07/10/2015

Parceria: Editora Draco

Olá, pessoas desse Brasil!
Hoje vim aqui falar de mais uma nova parceria do Estante Vertical: é a Editora Draco! Com o objetivo de dar o valor merecido para a literatura nacional aqui no blog, me inscrevi na parceria e espero trazer muitas coisas legais para vocês. 

06/10/2015

Maratona Literária de Feriado (12/10)

HEY PESSOAS! Como estão?
Espero que a leitura de vocês esteja rendendo nesses meses finais de 2015, porque as minhas NÃO estão. É por isso que eu resolvi aproveitar o próximo feriado, o tão esperado 12 de outubro, para começar uma maratona. Como eu sei que sozinha eu não vou conseguir chegar LÁ, resolvi envolver todos vocês nessa história. 



Sobre a maratona:

  1. Ela começará à meia-noite do dia 10 de outubro (meia-noite de sexta pra sábado, certo?) e terminará à 23h59 do dia 12 de outubro (meia-noite de segunda para terça);
  2. Não tem tema, não tem quantidade definida de livros. Você escolhe quais livros quer ler e quantos puder. Mas lembre que o objetivo de uma maratona é ler mais do que o que você lê normalmente;
  3. Coloquem a sua lista para a maratona e atualizações sobre as leituras nas redes sociais com a tag #MLdeFeriado.
  4. A maratona não tem inscrições, mas se você quiser participar de um sorteio de marcadores e outras coisinhas legais que eu trouxe da Bienal, é só responder o formulário abaixo:



Conto com vocês nessa maratona! Vamos sair desse sufoco juntos, amigos!

29/09/2015

Promoção: Os Bons Segredos

HOJE É DIA DE SORTEIO!
É isso mesmo que vocês leram. Vamos sortear um exemplar de Os Bons Segredos, da Sarah Dessen, que foi um livro que eu adorei de todas as formas possíveis (vocês podem ver a minha opinião na resenha dele). <3

03/09/2015

Resenha: Os Bons Segredos, de Sarah Dessen

Título: Os Bons Segredos
Autora: Sarah Dessen
Editora: Seguinte
Páginas: 408
Há segredos muito bons para serem guardados — e livros muito bons para serem esquecidos. Sydney sempre viveu à sombra do irmão mais velho, o queridinho da família. Até que ele causa um acidente por dirigir bêbado, deixando um garoto paraplégico, e vai parar na prisão. Sem a referência do irmão, a garota muda de escola e passa a questionar seu papel dentro da família e no mundo. Então ela conhece os Chatham. Inserida no círculo caótico e acolhedor dessa família, Sydney pela primeira vez encontra pessoas que finalmente parecem enxergá-la de verdade. Com uma série de personagens inesquecíveis e descrições gastronômicas de dar água na boca, Os bons segredos conta a história de uma garota que tenta encontrar seu lugar no mundo e acaba descobrindo a amizade, o amor e uma nova família no caminho. 



Tenho que admitir que sempre quis ler algo da Sarah Dessen. Apesar de ser uma das grandes autoras de YA, com milhões de exemplares vendidos pelo mundo todo, ela nunca teve uma grande expressão aqui no Brasil e, portanto, eu nunca tinha tido a oportunidade de conhecer a escrita da autora. Porém, a Editora Seguinte, viu que não podia deixar assim e trouxe o último livro da autora para cá. Os Bons Segredos veio como uma grande premissa e eu confesso que abaixei as minhas expectativas ao máximo com medo de me desapontar. Não precisava ter me preocupado tanto: Sarah Dessen conseguiu surpreender pela sua habilidade de tratar temas complicados com a leveza suficiente para envolver o leitor. Simplesmente adorável!

- Foi um dia incrível. Fiz uma curva e lá estava ele. Por muito tempo não contei pra ninguém, nem mesmo pra Layla. Mas depois acabei cedendo. Era um segredo muito bom para deixar guardado.
Bons segredos, pensei. Que ideia interessante. p. 242
Vocês já leram algum livro em que se identificaram tanto com um personagem que, mesmo querendo sentir ódio por alguma ação, você não conseguiria porque sabia que provavelmente faria a mesma coisa caso estivesse no lugar dele? Pois é. Foi exatamente essa a relação que eu tive com Sydney, protagonista de Os Bons Segredos. Por ser um livro narrado em primeira pessoa, a grande proximidade do leitor é com ela e tenho que admitir que ela me cativou aos poucos. Sabem aquela raiva momentânea que você tem quando um personagem só aceita a condição em que vive ao invés de tomar alguma atitude? Pois é. Essa sensação me perseguiu durante as primeiras cem páginas, mas, quando finalmente a magia aconteceu e Sydney me conquistou, vi que não iria conseguir parar de ler o livro enquanto não acabasse.

Isso aconteceu porque Dessen tem a habilidade de conseguir transmitir com leveza os porquês de todas as situações que envolvem os personagens. Com Sydney foi exatamente assim: a medida que eu ia entendendo todos os motivos por trás de suas ações, mais eu me envolvia por ela, já que isso fez com que a minha empatia aumentasse e, portanto, que houvesse aquela identificação que eu citei acima. Esse excelente trabalho de caracterização aconteceu com todos os personagens e, por mais que estes não tenham tido um aprofundamento maior, é impossível não gostar dos Chatham – família à qual pertencem os novos amigos de Sydney – e também não sentir um pouco de pena por toda a situação pela qual a família da protagonista passa (apesar de que algumas vezes foi difícil não sentir um pouco de raiva deles por suas atitudes). A autora conseguiu mostrar todos os lados da história mesmo com a visão limitada que a narrativa em primeira pessoa proporciona e tenho que parabeniza-la por isso.

Uma das grandes qualidades da autora é a ambientação do enredo. Como vocês bem sabem, eu não sou muito fã de livros descritivos e fiquei muito feliz quando vi que Dessen encontrou um ponto de equilíbrio perfeito ao conseguir caracterizar suas cenas e ao mesmo tempo dar espaço para o leitor libertar a imaginação. Tenho que admitir que por isso as pizzas da Seaside me deram água na boca o livro inteiro (e tenho certeza que ninguém vai conseguir terminar de ler um livro sem querer comer uma pizza!) e que as batatas fritas que Layla Chatham tanto gosta também são minhas favoritas. E isso ajudou muito no final das contas, pois a autora trabalha com temas um pouco mais pesados – como família, amizade e amadurecimento – e essa leveza fez com que o livro se tornasse gostoso de ser lido ao mesmo tempo que esses temas foram muito bem trabalhados.

Levei a mão até a medalhinha que Mac tinha me dado, como sempre me pegava fazendo. Meu Santo Qualquer. Eu gostava da ideia de ter alguém olhando por mim, fosse quem fosse. Todos precisamos de proteção, mesmo se nem sabemos do quê. p. 402/403
Os Bons Segredos é um daqueles livros que, à primeira vista, podem não atrair tanta atenção, mas que, quando você começa a ler, não consegue mais parar. É incrível como Sarah Dessen cativa o leitor com sua brilhante forma de contar uma história, sendo leve sem ser superficial. Quando terminei o livro, queria que a autora tivesse escrito só mais algumas páginas, só para que eu não tivesse que me despedir dele tão rapidamente, pois, dessa vez eu senti como se realmente fizesse parte da história e que aqueles ali eram meus amigos de verdade. A saudade que estou sentindo de todos é de cortar o coração e isso me fez ver que esse livro é um segredo bom demais para ficar guardado. Então fica a dica: leia o quanto antes

25/08/2015

Parceria: Delirium Editora

Olá, internautas, amigos e leitores! :)
Hoje eu vim especialmente para anunciar uma nova parceria do blog: a Delirium Editora. Fiquei muito feliz em ter recebido o convite do Flavio P. Oliveira e agora vou contar para vocês um pouquinho mais sobre essa editora.

