30/12/2014

Resenha: O Que Restou De Mim, de Kat Zhang

Título: O Que Restou De Mim (As Crônicas Híbridas #1)
Autora: Kat Zhang
Editora: Galera Record
Páginas: 320
Addie e Eva são híbridas duas almas no mesmo corpo. Em sua realidade, todos nascem assim mas, ainda na infância, uma das almas torna-se dominante. Mas isso nunca acontecia com as duas. Considerados instáveis e perigosos, os híbridos foram perseguidos e eliminados das Américas. E quando o segredo delas é ameaçado, Eva e Addie descobrirão da pior forma que há muito mais sobre os híbridos do que os noticiários de TV e os livros de história contam.




Como eu adoro distopias! Esse é um dos únicos gêneros que continuam me surpreendo, por mais que eu já tenha lido vários livros e visto as mais diversas abordagens. O Que Restou de Mim foi uma das grandes surpresas de 2014, pois, apesar de ter visto poucas pessoas falando bem do livro, ele não ainda não ganhou grande destaque entre os lançamentos do ano. Foi por isso que minhas expectativas estavam bem baixas em relação a ele, o que pode ter contribuído para a excelente leitura que eu tive. Mas, ainda assim, considero que o livro conseguiu superar tudo o que prometia e fez com que As Crônicas Híbridas se tornasse uma das trilogias distópicas mais promissoras do mercado atual.

Addie e eu nascemos dentro do mesmo corpo, os dedos fatasmagóricos de nossas almas entrelaçados antes de inspirarmos pela primeira vez. Os primeiros anos que passamos juntas foram também os mais felizes. Depois vieram as preocupações, as rugas de tensão em torno da boca de nossos pais, os olhares de censura de nossos professores do jardim de  infância, a pergunta que todos sussurravam quando achavam que não estávamos escutando.
Por que elas não estão se definindo? p. 7
Originalidade. Eis a base que forma as melhores distopias que nós conhecemos, afinal, o que é diferente sempre vai chamar nossa atenção. Isso é o que não falta na obra da autora Kat Zhang: temos uma sociedade em que as pessoas nascem com duas almas habitando o mesmo corpo até que, até os 10 anos de idade, eles precisam se definir, ou seja, ver qual é a alma dominante e deixar que a recessiva se vá. Os que não os fazem são considerados híbridos e são perseguidos. Addie e Eva são híbridas, mas, para todos os fins, Addie é a dominante e a partir desse ponto que a história começa. Essa foi a primeira vez que vi esse tema ser abordado em algum livro e, mesmo que vocês já tenham lido algo do tipo, a abordagem que a autora faz do tema é que faz toda a diferença.

Narrado em primeira pessoa pela perspectiva de Eva, vemos todas as complicações de ter que dividir um corpo só com outra alma: você nunca está sozinho, mesmo quando quer estar, além de não tem o controle total pelo próprio corpo. A autora Kat Zhang nos mostra todo o aspecto emocional para as duas almas que dividem o corpo, desde o medo e a solidão por ter que deixar sua alma irmã ir embora, até mesmo o sofrimento da família causada pela imposição para que todos se definam e isso faz com que o leitor crie um vínculo de empatia com os personagens. Mostrar essa parte é o que mais me faz falta em distopias e, quando aparece, é a que mais me encanta (vide A Vida Como Ela Era). Zhang conseguiu trazer essa dramaticidade para o enredo de forma que não ficasse forçado e isso garantiu a sua fluidez.

É claro que também temos as partes essenciais de qualquer distopia: trama política, perseguição e muitos segredos acerca da purificação híbrida que ocorre nos Estados Unidos. Por ser o primeiro volume de uma trilogia e, portanto, ser o introdutor do que está por vir, O Que Restou de Mim não revela muita coisa, fazendo apenas suposições do que pode acontecer nos próximos volumes. Mas a autora trabalhou bem com as informações que inseriu no enredo: conseguiu manter o ritmo ao revelá-las, o fez com que houvesse um equilíbrio ideal para que o leitor não se cansasse ou ficasse perdido no meio do universo criado por Kat Zhang.

Às vezes me pergunto como teria sido. Se nunca tivéssemos nos definido.
Se nunca tivéssemos aprendido a odiar a nós mesmas. Nunca tivéssemos permitido que o mundo enfiasse uma divisão entre nós, forçando-nos a nos tornar Addie-ou-Eva, não Addie-e-Eva. Tínhamos nascido com os dedos de nossas almas entrelaçados. E se nunca os soltássemos? p. 201
O Que Restou de Mim tem tudo para se tornar uma trilogia de grande sucesso dentre os livros do gênero: é uma distopia cheia de coisas intrínsecas, com muita ação e, é claro, muito romance (daqueles que você fica na expectativa para que tudo dê certo). Com protagonistas que cativam por serem verossímeis, com medos e anseios, ele acabou me envolvendo de tal forma que o li em apenas um dia. Pensei que esse finalzinho de 2014 não iria trazer nenhum livro que me surpreendesse tanto, mas esse fechou o ano com chave de ouro e eu mal posso esperar pelos próximos volumes - e espero que a Galera Record os lance bem rápido (ainda mais porque todos já foram lançados nos EUA). Mais do que recomendado!

