu amor, mas se sua mágica é capaz de controlar a paixão de Seth, ela poderia ser tão monstruosa quanto os seres que estão tentando usar seus poderes em benefício próprio?


Tá, tenho que confessar: foi a palavra bruxa na capa que me fez querer ler desesperadamente o livro. Como já disse algumas vezes por aqui, a mitologia que envolve as bruxas e o quanto me atrai o poder que os autores tem de brincar com o tema e de construir algo original. Mas, apesar disso, já fui com as expectativas baixas: já tinha lido algumas resenhas que indicavam que o livro não passava de uma boa diversão para quem gosta de um toque sobrenatural e foi exatamente por esse rumo que Uma Bruxa na Cidade seguiu.

Anna Winterson acabou de se mudar para o interior da Inglaterra com seu pai. Ela acaba indo parar em uma casa caindo aos pedaços e, logo na primeira semana, descobre que o lugar teria sido habitação de uma bruxa e, por isso, carregava algum tipo de maldição. Apesar de não gostar muito do lugar, Anna acaba conhecendo Seth para a sua vida, um dos garotos mais cobiçados naquela região e logo se apaixona. Mas, o que ela não sabia era que aquela cidade iria revelar várias coisas a respeito dela mesma e que isso iria colocá-la em várias situações perigosas.

A primeira coisa que me atingiu foi o cheiro – úmido e pungente. Era o cheiro de um lugar há muito fechado, de ratos, dejetos de pássaros e podridão.
- Bem-vinda à Casa Wicker – meu pai disse, e apertou o interruptor de luz. Nada aconteceu, e ele gemeu. p. 9
Uma Bruxa na Cidade é o famoso clichê: uma garota perdida, um romance e um pouco de magia. Existe receita mais certeira para agradar do que essa? Se vocês pararem para analisar, provavelmente vão ter pelo menos um livro com o mesmo enredo na estante de vocês. Por mais a mesma história que tenha sido contado de diversas maneiras durante os anos, ela continua conquistando leitores por todo o mundo. E nesse não foi diferente: apesar de ser bem direcionado para o público jovem, qualquer um que dê chance para ele vai se ver envolvido de alguma forma com o enredo, seja por causa da empatia com a protagonista, pelo romance ou pela parte da bruxaria.

Tenho que dizer que a única coisa que me convenceu e que me fez gostar do livro foi a parte da magia. A autora Ruth Warburton conseguiu explorar bastante essa característica e colocou diversos elementos que fizeram com que o livro se diferenciasse dos demais, como uma nova mitologia e hereditariedades de poder que trouxeram ação para o enredo e que permitiu que este tivesse um desenvolvimento fluido. Além disso, temos bruxas com poderes específicos, algo que eu ainda não tinha visto em livros do gênero e espero muito que isso seja mais explorado nos próximos volumes da trilogia.

Porém os protagonistas em si não me ganharam. Anna é impulsiva demais e por vezes fez coisas que me deixaram irritada, como o fato de pensar muito em si do que nas pessoas ao redor. Como a narrativa é em primeira pessoa, essas características ficaram mais acentuadas. O romance também não é lá essas coisas: por mais que Seth seja um personagem interessante, tudo me pareceu forçado demais (apesar das circunstâncias – quem leu sabe do que eu estou falando) e não teve aquele apelo. Porém os personagens secundários me ganharam e foram eles que fizeram com que eu continuasse a ler o livro.

Não me sentia bem desde que chegamos à Winter; eu estava sempre tensa, pronta para alguma coisa - não tinha certeza do quê. Parecia passar o tempo todo me contendo; cheia de dedos perto do meu pai, tentando não ofender ninguém na escola, tentando atuar sob as regras dessa nova comunidade estranha. Meu pescoço e ombros doíam com o esforço de guardar tudo isso - o que quer que isso fosse. p. 31
Mas, como eu disse acima, é um clichê e por isso não temos nada de sensacional ou original, afinal, tudo segue por uma sequência de fatos previsíveis, o que faz com que o clímax que existe não seja tão interessante, ainda mais se você assim como eu já leu vários livros dentro do gênero. Logo, aquele algo a mais que torne o livro especial não existe. Ou seja, se você não for lê-lo com a ideia de que ele é um livro despretensioso, provavelmente Uma Bruxa na Cidade irá decepcioná-lo.

O primeiro livro da trilogia Winter não teve grandes surpresas. Ele se desenvolveu muito bem dentro da premissa que tinha e quanto a isso não tenho do que reclamar. Apesar de Uma Bruxa na Cidade não ter protagonistas marcantes ou um romance de tirar o fôlego, a parte da mitologia é bem trabalhada e acrescenta muito para o enredo, além de ter me deixado curiosa para o que os próximos livros nos reservam. Um livro despretensioso, fluido e é uma opção caso você queira algo mais leve para fugir da ressaca literária. 

25/07/2014

Lançamentos #48: Galera Record

Título: Cidade do Fogo Celestial (Os Instrumentos Mortais #6)
Autora: Cassandra Clare
Páginas: 532
ERCHOMAI, Sebastian disse. Estou chegando. Escuridão retorna ao mundo dos Caçadores de Sombras. Enquanto seu povo se estilhaça, Clary, Jace, Simon e seus amigos devem se unir para lutar com o pior Nephilim que eles já encararam: o próprio irmão de Clary. Ninguém no mundo pode detê-lo — deve a jornada deles para outro mundo ser a resposta? Vidas serão perdidas, amor será sacrificado, e o mundo mudará no sexto e último capítulo da saga Os Instrumentos Mortais.


Título: Invisível
Autores: David Levithan e Andrea Cremer
Páginas: 322
Stephen passou a vida do lado de fora, olhando para dentro. Amaldiçoado desde o nascimento, ele é invisível. Não apenas para si mesmo, mas para todos. Não sabe como é seu próprio rosto. Ele vaga por Nova York, em um esforço contínuo para não desaparecer completamente. Mas um milagre acontece, e ele se chama Elizabeth. 