A Delirium Editora não se importa se o sapo virará ou não príncipe, pois os sapos — cor-de-rosa, amarelos, alados, alucinados — e (também) os cogumelos dançantes, as borboletas no estômago, os leopardos disfarçados de percevejo, etc. são igualmente fundamentais; afinal de contas, o nosso cérebro não é constituído por lados amigáveis, mas sim por dois hemisférios em eterno conflito — conto-vos um segredo: é verdade (verdade!) e acertam na mosca quando dizem que de poeta e louco todo mundo tem um pouco.
O mestre José Saramago dizia: “Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar”, nós buscaremos a literatura do desassossego, da criatividade… Queremos um amontoado de ideias alucinantes (absurdas) vestindo histórias e frases.

12/08/2015

Resenha: Brilhantes, de Marcus Sakey

Título: Brilhantes (Brilhantes #1)
Autor: Marcus Sakey
Editora: Galera Record
Páginas: 476
A partir de 1980, um por cento das crianças começou a apresentar sinais de inteligência avançada. Essa parcela da população, chamada de “brilhantes”, é vista com muita desconfiança pelo restante da humanidade, que teme a forma como esse dom será usado. Nick Cooper é um deles, um agente brilhante, treinado para identificar e capturar terroristas superdotados e levá-los para a custódia do governo. Seu último alvo está entre os mais perigosos que já enfrentou, um líder responsável pelo maior ataque terrorista dos últimos tempos e que pretende começar uma guerra civil. Mas para capturá-lo, Cooper precisa se infiltrar em seu mundo e ir contra a tudo o que acredita. Denominado pelo Chicago Sun-Times como o mestre do suspense moderno, Markus Sakey criou um universo ao mesmo tempo perturbador e incrivelmente semelhante ao nosso, onde um dom pode se tornar uma maldição. 



Tenho que admitir que fui fisgada totalmente pela sinopse desse livro. Sou completamente apaixonada por ação e ficção científica, então quando surge alguma oportunidade de ler um livro do gênero, sou uma das primeiras a querer ler, principalmente se a sinopse dá sinais de que ele vai ter alguma faísca de originalidade (afinal, existem muitos livros do gênero no mercado). Brilhantes surgiu exatamente com essa premissa: de ser um livro com muita ação e suspense, daqueles que tiram o seu fôlego até a última página. Apesar de não ter sido tudo que eu esperava, o livro cumpriu o que prometeu e deixou aquele gostinho de quero mais.

A humanidade normal percebeu que algo de ruim ia acontecer. O que antes fora uma curiosidade agora er auma ameaça. Não importava como fossem chamados - brilhantes, superdotados, anormais, esquisitos -, eles mudaram tudo.
A grande verdade é que as primeiras páginas de Brilhantes não me convenceram. Logo de cara me vi perdida no meio da quantidade enorme de informações e isso atrapalhou muito meu rendimento com a leitura, uma vez que isso fez com que o livro se tornasse maçante e difícil de acompanhar. Tenho que admitir que por vezes senti vontade de abandoná-lo. Mas, como eu tinha visto muitas resenhas positivas a respeito desse livro, resolvi insistir para ver se ele conseguia me conquistar e foi a decisão certa a ser tomada. Passadas as primeiras cem páginas torturantes, finalmente consegui pegar o ritmo do livro e me envolver com a história.

Um dos grandes motivos para isso ter acontecido foi a grande quantidade de ação que permeia todas as páginas do enredo. O autor Marcus Sakey nos envolve em uma grande trama de conspiração e terrorismo (ou seja, coisas que vemos em nossa sociedade) e isso gera um suspense incrível, sem contar que temos um toque de X-Men que deixa tudo sensacional. Com isso você acaba criando uma grande expectativa ao longo das páginas e precisa saber a qualquer custo o que vai acontecer em seguida. Como artifício para prender o leitor, o livro é dividido em três partes, e, como geralmente vemos em outros livros com esse arranjo, podem ser vistas como introdução, desenvolvimento e clímax. Ou seja, o ritmo da narrativa é crescente e em nenhum momento o autor deixa esse ritmo diminuir. O enredo vai ficando cada vez mais envolvente e somos surpreendidos com diversas reviravoltas.

A narrativa em terceira pessoa também não deixa desejar. O nosso protagonista, Nick Cooper, é muito bem desenvolvido, mas tenho que confessar que ele demorou um pouquinho para me conquistar, porque ele é um pouco arrogante e não tem carisma nenhum. Mas, ao acompanhar a história e ver como ele foi até ao extremo para conseguir o que precisava, ele aos poucos me envolveu e eu consegui sentir sua motivação e força. Quando vi já estava totalmente apegada à forma dele de analisar as pessoas e a situação como um todo. Marcus Sukey também conseguiu trabalhar muito bem com os personagens secundários e tenho que destacas Shannon, que é exatamente uma dessas garotas que me conquistam de cara por causa da personalidade forte. Isso deu um brilho a mais no enredo.

As pessoas não querem a verdade, realmente. Querem vidas seguras, aparelhos eletrônicos bacanas e geladeiras cheias.
Brilhantes é um livro que exige um pouco de esforço. O começo é maçante e o excesso de informações pode fazer com que você perca o entusiasmo. Mas, com um pouquinho de dedicação, você vai ser presentado com um livro com uma história muito interessante, que vai te tirar o fôlego por ser cheio de ação e suspense. É o primeiro livro da trilogia Brilhantes, mas, se você está fugindo de séries, fique tranquilo: esse livro tem começo, meio e fim definidos, ou seja, você não fica naquela obrigação de ler o próximo volume para entender a história desse. E, vão por mim: se vocês procuram algum livro bem movimentado e com muitas reviravoltas, com certeza Brilhantes vai te agradar. 

11/08/2015

Resenha: Ela Não É Invisível, de Marcus Sedgwick

Título: Ela Não É Invisível
Autor: Marcus Sedgwick
Editora: Galera Record
Páginas: 256
Laureth é uma adolescente cega de 16 anos, e seu pai é um autor conhecido por escrever livros divertidos. De uns tempos pra cá, ele trabalha em uma obra sobre coincidências, mas nunca consegue termina-la. Sua esposa acha que ele está obcecado e prestes a ter um ataque de nervos. Laureth sabe que o casamento dos pais vai de mal a pior quando, de repente, seu pai desaparece em uma viagem para a Áustria e seu caderno de anotações é encontrado misteriosamente em Nova York. Convencida de que algo muito errado está acontecendo, ela toma uma decisão impulsiva e perigosa: rouba o cartão de crédito da mãe, sequestra o irmão mais novo e entra em um avião rumo a Nova York para procurar o pai. Mas a cidade grande guarda muitos perigos para uma jovem cega e seu irmãozinho de 7 anos.



Não é segredo para ninguém que a capa de Ela não é invisível é uma coisa linda, não é mesmo? Com certeza seria uma das primeiras que eu olharia caso entrasse em uma livraria e não conhecesse nenhum dos livros expostos. Pois bem. Esse foi o meu caso: fui completamente atraída por ela e logo depois fui conquistada pela sinopse do livro, mas, ainda assim, estava com poucas expectativas. Estava precisando ler algo diferente, algo que destoasse dos últimos livros que estava lendo, pois cheguei a um ponto em que estava lendo histórias muito parecidas e isso iria me ocasionar uma ressaca literária sem sombra de dúvida. Peguei esse livro e, logo nas primeiras páginas, me vi presa por aquele enredo tão bem elaborado e ansiando por mais. Uma excelente surpresa!

Invisível? Não; ninguém iria querer ser assim. Sem que ninguém notasse sua presença ou falasse com você. No fim das contas, acabaria sendo solitário de mais.
Sempre que um livro envolve algum tipo de doença ou deficiência de seus personagens, eu fico com um pé atrás. É impressionante como vários autores têm usado esse recurso para gerar uma dramaticidade para a história e quase sempre isso é usado da mesma maneira: como um estorvo para a vida do protagonista ou para que ele seja digno de pena. Mas, como vocês já devem ter percebido, estou cansada disso. Por esse motivo abaixei as minhas expectativas com relação a Ela Não É Invísivel: nessa história conhecemos Laureth, uma deficiente visual que embarca em uma jornada junto com seu irmão para descobrir o paradeiro do seu pai. Bom, vocês já imaginam todos os clichês que isso pode trazer, não é? Mas não foi bem assim que aconteceu.