As Crônicas Híbridas
  1. O Que Restou de Mim
  2. Once We Were
  3. Echoes of Us

29/12/2014

Resenha: Ai, Meus Deuses!, de Tera Lynn Childs

Título: Ai, Meus Deuses! (Meus Deuses #1)
Autora: Tera Lynn Childs
Editora: Galera Record
Páginas: 304
A vida de Phoebe Castro vira do avesso quando sua mãe anuncia que irá se casar com um estranho misterioso. Para completar, as duas terão que se mudar para o outro lado do mundo: a Grécia! Phoebe terá que dizer adeus ao sonho de cursar a mesma universidade que suas melhores amigas... Como se tudo isso não bastasse, ela ainda terá que frequentar uma escola superexclusiva na qual seu padrasto é o diretor. E os alunos são tudo, menos comuns —são descendentes dos deuses gregos e com direito a superpoderes! Se Phoebe achava o ensino médio difícil, ela já sabe que a vida ali vai ser um sofrimento de matar.



Fazia tempo desde que eu li o último Young Adult que me agradou tanto. Preciso admitir: eu realmente estava precisando ler um livro do gênero e Ai, meus deuses! chegou no momento certo: com esse calor absurdo do Rio de Janeiro, nada melhor do que ler algo bem leve para fazer com que os dias fiquem um pouquinho melhores, porque não é fácil ser leitor nessa época. Quando vi que o livro tinha mitologia como plano de fundo, não tinha como não querer ler. Apesar de não ter me conquistado logo no começo, Ai, meus deuses! foi uma leitura gostosa e mais uma vez um livro do gênero me deixou suspirando pelo mocinho da história. <3

Como alguém espera que eu durma quando estou cruzando um oceano pela primeira vez? Ou começando em uma nova escola pela primeira vez desde o jardim de infância? Ou aterrissando em solo estrangeiro ciente de que vão se passar alguns meses – se não mais – antes que eu possa voltar à terra dos shoppings e da batata frita? E não tente me enganar com o argumento de que existe McDonald’s em todos os lugares porque eu simplesmente sei que não vai ser a mesma coisa. p. 21
A autora Tera Lynn Childs nos apresenta Phoebe Castro, uma atleta que já tinha tudo planejado para a sua vida, até que um dia sua mãe resolve se casar e se mudar para a Grécia – e levá-la junto. Toda a sua vida fica de ponta a cabeça e tudo piora quando ela descobre que os deuses da mitologia grega são reais e que ela terá que lidar com seus descendentes diariamente. Essa é a premissa básica de Ai, meus deuses! e, quem gosta de livros do gênero e/ou também de mitologia, com certeza vai ficar tão empolgado quanto eu em relação a esse livro. Minhas expectativas estavam altas, até que eu percebi que a autora não estava indo por um caminho legal logo de início.

Bom, vamos aos fatos: capítulos grandes me irritam pelo simples fato de que parece que o livro perde em questão de dinâmica. A história se torna arrastada e parece que, por mais que você leia, nunca chega ao final. Essa foi a minha primeira decepção em relação ao livro: todos os capítulos são enormes e isso foi uma grande prova de resistência para a minha leitura e, a única coisa que ajudou a dar fluidez foi a narrativa em primeira pessoa. Além disso, o desenvolvimento do começo do livro não foi bem trabalhado também: a autora acelerou tanto o ritmo, que as primeiras cem páginas do livro pareceram muito forçadas e eu comecei a me preocupar se o livro iria me envolver em algum momento.

Felizmente, logo a autora se recompôs e começou a dar uma forma melhor ao enredo. Isso acontece exatamente no ponto em que a mitologia aparece na história, que era justamente o que eu mais tinha medo antes de ler o livro, afinal, se não for bem trabalhado, qualquer autor consegue arruinar a mitologia grega. Mas Tera Lynn Childs conseguiu inserir o tema de uma forma que ele se adaptou ao gênero que a autora quis trabalhar, então, ao mesmo tempo em que as informações ficaram claras para quem não conhece nada de mitologia, a abordagem leve também encanta conhecedores, porque é algo diferente.

A primeira coisa que penso é: Damian é louco. Tipo, maluco, doidão, com um parafuso a menos na cabeça. Como se deuses gregos existissem de verdade.
É um mito. Mito é o tipo de coisa sobre a qual você lê na época da escola e que envolve sujeitos matando os pais e casando com as mães – eca, e eu achando que minha vida é nojenta. (...) Não o tipo de coisa que o homem com quem minha mãe se casou acredita piamente. p. 35
Ai, meus deuses! é aquele livro bem levinho e que, por ser o primeiro volume de uma trilogia, é bem introdutório. Temos muito romance, mas ainda falta um pouco mais de desenvolvimento na estrutura do enredo e na construção dos personagens, tanto da protagonista (que, apesar de não ser chata, não conseguiu me conquistar) quanto dos secundários (há muitos personagens com grande potencial), mas espero que nos próximos volumes isso venha a ser o foco da autora. Uma trilogia que tem tudo para conquistar os fãs do gênero. Agora é esperar o que está por vir. 

