23/02/2015

TAG: Liebster Award


Olá pessoal! <3 Há muito tempo não respondia uma TAG por aqui! Mas fui indicada pela Ana (linda) do Roendo Livros para responder esta e resolvi que iria fazer, até porque já tinha sido indicada para ela algumas vezes (e acabei perdendo todos os links salvos :/) e porque essa TAG também vai permitir que vocês conheçam um pouquinho sobre essa blogueira que vos fala.

REGRAS

Escrever 11 fatos sobre você.
Responder as perguntas de quem te indicou a TAG. 
Fazer 11 perguntas pra quem você indicar. 
Indicar de 11 a 20 blogs. 
Inserir no post uma imagem com o selo Liebster Award. 
Linkar de volta quem te indicou.

20/02/2015

Resenha: 13 Incidentes Suspeitos, de Lemony Snicket

Título: 13 Incidentes Suspeitos (Só Perguntas Erradas #2.5)
Autor: Lemony Snicket
Editora: Seguinte
Páginas: 248
A peculiar cidade de Manchado-pelo-Mar é palco de muitos eventos estranhos e é lá que o jovem Lemony Snicket - famoso solucionador de mistérios - tenta resolver seu primeiro grande caso, relatado em detalhes na série Só Perguntas Erradas. Mas os mistérios se sucedem, e o detetive mirim agora terá de descobrir por que quadros caem sozinhos das paredes, quem roubaria um tritão amarantino, como é possível que um fantasma passeie pelo cais à meia-noite e quem faz parte da famigerada Gangue do Tijolão, entre vários outros enigmas. Lemony Snicket precisará juntar pistas e interrogar testemunhas para desvendar cada caso. Os leitores se tornam membros da organização secreta de Snicket e também participam da investigação: o desafio será resolver os casos antes de ler as soluções, reveladas no final do livro.



Lemony Snicket tem aquela habilidade de fazer com que, quanto mais você lê algum livro, mais páginas quer que ele tenha. Tenho que admitir que já estava sentindo falta disso: desde que o segundo volume da série Só Perguntas Erradas foi lançado, já se passou um pouco mais de um ano. Então, quando a Editora Seguinte anunciou o lançamento 13 Incidentes Suspeitos, minha animação e expectativa foram lá no alto. Mais uma vez Snicket nos trouxe um livro cheio de humor, ironia e é claro, muitos mistérios para resolver. Uma delícia!

As informações aqui contidas são secretas e muito importantes, destinadas apenas aos membros da nossa organização. Se você não é um membro da nossa organização, por favor, largue este livro, uma vez que ele não é nem secreto e nem importante, e, portanto, não vai interessa-lo. p. 5
13 Incidentes Suspeitos nos traz um dossiê de casos que aconteceram em Manchado-pelo-mar e que contam com a ajuda do detetive Lemony Snicket na investigação. Volume extra da série Só Perguntas Erradas, o livro é dividido em duas partes: o Subarquivo um, que contém todas as informações e investigações dos casos e o Subarquivo B, que apresenta a conclusão deles e de vários outros casos para confundir pessoas não-autorizadas que estiverem lendo o dossiê (um artifício sem dúvidas muito bem utilizado e que deixou o livro ainda mais rico). Esse formato permitiu que o livro fosse praticamente interativo, uma vez que instiga o leitor a ser um personagem ativo dentro da história, pois acabamos, mesmo sem querer, tentando descobrir o que causou cada mistério encontrado por Snicket.

Por mais que seja uma leitura infanto-juvenil, a grande maioria dos casos não têm conclusão fácil de ser descoberta: para ser sincera, eu só descobri a solução de um e, quando fui ler a segunda parte, descobri que era óbvia de propósito (sou péssima nessas questões de dedução!). Então, mesmo que você esteja procurando uma diversão para o final da tarde, esse livro acaba te prendendo justamente por ser curioso, inteligente e instigante. Os próprios personagens acabam sendo responsáveis por isso também, pois o autor dá um toque peculiar a cada um deles, o que os torna muito mais interessantes e envolventes. Sem contar que a parte gráfica dá um show à parte: com ilustrações de Seth (o mesmo responsável pelas ilustrações de toda a série) e com uma diagramação composta por letras grandes, o livro fica muito fluido e muito fácil de ser lido (sem contar que o autor Lemony Snicket é um gênio!). É daqueles para se ler em um dia. <3

Certa manhã, eu estava discutindo com a adulta responsável por mim. Tenho certeza de que não preciso descrever isso para você, já que um dos maiores problemas do mundo é que esse tipo de discussão acontece em quase todos os lugares, quase todas as manhãs, envolvendo praticamente todas as crianças que existem e algum adulto. p. 9
Por ser um livro totalmente independente da série Só Perguntas Erradas, qualquer pessoa pode lê-lo, mesmo sem ter lido os livros que o originaram. É claro que a experiência para os leitores novos vai ser diferente, uma vez que são utilizados os mesmos personagens e ambientes que já foram introduzidos nos volumes anteriores, mas nada que prejudique a leitura, afinal, 13 Incidentes Suspeitos é incrível por si só. Me diverti muito tentando descobrir todos os mistérios junto com Lemony Snicket e agora estou com ainda mais saudade de Manchado-pelo-mar. É um bom começo caso você não tenha lido nada do autor, pois não haverá aquela obrigação de ler uma continuação. Mas vai por mim: você vai se apaixonar e vai querer MUITO mais! 