O autor Marcus Sedgwick não usou esse artifício como tantos outros autores, que colocam isso como um obstáculo enorme na vida dos personagens, mas sim como mais uma informação sobre Laureth e também para dar uma cara totalmente diferente para o seu enredo. Como aqui temos uma narrativa em primeira pessoa pelo ponto de vista da protagonista, temos uma nova forma de ver o ambiente ao seu redor: não temos descrições físicas, visuais, mas, ao mesmo tempo, é como se o autor conseguisse transmitir tudo que está acontecendo. A narrativa fluida e extremamente instigante também ajuda, pois faz com que o leitor se envolva com a história e fique querendo mais páginas assim que o livro acaba.

Mas é claro que os personagens também ajudam nisso. A nossa protagonista, Laureth, não é definida por sua deficiência e só isso já foi um grande passo para que eu gostasse dela. Por ter apenas 16 anos, eu pensei que iria ter que lidar com mais uma daquelas personagens chatas e irritantes, mas, ao longo do enredo, ela vai se mostrando bem cativante com o seu jeito obstinado de ser e foi exatamente por esse diferencial que eu me encantei tanto por ela. É claro que não posso deixar de citar Benjamin e seu corvo de pelúcia: o garoto de apenas 7 anos tem uma personalidade única e consegue lidar com a situação em que está envolvido com a destreza de uma pessoa com muito mais idade. Adorei!

É tudo uma questão de probabilidade. Tem até um nome para isso: Lei de Littlewood, em homenagem a um professor de Cambridge. O professor Littlewood definiu milagre como algo cuja chance de acontecer seria uma em um milhão. Em seguida, concluiu que, dado o enorme número de experiências pelas quais as pessoas passam todos os dias pode-se esperar ver algo milagroso acontecer a cada 35 dias, mais ou menos. O que significa que algo que parece uma coincidência milagrosa na verdade é bem comum.
Claro que não posso deixar de falar do excelente trabalho gráfico feito pela editora Galera Record. Além de ter essa capa linda, ao longo do livro temos trechos do caderno do pai dela, o que confere um efeito visual muito bacana para a obra como um todo. Ela Não É Invisível é um livro que, por mais que seja um thriller, não é pesado e você pode ler em somente uma tarde. Ou seja: se você está procurando algo diferente, mas que ao mesmo tempo te prenda e te proporcione uma excelente leitura, vai por mim: esse livro é mais do que recomendado. Dê uma chance e se surpreenda! 

10/08/2015

Resenha: No Início Não Havia Bob, de Meg Rosoff

Título: No Início Não Havia Bob
Autora: Meg Rosoff
Editora: Galera Record
Páginas: 240
E se Deus fosse um adolescente? Após ganhar a Terra num jogo de pôquer, a deusa Mona resolve delegar a seu filho, um insolente e mimado adolescente, o novo planeta. Bob, preguiçoso demais para gastar muito tempo com isso, cria tudo em seis dias e a partir daí joga todo o trabalho para cima de seu assistente, o frustrado Sr. B. Quando os problemas começam a aparecer, sobra para ele limpar a bagunça. E o fato de Bob ter criado os humanos à sua imagem e semelhança também não ajuda. Como um planeta cheio de criaturas tão gananciosas e intolerantes pode sobreviver? Como não bastasse, Deus está obcecado por uma garota mortal: Lucy, assistente em um zoológico. E a cada encontro a Terra é afetada pelos sentimentos de seu criador. Dominado por desejos intensos, Bob começa a causar verdadeiras catástrofes em seu planeta. Desesperado, conseguirá o Sr. B. salvar a Terra de seu próprio Deus?



Vamos aos fatos: a premissa de No Início Não Havia Bob é extremamente interessante. Afinal, o que aconteceria se Deus fosse adolescente? Eu sempre me interesso por livros que têm a ousadia de serem originais porque já leio muito do mesmo, principalmente dentro do gênero Young Adult. Só que, às vezes, a originalidade pode dar muito errado. E foi exatamente isso que aconteceu nesse livro em particular: com uma história muito confusa e carregada de informações, a autora Meg Rosoff entregou uma trama nada convincente e que, infelizmente, em nenhum momento conseguiu me envolver. Uma pena.

Talvez a forma de proceder seja pensar na vida na Terra como uma piada colossal, uma criação de uma estupidez tão imensa que a única forma de viver é rir até achar que nosso coração vai se partir.
É sempre ruim quando um livro com grande potencial para ser explorado acaba sendo mais um entre tantos outros. É assim que eu me sinto com relação a No Início Não Havia Bob. É sempre corajoso quando um autor envolve termos religiosos em ficção, até porque muitos leitores têm opiniões pré-concebidas e não aceitam bem essa inserção em livros do gênero. Por causa disso e pela sinopse muito cativante, é lógico que eu daria uma chance para ele. Só que foi um potencial totalmente desperdiçado, uma vez que encontrei tudo aquilo que não esperava e que, convenhamos, não queria encontrar.

A primeira decepção veio na narrativa: a autora não conseguiu fazer com que ela me prendesse de jeito nenhum. Por ser em terceira pessoa e contada de vários ângulos diferentes da história, temos uma história toda picotada, como se a todo momento aquilo que está se desenvolvendo em um capítulo fosse interrompido para contar outra coisa totalmente diferente e isso atrapalha e muito na fluidez da história. Me vi irritada várias vezes com essas interrupções e também não foram poucas as ocasiões em que me vi forçando a leitura com a esperança de que algo de surpreendente e que me envolvesse acontecesse e, por mais que eu tenha esperado, nada disso aconteceu. Sem contar que a história é inconsistente: em um momento estamos caminhando para um objetivo, mas, ao longo da trama, esse objetivo muda completamente e faz com que a história perca seu rumo. Uma grande decepção.

Outra coisa que me desagradou bastante foi a falta de aprofundamento nos personagens. A todo momento eles eram inseridos no enredo, mas sem nenhuma explicação sobre como eles surgiram ou qual a ligação deles com a história. Fiquei bastante perdida e não consegui criar uma relação mais forte com nenhum deles, pois pareceu que eles foram apenas jogados no enredo para ocupar espaços vazios. Se não bastasse isso, a autora ainda utiliza muitos clichês para elaborá-los, ou seja, nenhum é marcante e você provavelmente vai esquecer o nome deles no dia seguinte a leitura. É difícil de acreditar que tantos erros tenham sido cometidos em um único livro.

Os prazeres da vida eram tão simples, na verdade. Era só uma questão de apreciar o que tinha - e saber que as coisas sempre poderiam ser piores.
Por fim, por mais que eu ainda tivesse esperanças, a autora fez o pior desfecho possível, ou seja, nem isso salvou o livro de cair nas minhas piores leituras do ano. Minhas expectativas com No Início Não Havia Bob eram as melhores possíveis, mas a autora Meg Rosoff desperdiçou o grande potencial que o livro tinha e criou uma história confusa, nada envolvente e com uma narrativa que deixa qualquer leitor cansado já nas primeiras páginas. A capa (que eu achei linda!) e a sinopse dessa vez enganaram. Mas não temos como fugir disso, não é? Infelizmente. 

09/08/2015

Resenha: Em Busca de Cinderela, de Colleen Hoover

Título: Em Busca de Cinderela (Hopeless #2.5)
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Páginas: 160
Neste conto da bem-sucedida e adorada série Hopeless, o leitor conhecerá melhor dois personagens secundários de "Um caso perdido". Daniel está no breu do armário de vassouras da escola – o perfeito esconderijo para quem quer fugir do mundo real –, quando uma garota literalmente cai em cima dele. Às cegas, os dois vivem um curto romance, mesmo sem acreditar muito no amor. No fim a garota foge, como se realmente fosse a Cinderela e tivesse uma carruagem prestes a virar abóbora. Um ano depois, Daniel e sua princesa se reencontram, e percebem que é possível nutrir um amor de conto de fadas por alguém completamente real. Juntos, os dois irão perceber que fora do faz de conta, ficar juntos é bem mais difícil e os problemas de um casal são muito reais.