Resenha: A Mais Bela de Todas, de Sarah Mlynowski

Título: A Mais Bela de Todas (Era outra vez #1)
Autora: Sarah Mlynowski
Editora: Galera Record
Páginas: 176
Após se mudarem de Chicago para Smithville, os irmãos Abby e Jonah sentem que há algo estranho na sua nova vizinhança. Quando os dois encontram o espelho do porão assobiando, são sugados para o mundo da Branca de Neve. E pior: sem saber como voltar para casa, os irmãos acabam mudando a história! Agora, Abby e Jonah precisam criar mirabolantes planos para que a princesa e o príncipe saiam felizes para sempre.





Como leitora, uma das coisas que eu mais gosto de fazer é variar o gênero de livros que leio. Isso faz com que eu não fique saturada de um certo estilo e isso acaba prevenindo a tão temida ressaca literária. Eis que dessa vez eu fiz essa mistura com um livro infantil: A Mais Bela de Todas é um daqueles livros bem gostosinhos, colocando o conto de fadas da Branca de Neve em um contexto cheio de aventuras e com tiradas engraçadas voltadas especificamente para o público alvo. Fui sem nenhuma expectativa e, em troca, recebi algumas horas de pura diversão.

Era uma vez minha vida normal.
Então o espelho do porão nos engoliu.
Acha que estou de brincadeira? Acha que inventei isso tudo? Acha, né?
Você deve estar pensando: “Hum, Abby, espelhos normalmente não saem por aí envolindo pessoas. Espelhos só ficam pendurados nas paredes e refletem coisas.”
Bem, você está errado. Muito, muito ERRADO. p. 7
Quem acompanha as resenhas aqui do blog, sabe o quanto eu adoro o conto da Branca de Neve. Sou a primeira a querer ler qualquer adaptação que ele esteja envolvido e, quando vi que a autora Sarah Mlynowski estava por trás desta, não pude resistir, afinal, os outros dois livros que li da autora – 10 coisas que nósfizemos (e provavelmente não deveríamos) e Me Liga – me encantaram e não poderia ser diferente com esse. Por ser voltado para o público infantil (foi publicado pelo selo Junior da editora Galera Record, que é voltado para a faixa dos 10 anos de idade) a narrativa da autora muda: temos parágrafos mais curtos e um volume maior de diálogos, o que faz com que ele ganhe dinâmica e fluidez.

Sarah Mlynowski soube fazer uma transformação tão interessante no conto da Branca de Neve que isso explica o motivo desse livro ter vendido mais de dois milhões de exemplares nos Estados Unidos. Isso se deve principalmente aos protagonistas que ela inseriu nessa história: Abby e Jonah eram duas crianças que viviam normalmente até atravessarem um espelho e irem parar bem no meio daquele conto que eles tanto ouviram. Essa abordagem faz com que o público alvo se envolva com a história criada pela autora, afinal, quem quando criança não pensava que poderia viver algo especial desse jeito? Sem contar que ambos são carismáticos, o que só deixa o livro ainda mais gostoso.

É claro que, por causa do público alvo, o livro não tem muitas surpresas: tudo segue aquele caminho previsível, o que faz de A Mais Bela de Todas um grande clichê. Se você for lê-lo esperando uma grande obra, com frases de efeito e lições de moral, com certeza irá se decepcionar. Nesse caso, se você não for um dos integrantes do público para o qual ele é voltado, é interessante lê-lo sem grandes expectativas, apenas para se distrair em alguma tarde de tédio ou então para ajudar a voltar com o ritmo de leitura, como aconteceu comigo.

NÃO! NÃO! NÃO! Eu NÃO vou deixar que o espelho maluco engula meu irmão. Estou no comando aqui! E vou manter meu irmão a salvo!
Solto a perna da mesa e seguro Johan com as duas mãos. Com um grunhido satisfeito, o espelho nos puxa para dentro. p. 26
Por ser um livro bem curtinho (176 páginas), o li em questão de horas. Já que ele é bem levinho, me vi envolvida de tal forma que eu precisava saber como iria terminar a aventura de Abby e Jonah. A Mais Bela de Todas uma excelente indicação para crianças que estão começando a se aventurar no mundo dos livros um pouco maiores e também para quem só quer ler um livro para se distrair. Este é o primeiro volume de uma série de 6 livros, mas não se desesperem: cada livro tem uma história independente, cada um focando em um conto de fada diferente. Vale a pena investir! 

21/12/2014

Promoção: Semana Companhia Das Letras

Chegou ao fim nossa III Semana Companhia das Letras! :( Sim, eu sei, ela foi incrível e as postagens foram muito legais. Nós que a organizamos também sentimos aquela dorzinha no coração, porque amamos fazer este especial!
Mas para fechar com chave de ouro nada melhor que uma promoção linda com livros maravilhosos, que já recebeu nossos selo de aprovação e que vocês TEM que ler! Então essa é a chance de um sortudo levar essas lindezas para casa.



Regras:
  • A primeira entrada é livre, deixe apenas seu e-mail para contato;
  • Residir no Brasil.