Recém-chegada à cidade, a garota procura exatamente o que Stephen mais odeia. A possibilidade de passar despercebida, depois de sofrer com a rejeição dos amigos à orientação sexual do irmão. Perdida em pensamentos, Elizabeth não entende por que seu vizinho de apartamento não mexe um dedo quando ela derruba uma sacola de compras no chão. E Stephen não acredita no que está acontecendo... Ela o vê! 

Resenha: A Menina Que Não Sabia Ler (volume 2)

Título: A Menina Que Não Sabia Ler
Autor: John Harding
Páginas: 288
Editora: Leya
Um acidente de trem. Uma identidade trocada. Os detalhes poderão mudar o rumo dessa história... Depois de viver presa num mundo obscuro, assustador e sem palavras em 'A menina que não sabia ler', a pequena Florence viverá uma nova e misteriosa aventura onde nada é realmente o que aparenta ser e todos podem se tornar inimigos em potencial. Mas onde ela encontrará uma saída? Um aliado? O misterioso médico John Shepherd busca um recomeço para sua vida em um lugar nada promissor - uma ilha que funciona como uma clínica psiquiátrica exclusivamente para mulheres. Nesse antro de segredos e sofrimento, Shepherd tentará esquecer seus pecados devolvendo a humanidade às pacientes. A primeira em quem vai experimentar sua doutrina de cuidados, o 'tratamento moral', é uma atraente jovem pálida de cabelos escuros que não se lembra do próprio nome, fala de modo estranho e não consegue saber quando e como chegou àquele lugar. Por que afinal ela desperta tanto a curiosidade do médico? Entre pacientes mais inteligentes que as próprias enfermeiras responsáveis por elas, segredos por todos os lados e figuras assombrosas (e assombradas) percorrendo misteriosamente os corredores da clínica durante a noite, as vidas de Florence e John Shepherd estarão mais ligadas do que podemos imaginar... Arrisque-se e tente achar uma saída no labirinto claustrofóbico criado em 'A menina que não sabia ler volume 2'.

Esta resenha NÃO contém spoilers do primeiro volume!


Li A menina que não sabia ler (resenha) em 2012. Lembro que foi uma leitura muito diferente do que eu estava acostumada e fui pega de surpresa, uma vez que a capa e a sinopse escondiam totalmente a temática gótica que ele tem (provavelmente isso aconteceu com MUITOS leitores). Mas exatamente por esse fator surpresa, foi um dos melhores livros lidos naquele ano. Agora, dois anos depois, eis que a editora Leya anuncia um segundo volume – que, para falar a verdade, eu nem sabia que existia. É lógico que quis ler na primeira oportunidade, porém, só consigo caracterizá-lo com uma palavra: decepção.

Nesse segundo volume, conhecemos Dr. Sherpherd e sua busca em se livrar de um passado ruim e concentrar seus esforços em uma nova vida. Ele tenta buscar isso em uma clínica psiquiátrica localizada em uma ilha, onde ninguém poderá encontrá-lo e confrontá-lo a respeito das coisas que ele já fez. É lá que ele começa a aplicar o seu Tratamento Moral, uma técnica menos agressiva para tratar pessoas com deficiências mentais. A partir desse tratamento inovador para a época, ele conhece uma paciente instigante, que o fará buscar várias alternativas. O que ele não sabia era que ela era muito mais esperta do que ele imaginava...

Ele voltou a andar, mas eu fiquei olhando para aquelas mulheres, imaginando o quanto aquele tipo de trabalho seria exaustivo tendo comido tão pouco, quando notei que uma delas havia parado de esfregar, sentando-se no chão e estava olhando para mim. Era a jovem que dividira seu pão na noite anterior. Nossos olhares se cruzaram novamente e voltei a sentir o mesmo desconforto, mas decidi que desta vez eu devia quebrar o encanto; seus lábios tremeram em uma sugestão de sorriso e eu não pude deixar de retribuir. Foi a primeira vez que me comuniquei com uma das lunáticas. p. 46

Para quem já leu o primeiro livro, uma grande expectativa nesse livro era: o que será que a Florence vai aprontar dessa vez? Afinal, depois de tantas coisas que ela fez no primeiro volume, era de se esperar que ela fizesse o mesmo ou algo ainda pior. Só que a primeira decepção é que nesse livro o foco não está nessa personagem e sim no Dr. Sherpherd. Imaginem o quanto eu fiquei receosa quando soube disso? A fórmula já tinha dado certo com a Florence (tanto que fez sucesso mundial) e não sabia se o autor conseguiria repetir a dose. Pois é, o que eu fiquei com medo aconteceu: ele não conseguiu chegar nem aos pés do que fez no primeiro.

Porém, não posso negar que o segundo volume tem a mesma fluidez do primeiro. Harding consegue prender o leitor dentro de sua trama, porém, enquanto no primeiro tivemos um grande clímax, no volume 2 parece que o autor segue um enredo contínuo, sem nenhuma surpresa, o que faz com que o leitor fique esperando por algo que nunca vem. Nem a atmosfera gótica ele conseguiu reproduzir e tenho que admitir que, como me impressiono fácil, essa era a primeira coisa pela qual estava esperando, já que o autor tem um jeito muito singular de fazer esse estilo de narrativa, sem forçar ou parecer um terror sem medidas. Essa foi minha maior decepção.

Talvez tenha sido o protagonista que não ajudou tanto. Quando vi que teríamos outro foco nesse segundo volume, tentei acabar com todas as expectativas e visualizar o enredo por um ângulo novo, como de nova leitora da série. Mas Sherpherd não faz jus ao que a Florence fez no primeiro livro e, como a narrativa é em primeira pessoa, isso fez com que a qualidade da trama decaísse muito. Apesar de ele ter feito coisas no passado e por vezes ter que controlar seu instinto e nem sempre ser bem sucedido, faltou um toque especial. Antes que vocês me perguntem, a Florence aparece sim, porém ela está tão apagada que nem parece ser a mesma personagem que encontramos anteriormente. Quando vimos uma luz daquela antiga Florence, já estava na última página.