Tenho que confessar que sempre tenho um pé atrás quando se trata de Colleen Hoover. Para quem viu a minha resenha de Métrica, sabe que foi um livro bem decepcionante, mas, em contrapartida, a série Hopeless, com Um Caso Perdido e Sem Esperança, me conquistou até o último fio de cabelo e, por essa razão, fiquei muito feliz quando vi a editora Galera Record iria publicar em formato impresso esse conto aqui no Brasil, porque eu iria ter mais um gostinho da série que me conquistou. Por causa do meu receio, fui com pouquíssima expectativa. E não é que fui surpreendida?

Fico surpreso com o quanto não quero que ela vá, porque sei que nunca mais vou vê-la de novo. Quase imploro para ela ficar, mas também sei que ela tem razão. Tudo só parece perfeito porque estamos fingindo que é perfeito. p. 30
Dessa vez temos uma história bem compacta. Por ser bem curtinho (temos só 160 páginas), o enredo não tem muitas reviravoltas, mas com certeza agrada o leitor e fã da série. Ao colocar o relacionamento de Daniel e Six como foco do livro e Sky e Holder como personagens secundários, temos uma visão muito mais ampla daqueles personagens que não tinham ganhado destaque nos livros anteriores e, além disso ter sido um complemento ótimo para a história como um todo, tenho que dizer que estou apaixonada por eles e que eles poderiam ganhar uma série independente que eu seria uma das primeiras a querer ler. <3

Em Busca de Cinderela é narrado em primeira pessoa pelo Daniel e tenho que admitir que a minha visão sobre ele mudou totalmente. Antes, tinha a sensação de que ele era aquele garoto um pouco idiota, impulsivo e que não pensa nas consequências, mas, a partir desse conto, temos um outro lado desse personagem: um amigo leal, cuidadoso e com sentimentos profundos. Já Six, que pouco tinha aparecido nos livros anteriores, veio e conseguiu ganhar uma voz própria. Era quase como se eu já a conhecesse em detalhes. Isso só mostrou a grande capacidade de Colleen Hoover para desenvolver personagens marcantes.

Bem, tecnicamente acho que nunca amei Val de verdade. Achava que sim, mas agora penso que se uma pessoa está verdadeiramente apaixonada, o amor dela é algo incondicional. O que eu sentia por Val não era nada incondicional. Todas as coisas que eu sentia por ela tinham certas condições. p. 74
A autora Collen Hoover mostrou mais uma vez que pode arrasar quando se trata de romances. Me vi tão envolvida que li o livro somente algumas horas. Temos todos os elementos essenciais: a química entre o casal, situações engraçadas e uma reviravolta de prender o fôlego. É nesse momento que Hoover coloca temas impactantes e que afetam muitos jovens dentro de sua trama e faz com que o livro se torne um veículo para passar uma mensagem para os leitores, principalmente para o público jovem adulto. Ou seja, é uma excelente leitura, seja você fã da série ou não. Mas, se não for, com certeza vai virar.

08/08/2015

Resenha: Naomi & Ely e a Lista do Não-Beijo, de David Levithan e Rachel Cohn

Título: Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo
Autores: David Levithan e Rachel Cohn
Editora: Galera Record
Páginas: 256
A quintessência menina-gosta-de-menino-que-gosta-de-meninos. Uma análise bem-humorada sobre relacionamentos. Naomi e Ely são amigos inseparáveis desde pequenos. Naomi ama Ely e está apaixonada por ele. Já o garoto, ama a amiga, mas prefere estar apaixonado, bem, por garotos. Para preservar a amizade, criam a lista do não beijo — a relação de caras que nenhum dos dois pode beijar em hipótese alguma. A lista do não beijo protege a amizade e assegura que nada vá abalar as estruturas da fundação Naomi & Ely. Até que... Ely beija o namorado de Naomi. E quando há amor, amizade e traição envolvidos, a reconciliação pode ser dolorosa e, claro, muito dramática.


Mais um livro do Levithan, ou seja, mais um livro que eu fico louca para ler custe o que custar. Sou dessas fãs que, não importa qual seja a sinopse, eu sempre vou ser uma das primeiras da fila para ler “o novo livro do Levithan” porque é inacreditável como esse homem consegue sempre fazer os melhores livros. Eis que surge Naomi & Ely e a Lista do Não-Beijo com essa capa que ninguém pode colocar defeito e ainda com a coautoria de Rachel Cohn, com quem também escreveu Nick e Norah, um dos melhores livros que li em 2015. Não tinha como dar errado, não é mesmo? Apesar de não ter sido tudo aquilo que eu esperava (ah, a expectativa, como ela é má!), é um daqueles livros que a gente lê em somente uma tarde e foi uma delícia de leitura.

Não existe alma gêmea… e quem gostaria que existisse? Não quero ser metade de uma alma compartilhada, quero a porra da minha própria alma.
Sempre gostei de uma característica que vejo em praticamente todos os livros do Levithan: a forma crua como ele compõe seus personagens. Sempre tenho a sensação de que aquela pessoa de quem ele está falando poderia ser meu amigo na vida real. Pensem na minha decepção quando logo de cara encontro personagens com características clichês do Young adult e com atitudes extremamente previsíveis, egoístas e maldosas. Pois é. As primeiras páginas de Naomi & Ely não conquistaram. Parecia que eu estava lendo mais um livro do gênero, sem qualquer outra qualidade que o diferenciasse dos demais, pois não havia nenhuma originalidade envolvida. Mas, como estamos falando da mistura mágica de David Levithan e Rachel Cohn, é claro que eu não iria abandonar o livro assim. Insisti e... não é que deu certo?

Ao longo do enredo, percebemos que a amizade ganha o papel de protagonista. Ou seja, por mais que tenhamos as duas figuras que conduzem o enredo, a mensagem do livro é muito mais profunda do que aquilo que está sendo mostrado ao decorrer das páginas. Uma vez que você consegue ter essa percepção, as camadas da história vão sendo descobertas, tiradas uma a uma e esse é o grande diferencial do livro, sem contar que ele está recheado de situações engraçadas e de temas que precisam ser cada vez mais abordados, como a homossexualidade. A narrativa extremamente fluida dos autores colabora para que isso aconteça, uma vez que é sempre em primeira pessoa, mas por diversos pontos de vista, o que faz com que tenhamos uma composição muito mais rica do enredo e isso faz com que o leitor tenha uma compreensão muito mais abrangente da situação em que Naomi e Ely estão envolvidos.

Esses dois personagens acabaram me encantando também. Por mais que Naomi seja aparentemente a pior pessoa do mundo – e ela caracteriza a si mesma como uma vaca –, nos damos conta de que ela tem muito mais potencial do que demonstra e, Ely não é fútil e com sentimentos rasos, mas sim um garoto capaz de amar profundamente aqueles com quem se importa. A forma como os dois evoluíram ao longo da história me conquistou, até porque em diversas situações eu senti que poderia me colocar facilmente no lugar deles. Aquela sensação de “isso poderia estar acontecendo comigo” faz com que a empatia entre o leitor e o personagem seja enorme e chegamos ao fim com a certeza de que nos tornamos amigos daqueles que nos acompanharam pelas páginas numeradas.

Não. Não, não, não, não. Não é fácil. As coisas que realmente importam não são fáceis. Os sentimentos de alegria são fáceis. A felicidade, não. Flertar é fácil. Amar, não. Dizer que você é amigo de alguém é fácil. Ser um amigo de verdade, não.
Naomi & Ely e a Lisa do Não-Beijo não é uma das grandes obras de David Levithan, mas também não deixa a desejar. É um daqueles livros que à primeira vista parecem clichês e previsíveis, mas que, no final das contas, nos traz uma grande mensagem. Com uma linguagem voltada para o público jovem adulto, é uma excelente leitura caso você esteja querendo algo mais leve, para entreter uma tarde de tédio. Mas, vai por mim: se você é fã de Todo Dia e de outras grandes obras dos autores, a melhor dica é ir com pouca expectativa. Tenho certeza que isso fará com que sua leitura seja muito mais proveitosa.