20/12/2014

Nacionais da Companhia das Letras

Drummond, Leminski. A Companhia das Letras possui uma elite de autores nacionais consagrados em seu catálogo, para isso não há discussão. E a busca por novos nomes da literatura brasileira não para, neste ano a editora lançou obras e autores espetaculares, que renderam muitos elogios na crítica. 

Confiram algumas dessas obras: 


Do polêmico O Réu e o Rei, do autor Paulo Cesar de Araújo, passando pelo majestoso O Irmão Alemão, do grande Chico Buarque, indo para a ilustrações de Renato Terra e Gustavo Duarte e chegando às biografias, crônicas e romances. Teve autor renomado e nomes que apareceram pela primeira vez no time da editora.

Foi a melancolia de Fernanda de Torres em Fim. Também foram suas histórias e divagações em Sete Anos. Foram as lembranças de infância de Antonio Prata. Foi a história de Téo, o psicopata do Raphael Montes. (O Téo é o psicopata, não o Raphael). Foi a procura de Mônica do José Trajano. Foi a reconstrução da Izabel de Simone Campos. Foi a aventura do Samuel de Socorro Acioli. Foi a sagacidade, a genialidade e todas as ades de Gregório Duvivier. Foi tudo isso e mais um pouco. Editores se deleitaram com tantos talentos. E nós também. Obrigado Companhia das Letras por todos esses livros. Minha estante agradece.

A única coisa que senti falta na Cia foi de autores nacionais voltados ao público jovem. E aí está a novidade: Socorro Acioli, a mesma autora de A Cabeça do Santo, volta em 2015 com uma série juvenil pelo selo Seguinte, onde o primeiro livro é A Bailarina Fantasma, livro que já foi publicado e será relançado pela editora no ano que vem. É muito amor! 

2015 está chegando e com certeza a editora ainda reserva muitas novidades e surpresas sobre a literatura nacional para os leitores. O jeito é aguardar e apreciar essas obras tão ricas e diversas que nosso povo é capaz de produzir. Viva a literatura nacional e sua valorização!

Se vocês querem indicações de livros nacionais bem escritos e recomendados, aí está uma editora com um catálogo repleto deles. Deliciem-se com essas maravilhas da nossa terra.  

18/12/2014

As Faces de Chico Buarque - O Escritor


Olá pessoal! Acredito que todos vocês conhecem Chico Buarque, músico, escritor, compositor, dramaturgo, um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira e também um dos maiores artistas de nosso país, com suas diversas faces que refletem seu talento.

Mas hoje vamos falar de Chico como escritor. Para quem não sabe ele tem cinco livros publicados pela Editora Companhia das Letras. A obra intitulada "Estorvo" recebeu em 1992 o aclamado prêmio Jabuti na categoria Romance e em 2004, o "Budapeste" também ganhou o prêmio Jabuti na categoria Livro do ano - ficção, em 2005 o livro também recebeu o prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon.

A Revista Cult tem uma matéria escrita por Eric Napomuceno, escritor, amigo e interlocutor de Chico Buarque, na qual nos revela o processo criativo do autor, fazendo-nos aproximar de Chico e conhecer algumas curiosidades, manias e costumes, vistos assim tão de perto conhecemos mais de sua face de escritor. Abaixo um trecho do artigo "Anotações sobre o escritor e o leitor Chico Buarque de Hollanda"

"(...) Quando a escrita de Benjamim estava no fim, Chico encontrou um amigo num posto de gasolina. Levava no rosto uma barba de dias, um ar sorumbático, sombrio. Explicou ao amigo que seu personagem tinha acabado de morrer. E contou que sentia-se pavorosamente mal. Quer dizer: nos livros, como nas canções, Chico mergulha fundo, impregna-se na escrita, empapa-se de seu personagem, sua atmosfera. Seu destino." 

Em novembro foi lançado seu mais recente livro "O irmão alemão", o qual o ocupa o quarto lugar na categoria ficção de livros mais vendidos da Veja nesta semana. No vídeo abaixo, Chico aparece lendo um trecho do livro, assista:


Ainda não conhece as obras de Chico? Pois não sabe o que perde! Ele é um excelente autor, mostrando que assim como na música sabe como ninguém esbanjar talento também na literatura! Confira abaixo as sinopses de seus livros lançados pela Companhia das Letras.

17/12/2014

Resenha: Infinity Ring #5 - A Caverna das Maravilhas

Título: A Caverna das Maravilhas (Infinity Ring #5)
Autor: Matthew J. Kirby
Editora: Seguinte
Páginas: 240
A próxima parada da série Infinity Ring é na Bagdá de 1258. É para lá que o Anel do Infinito manda Sera, Dak e Riq, com o objetivo de corrigir mais uma falha histórica em sua missão de salvar a humanidade. Em meio a caravanas de mercadores e feiras onde são vendidos perfumes, sedas, tapetes e especiarias, os três aventureiros precisam descobrir um jeito de impedir a destruição de uma das maiores bibliotecas da época.