Vi a garota que havia dado seu pedaço de pão. Aquela com quem eu trocara um olhar silencioso alguns dias antes. Nossos olhos se encontraram novamente e mais uma vez enxerguei uma qualidade indefinível em sua expressão: loucura, certamente, quanto a isso não havia dúvida, pois havia uma selvageria primitiva em sua maneira de olhar; mas havia também inteligência. Senti uma onda de entusiasmo correndo em minhas veias. p. 67
Porém, apesar dos apesares, tenho uma boa notícia: quem não leu o primeiro livro pode tranquilamente ler o segundo sem grandes prejuízos. É claro que você vai perder muito da riqueza da personalidade da Florence e eu indico fortemente que você dê prioridade ao primeiro (até porque a história é bem melhor, tanto em enredo quanto em trabalho do autor), mas, se por algum acaso do destino o segundo parar em suas mãos antes do primeiro, fique tranquilo que não ter lido o primeiro não será um grande obstáculo. Além disso, finalmente temos a explicação para o título! Sim, nesse segundo volume, o fato de não saber ler finalmente é utilizado e traz o sentido para o título (ufa!).

Para os fãs do primeiro livro, uma grande decepção. Eu tinha grandes expectativas, uma vez que Harding conseguiu me convencer no primeiro livro e, quando vi que esse segundo não iria chegar aos pés do anterior, a decepção tomou conta de mim e fez com que da metade para o fim a leitura se tornasse um pouco arrastada. Apesar de ter um mistério ou outro que fazem com que a narrativa flua e o enredo se desenvolva, A menina que não sabia ler (vol 2) não convenceu. E, pelo que vi do final, o autor deixou brecha para que um novo livro seja feito. Agora é torcer pra que, se isso realmente acontecer, o livro seja melhor do que esse. Fiquei triste com essa decepção, mas o que eu posso fazer? Uma pena. 

24/07/2014

Lançamentos #47: Bertrand Brasil

Título: Sangue
Autor: K. J. Wignall
Páginas: 224
1256. Will estava destinado a ser o Conde de Mércia, mas não viveu o bastante para herdar o título, já que foi acometido por uma estranha doença aos 16 anos de idade. Mesmo assim, apesar de sua morte – e de seu enterro –, ele não está nada morto. Ao longo das páginas, o leitor vai compreender um pouco sobre esta condição de Will. Descobrir que ele está existindo entre a vida e a morte. Ocasionalmente hiberna, sempre esperando que a morte lhe chame e, toda vez que desperta, enterrado no solo, tem uma breve lembrança do primeiro pânico que sentiu em 1349. Sangue apresenta como um de seus principais diferenciais o fato de ser mais macabro e sombrio do que as obras atuais do gênero. Para Wignall, o romantismo é importante, mas nunca deve se sobrepor ao enredo. Assim, ele elaborou cenas angustiantes, como as que o protagonista enfrenta sempre que desperta das hibernações, além de ambientes sinistros e escuros e personagens bem-construídos, perversos e sem escrúpulos. 

 Título: a cor do leite
Autora: Nell Leyshon
Páginas: 208
em 1831, uma menina de 15 anos decide escrever a própria história. mary tem a língua afiada, cabelos da cor do leite, tão brancos quanto sua pele, e leva uma vida dura, trabalhando com suas três irmãs na fazenda da família. seu pai é um homem severo, que se importa apenas com o lucro das plantações. contudo, quando é enviada, contra a sua vontade, ao presbitério para cuidar da esposa do pastor, mary comprovará que a vida podia ainda ser pior. sem o direito de tomar as decisões sobre sua vida, mary tem urgência em narrar a verdade sobre sua história, mas o tempo é escasso e tudo que lhe importa é que o leitor saiba os motivos de suas atitudes. a cor do leite apresenta a narrativa desesperada de uma menina ingênua e desesperançosa, mas extremamente perspicaz e prática. escrito em primeira pessoa e todo em letras minúsculas, o texto possui estrutura típica de quem ainda não tem o pleno controle da linguagem. a jovem narradora intercala a história com suas opiniões, considerados por alguns críticos os trechos mais angustiantes da obra. 

20/07/2014

Conclusão - Projeto: 7 dias, 7 filmes

YAAAAAAAAAAAAAAAAAAY! Nem acredito que vou dizer isso, mas aqui vai: consegui ver todos os filmes que me propus a ver! <3 Primeira vez que uma maratona minha dá certo e estou MUITO orgulhosa de mim mesma.
O objetivo do projeto era ver um filme por dia (confira o post do projeto CLICANDO AQUI), porém não consegui fazer isso, já que tive uns imprevistos (extraí os sisos) que acabaram tomando mais tempo do que eu esperava. Mas, mesmo tendo assistido mais do que um filme por dia na reta final, DEU TUDO CERTO! Vi 7 filmes em 7 dias. <3

Mas vamos ao que eu achei rapidamente sobre os filmes que eu assisti:



19/07/2014

Maratona Literária 3.0


Olá pessoal, tudo bem?
Adivinhem quem voltou? A Maratona Literária! Como eu participei das duas edições anteriores (clique AQUI para conferir o post da primeira edição e AQUI para conferir o da segunda edição), é claro que eu não poderia deixar de participar de mais uma, não é mesmo? Vou falar a verdade: eu não consegui das conta dos livros que me propus nas duas primeiras edições, mas dessa vez a história vai mudar! \o/

Dessa vez a Maratona vai ocorrer de 21 a 27 de julho e, aproveitando as minhas férias e o objetivo de diminuir a pilha de livros para ler, coloquei 5 livros. Todos parecem ser leituras fáceis, então espero finalmente chegar aqui e dizer: EU CONSEGUI. Sério, pessoal, dessa vez vai. Pelo menos eu espero.

Quem quiser participar da Maratona, pode CLICAR AQUI para saber de todas as informações.

Mas vamos ao que interessa: os livros que eu escolhi para ler durante essa semana!


Pretendo começar com A Maldição dos Ancestrais. Vocês sabem como eu gosto da série Infinity Ring, então ele TEM QUE ser o primeiro. <3 O restante dessa saga durante a Maratona vocês podem acompanhar na página do blog no facebook, vou tentar atualizar sempre que terminar um livro.
Torçam por mim! <3

18/07/2014

Promoção: Os Instrumentos Mortais


Que tal ganhar a série Os Instrumentos Mortais completa? Com o término dessa série tão aclamada pelo público internacionalmente, 7 blogs se uniram para presentear uma única pessoa sortuda. Não perca tempo e participe dessa SUPER promoção!