22/07/2015

Divulgada: Capa de Guardião? de Eleonor Hertzog, lançamento da Bienal do Livro



Vida e morte
Dia e noite
Sombra e luz 

A cada verso, seu reverso.
A cada ação, sua reação.
A cada poder... Seu preço! 

Seu poder é gigantesco, meu jovem.
Por isso, você é o Guardião.
Na verdade, você é mais do que um simples Guardião. 

Mas...
E se o preço do seu poder for a vida de quem você ama?





Para mais informações, vocês ficar ligados no site, no Twitter ou no Facebook da autora. 
Fiquem ligados porque na página do Facebook da autora está rolando uma super promoção valendo um kit incrível! :)

30/06/2015

A Promessa da Rosa - Confira o 1º capítulo

Ficou com aquele gostinho de quero mais com os últimos posts sobre A Promessa da Rosa aqui no blog e na nossa página no Facebook? Então vem conferir um pedacinho desse livro que promete!

29/06/2015

Booktrailer: A Promessa da Rosa

Já conferiu o booktrailer do mais novo livro de Babi A. Sette


Para mais informações sobre o livro, acessem o site da autora.

25/06/2015

Entrevista: Babi A. Sette

1) Quem é Babi A. Sette? 
Romântica, sonhadora, intensa. Exigente, perfeccionista, detalhista, ou eu faço com o coração e alma ou nem me peça para fazer. Feliz, enquanto escrever eu serei feliz. Sou mãe de uma menina, de um gato, de um cachorro e dos meus personagens. 

2) Houve algum momento marcante durante a sua vida em que você colocou a carreira de escritora como um objetivo ou você sempre sentiu que esse era o caminho que você iria seguir?
Não. Não houve um momento. De certa maneira eu sempre soube que era isso que me faria feliz... escrever. Quando eu entendi que não era apenas escrever e sim, contar histórias através da escrita a coisa veia como uma erupção que não parou mais. É como se todas essas historias e personagens estivessem aí na boca do vulcão, apenas esperando a meu "click interno"para virem a tona. 

3) Quais foram as coisas mais difíceis em escrever e publicar "Entre o amor e o silêncio" e "A Promessa da Rosa"?
Acho que o maior desafio foi interno. Quando eu entendi que estava na hora de publicar (eu demorei uns dois anos para tomar essa decisão), as coisas aconteceram e ainda acontecem como eu acredito, sempre para o melhor. Sobre o processo de escrita; os meus livros são  bem intensos e eu vivo cada linha que escrevo, não acho que isso seja uma dificuldade, apesar dos desafios inerentes a trama, vejo todo o processo como algo verdadeiramente mágico, eu me curo escrevendo e dando vida aos personagens, descubro partes minhas que eu nem sabia que existiam.

4) "Entre o amor e o silêncio" foi muito bem recebido pela crítica em geral. Como você se sente com tamanha aceitação?
Se você me pedisse para colocar em uma palavra ela seria: gratidão.

5) Qual foi a sua principal inspiração para o livro "A Promessa da Rosa"? O que podemos esperar desse novo livro?
Eu vi uma cena de uma amante famosa, de rosas e de uma paixãoo avassaladora dessas que as pessoas se sentem capazes de matar ou morrer por ela. Reviravoltas, emoções... muitas. Uma história de superação e de amor.

6) Quando você constrói seus personagens, utiliza referências reais? Alguma característica sua, algum amigo, algum artista? Você consegue imaginá-los sendo interpretados por atores?
Sim e não rs. Uma mistura das duas coisas.
Sempre imagino atores, sempre vejo as cenas como em um filme. E sim, meus personagens recebem pitadas de pessoas reais, das minhas experiências...

7) Como você lida com as críticas sobre o seu trabalho?
Eu tento ver as criticas como algo que faz parte do processo d publicação. Nem sempre elas são positivas e quando é assim acho que é expressão de outra pessoa. Uma vez que eu publico o livro eu entrego ele ao Universo. E assim ela não é mais meu. Na verdade acho que nunca foi rs. Sei que toda a experiência humana é algo único e intransferível, e com a leitura isso talvez seja muito evidente, estamos lidando com a imaginação das pessoas, as histórias tem a capacidade de falar intimamente com os leitores. Olhando sobre esse prisma vejo que cada crítica seja ela positiva ou não é um reflexo dessa experiência individual, é muito mais sobre o leitor do que sobre a obra na minha opinião e isso é o que torna essa vida tão fascinante. Essa infinidade que cada um de nós é.  

8) Como é o seu processo criativo? Você costuma esquematizar o livro antes de escrever ou deixa a imaginação fluir?
Deixo fluir, se eu esquematizar acho que sou tão impulsiva, intensa e destronizada que isso me atrapalharia no lugar de ajudar, capaz que no fim eu tivesse tendo mais trabalho tentando organizar um esquema do que criando qualquer coisa, risos.

9) Você tem projetos para futuros livros em andamento?
Sim, estou escrevendo um romance histórico, do mesmo período da Promessa da rosa; é na verdade, o romance da irmã da Kathelyn, da Lilian.

10) Você tem alguma mensagem para os seus atuais e futuros leitores?
Quero agradecer de coração; são vocês que tornam esse sonho real; os personagens abracem também, sem vocês eles não estariam tão vivos. 

Lançamentos #50: Galera Record

Título: Naomi & Ely e a lista do não beijo
Autores: David Levithan e Rachel Cohn
Páginas: 256
Uma análise bem-humorada sobre relacionamentos. Naomi e Ely  são  amigos inseparáveis  desde pequenos. Naomi é irresistível, todos  que  cruzam  seu  caminho acabam se apaixonando. Mas ela sempre amou apenas o único cara que não pode ter: seu melhor amigo gay. E Ely é um conquistador barato que gosta de brincar com os sentimentos dos meninos até finalmente conseguir se apaixonar. Para preservar a amizade, criam a  lista  do não  beijo™  — a relação  de caras  que nenhum dos  dois pode beijar  em  hipótese  alguma. A  lista  do  não beijo™ protege  a amizade  e assegura que nada vá abalar as  estruturas da fundação  Naomi &  Ely. Até que... Ely beija o namorado de Naomi. E quando há amor, amizade e traição envolvidos, a reconciliação pode ser dolorosa e, claro, muito dramática.

 Título: A Fofa do Terceiro Andar
Autora: Cléo Busatto
Páginas: 144
Ana sempre foi uma criança alegre, saudável e... fofa. Ela nunca se incomodou em receber adjetivos, até notar que eles nem sempre serviam para ser legal com alguém. Conforme vai ficando  mais velha, por  mais que tente manter o sorriso  estampado no rosto, os apelidos e implicâncias começam a mexer com ela. O jeito é colocar para fora, nem que seja no caderno. E não é que ajuda? Agora Ana só precisa conseguir aplicar isso na realidade, o que não é tão fácil quanto parece. Primeiro  ela tem que descobrir o  que realmente a incomoda (e  não  o  que incomoda os outros) e então encontrar maneiras de trazer à tona a Ana confiante que se escondeu dentro dela. E que processo! A adolescência tem um tempo todo próprio,  e não  é  fácil acompanhar. Novos gostos, novas sensações, novo corpo... Ela segue redescobrindo a si e ao  mundo. E não faz isso sozinha. Além da Julia, sua amiga de infância, há outra pessoa que chega de mansinho... Francisco não é como os outros garotos que ela já conheceu. Ele enxerga o mundo de forma  diferente  e  começa a ensinar  Ana  a fazer  o  mesmo.  A focar nos  aspectos positivos, a ser gentil com si mesma e, principalmente, a não tentar se encaixar em um molde que não é o seu. Afinal, imagina como seria chato se o mundo fosse visto por todos da mesma forma?

23/06/2015

Resenha: A Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard

Título: A Rainha Vermelha
Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Páginas: 424
O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.

Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?

Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.