Os mongóis estão cada vez mais perto, e o cerco a Bagdá é inevitável. Pelo que Dak sabe, os invasores vão jogar todos os livros da cidade no rio Tigre, até deixá-lo preto de tanta tinta! Mas a importância dessas páginas vai além da preservação de documentos históricos: sem as informações contidas ali, os três viajantes do tempo não poderão continuar a missão, e tudo o que eles conseguiram até então irá por água abaixo. Neste quinto volume da série, os riscos são maiores do que nunca.



Depois de ter amado o quarto livro da série Infinity Ring, A Maldição dos Ancestrais, eis que a Editora Seguinte foi mais uma vez rápida no gatilho e lançou poucos meses depois tão aguardado quinto volume da série, intitulado A Caverna das Maravilhas (existe coisa melhor do que não precisar esperar muito para o lançamento do próximo volume de uma série? <3). Não dá para escapar: a cada novo livro, o meu amor por essa série cresce. Sendo o mais importante dentre os cinco que foram lançados até agora, A Caverna das Maravilhas é carregado de história, diversão e o principal: muita aventura!

- Sem esse livro - revelou Arin - a primeira e importantíssima Grande Fratura, a Fratura Fundamental, não poderá ser corrigida, e a missão inteira estará condenada ao fracasso. Novas Fraturas vão começar a ocorrer, mais rápido do que poderíamos dar conta. A Terra será destruída pelo Cataclismo. Nós, Guardiões da História, sempre soubemos que chegaria o momento de resgatar esse conhecimento sobre a Fratura Fundamental. p. 25
Em sua décima segunda viagem pelo tempo, Dak, Sera e Riq agora estou nos arredores de Bagdá, no ano de 1258. Eles terão a missão mais importante até agora: se esta fratura na história não for resolvida, tudo o que eles passaram até então terá sido em vão e o mundo enfrentará o Cataclismo. Para isso, eles terão que recuperar os escritos de Aristóteles, que podem ser destruídos a qualquer momento por uma invasão na cidade. Sem nenhuma informação a mais do que vão encontrar, os três amigos embarcam em uma aventura que pode decidir o destino do mundo.

Assim como os quatro livros antecessores, A Caverna das Maravilhas tem começo, meio e fim definidos, apesar de carregar uma história que engloba todas as aventuras dos amigos Dak, Sera e Riq como plano de fundo. Uma das coisas que eu mais gosto nessa série é como nenhuma aventura é igual a outra, afinal, em cada volume temos uma cultura diferente em destaque. Dessa vez temos uma Bagdá em pleno mercantilismo: vendedores de especiarias, tapetes e muito movimento por toda a cidade. O autor Matthew J. Kirby conseguiu colocar essa atmosfera confusa para dentro do enredo e tornou a aventura dos três amigos ainda mais complicada.

Esses três me impressionam cada vez mais: Riq e Sera estão ficando cada vez mais introspectivos devido aos acontecimentos dos últimos livros e isso é algo que me preocupa para os próximos volumes. Será que esse comportamento não vai afetar a atmosfera fluida e encantadora da série? Por mais que isso mostre um amadurecimento e uma consequência do que eles precisam enfrentar, espero mesmo que o próximo autor dê um jeito de resolver isso. Em contrapartida, a cada livro Dak me encanta mais com suas explicações históricas e com suas tiradas divertidas. Espero que ele continue assim nos próximos volumes.

– Agora vocês entendem como a história é importante, né? Não basta saber que as coisas aconteceram, é preciso entender como nós nos lembramos delas.  p. 62
Com mais uma aventura regada a história, A Caverna das Maravilhas nos leva por mais uma aventura deliciosa de ser lida. O autor Matthew J. Kirby, apesar de apostado em um enredo com uma narrativa mais lenta e com bem menos ação do que os volumes anteriores, não decepcionou e trouxe um livro a altura da série. Com apenas mais dois livros restantes na série (além do livro de extras da série), a pressão aumenta. Será que o mundo se verá livre do Cataclismo? Fica minha ansiedade para o que está por vir. 


Série Infinity Ring
1- Um Motim no Tempo
2- Dividir e Conquistar
3- O Alçapão
4- A Maldição dos Ancestrais
5- Caverna das Maravilhas
6- Behind of Enemy Lines
7- The Iron Empire

8- Eternity

16/12/2014

Resenha: Infinity Ring #4 - A Maldição dos Ancestrais

Título: A Maldição dos Ancestrais (Infinity Ring #4)
Autor: Matt De La Peña
Editora: Seguinte
Páginas: 208
Quando Dak, Sera e Riq chegam ao próximo destino em sua jornada para consertar falhas históricas, são recebidos por uma tempestade. Eles estão na península de Yucatán, lar dos antigos maias, na época da chegada dos colonizadores espanhóis -ou pelo menos deveria ser assim. Sera tem certeza de que programou o Anel do Infinito corretamente, mas eles parecem estar séculos adiantados.

Enquanto tentam descobrir o que aconteceu, os três jovens desconfiam que talvez exista um motivo para estarem ali: bem naquele momento os anciãos da aldeia estão escrevendo um códice importantíssimo, que travaria o destino daquele povo para sempre. Na escola, Dak e Sera haviam aprendido que os maias eram uma civilização violenta e cruel, mas talvez a história e a cultura daquela sociedade tenham sido mal interpretadas...


