14/12/2014

Resenha: A Vida Como Ela Era, de Susan Beth Pfeffer

Título: A Vida Como Ela Era (Os Últimos Sobreviventes #1)
Autora: Susan Beth Pfeffer
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 378
Quando Miranda começa a escrever um diário, sua vida é como a de qualquer adolescente de 16 anos: família, amigos, garotos e escola. Suas principais preocupações são os trabalhos extras que os professores passaram tudo por causa de um meteoro que está a caminho da Lua. Ela não entende a importância do acontecimento; afinal, os cientistas afirmam que a colisão será pequena. Mas, mesmo assim, acredita que esse será um evento interessante a se observar, com binóculo, do quintal de casa. Para surpresa de todos, o impacto da colisão é bem maior do que o esperado, e isso altera de modo catastrófico o clima do planeta. Terremotos assolam os continentes, tsunamis arrasam os litorais e vulcões entram em erupção. Em 24 horas, milhões de pessoas estão mortas e, com a Lua fora de órbita, muitas outras mortes são previstas. Os supermercados ficam sem comida, e Miranda e sua família precisam, então, lutar pela sobrevivência em um mundo devastado, onde até a água se torna artigo de luxo. 


Ah, distopia. Está para existir um gênero que me prenda tanto quanto este. Quando penso que já vi tudo que ele poderia me trazer, algum autor vem e me surpreende, afinal, existem muitos caminhos para a inovação. Por mais que eu quisesse acreditar nisso em A Vida Como Ela Era, eu comecei o livro sem grandes expectativas (apesar da clara indicação para leitores de Jogos Vorazes) e talvez isso tenha contribuído bastante para que no final ele tenha se tornado um livro fantástico. Susan Beth Pfeffer conseguiu trazer na originalidade um enredo angustiante que faz qualquer leitor se emocionar.

Por que sentir pena de mim mesma hoje quando amanhã será pior? É uma droga de filosofia, mas é tudo que tenho.
A Vida Como Ela Era é um livro com uma proposta bem simplista e que nos dá aquela sensação de “eu acho que já vi essa história em algum lugar”: um asteroide acaba colidindo com a Lua e, indo contra todas as possibilidades, isso faz com que o satélite se aproxime da Terra. Bom, vocês já podem imaginar o desastre que isso causa, certo? É por isso que a leitura começou bem morna, com todas as catástrofes que um evento desses pode acarretar. Só que, por mais que tudo tenha seguido um roteiro quase que padrão, eis que Pfeffer vem e transforma tudo em algo muito mais dramático: ela foca na luta pela sobrevivência de uma família em particular.

Para isso, temos o enredo contado em forma de diário por Miranda, uma adolescente que achava que nunca nada poderia lhe atingir. Seus problemas rotineiros pareciam ser os maiores do mundo, até que tudo que ela pensava vai por água abaixo. É para esse drama particular que somos conduzidos e ele mostra o quanto uma pessoa pode crescer em situações extremas. Acompanhamos o desespero da protagonista para se manter sã e com fé mesmo que tudo pareça ir para um fim inevitável: o ponto em que não existirá mais vida. Esse drama faz com que o leitor crie um laço de empatia tão grande que é impossível não sofrer junto com Miranda.

A diagramação de "A Vida Como Ela Era". A cada novo capítulo temos essa ilustração. Sem contar que a lua da capa é com um alto relevo arenoso. Excelente trabalho da Editora Bertrand! <3

Por ser o primeiro livro da série Os Últimos Sobreviventes, não temos grandes acontecimentos nesse livro. Na verdade, o enredo se desenvolve em um ritmo bem lento e isso é refletido na narrativa. Feita em primeira pessoa pelo ponto de vista de Miranda, tudo demora a se desenrolar e chega um momento em que a autora repete alguns elementos do enredo e isso faz com que ele fique um pouco cansativo. Mas, o que falta no ponto de vista de dinâmica para o enredo, sobra em construção dos personagens que o compõem.

Susan Beth Pfeffer conseguiu adicionar uma dose exata de realidade e vemos o sacrifício de uma mãe para manter sua família erguida, assim como o sofrimento de todos ao passar por uma situação como aquela. Todos os personagens, mesmo os secundários, transmitem uma força inacreditável e a autora conseguiu colocar esses sentimentos de uma forma tão palpável que é isso que fez a grande diferença no livro. Sem contar que ela passa uma grande mensagem ao mostrar a família como centro de sustentação em tempos difíceis. Em A Vida Como Ela Era, todos estão ali uns pelos outros, física e emocionalmente, mesmo que isso exija tudo o que eles podem oferecer.

Será que as pessoas percebem quanto a vida é preciosa? Sei que nunca percebi isso antes. Sempre havia tempo. Sempre havia um futuro.
A Vida Como Ela Era realmente me afetou. Enquanto eu lia, percebi que eu tinha me envolvido tanto com aquele enredo que eu fui atrás de informações, estudei e debati com amigos sobre os efeitos de um evento como esse em nossa vida. Cheguei à conclusão de que Susan Beth Pfeffer não poderia ter retratado o cotidiano dos sobreviventes de uma forma melhor: a angústia, o sofrimento, o desespero e a esperança de que algo melhor está por vir, mesmo que a escuridão os impeça de ver a luz. Simplesmente brilhante. 

6 comentários:

  1. Oi, Luara!
    Quero muito conhecer melhor esta história.
    Fiquei curiosa!

    Beijos!

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  2. Luara, oi :)
    Estou lendo esse livro no momento. Estou bem no comecinho, mas já deu para perceber alguns dos pontos que você destacou. Espero gostar tanto quanto você gostou.

    Beijo,
    João Victor - Amigo do Livro
    http://amigodolivro.blogspot.com.br/

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  3. Se tem um gênero que não me chama muito a atenção é distopia, mas pelo que você falou na resenha parece ser muito bom! Adorei a resenha e vou fuçar seu blog todo! E, que diagramaçao lindaaa <3

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  4. Nunca vi um livro de distopia com a história em um diário.. Achei jnteressante esse e não conhecia.. Vou ler assim que der,,
    Forever a Bookaholic
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  5. distopia é um gênero que dificilmente me agrada e dificilmente me prende. já li alguns livros distópicos sim, mas olha, apenas 2 conseguiram me conquistar.
    eu tinha apenas visto uns comentários sobre este livro no twitter, mas já tinha ficado curiosa por ele, mas o que me desanima um pouco é o fato dele ter continuação :S
    ainda sim parece ser um livro bom. pretendo ler ele, e espero não me decepcionar :D

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  6. Luara amei saber mais sobre esse livro, o vi em alguns blogs e até fiquei curiosa por ser uma distopia. Quem sabe quando os outros estiverem lançados eu me empolgo, estou cheia de distopias na estante para ler. Valeu pela dica é parabéns pelo excelente texto.

    Leituras, vida e paixões!!!

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