Vamos aos fatos: depois de tanta gente comentar a respeito de A Rainha Vermelha, é quase impossível não ficar com aquela curiosidade quase que mórbida para saber o que esse livro tem de tão especial, não é mesmo? Sem contar que a capa é uma daquelas que chamam a atenção e te fazem querer ter o livro na estante mesmo sem ter um pingo de noção sobre a sinopse. Eis que minha vontade de ler aumentou ainda mais quando vi que a história poderia ser considerada uma mistura de Game of Thrones, A Seleção e X-Men. Apesar de realmente ter entregado tudo que prometeu - desde a ação até as comparações feitas com histórias que gosto muito - e de ter me empolgado bastante, a minha expectativa foi mais uma vez a vilã da leitura. Terminei o livro com aquele gosto de quero mais.

Esta é a verdadeira distinção entre prateados e vermelhos: a cor do sangue. Esta única diferença os torna mais fortes, mais inteligentes e melhores que nós. p. 14
De tirar o fôlego. Eis uma frase que define bem o enredo de A Rainha Vermelha. Com diversas reviravoltas, somos apresentados a uma história em que a ação fica em primeiro plano e não deixa nada a desejar: a cada novo capítulo, algo diferente acontece e muda totalmente o rumo dos personagens. Essa foi uma das coisas que me deixaram muito empolgada, uma vez que há muito tempo procurava um livro voltando para o público jovem adulto que tivesse essa característica bem desenvolvida, já que a grande maioria dos livros que li que prometiam isso sempre focavam no romance e isso fazia com que todo um potencial fosse perdido e isso não aconteceu aqui, já que a autora conseguiu trabalhar bem com os elementos apresentados.

Como A Rainha Vermelha é um livro focado em injustiças e revoltas pela igualdade, a autora Victoria Aveyard faz com que esse seja o ponto principal do enredo e, com isso, o leitor cria um vínculo forte com a história e é por essa razão que quanto mais páginas você lê, mais você se envolve com ela e mais coisas você quer que aconteçam para resolver a situação em que os personagens estão inseridos. Você acaba se envolvendo tanto que torce para que tudo dê certo, sente a angústia de todos os momentos de dúvida e tensão e se surpreende demais com as reviravoltas. Isso e a narrativa fluida da autora fazem com que as 424 páginas que compõem o livro passem em um piscar de olhos.

Porém, tenho que admitir que fui conquistada por Mare, a protagonista. Ela é forte, ousada e determinada, mas, ao mesmo tempo, não temos uma personagem inatingível: através da narrativa em primeira pessoa, temos contato com suas dúvidas, inseguranças e também com toda a adrenalina gerada pela situação em que ela está envolvida. É uma personagem completa e isso realmente me encantou. Mas, no que diz respeito aos outros personagens, nenhum me convenceu o suficiente. Cal e Maven, que são os príncipes da história, não me cativaram em momento algum e isso fez com que o romance que foi proposto - ainda que esse não tenha sido o enfoque da história - não me despertasse maiores interesses. Mas, felizmente, a autora soube trabalhar bem em cima de todas as personalidades dos personagens secundários e isso fez com que eles também tivessem um papel importante dentro do enredo.

Você não é prateada. Seus pais são vermelhos, você é vermelha, seu sangue é vermelho.  p. 86
A única coisa que me decepcionou um pouco foi que a partir de certo momento as reviravoltas se tornaram um pouco óbvias para mim. Desde a metade do livro eu já sabia praticamente tudo que iria acontecer e aquele final surpreendente que eu tanto esperava não aconteceu. Mas isso não tirou o brilho do livro como um todo: por ser apenas o primeiro volume de uma trilogia, A Rainha Vermelha é muito satisfatório, uma vez que foge daquele estereótipo de que todo livro que inicia uma série precisa necessariamente ser apenas introdutório. Temos ação, romance, intrigas e todo o necessário para um enredo sensacional. A expectativa para que o próximo volume seja ainda melhor é grande (e muito difícil de controlar) devido ao potencial que a autora demonstrou nesse primeiro e ao cliffhanger deixado para os leitores. Essa série promete!

Trilogia The Red Queen
  1. A Rainha Vermelha
  2. Glass Sword (Lançamento nos EUA em fevereiro/16)
  3. Sem título

15/06/2015

Lançamentos #49: Novo Conceito

Título: Eu te darei o sol
Autora: Jandy Nelson
Páginas: 384
Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia. Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém. Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.


10/06/2015

Resenha: Elena - A Filha da Princesa, de Marina Carvalho

Título: Elena - A Filha da Princesa
Autora: Marina Carvalho
Editora: Galera Record
Páginas: 322
Este não é um conto de fadas comum. Sim, existe uma princesa. Não uma donzela, mas uma jovem moderna, preocupada com os problemas de seu tempo. Há também um príncipe. Só não espere que ele seja um perfeito cavalheiro. Afinal, uma pitada de bad boy nunca fez mal a nenhum herói. Elena, filha da princesa Ana — a brasileira que se tornou herdeira do trono da Krósvia —, já não é mais a menininha apaixonada pelo primo Luka, com quem deu o primeiro beijo aos 13 anos. Cresceu, namorou, viajou o mundo. Mas uma notícia surpreendente a faz voltar para casa... justamente quando obrigações familiares também exigem a presença de Luka. O reencontro é explosivo. Luka não estava preparado para adulta que a prima tímida se tornou. Uma mulher que sabe muito bem o quer. E quem quer.



Ah, Marina Carvalho... Você conseguiu. Tenho que confessar que estava um pouco receosa quanto a este livro, pois quem leu a minha resenha de Simplesmente Ana sabe que eu gostei do relacionamento de Ana e Alex e que eu estava em uma época muito propícia para gostar do conto de fadas moderno criado pela autora brasileira. Quando me falaram que teríamos um spin-off da história, com personagens diferentes e uma abordagem voltada para o New Adult, é claro que fiquei com medo, mas... Resolvi arriscar. E não é que deu certo?

O que vejo entre eles é um amor tão grande que desconfio ser único, impossível de haver outro igual, mesmo para mim. p. 23
Terceiro livro do ciclo que envolve a família real da Krósvia, aqui temos um foco em Elena, filha de Ana e Alex e tenho que confessar que meu envolvimento com a personagem e com a sua história demorou um pouco para acontecer. O grande motivo para isso acontecer foi que eu não queria me desapegar do casal protagonista dos outros dois livros e, mesmo sem me dar conta, me via querendo que o foco fosse para os dois de alguma forma e foi estranho vê-los como personagens secundários nesse livro. Mas, no final das contas, Elena conquistou espaço no meu coração.

Isso aconteceu porque a Elena é uma protagonista carismática. Determinada, corajosa, forte, com uma vontade inesgotável de fazer o bem para os outros. Ou seja, totalmente diferente do padrão da mocinha perfeita, mimada e irritante que passa a história inteira esperando ser resgatada por um príncipe. E isso tinha tudo para acontecer, uma vez que a protagonista foi criada dentro de uma família real, mas a autora Marina Carvalho conseguiu desenvolvê-la de forma com que ela ficasse real, imperfeita e isso foi o ponto chave para criar uma identificação com o leitor. Só isso já foi o suficiente para que eu mergulhasse de vez na história, afinal, protagonistas assim sempre me conquistam. Mas o que me cativou mesmo foi o romance.

Como eu disse lá no começo da resenha, a autora se propôs a criar um New Adult nessa nova história da família Markov. E tenho que admitir que perdi o fôlego com o romance entre Elena e Luka! Há uma tensão sexual enorme entre os dois e é impossível não ficar com aquela expectativa para que tudo dê certo. Para tornar o romance ainda mais cativante, a autora utilizou uma narrativa em primeira pessoa alternada entre os protagonistas e esse artifício foi essencial para que ficássemos ainda mais envolvidos com esse relacionamento, uma vez que deu oportunidade para que ambos os personagens fossem bem desenvolvidos. Sem contar que acabei me apaixonando pelo Luka também. <3

Quando olho nos olhos dele, enxergo as sombras que o atormentam. É difícil não me sensibilizar com o que vejo. Luka é um homem e tanto, mas suas dores, seus mistérios, derrubam o gigante sempre que ele baixa a guarda. p. 170
Alguns de vocês devem estar pensando: mas eu não li nenhum dos dois primeiros livros, será que vou conseguir ler Elena sem nenhum problema? Fiquem tranquilos: por ser um spin-off, o livro é independente dos dois primeiros e você consegue entende-lo sem problemas. Se você, assim como eu, leu Simplesmente Ana e De Repente Ana e adorou, pode ter certeza que agora você vai ficar ainda mais apaixonado por essa narrativa envolvente que a Marina Carvalho sempre nos oferece. Elena veio para surpreender. Vale a pena dar uma chance. 