Quem me conhece sabe que eu sou apaixonada pela série Infinity Ring. Por mais que eu ainda esteja tentando fugir de séries enormes (sempre começo a ler e nunca termino), não teve como fugir: me apaixonei assim que comecei a ler o primeiro livro da série e, a cada novo volume lançado pela Editora Seguinte, o amor aumenta. Não foi diferente com A Maldição dos Ancestrais. Com mais uma boa dose de amizade, aventura e muita ação, o quarto livro da saga de Dak, Sera e Riq foi o que mais me surpreendeu e me ganhou até agora.

Sera concordou com a cabeça, mas era difícil estabelecer um paralelo entre aqueles maias e os que ela conhecera nos livros. Itchik não se achava superior a ninguém, e Sera imaginava que todos os reis faziam isso. Ela ficou comovida ao vê-lo participar dos trabalhos de resgate. p. 57
Pela primeira vez na saga de Dak, Sera e Riq, não vamos parar no destino anunciado pelo último livro da série. Em O Alçapão, o Anel do Infinito está programado para ir para a China, no ano de 1562. Porém, quando eles chegam no lugar para o qual o Anel os mandou, descobrem que estão no século VII e no meio da civilização maia. Talvez tenha sido esse o grande motivo para que o livro tenha me encantado mais que os outros: tenho um grande interesse pela cultura maia e o autor Matt De La Peña não poupou informações para construí-los e caracterizá-los, o que tornou o livro até mais informativo do que os seus precedentes.

Além disso, o autor conseguiu pegar a atmosfera deixada por todos os livros anteriores – afinal, cada volume da série tem um autor diferente – e colocar seu próprio toque. Porém os protagonistas não me agradaram tanto quanto aconteceu nos três livros precedentes: por causa do que eles sofreram nas últimas aventuras, temos um Riq mais reflexivo acerca do que o futuro lhe reserva, enquanto Sera está preocupada com as consequências do Cataclismo para a sua família. Com Dak tendo um pouco menos de destaque nesse volume, o alívio cômico que esse personagem traz fica um pouco perdido. Mas, com isso, o autor consegue mostrar o crescimento de todos devido a tudo que eles estão passando no meio dessa aventura.

Mas o autor compensou tudo com a grande quantidade de ação que temos ao longo do livro. Para corrigir essa fratura, os três amigos terão que lutar muito e isso faz com que o ritmo da leitura seja muito acelerado – o que parece impossível, já que todos os livros têm aquela narrativa muito fluída característica da série. Sem contar que temos infinitas reviravoltas e personagens secundários fortes e muito mais marcantes do que os dos livros anteriores.

– Acredito que tudo o que existe vem da terra. Inclusive eu e você. Até a mais complexa invenção humana existiu em algum momento no nosso solo. Ninguém tenta fazer nada a partir do ar. Nós usamos os elementos já existentes, nascidos da terra, e os combinamos de outras formas. O progresso é uma simples questão de organização e criatividade. p. 79
A cada novo volume dessa série, eu me surpreendo com a capacidade que um novo autor tem de não deixar a peteca cair: em nenhum momento eu vi uma mudança drástica no enredo ou na caracterização dos personagens e isso faz com que o leitor praticamente não perceba que eles foram escritos por autores diferentes. A Maldição dos Ancestrais é o quarto volume da série Infinity Ring e além de ser extremamente divertido, está cheio de emoção e aventura. Série altamente recomendada! 


Série Infinity Ring
1- Um Motim no Tempo
2- Dividir e Conquistar
3- O Alçapão
4- A Maldição dos Ancestrais
5- Caverna das Maravilhas
6- Behind of Enemy Lines
7- The Iron Empire

8- Eternity

O Fenômeno After, de Anna Todd


Atualmente as fanfics de grandes sucesso tem recebido espaços nas prateleiras em livrarias pelo mundo todo. Elas ganham destaque nos sites em que são originadas e, a partir disso, se espalham pela internet. Um grande exemplo é Cinquenta Tons de Cinza, um dos livros mais falados nos últimos anos. Agora After vem para repetir o sucesso e ser um sucessor a altura deste.

After teve mais de um bilhão de leituras on-line no Wattpad, o que é simplesmente algo próximo ao surreal! Sua fanfic é baseada na boyband One Direction, com o protagonista baseado em um dos integrantes da banda (o Harry), e que no livro ele recebe o nome de Hardin. A autora deixa claro que a história não é sobre o músico, mas sim 'inspirada' neste, compondo então apenas um personagem.

A trama é mais voltada para o público adulto contendo erotismo e os direitos da mesma para o cinema já foram adquiridos pela produtora Paramount. Além de despertar o interesse dos fãs da banda, vemos que muitos leitores do gênero também tem se interessado por After, principalmente pela curiosidade a respeito da história que aborda a atração e o romance entre uma garota certinha e um jovem tatuado rebelde, que de início não se dão muito bem, parecendo completamente opostos até que surge uma paixão entre eles.

O livro já foi lançado aqui no Brasil pela Editora Paralela. Este é a primeira obra de Anna Todd, que já se consolida como um best-seller, realizando o sonho de uma jovem escritora. Se você ainda não conhece o trabalho da autora, pode acessar o site After Brasil e ter mais informações. 