Confiram os prêmios:


  1. Cidade dos Ossos - Jantando Livros
  2. Cidade das Cinzas - Este Já Li
  3. Cidade de Vidro - Viaje na Leitura
  4. Cidade dos Anjos Caídos - Brincando Com Livros
  5. Cidade das Almas Perdidas - O Livreiro
  6. Cidade do Fogo Celestial - Livros & Citações
  7. Códex dos Caçadores das Sombras - Estante Vertical

Resenha: O amor não é para mim

Título: O amor não é para mim (A Aventura Sentimental de Monica #2)
Autora: Federica Bosco
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 280
Monica está de partida para a Escócia, onde seu príncipe encantado, Edgar, a espera. Todos os seus sonhos estão prestes a se realizar: vai viver com o homem que ama, seu livro será publicado e a perspectiva de uma nova carreira a deixa bastante empolgada. Mas, de repente, tudo ameaça ruir.

Além disso, a convivência evidencia os “pequenos defeitos” de Edgar, o relacionamento com a sogra é turbulento e, de vez em quando, David, uma antiga paixão, manda mensagens sedutoras… Conseguirá Monica finalmente encontrar o equilíbrio e reconquistar a felicidade?
Em O amor não é para mim, Federica Bosco acrescenta um novo e divertido capítulo à história de Monica, a mesma protagonista de Sou louca por você, e explora toda a sua irreverente e saborosa ironia, elaborando um romance leve e comovente sobre os sentimentos e desejos das jovens mulheres – pelo menos daquelas que não param de sonhar com o grande amor.


Quando eu peguei O amor não é para mim, eu não tinha ideia de que se tratava do segundo livro série A aventura sentimental de Monica. Imaginem a minha cara quando eu abri o livro e descobri esse fato. Fiquei um pouco decepcionada comigo mesma por não saber disso, mas, mesmo assim, resolvi me arriscar e lê-lo da mesma forma. E não é que deu certo? Felizmente, Federica Bosco criou um enredo de fácil entendimento e que, apesar de algumas ressalvas, me ganhou de todas as formas possíveis.

Após passar por um relacionamento conturbado com David, Monica acha que está na hora de finalmente tomar um rumo na vida. É por isso que ela larga tudo para viver um novo amor com Edgar, um cara muito mais velho, na Escócia. Só que nem tudo são as mil maravilhas que ela pensa: Edgar ainda sofre com o falecimento de sua antiga e amada esposa e não lhe dá a atenção devida. Mônica terá que encarar essa situação e descobrir por si própria que nem sempre fazemos escolhas corretas.

Que Deus me ajude... e não mande problemas! p. 22
O amor não é para mim pode ser facilmente confundido como um chick-lit bem bobinho, com aquele romance bem água com açúcar, que termina com o famoso felizes para sempre. Pois é, eu fui enganada por essa capa (linda por sinal). A grande verdade é que Federica Bosco criou uma trama em que o foco é como nossas decisões podem afetar o nosso destino, como temos que arcar com as consequências disso e o faz de uma maneira leve, sutil. É esse arranjo bem trabalhado que torna a leitura extremamente fluida e com um ritmo acelerado, daqueles que não dá nem tempo de respirar, típico da literatura italiana.

É claro que, em algumas vezes, isso me frustrou, porque essa forma de narrativa fez com que a protagonista perdesse um pouco da personalidade dentro da trama. A Monica é uma personagem carismática e eu me identifiquei totalmente com ela, sua indecisão, suas tentativas de fazer algo dar certo. Porém, com a narrativa acelerada e em primeira pessoa, temos uma Mônica que parece muito instável, em algumas horas está tudo perdido e em outras é está tudo maravilhoso, mas é claro que isso também é reflexo de tudo em que está envolvida. Mas, mesmo assim, o desenvolvimento da personagem é visível e isso já faz com que todas as partes ruins sejam meios para um fim. Já Edgar é um caso diferente: como um homem pode ser tão chato? O detestei desde o início do livro.

Olho em volta com uma sensação desagradável. Essa também não é a minha casa. Não a construímos juntos, aqui ainda não há as nossas lembranças, o armário não é meu, mesmo que minhas coisas estejam dentro dele, e tenho uma espécie de medo de encontrar algo que não me agrade, que lance uma sombra sobre Edgar, que me faça descobrir algo que me desiludirá para sempre, como um boa de plumas cor-de-rosa... p. 94
A parte que me chamou mais atenção com certeza foi o humor que a autora colocou dentro do enredo. Sério, a Mônica se mete em cada situação que só nos resta rir de tudo que está acontecendo. Para vocês terem noção, temos até uma aparição da Paris Hilton! Nem queiram saber como isso foi parar lá... A questão é que é esse humor que ameniza a situação em que Monica se encontra (que eu diria ser totalmente desgastante para uma mulher) e faz com que o leitor viaje pelas páginas e a leitura seja super rápida (ajudado é claro, pela fonte grande e confortável <3).

Vamos logo ao grande fato: as folhas da edição são brancas. Vocês sabem que eu não sou muito fã, mas com certeza a editora Bertrand as utilizou para manter o padrão da série e nisso eu não tenho nada a reclamar. Como eu comecei a ler a série a partir do segundo livro, muitos de vocês devem estar se perguntando se essa aventura deu certo. Sim, deu totalmente certo porque Federica nos trouxe uma fase da vida da Mônica, início, meio e fim. Mas, se você tiver a oportunidade, a melhor coisa é sempre começar do primeiro, não é mesmo? Eu vou correr atrás do prejuízo: quero ler o primeiro e estou doida para saber como a história da Mônica acaba. Excelente dica para ler naquela tarde em que você está sem o que fazer, afinal, é uma leitura deliciosa! 

16/07/2014

Promoção: Um Caso Perdido

Ah, como eu adorei Um Caso Perdido. Finalmente um new adult que eu li e entrou para a lista dos favoritos. Excelente, incrível, fantástico.
Por causa disso, em parceria com Galera Record, vamos disponibilizar o sorteio de um exemplar para que um de vocês seja presenteado com esse livro incrível. <3
Então já sabem: participem bastante, cruzem os dedos e boa sorte!