Resenha: Livro das Sombras, de Cate Tiernan

Título: Livro das Sombras (Coven #1)
Autora: Cate Tiernan
Editora: Galera Record
Páginas: 208
Morgana Rowlands nunca se imaginou como algo além de uma garota sem graça de 16 anos, ainda mais se comparada à melhor amiga, a linda Bree. Porém, isso está prestes a mudar. Quando Cal, um veterano transferido de outra escola, entra na vida da garota, ela se vê imersa em um novo universo: o rapaz se revela um bruxo à procura de pessoas para montar um coven. A ligação entre eles é imediata e impossível de ser desfeita – só há um problema. Bree está perdidamente apaixonada por Cal. Será Morgana capaz de controlar seus sentimentos em prol da amizade ou a conexão entre eles é mais forte do que ela própria?



Sou apaixonada por livros que envolvem magia. Acho que isso é um pouco do efeito da geração que aprendeu a gostar de ler com Harry Potter, afinal, aprendemos a receber a magia como uma velha conhecida. É por isso que, sempre que um livro que tenha o tema é lançado, fico com vontade de ler, para ver se algum vai me surpreender a ponto de eu ter aquele sentimento bom de volta (quase sempre me decepciono, mas...). Livros das Sombras chegou exatamente com essa proposta: um mundo de magia prestes a ser descoberto. Só que, infelizmente, não foi tudo aquilo que eu esperava.

Daqui a alguns anos, olharei para trás e me lembrarei deste dia como o dia em que o conheci. Olharei para trás e me lembrarei do exato momento em que ele começou a fazer parte da minha vida. Vou me lembrar disso para sempre.
Vamos aos fatos: a autora Cate Tiernan não era uma autora que eu estava louca para conhecer a escrita. Lembro que quando o livro Amada Imortal (que faz parte de uma de suas séries de maior sucesso) foi lançado, vi muitas críticas a respeito de sua narrativa e isso me fez ficar um pouco receosa para ler os livros de sua autoria. Eis que Livro das Sombras é lançado – com essa capa que faz qualquer um querer lê-lo imediatamente de tão linda que é – e eu resolvi dar uma chance para a autora. No entanto, fiquei um pouco decepcionada ao descobrir que esse era mais um livro clichê do gênero e ainda por cima com um triângulo amoroso. Mas, aos poucos, a narrativa fluida de TIernan me conquistou e acabei envolvida com a história.

Por ser uma narrativa em primeira pessoa através do ponto de vista de Morgana, nossa protagonista, temos todos os conflitos internos que todos passam durante a adolescência, como insegurança, dúvidas e pouca autoestima, e tenho que confessar que isso me irritou um pouco, uma vez que isso a tornou mais uma personagem com as características clichês de livros Young Adult, ou seja, sem nenhum toque especial. Além disso, Cate Tiernan não a desenvolve muito bem – assim como a nenhum dos outros personagens, inclusive as outras partes do triângulo amoroso, Bree e Cal – e isso impede qualquer tipo de conexão mais forte com o leitor e até de querer que esse triângulo venha a ter algum desfecho interessante.

Porém, um dos pontos positivos foi a utilização da cultura Wicca para dar um contexto sobrenatural ao enredo. Sempre li vários livros que utilizavam o tema e é muito interessante porque sempre acabo aprendendo algo que não conhecia. Minha animação com isso estava grande, só que a autora também preferiu não aprofundar tanto o assunto, deixando-o apenas como plano de fundo para o desenvolvimento da história (leia-se: triângulo amoroso), o que foi muito frustrante. Passei páginas e mais páginas esperando por algo mais desenvolvido, que me surpreendesse, até porque essa seria uma grande salvação para o enredo. Só que isso simplesmente não acontece.

Ser um bruxo não é questão de escolha. Ou você é ou não é. Está no sangue.
O que fez com que eu conseguisse ter uma leitura proveitosa de Livro das Sombras foi a narrativa extremamente fluida de Cate Tiernan. Como o livro é pequeno – 208 páginas –, isso fez com que eu o lesse rapidamente, em questão de horas. Só que, infelizmente, o enredo pouco desenvolvido não me convenceu. Por ser o primeiro volume da trilogia Coven, isso é até justificado, uma vez que a autora tenta criar uma introdução para o que está por vir, só que faltou aquele toque que deixa o leitor sem fôlego, ansioso pelos próximos volumes. Ainda não sei se darei uma chance para o segundo livro, mas, se eu der, com certeza irei com quase nenhuma expectativa para que eu não tenha outra decepção. Uma pena. 

Resenha: Fator Nerd 2 - Missão Improvável, de Andy Robb

Título: Fator Nerd 2 - Missão Improvável
Autor: Andy Robb
Editora: Galera Record
Páginas: 304
Sim, quando se é um nerd, a vida tem um ritmo todo próprio. Quando se é um nerd apaixonado, então... Archie ainda não esqueceu Sarah. A menina é seu preciossssso Um Anel. Atraído para ela como um Gollum repugnante, ele tem zero força de vontade. Como se não bastasse, é só chegar perto da linda gótica para que as pernas do garoto enfraqueçam, o coração acelere e o suor invada seu rosto. Mais ou menos a mesma reação ao berro de um Nazgûl. Um pavor insano invade o coração do mais corajoso dos homens. Tudo bem, pelo menos seu Monólogo Interior o repreende e tenta mantê-lo na linha. Claro que é uma batalha perdida. Mais ou menos como enfrentar o Hulk sem um Mjolnir. Ou o Duende Verde sem fluido de teia. Boa sorte com isso! Sem saber como se comportar perto de Sarah ele decide entrar na cabine de Dr. Who mais próxima e sumir. Afinal, um fim de semana de RPG, com direito a orelhas de elfo e espadas de espuma, se aproxima. Com a ajuda de Clare, uma menina com ideias muito próprias, Archie acredita ter encontrado a solução para conseguir conquistar a eterna amada Sarah: Cíumes. Afinal, no cinema isso sempre funciona. Mas essa pequena mentirinha cria uma série de mal-entendidos, nem sempre divertidos.



Se vocês soubessem há quanto tempo eu estava esperando esse livro, entenderiam o quanto eu estou empolgada para escrever esta resenha. Fator Nerd – Contatos Imediatos do 1º Amor (resenha) foi um dos meus livros favoritos em 2013 e desde então estava em uma pilha de nervos para que o segundo volume fosse lançado. Não que o primeiro pedisse por uma continuação, mas eu me identifiquei tanto com a história escrita por Andy Robb que eu sentia aquela necessidade de ter um pouco mais daqueles personagens que tanto gostei. E não é que foi ainda melhor do que eu esperava?

Acho que eu deveria explicar uma coisa: desenvolvi alguns mecanismos de defesa que me ajudam a enfrentar a rotina diária. O primeiro foi o Monólogo Exterior ou ME. Adoraria poder dizer que é uma fusão bem treinada de controle da linguagem corporal e camuflagem psicológica, que me permite manter meus pensamentos escondidos atrás de uma fachada fria de indiferença, mas ele não é tão confiável assim. p. 10
Fator Nerd 2 – Missão Improvável me trouxe de volta aquele conforto que eu sinto quando leio infanto-juvenis. Não sei quanto a vocês, mas esse é um dos meus gêneros favoritos, uma vez que os personagens costumam ter um pouco mais de imaginação e isso nos leva por situações muito inusitadas ao longo de qualquer enredo. Bom, é claro que não seria diferente nesse livro, ainda mais quando estamos falando de nerds de 14 anos tentando se ajustar em um mundo que não parece ser feito para eles. De alguma forma ou de outra, todos nos identificamos com alguma coisa pela qual eles passam e é nesse ponto que mora toda a magia do livro.

