18/12/2014

As Faces de Chico Buarque - O Escritor


Olá pessoal! Acredito que todos vocês conhecem Chico Buarque, músico, escritor, compositor, dramaturgo, um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira e também um dos maiores artistas de nosso país, com suas diversas faces que refletem seu talento.

Mas hoje vamos falar de Chico como escritor. Para quem não sabe ele tem cinco livros publicados pela Editora Companhia das Letras. A obra intitulada "Estorvo" recebeu em 1992 o aclamado prêmio Jabuti na categoria Romance e em 2004, o "Budapeste" também ganhou o prêmio Jabuti na categoria Livro do ano - ficção, em 2005 o livro também recebeu o prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon.

A Revista Cult tem uma matéria escrita por Eric Napomuceno, escritor, amigo e interlocutor de Chico Buarque, na qual nos revela o processo criativo do autor, fazendo-nos aproximar de Chico e conhecer algumas curiosidades, manias e costumes, vistos assim tão de perto conhecemos mais de sua face de escritor. Abaixo um trecho do artigo "Anotações sobre o escritor e o leitor Chico Buarque de Hollanda"

"(...) Quando a escrita de Benjamim estava no fim, Chico encontrou um amigo num posto de gasolina. Levava no rosto uma barba de dias, um ar sorumbático, sombrio. Explicou ao amigo que seu personagem tinha acabado de morrer. E contou que sentia-se pavorosamente mal. Quer dizer: nos livros, como nas canções, Chico mergulha fundo, impregna-se na escrita, empapa-se de seu personagem, sua atmosfera. Seu destino." 

Em novembro foi lançado seu mais recente livro "O irmão alemão", o qual o ocupa o quarto lugar na categoria ficção de livros mais vendidos da Veja nesta semana. No vídeo abaixo, Chico aparece lendo um trecho do livro, assista:


Ainda não conhece as obras de Chico? Pois não sabe o que perde! Ele é um excelente autor, mostrando que assim como na música sabe como ninguém esbanjar talento também na literatura! Confira abaixo as sinopses de seus livros lançados pela Companhia das Letras.

A narrativa se estrutura numa constante tensão entre o que de fato aconteceu, o que poderia ter sido e a mais pura imaginação. Na São Paulo dos anos 1960, o adolescente Francisco de Hollander, ou Ciccio, encontra uma carta em alemão dentro de um volume na vasta biblioteca paterna, a segunda maior da cidade. Em meio a porres, roubos recreativos de carros e jornadas nem sempre lícitas a livros empoeirados, surgem pistas que detonam uma missão de vida inteira. Ao tentar traçar o destino de seu irmão alemão, parece também estar em jogo para o narrador ganhar o respeito do pai, que, apesar dos arroubos intelectuais de Ciccio, tem mais afinidade com Domingos, ou Mimmo, seu outro filho, galanteador contumaz, leitor da Playboy e da Luluzinha, e sempre a par das novas sobre Brigitte Bardot. A despeito das tentativas de mediação da mãe, Assunta - italiana doce e enérgica, justa e com todos compreensiva -, a relação dos irmãos é quase feita só de silêncio, competição e ressentimento. Num decurso temporal que chega à Berlim dos dias presentes, e que tem no horror da ditadura militar brasileira e nos ecos do Holocausto seus centros de força, O irmão alemão conduz o leitor por caminhos vertiginosos através dessa busca pela verdade e pelos afetos.
Primeiro romance do compositor, aclamado pela crítica como a grande revelação de nossa literatura. A campainha insiste, o olho mágico altera o rosto atrás da porta e o narrador inicia uma trajetória obsessiva, pela qual depara com situações e personagens estranhamente familiares. Narrado em primeira pessoa, Estorvo se mantém constantemente no limite entre o sonho e a vigília, projeções de um desespero subjetivo e crônica do cotidiano. E o olho mágico que filtra o rosto do visitante misterioso talvez seja a melhor metáfora da visão deformada com que o narrador, e o leitor com ele, seguirá sua odisséia. 
Ao concluir a autobiografia romanceada "O Ginógrafo", a pedido de um bizarro executivo alemão que fez carreira no Rio de Janeiro, José Costa, um escritor fantasma de talento fora do comum, se vê diante de um impasse criativo e existencial. Escriba exímio, "gênio", nas palavras do sócio, que o explora na "agência cultural" que dividem em Copacabana, Costa, meio sem querer, de mera escrita sob encomenda passa a praticar "alta literatura". Também meio sem querer, vai parar em Budapeste, onde buscará a redenção no idioma húngaro, "segundo as más línguas, a única língua que o diabo respeita". Narrado em primeira pessoa, combinando alta densidade narrativa com um senso de humor muito particular, "Budapeste" é a história de um homem exaurido por seu próprio talento, que se vê emparedado entre duas cidades, duas mulheres, dois livros, duas línguas e uma série de outros pares simétricos que conferem ao texto o caráter de espelhamento que permeia todo o romance, e que levaram o professor José Miguel Wisnik a afirmar que se trata de "um romance do duplo". Tenso e à vontade, cultivado e coloquial, belo e grotesco, "Budapeste" traz a perfeição narrativa de "Estorvo" e "Benjamim" e confirma Chico Buarque como um dos grandes romancistas brasileiros da atualidade.

Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. A fala desarticulada do ancião cria dúvidas e suspenses que prendem o leitor. O discurso da personagem parece espontâneo, mas o escritor domina com mão firme as associações livres, as falsidades e os não ditos, de modo que o leitor pode ler nas entrelinhas, partilhando a ironia do autor, verdades que a personagem não consegue enfrentar. Tudo, neste texto, é conciso e preciso; como num quebra-cabeça bem concebido, nenhum elemento é supérfluo. Percorre todo o livro a paixão mal vivida e mal compreendida do narrador por uma mulher. Os múltiplos traços de Matilde, seu "olhar em pingue-pongue", suas corridas a cavalo ou na praia, suas danças, seus vestidos espalhafatosos, ao mesmo tempo que determinam a paixão do marido e impregnam indelevelmente sua lembrança, ocasionam a infelicidade de ambos. Embora vista de forma indireta e em breves flashes Matilde se torna, também para o leitor, inesquecível. Outras figuras, fixadas a partir de mínimos traços, circulam pela memória do protagonista: o arrogante engenheiro francês Dubosc; a mãe do narrador, que, de tão reprimida e repressora, "toca" piano sem emitir nenhum som; a namorada do garotão com seus piercings e gírias. É espantoso como tantas personagens ganham vida neste breve romance. Leite derramado é obra de um escritor em plena posse de seu talento e de sua linguagem.
Girando em torno da obsessão pela morte de uma mulher, um enigma na vida do protagonista, Benjamim, o segundo romance de Chico Buarque, narra a história de um ex-modelo fotográfico que, como uma câmara invisível, vê o mundo desfilar diante de seus olhos sob uma atmosfera opressiva. Sem conseguir distinguir o que vê fora de si do seu passado, e de si mesmo, Benjamim avança, pouco a pouco, em direção ao destino trágico que sua obsessão lhe reserva. O clima opressivo é resultado do próprio estilo de narrar.

12 comentários:

  1. Oii, adorei esse post. N fazia ideia de que Chico Buarque tinha publicado livros. Não vou mentir e dizer que vou ler algum kkkkkk mas achei legal saber =D
    Um abraço
    Oficina do Leitor / Facebook

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  2. eu nunca li nenhum dos livros do autor, apesar de achar ele uma pessoa incrível.
    minha tia é bem apaixonada por ele, e uma vez até me deu Leite Derramado de presente, mas acabei não lendo, emprestei e sumiu =/
    as tramas dos livros dele são bem interessantes, não sei porque nunca li... acho que por pura preguiça mesmo hahaaha
    Budapeste eu ainda não conhecia, mas pea sinopse parece ser ótimo! :O

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  3. Adoro as músicas dele e tenho vontade de ler um livro do mesmo.

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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  4. Amei o post! Não conhecia essa outra faceta dele.

    http://blogquerida.blogspot.com.br/

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  5. Boa tarde,
    Eu não conhecia este livro mais recente :O
    Bem legal sua divulgação dele ^^

    Beijos e tenha um excelente final de semana
    www.rimasdopreto.com

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  6. Acredito que já tinha ouvido falar, mas não conhecia os nomes das obras do Chico. O prêmio Jabuti é bastante importante na área de Letras - Literatura e que bom que os livros dele foram reconhecidos dessa forma.

    Beijos
    http://mon-autre.blogspot.com.br/

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  7. Sabia que ele tinha escrito livros mas não conhecia as obras, esse estilo infelizmente não faz meu tipo - queria gostar mais dessa parte da literatura, quem sabe um dia ;).

    http://nerdicesdeumagarota.blogspot.com.br/

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  8. Oi querida,
    Tudo? Adorei o post, realmente um nome para ser celebrado. Aproveito para te deixar um feliz natal e ano novo, pois vou entrar de férias e internet somente ano que vem agora para mim, mas deixei posts programados lá no blog então não me abandone ok?
    Beijos
    Raquel Machado
    Leitura Kriativa
    http://leiturakriativa.blogspot.com.br/

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  9. Oi Luara, td bem? Eu não sabia que ele escrevia, e gostei bastante de saber disso, suas músicas já são geniais, imagine os livros! <3
    Post bastante instrutivo, gosto de coisas assim, ganhou mais uma seguidora!
    http://respiralivros.blogspot.com

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  10. Oi Luara!

    Dos livros do Chico, já li "Leite Derramado" e "Estorvo". Eu gostei demais mesmo do primeiro que citei, mas o segundo eu achei um estorvo, como o próprio título diz. Por favor, não me julgue. ahuaheuaehauehae

    Ainda assim tenho vontade de ler as outras obras dele. O melhor de tudo é que, tirando o lançamento, tem todos na biblioteca da minha faculdade. <3

    Beijos!
    http://www.roendolivros.com/

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  11. Olá Luara,

    Do autor eu li Benjamim e Budapeste, muito bom, escreve muito....abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  12. Nunca li nada do Chico, mas se fosse, escolheria Budapeste, que maioria considera sua maior obra-prima literária.
    A julgar pelas sinopses, são livros complexos, para serem lidos com total atenção, e não apenas como um passatempo

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