Resenha: Um Caso Perdido

Título: Um Caso Perdido (Hopeless #1)
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera
Páginas: 384
Às vezes, descobrir a verdade pode te deixar com menos esperança do que acreditar em mentiras... Em seu último ano de escola, Sky conhece Dean Holder, um rapaz com uma reputação capaz de rivalizar com a dela. Em um único encontro, ele conseguiu amedrontá-la e cativá-la. E algo nele faz com que memórias de seu passado conturbado comecem a voltar, mesmo depois de todo o trabalho que teve para enterrá-las. Mas o misterioso Holder também tem sua parcela de segredos e quando eles são revelados, a vida de Sky muda drasticamente.


Se existe um gênero com o qual eu tenho uma relação de amor e ódio, este é New Adult. Tive excelentes experiências com ele, vide Belo Desastre e No Limite da Atração, mas, ao mesmo tempo, tive grandes decepções. Dentre essas decepções, está Métrica, que é da mesma autora de Um Caso Perdido. Então dá para imaginar o quanto eu estava receosa para esse livro, certo? Afinal, eu tinha muitas expectativas para seu primeiro livro lançado aqui no Brasil e ele não chegou nem perto de cumprir suas premissas. Mas, felizmente, Um Caso Perdido foi totalmente diferente. Que livro fantástico!

Sky é uma garota de 17 anos, adotada por Karen, uma vegetariana que prega que qualquer tipo de tecnologia pode ser prejudicial. Além disso, ela sempre estudou em casa, o que sempre se manteve afastada do mundo. Certo dia, ela conhece Holder, um garoto diferente, que a deixou intrigada desde o início. O que poderia ser apenas mais um caso de uma garota que conhece um garoto se revela ser uma história muito maior, intrincada de segredos. Cabe aos dois descobrirem tudo o que está por trás daquele envolvimento.

Ele simplesmente me faz sentir. É o único garoto que já se importou se eu estava ou não sentindo alguma coisa, e, só por isso, deixo ele roubar mais um pedacinho do meu coração. Mas não parece o bastante, pois de repente quero dar meu coração inteiro para ele. p. 223
A grande verdade é que ultimamente todos os new adults que eu tenho lido parecem a mesma coisa: a garota que encontra um garoto, rola uma atração, tem algum tipo de problema (na maioria das vezes fútil e superficial) e tudo acaba bem no fim. Isso me deixou um pouco desconfiada de todos os livros do gênero, afinal, qual é a graça de ler um livro que você já sabe exatamente como vai se desenrolar? Então, fiz o que já era esperado: diminuí todas as minhas expectativas antes de ler Um Caso Perdido e, por isso, tive uma grata surpresa. Colleen Hoover ganhou a sua tão esperada redenção comigo.

Até certo ponto (nas primeiras 100, 150 páginas para ser mais específica) parecia tudo muito igual ao que eu já tinha lido, uma vez que a autora segue aquele clichê que exemplifiquei acima e por isso pensei que iria me decepcionar mais uma vez. Mas então a história dá uma reviravolta e segue por um caminho bem diferente, mais dramático e sensível. Depois disso, você se vê lendo e lendo e lendo sem parar, porque, querendo ou não, a curiosidade é imensa para saber tudo o que realmente aconteceu para que os dois chegassem a tal ponto no presente e a narrativa é incrivelmente fluida, o que faz com que o enredo não fique nem um pouco cansativo.

Isso tudo fica ainda melhor quando nos deparamos com a humanidade que Hoover coloca no enredo. Tudo que acontece com Sky e Holder é palpável, ou seja, em nenhum momento as situações que eles enfrentam parecem forçadas ou fictícias demais, tudo ocorre com a naturalidade e a intensidade que elas pedem, ainda mais porque nos deparamos com algumas situações pesadas que requerem a sensibilidade do autor. Isso conquista o leitor, uma vez que cria um vínculo de empatia e viajamos nessa história juntamente com os personagens, sofrendo junto e torcendo para que tudo dê certo no final.

A vida não pode ser dividida em capítulos... só em minutos. Os acontecimentos da vida de uma pessoa estão todos aglomerados um minuto após o outro, sem nenhum intervalo de tempo, páginas em branco ou pausas de capítulo, porque não importa o que aconteça, a vida simplesmente continua, segue em frente, as palavras são ditas, e as verdades surgem, quer você queira ou não, e a vida nunca deixa você fazer uma pausa apenas para recuperar a porra do fôlego. p. 247
E o que dizer sobre Sky e Holder? Eles são perfeitos dentro de suas imperfeições. Cada um tem suas qualidades e defeitos e isso acentua a característica da humanidade que eu citei anteriormente. Tenho que dizer que eu finalmente encontrei em Sky uma personagem feminina que me atraiu por sua força e por não entrar nessa onda de mimimi por pouca coisa, então eu gostei bastante dela e tive uma intimidade maior por ser uma narrativa em primeira pessoa. E ah, o Holder. O que dizer sobre ele? Eu sempre acabo suspirando por esses protagonistas de new adult e com ele não foi diferente.

Um Caso Perdido é um daqueles livros que vai muito além do clichê que ficou entranhado dentro dos new adult. É com livros como esse que acredito que sempre há uma forma de ser original, mesmo que para isso você tenha que ler vários outros com a mesma trama. Estou simplesmente apaixonada e parece que não encontro as palavras certas para definir tudo o que eu senti com esse livro. Losing Hope, segundo livro da série, conta a história pelo ponto de vista do Holder, então vocês já imaginam o quanto eu estou ansiosa para ler, certo? Mas... Não posso dizer nada além de: leiam. Esse vale a pena. 

Observação: a editora disponibilizou um conteúdo especial na página do facebook. Lá dá para baixar o primeiro capítulo, os cards com os quotes e ainda o marcador. Vai lá conferir! Clique aqui.