After é um fenômeno que saiu de páginas online, para as mãos de milhares leitores, mostrando o poder das fanfics e a explosão de sucesso das mesma dentro do mercado literário atual.

Anna Todd, autora de After

15/12/2014

Resenha: Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, de Benjamin Alire Sáenz

Título: Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo
Autor: Benjamin Alire Sáenz
Editora: Seguinte
Páginas: 392
Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão.
Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas - e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.


Alguns livros têm o poder de mexer com o nosso emocional. O enredo é tão significativo para quem o lê que é simplesmente impossível não se deixar envolver com aquilo que está a sua frente. Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo é um desses livros. Ele foi tão importante para mim que já faz algum tempo desde que o li e eu ainda não tenho certeza se encontrei as palavras certas para transmitir tudo o que senti com as 392 páginas que o compõem. Emocionante e com uma mensagem de coragem, amizade e amor, Aristóteles e Dante entrou para a minha lista de favoritos de 2014.

Todos esperavam algo de mim. Algo que eu simplesmente não podia dar.
Então passei a me chamar Ari.
Se tirasse uma letra, meu nome seria Ar.
Achava que devia ser ótimo ser o Ar.
Eu poderia ser alguma coisa e nada ao mesmo tempo. Ser necessário e invisível. Todos precisariam de mim e ninguém conseguiria me ver.
Surpreendente. Não existe outra palavra que defina melhor o que esse livro é. Eu não estava esperando um grande enredo, afinal, com a grande quantidade de Young Adults no mercado atualmente, é realmente difícil encontrar um especial, aquele que se destaca dentre tantos do gênero, assim como foi com Aristóteles e Dante. Isso acontece porque o autor Benjamin Alire Sáenz optou por seguir o caminho da simplicidade, onde, dois garotos tentam descobrir as respostas para todas as suas perguntas a respeito do universo. É claro que já vimos isso em vários livros, porém, Sáenz nos presenteia com uma obra que envolve poesia, arte, música e uma riqueza de sentimentos que faz com que qualquer leitor se emocione.

Para isso acontecer, o autor constrói dois personagens marcantes: Aristóteles, ou só Ari, é um garoto introvertido e sem muitos amigos que, por um acaso do destino, acaba conhecendo Dante, que vê poesia em tudo na vida, e, a partir disso, surge uma amizade que parece impossível, mas que acaba se tornando inabalável. Não há escapatória: você vai se conectar, seja com um protagonista ou com o outro. Eu mesma me identifiquei muito com o Ari, porque suas características e atitudes me lembraram muitas coisas por quais eu tive que passar. Foi uma experiência tão pessoal e profunda que, mesmo com todas as palavras do dicionário, eu não conseguir exemplificar tudo o que eu preciso e quero dizer. Eu o entendi na mesma proporção em que ele me entedia e parecia que eu estava descobrindo os segredos do universo junto a ele e a Dante.

Sem contar que Sáenz, através da narrativa em primeira pessoa pelo ponto de vista de Ari, aborda os mais diversos temas: a família, nossas escolhas, o autodescobrimento, o respeito e o mais importe: a aceitação. O autor conseguiu coloca-los com naturalidade no enredo que este se tornou fluido e parece que o livro passou em um estalo, por mais que ele tenha tantas páginas. Isso também o leitor refletisse acerca de suas escolhas ao longo da vida, afinal, o Sáenz nos confronta, nos instiga a ir além do que está naquelas páginas e isso é uma das muitas coisas fantásticas que cercam Aristóteles e Dante.

Fiquei pensando que poemas são como pessoas. Algumas pessoas você entende de primeira. Outras você simplesmente não entende... e nunca entenderá.
Sinto que eu escrevi, escrevi e escrevi, mas não cheguei ao ponto em que eu queria chegar. É muito difícil escrever sobre algo que te marcou tanto, porque eu quero que a emoção que eu senti lendo este livro chegue até vocês e eu sei que, por mais que eu tente, não vou chegar nem a 20% de tudo que se passou por mim enquanto eu lia essas páginas. Para ser sincera, se o livro tivesse mais 500 páginas, eu não hesitaria nem por um segundo em devorá-lo. Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo poderia ser só mais um livro com o título gigante e com uma capa bonita, mas, com sua simplicidade, ele vai além: é único, especial, singular. Incrível. 

14/12/2014

III Semana Companhia das Letras


Olá galera! Final de ano chegando e nada melhor do que fechar este mês de dezembro com chave de ouro, não é mesmo? Para isso, os No Universo da Literatura, Estante Vertical e Jantando Livros trazem a terceira Semana Companhia das Letras. Durante este especial vocês poderão conferir resenhas e diversos outros posts todos relacionados aos livros da Companhia das Letras, Paralela e Seguinte

Abaixo está nosso cronograma com o roteiro das postagens. Ele será atualizado conforme todos os posts forem ao ar, ok? 
Se houverem alterações durante a semana nós avisaremos e atualizaremos nesta postagem, então fiquem tranquilos. 