Narrado em primeira pessoa por Archie, seguimos o mesmo modelo do livro anterior: temos o conflito entre o MI (Monólogo Interior – que são as coisas que ele pensa e mantêm para si) e o ME (Monólogo Exterior – aquilo que ele faz para agradar aos outros e não provocar desconfianças sobre o que seu MI pensa). Quem não tem esse mesmo conflito todos os dias da vida? Ainda mais na situação em que ele está: tentando conquistar a garota de quem gosta. É justamente isso que faz com que a identificação entre o leitor e o personagem ocorra e que um vínculo seja criado, o que faz com que você acabe torcendo para que tudo dê certo para Archie e seus amigos. Sem contar que os diálogos internos chegam a ser cômicos e dão uma dinâmica toda especial para a história.

Mas, uma coisa genial e que eu não me canso de ver em qualquer livro que seja, são as referências à cultura nerd em geral. Em Fator Nerd 2, temos referências ao Batman, Senhor dos Anéis, Dungeons & Dragons e muito mais. Ou seja: para quem conhece, essas referências vão fazer a leitura muito mais rica e legal, até porque é muito animador quando reconhecemos alguma. Mas, mesmo que você não reconheça, fique tranquilo: o autor Andy Robb conduz o leitor por elas de modo com que façam sentido, ou seja, não dá para ficar perdido. Meu objetivo, assim foi no livro anterior, é relê-los e entender todas as referências. Será que consigo?

A outra arma em minha armadura de autoproteção é o Monólogo Interior ou MI, que funciona de forma completamente independente de qualquer coisa que meu ME esteja fazendo. É a voz que ninguém mais consegue ouvir, a voz que me mantém com os pés no chão, que narra meu dia, que me aplaude quando sou cool e me repreende quando sou um idiota. O que parece acontecer na maior parte do tempo. p. 10
A minha única dúvida ao fechar Fator Nerd 2 – Missão Improvável foi: quando vou ter tempo para reler esses dois livros fantásticos? É incrível como Andy Robb te abduz para dentro do enredo e não te solta enquanto você não chega à última página e, quando isso acontece, você percebe que quer muito mais. É impossível não mergulhar de cabeça nas aventuras de Archie, Beggsy, Ravi e Matt (e até das garotas, por que não?). Ficaria muito feliz se essa série tivesse mais um livro (ou dez), mas por enquanto nenhum outro volume foi lançado. Pelo menos vai dar tempo de reler (e reler, reler, reler...). Fica a dica desses incríveis, maravilhosos, ÉPICOS livros. Mais do que recomendados.

Resenha: Dias Infinitos, de Rebecca Maizel

Título: Dias Infinitos
Autora: Rebecca Maizel
Editora: Galera Record
Páginas: 384
Cansada de passar seus infinitos dias perseguindo e matando vítimas inocentes, Lenah Beaudonte, uma poderosa vampira da era vitoriana, decide abandonar seu coven de comparsas decadentes e transformar-se em humana. Mas o ritual capaz de transformá-la é extremamente perigoso. É necessário que um vampiro se sacrifique por ela, e não só isso; Lenah precisará passar 100 anos hibernando.

Felizmente, Rhode, o grande amor da vida dela, resolve se sacrificar para realizar esse sonho. E a transformação é bem-sucedida. Após 592 anos, Lenah acorda em um corpo humano, na prestigiosa escola particular Wickham, em Massachusetts. Ela está completamente sozinha em outro século e precisa aprender a viver no mundo moderno, como uma adolescente comum. E justamente quando Lenah parece ter se adaptado à nova vida, feito novos amigos e até arrumado um namorado, o passado volta para assombrá-la. Seus ex-companheiros vampiros embarcam em uma caçada mortal para encontrá-la e capturá-la. Agora não só Lenah, mas todos que ama correm perigo. Será que ela conseguirá escapar e salvar os amigos sem revelar seu maior segredo?



Expectativa... É difícil quando ela nos pega de um jeito que não conseguimos mais nos livrar dessa sensação de espera, de que algo vai nos surpreender além do que a gente imagina. Pois bem. Essa era a minha relação com Dias Infinitos: vi muitas pessoas falando bem e falando que ele foge do clichê de livros de vampiros em geral. Vocês imaginam como eu fiquei, certo? Afinal, ter algo original no já tão esgotado tema “vampiros” é algo que atrai qualquer um que seja fã de histórias sobrenaturais. Mas, ao começar a leitura, já vi que não seria nada daquilo que prometia e logo nas primeiras páginas senti que seria uma decepção. E, infelizmente, foi exatamente o que aconteceu.

Eu te liberto...
Eu te liberto, Lenah Beaudonte.
Acredite... e seja livre. p. 9
Juro que eu tentei. Dei todas as chances possíveis para Dias Infinitos, mas ele não conseguiu me convencer. Sabem quando um livro não flui de jeito nenhum, mesmo com você lendo aos poucos, intercalando a leitura com outros livros e insistindo a cada capítulo que passa? Pois é. Tentativas não faltaram. Mas vamos aos fatos: que enredo arrastado! A autora Rebecca Maizel enrola tanto com as descrições desnecessárias que as 384 páginas que compõem o livro poderiam ser facilmente reduzidas para 200 (ou até menos). A todo momento você espera que algo surpreendente aconteça, mas esse momento simplesmente não aparece.

A originalidade prometida pela sinopse e pela indicação na capa é outra coisa que não aparece. Apesar da pequena diferença de termos uma vampira querendo a todo custo virar humana para voltar a sentir (sim, isso já foi tratado em outros livros, mas ainda assim é mais difícil encontrar do que o inverso, um humano tentando virar um vampiro) e das narrativas em espaços temporais diferentes (adoro quando esse artifício é utilizado pois nos dá uma visão maior do personagem), Dias Infinitos segue pelo mesmo caminho de sempre. Além de utilizar todos os clichês que os Young Adults costumam ter, tudo é extremamente previsível. Conseguimos antecipar cada cena que irá ocorrer com capítulos de antecedência e isso foi muito frustrante pois minhas expectativas de encontrar algo diferente estavam muito altas.

Além disso, a protagonista, Lenah, é uma personagem extremamente chata. Por ser uma narrativa em primeira pessoa, isso torna as coisas ainda mais complicadas, porque mesmo que a história seja chata, uma simpatia com um personagem sempre faz as coisas ficarem um pouquinho mais suaves e mais fáceis de serem lidadas, só que nem isso temos aqui. Sem contar que, por estar cansada de ver triângulos amorosos em livros do gênero, fiquei extremamente decepcionada com o fato de que nesse livro temos um quadrado amoroso. Todos muito óbvios e nenhum deles conseguiu conquistar de verdade – o único que tinha grande potencial para isso, o Rhode, não foi bem explorado, o que é uma grande pena.

Tudo valeu a pena? Não tivemos bons momentos? Você não está mais condenada ao sofrimento involuntário. Encontre paz na minha morte. Derrame lágrimas. Só existe liberdade agora. (...) Jamais esqueça, Lenah.
Maldito seja aquele que pena o mal. p. 36
Mas, pelo menos, o final trouxe alguma melhora para o enredo, pois seguiu um caminho diferente do que é esperado para um Young Adult clichê e isso me deixou um pouco surpresa. Só que isso não foi o suficiente para salvar o livro como um todo, pois a impressão ruim já tinha ficado. Dias Infinitos é o primeiro livro da série Vampire Queen, só que ele tem um final bem fechado e isso me deu um certo alívio, pois mesmo que não fosse, eu não conseguiria investir em outro livro da série. Infelizmente foi uma grande decepção. Não foi dessa vez que os vampiros voltaram com tudo para as minhas leituras habituais.