13/07/2014

Top Comentarista de Julho


Oi pessoal <3
Decidi fazer um Top Comentarista esse mês aqui no blog para presentear vocês que sempre estão aqui comentando e apoiando o Estante Vertical! Vocês são incríveis!
Vamos para as regras para a participação:

1) Residir ou ter endereço de entrega em território nacional;
2) Comentar NESTE post com o nome que aparece quando você comenta e com um e-mail válido para contato;
3) O ganhador poderá escolher UM LIVRO entre as três opções de livros: Se eu ficar, Princesa Adormecida ou Cartas de Amor Aos Mortos;
4) Se houver EMPATE, um sorteio será feito entre os que tiveram o mesmo número de comentários;
5) Serão consideradas válidas as postagens entre os dias 01/07 a 31/07;
6) As únicas postagens que não são válidas são as de PROMOÇÃO (como esta) ou aquelas em que houver o AVISO de que não o são;
7) O resultado sairá na primeira semana de agosto e o prêmio será enviado em até 45 dias úteis (não nos responsabilizamos por extravio ou retorno da encomenda).

Então é isso, galera! Qualquer dúvida vocês podem entrar em contato ali pela aba no menu ou através do e-mail: estantevertical@gmail.com :)

Boa sorte para todos!

12/07/2014

Projeto: 7 dias, 7 filmes

Oi pessoal, tudo bem?
Vamos falar a verdade: estou de férias há um tempinho já e lá no começo do ano eu me prometi que iria assistir alguns filmes. Para ser sincera, faz MUITO tempo desde a última vez que eu sentei, tranquila e calma, para assistir um filme que eu ainda não tivesse assistido. Pois é. Deprimente. Tenho usado todo o tempo para ver séries (não que seja ruim), mas, filmes? Nada. Zero.
É por isso que me propus a fazer um desafio nos próximos sete dias: assistir sete filmes, um por dia. Não deve ser tão difícil, certo?

Então vamos conferir os filmes que eu escolhi para essa pequena maratona:





Todos esses filmes estão na minha lista do "para ver" há muito tempo. Já recebi indicações de vários desses e sempre vou deixando para depois, depois, depois... E não assisto. Mas agora isso vai mudar! A cada filme que eu for assistindo, colocarei minhas impressões na página do blog no Facebook e, no final de tudo, no domingo que vem (20/07), fecharei com um post aqui falando tudinho.

Alguém embarca nesse desafio comigo? Vamos lá galera!
Ah, me desejem sorte, ok? <3

10/07/2014

Resenha: A 5ª Onda

Título: A 5ª Onda
Autor: Rick Yancey
Editora: Fundamento
Páginas: 368
Depois da primeira onda, só restou a escuridão. Depois da segunda onda, somente os que tiveram sorte sobreviveram. Depois da terceira onda, somente os que não tiveram sorte sobreviveram. Depois da quarta onda, só há uma regra: não confie em ninguém. Agora inicia-se A QUINTA ONDA. No alvorecer da quinta onda, em um trecho isolado da rodovia, Cassie foge deles. Os seres que parecem humanos, que andam pelo campo matando qualquer um. Que dispersaram os últimos sobreviventes da Terra. Cassie acredita que, estar sozinho é estar vivo, até que conhece Evan Walker. Sedutor e misterioso, Evan Walker pode ser a única esperança de Cassie para resgatar seu irmão — ou até a si mesma. Mas Cassie deve escolher entre a esperança e o desespero, entre a rebeldia e a entrega, entre a vida e a morte. Entre desistir ou contra atacar. 


Ah, ficção científica. Há quanto tempo eu estou esperando para ler uma que cumprisse com todas as minhas expectativas. Quando A 5ª Onda foi lançado, em 2013, veio aquela enchente de críticas positivas e é claro, a cada uma que eu lia, minha expectativa só aumentava. Mas, como vocês bem sabem, quase sempre as altas expectativas nos levam para as maiores decepções. Bom... Ainda bem que dessa vez não seguiu pelo caminho previsto! Eu ainda estou em êxtase, tudo o que eu estava esperando se cumpriu e o enredo ainda conseguiu me surpreender. Por isso, nesta resenha, nem vou me ater a sinopse, pois não quero que o brilho do livro se perca quando vocês o lerem. Só tenho duas palavras no momento: que livro!

Esqueça os discos voadores, e homenzinhos verdes, e aranhas mecânicas gigantes cuspindo raios de fogo. Esqueça as batalhas épicas com tanques e jatos de guerra e a vitória final para nós, humanos intrépidos, brigões e indomados sobre o enxame de olhos esbugalhados. Isso está tão distante da verdade quanto o seu planeta agonizante se encontrava do nosso vicejante. A verdade é: quando nos encontrarem, a gente já era. p. 9/10
Juro para vocês que eu estava esperando me decepcionar, afinal, fazia muito tempo que eu não encontrava um livro dentro desse gênero que pudesse dizer que recomendava e que outra pessoa com certeza deveria ler. Para falar a verdade, as primeiras páginas de A 5ª Onda não foram fáceis e quase me levaram a desacreditar nele. Como ele é o primeiro livro de uma trilogia alguns fatores pesaram para isso: é um livro introdutório e, portanto, a ambientação do leitor com a história e com o cenário é o foco mais importante do enredo – inclusive esta ambientação é feita de forma magnífica, bem detalhista. Então, aquela ação que eu estava esperando logo de cara não veio.

Essa característica foi responsável para que o começo da minha leitura fosse bem lento. Parecia que apesar de tantas promessas, o enredo não tomava nenhum rumo. Isso perdurou pelas primeiras cinquenta páginas, até que finalmente me vi envolvida pela história criada por Rick Yancey. O grande trunfo utilizado pelo autor é que leva o leitor a extremos e nos faz imaginar o que faríamos se estivéssemos em tal situação, de paranoia e pressão infinitos. Além disso, o enredo está cheio de reviravoltas: quando você finalmente acredita que algo vai acontecer para parar o pior que está por vir, o autor vira tudo de cabeça para baixo e somos surpreendidos. Isso se repete até o final do livro e é exatamente isso que impulsiona o leitor a ficar curioso para o que está por vir.