Resenha: A Vida Como Ela Era, de Susan Beth Pfeffer

Título: A Vida Como Ela Era (Os Últimos Sobreviventes #1)
Autora: Susan Beth Pfeffer
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 378
Quando Miranda começa a escrever um diário, sua vida é como a de qualquer adolescente de 16 anos: família, amigos, garotos e escola. Suas principais preocupações são os trabalhos extras que os professores passaram tudo por causa de um meteoro que está a caminho da Lua. Ela não entende a importância do acontecimento; afinal, os cientistas afirmam que a colisão será pequena. Mas, mesmo assim, acredita que esse será um evento interessante a se observar, com binóculo, do quintal de casa. Para surpresa de todos, o impacto da colisão é bem maior do que o esperado, e isso altera de modo catastrófico o clima do planeta. Terremotos assolam os continentes, tsunamis arrasam os litorais e vulcões entram em erupção. Em 24 horas, milhões de pessoas estão mortas e, com a Lua fora de órbita, muitas outras mortes são previstas. Os supermercados ficam sem comida, e Miranda e sua família precisam, então, lutar pela sobrevivência em um mundo devastado, onde até a água se torna artigo de luxo. 


Ah, distopia. Está para existir um gênero que me prenda tanto quanto este. Quando penso que já vi tudo que ele poderia me trazer, algum autor vem e me surpreende, afinal, existem muitos caminhos para a inovação. Por mais que eu quisesse acreditar nisso em A Vida Como Ela Era, eu comecei o livro sem grandes expectativas (apesar da clara indicação para leitores de Jogos Vorazes) e talvez isso tenha contribuído bastante para que no final ele tenha se tornado um livro fantástico. Susan Beth Pfeffer conseguiu trazer na originalidade um enredo angustiante que faz qualquer leitor se emocionar.

Por que sentir pena de mim mesma hoje quando amanhã será pior? É uma droga de filosofia, mas é tudo que tenho.
A Vida Como Ela Era é um livro com uma proposta bem simplista e que nos dá aquela sensação de “eu acho que já vi essa história em algum lugar”: um asteroide acaba colidindo com a Lua e, indo contra todas as possibilidades, isso faz com que o satélite se aproxime da Terra. Bom, vocês já podem imaginar o desastre que isso causa, certo? É por isso que a leitura começou bem morna, com todas as catástrofes que um evento desses pode acarretar. Só que, por mais que tudo tenha seguido um roteiro quase que padrão, eis que Pfeffer vem e transforma tudo em algo muito mais dramático: ela foca na luta pela sobrevivência de uma família em particular.

Para isso, temos o enredo contado em forma de diário por Miranda, uma adolescente que achava que nunca nada poderia lhe atingir. Seus problemas rotineiros pareciam ser os maiores do mundo, até que tudo que ela pensava vai por água abaixo. É para esse drama particular que somos conduzidos e ele mostra o quanto uma pessoa pode crescer em situações extremas. Acompanhamos o desespero da protagonista para se manter sã e com fé mesmo que tudo pareça ir para um fim inevitável: o ponto em que não existirá mais vida. Esse drama faz com que o leitor crie um laço de empatia tão grande que é impossível não sofrer junto com Miranda.

A diagramação de "A Vida Como Ela Era". A cada novo capítulo temos essa ilustração. Sem contar que a lua da capa é com um alto relevo arenoso. Excelente trabalho da Editora Bertrand! <3

Por ser o primeiro livro da série Os Últimos Sobreviventes, não temos grandes acontecimentos nesse livro. Na verdade, o enredo se desenvolve em um ritmo bem lento e isso é refletido na narrativa. Feita em primeira pessoa pelo ponto de vista de Miranda, tudo demora a se desenrolar e chega um momento em que a autora repete alguns elementos do enredo e isso faz com que ele fique um pouco cansativo. Mas, o que falta no ponto de vista de dinâmica para o enredo, sobra em construção dos personagens que o compõem.

Susan Beth Pfeffer conseguiu adicionar uma dose exata de realidade e vemos o sacrifício de uma mãe para manter sua família erguida, assim como o sofrimento de todos ao passar por uma situação como aquela. Todos os personagens, mesmo os secundários, transmitem uma força inacreditável e a autora conseguiu colocar esses sentimentos de uma forma tão palpável que é isso que fez a grande diferença no livro. Sem contar que ela passa uma grande mensagem ao mostrar a família como centro de sustentação em tempos difíceis. Em A Vida Como Ela Era, todos estão ali uns pelos outros, física e emocionalmente, mesmo que isso exija tudo o que eles podem oferecer.

Será que as pessoas percebem quanto a vida é preciosa? Sei que nunca percebi isso antes. Sempre havia tempo. Sempre havia um futuro.
A Vida Como Ela Era realmente me afetou. Enquanto eu lia, percebi que eu tinha me envolvido tanto com aquele enredo que eu fui atrás de informações, estudei e debati com amigos sobre os efeitos de um evento como esse em nossa vida. Cheguei à conclusão de que Susan Beth Pfeffer não poderia ter retratado o cotidiano dos sobreviventes de uma forma melhor: a angústia, o sofrimento, o desespero e a esperança de que algo melhor está por vir, mesmo que a escuridão os impeça de ver a luz. Simplesmente brilhante.