Em A 5ª Onda, temos narrativas por diversos pontos de vista. A primeira é a Cassie, uma adolescente que se vê sozinha no mundo devastado e que faz tudo para cumprir a promessa de resgatar o seu irmão. A verdade é que, apesar de ser uma protagonista forte (algo que eu venho sentido falta em livros desse gênero), ela é extremamente chata. Algumas de suas atitudes não condizem com o momento e isso faz com que algumas coisas soem forçadas. Quem mais me encantou foi o Ben, que infelizmente, não posso falar tanto sobre ele ou poderia escorregar em algum spoiler. Só tenho a dizer que a coragem dele me surpreendeu e aposto que ele vai ser um dos personagens que vão fazer a diferença no próximo volume.

A primeira regra para sobreviver à 4ª Onda é não confiar em ninguém, não importa qual a sua aparência. Os Outros são muito espertos nessa questão - certo, eles são espertos em tudo. Não importa se eles têm o aspecto correto, digam as coisas certas e façam exatamente o que você espera que façam. (...) Isso é assustadoramente diabólico. Esse dilema nos dilacera. Ele facilita em muito a tarefa de nos caçar e erradicar. A 4ª Onda nos obriga à solidão. Somos minoria, enlouquecemos lentamente devido ao isolamento, ao medo e à terrível expectativa pelo inevitável. p. 14/15
Um enredo muito bem amarrado, várias reviravoltas e muito suspense. É a isso que se resume esta obra prima de Rick Yancey. Estou atordoada e tentando me recordar dos motivos de não ter passado esse livro a frente da lista de leitura assim que o próprio chegou aqui. Sinceramente, se The Infinite Sea (segundo volume da trilogia) cumprir todas as premissas que A 5ª Onda deixou, com certeza vai ser um livro arrasador. Vale o conselho: não pense, não tenha medo por ser uma trilogia, só leia. Leia o quanto antes. Confiem em mim e embarquem nesse novo mundo. 

07/07/2014

Promoção: Bloodlines


E a Semana Companhia das Letras chegou ao fim! Muito obrigada a todos que acompanharam e comentaram nas resenhas e nos especiais! Vocês são incríveis, pessoal. :)
Chegou aquele momento que todo mundo esperava: promoção! \o/ Para fechar essa semana com chave de ouro, vamos sortear os três primeiros livros da série Bloodlines já lançados aqui no Brasil pela Editora Seguinte: Laços de Sangue, O Lírio Dourado e O Feitiço Azul. Todos os três para uma única pessoa sortuda.
Então já sabem: participem bastante, cruzem os dedos e boa sorte!

Resenha: O Ladrão do Tempo

Título: O Ladrão do Tempo
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 568
O ano é 1758 e Matthieu Zela resolve abandonar Paris e fugir de barco para a Inglaterra, depois de ter testemunhado o assassinato brutal da mãe pelo padrasto. Apenas um garoto de quinze anos na época, ele leva consigo o meio-irmão caçula, Tomas, criança que se vê impelido a proteger. 

Começando com uma morte e sempre em busca de redenção, a vida de Zela é marcada por uma característica incomum: antes que o século XVIII acabe, ele irá descobrir que seu corpo parou de envelhecer. Sua aparência é de um homem de cinquenta anos, mas o tempo passa e seu físico continua imutável. Ele simplesmente não morre e não faz ideia de qual seja a razão para que isso ocorra. Ao final do século XX, ele resolve olhar para o passado e rememorar sua experiência de vida, incomparável à de qualquer outro ser humano. Da Revolução Francesa à Hollywood nos anos 1920, da época das Grandes Exposições à quebra da Bolsa de Nova York, Zela transitou por inúmeros lugares, exerceu diversas profissões e conheceu pessoas notáveis, além de ter se apaixonado por muitas mulheres. Com uma trama absolutamente instigante de amor, morte, traição, oportunidades perdidas e esperança, John Boyne já anunciava neste primeiro romance o seu talento inconfundível de exímio contador de histórias.


Mais um livro do John Boyne. Pois é. Vocês sabem o tamanho do meu amor por esse autor e o quanto a minha resistência em ler novos livros dele tende a zero. O Ladrão do Tempo chegou aqui há algum tempo e, apesar de eu querer passá-lo a frente de todas as minhas leituras, não tive tempo suficiente para isso por causa da faculdade. As férias chegaram e finalmente ele teve sua chance. Sendo o primeiro livro publicado pelo Boyne, muitas pessoas podem achar que é amador ou coisa do tipo, mas é totalmente ao contrário: em sua primeira obra, o autor já mostra que é um exímio contador de histórias.
                                                                                                       
Em O Ladrão do Tempo, conhecemos Matthieu Zéla. Ele tem 256 anos. Ele chegou a um ponto da vida que simplesmente parou de envelhecer. Apesar de não saber os motivos e se questionar algumas vezes, ele viveu todos esses anos de acordo com o que lhe era oferecido pelo destino. Durante sua vida, sempre conviveu com algum sobrinho, uma eterna recordação de seu irmão. Só que, apesar de seus esforços, todos acabam morrendo precocemente. Entre amores, fatos históricos e alguns questionamentos, caberá a Zéla tentar acabar com essa tradição.

Eu não morro. Apenas fico mais e mais e mais velho. (...) Acredito há muito tempo que a aparência é a mais enganosa das características humanas e fico feliz por ser a prova viva da minha teoria. p. 7/8
Mais uma vez, John Boyne me surpreende. É incrível como esse autor consegue fazer mágica com as palavras. Ele nos leva por uma jornada de 256 anos, passando por diversos fatos históricos, como a Revolução Francesa e as Olimpíadas, e, mesmo assim, consegue envolver o leitor ao longo de quase 600 páginas sem tornar sua leitura maçante. Isso se deve principalmente a sua narrativa, que, ao separar o enredo em três fases (a adolescência, a vida adulta e a fase atual do protagonista), faz um jogo temporal: somos levados do passado ao presente intercaladamente e essa característica faz com que o livro ganhe no sentido da dinâmica.

Nesse livro, a dinâmica é algo que tem que ser ressaltado. Como passamos por vários anos, são vários os personagens criados e, por consequência, temos muita informação, até porque o autor faz uma ambientação maravilhosa para aqueles que não conhecem tal fato histórico no qual Matthieu está inserido e isso requer detalhamento. Isso faz que com que o livro perca muito na dinâmica e o torna um pouco lento, ainda mais porque os capítulos são grandes (média de 20 páginas cada um).  Então, para leitores que se distraem fácil, talvez não seja uma leitura fácil. Mas, como eu disse, o trunfo está na narrativa do autor, que envolve o leitor até o fim com o mistério que envolve o não envelhecimento do protagonista.

Envelhecer pode ser cruel, mas se você ainda tiver uma boa aparência e certa segurança financeira, há sempre muito para fazer. p. 318
Matthieu é um fruto de um grande trabalho do autor e com certeza merece ser destacado. Boyne mais uma vez criou um personagem marcante, daqueles que te ganham logo na primeira página. Como temos a narrativa em primeira pessoa pelo seu ponto de vista, conhecemos as inúmeras faces que o nosso protagonista pode ter: desde o que está loucamente apaixonado na adolescência até o maduro sócio de uma emissora de TV. Ao longo dos seus 256 anos, houveram erros, acertos, paixões e sonhos. A humanidade que o autor passa para seu protagonista é visível e sua evolução ao longo do enredo só evidencia isso mais ainda.

O Ladrão do Tempo é um livro magnífico. Apesar da sua aparente simplicidade, ele possui um enredo muito bem trabalhado, com a narrativa mágica característica do John Boyne e aquele mistério que te prende até o fim. Apesar de ter muita informação, é uma ótima indicação para quem ainda não leu nenhum livro adulto do autor, pois as melhores características dele estão explícitas, desde aos fatos históricos até a construção magnífica dos personagens. Para quem já conhece e gostam do autor, já saibam: é um prato cheio. Altamente recomendado. 

Hangout: Literatura Jovem

Hey pessoal! Como vão vocês? Espero que estejam curtindo todos os posts da Semana Companhia das Letras! :)
Ontem tivemos um hangout sobre Literatura Jovem e, infelizmente, eu não pude participar pelo fato de: minha internet caiu justo na hora em que marcamos de fazer. :( Mas, mesmo assim, decidi postar aqui no blog para quem quiser assistir. 
Gostaria de agradecer ao Gabriel, ao Italo e a Kim que participaram e ao Gustavo que aguentou essa sozinho. Obrigada, meus amores!

Confiram abaixo o que rolou:

05/07/2014

Especial John Boyne


Quando falamos em John Boyne, estamos falando de um dos autores mais aclamados internacionalmente. O irlandês de 43 anos é formado em Literatura Criativa e seu livro mais conhecido, O Menino do Pijama Listrado, vendeu mais de 5 milhões de cópias e foi adaptado para o cinema em 2008 (e provavelmente inundou milhares de cinemas com as lágrimas de seus expectadores). Seus livros já foram publicados em - pasmem - 47 línguas!

Como a maioria de seus livros tem uma grande raiz em fatos históricos (como a Segunda Guerra Mundial em O menino do pijama listrado e a Revolução Russa em O palácio de inverno), John Boyne leva cerca de dois anos para escrever um livro. Apesar de deixar seus leitores ávidos por mais livros, a espera vale totalmente a pena: a pesquisa do autor sobre os temas deixa suas obras precisas e deixa evidente sua maestria em colocá-los dentro da sua ficção.

Resenha: Tormento

Título: Tormento
Autor: John Boyne
Editora: Seguinte
Páginas: 88
Danny Delaney curtia tranquilamente as férias, até que sua mãe volta pra casa tarde da noite, escoltada por dois policiais. Ele logo percebe que algo terrível aconteceu. A sra. Delaney havia atropelado um garotinho, que agora está em coma e ninguém sabe se vai acordar. Consumida pela culpa, ela se isola de todos ao seu redor. Caberá a Danny e seu pai impedir que a família se despedace.







Não importa qual seja o enredo, sempre que um livro vier com a autoria do John Boyne, esse vai direto para a minha lista de desejados. Acho que se esse homem publicar um livro de piadas, eu vou ser a primeira da fila de espera na pré-venda. São poucos os autores que conseguem essa façanha, mas, quando o fazem, eu dou toda a minha fidelidade de leitora. Tormento prometia mostrar mais um dos lados do autor e foi direto ao ponto ao fazer isso.

Tormento é um livro bem curto, de 88 páginas. Na verdade, me parece que ele pode ser até considerado um conto pela maneira como as coisas se desenrolam – o que faz com que a leitura seja rápida e agradável, principalmente pelo grande espetáculo que é a narrativa de John Boyne. Ele tem algum tipo de poder mágico (não me perguntem como) de te envolver de uma forma que você precisa saber o que acontece em seguida e as páginas praticamente se viram sozinhas.

Isso acontece porque o autor traz uma premissa e a cumpre até o fim. Nesse livro, temos a história de um curto período na vida de Danny, um garoto de doze anos que tem que encarar coisas que vão além de sua compreensão e se encontra perdido no meio de tudo isso. É aí que mora o drama e a intensidade do livro: a construção da visão inocente de Danny faz com que o leitor sinta sua angústia ao tentar encontrar um sentido naquilo e mergulhe com o personagem à procura de respostas.

Comecei a fechar os olhos e tudo ficou escuro, mas assim que fechei os olhos, senti uma felicidade esquisita. p. 71
Só que, para isso, não há enfeites no enredo: tudo acontece de uma maneira rotineira, uma coisa levando a outra e isso constrói um ritmo muito interessante no enredo, pois queremos saber como tudo aquilo vai terminar e isso dá fluidez para a leitura. Essa é a grande diferença de Boyne para outros autores: ao ir direto ao ponto em algumas situações, ele poderia perder o sentimento de algumas cenas, mas isso não acontece. Inclusive ele consegue aumentar a carga emocional do livro e isso faz dele um digno contador de histórias.

A única crítica que eu tenho quanto a Tormento é que eu queria que tivessem mais páginas. Queria ter visto um melhor desenvolvimento dos personagens e tudo que aconteceu depois do final. Porém o livro cumpre tudo o que promete: é uma leitura gostosa com história que te prende até o fim, que te emociona e que passa uma mensagem forte mesmo com um enredo tão despretensioso. Tudo bem que eu fico um pouco tendenciosa quando se trata do Boyne, mas, mesmo que não fosse dele, eu iria dizer a mesma coisa: vale a pena.