18/02/2015

Resenha: O Terror das Terras do Sul, de Caroline Carlson

Título: O Terror das Terras do Sul (A Quase Honrosa Liga de Piratas #2)
Autora: Caroline Carlson
Editora: Seguinte
Páginas: 368
Em O tesouro da Encantadora, Hilary viveu grandes aventuras em alto-mar até encontrar o maior tesouro do reino, desaparecido havia muito tempo, e sua dona, a Encantadora das Terras do Norte. Como recompensa, recebeu um certificado de filiação à Quase Honrosa Liga de Piratas e o título de Terror das Terras do Sul.

Neste novo volume da série, a Encantadora voltou ao seu posto, e Hilary acompanha a redistribuição dos objetos mágicos pelo reino. Mas o presidente da QHLP não está satisfeito: Hilary precisa se envolver numa atividade verdadeiramente pirática logo, como matar um monstro marinho ou derrotar um líder pirata num duelo, senão perderá seu título - e sua filiação à Liga.
 Antes que consiga recuperar sua reputação, a garota fica chocada ao descobrir que a Encantadora foi sequestrada. Contrariando as ordens do presidente da Liga, Hilary se junta à gárgula e a seus amigos para investigar o caso, ainda que resgatar Encantadoras não esteja na lista de atividades próprias a um pirata.



Vocês não têm ideia do quanto eu estava esperando esse livro. Me apaixonei por A Quase Honrosa Liga de Piratas quando li o primeiro volume, O Tesouro da Encantadora e esse se firmou como um dos melhores livros infanto-juvenis de 2014. No fim desse mesmo ano a Editora Seguinte lançou a sua continuação, O Terror das Terras do Sul que surpreendentemente conseguiu não só manter o nível do primeiro volume, mas ir além dele. Caroline Carlson trouxe mais uma vez um enredo cheio de aventura, magia e mistério, o que tornou a série uma das melhores do gênero que eu já tive oportunidade de ler. Estou em êxtase e quero sair distribuindo essa série para que todos possam lê-la! <3

O vento fez com que a trança de Hilary batesse em seu rosto, e ela a afastou. Estava se divertindo muito navegando pelo reino e ajudando Jasper a distribuir o tesouro, mas talvez não fosse o tipo de aventura que tinha sonhando durante todos aqueles anos de aulas intermináveis e festas tediosas na mansão Westfield. (...) Mas, sem contar a vez em que ajudara Jasper a recuperar seu chapéu que havia caído na baía (e Hilary não contava), aquele encontro com o capitão Dentenegro fora o mais próximo que chegara de uma aventura em meses. Se as aventuras se recusavam a ir ao seu encontro, por que ela não deveria ir atrás delas? p. 27
Uma das coisas que fazem os livros infanto-juvenis ganharem cada vez mais espaço nas livrarias (e na minha estante, afinal, foi o gênero que mais li em 2014) é a capacidade que eles têm de agradar não só seu público alvo, mas também aqueles leitores que procuram algo leve e divertido para ler. A série A Quase Honrosa Liga de Piratas chegou ao seu segundo volume explorando cada vez mais os elementos que fazem isso acontecer: temos uma grande aventura, um elevado índice de humor e uma lição de amizade e companheirismo. A autora conseguiu utilizar bem os pilares construídos no volume anterior para gerar mais enredo original e, sem dúvidas, muito emocionante.

Um dos grandes motivos para isso acontecer é a narrativa fluida da autora. Por ser em terceira pessoa, temos uma visão geral da história e por isso nos envolvemos com facilidade. Além disso, o livro é tão fácil e gostoso de ler que, quando você repara, já leu muitas páginas sem nem perceber (ou, quem sabe, o livro inteiro). Para que isso aconteça, Carlson não deixa o ritmo da história cair: há sempre alguma reviravolta esperando ao virar a página e isso prende o leitor, afinal, não dá para não ficar curioso com o que vai acontecer com Hilary e sua tripulação. A história fica ainda mais legal com os complementos que temos a cada final de capítulo: colunas de jornais, cartas e todo um material que enriquece ainda mais a experiência do leitor (vocês podem conferir algumas fotos no final do post!).

Em O Terror das Terras do Sul, também temos a oportunidade de criar um vínculo ainda maior com todos os personagens, uma vez que nesse volume a autora consegue dar um enfoque maior ao grupo como um todo. Apesar disso, Hilary, a protagonista, que já é uma pirata conhecida em alto-mar, continua a me surpreender: ela demonstra ainda mais a sua bravura e força, principalmente quando a segurança de seus amigos está em jogo. É impossível você não se sentir fisgado por essa personagem que abandonou toda a sua vida já planejada para seguir um sonho. Há também uma participação marcante da Gárgula, que continua sendo o maior foco de humor do enredo e, claro, minha personagem favorita. Porém temos um pouquinho mais de Claire e de Charlie, que sinto que vão continuar ganhando cada vez mais destaque nessa tripulação nos próximos volumes e admito que estou muito curiosa para o que está por vir.

Você deve estar pensando: “Como uma gárgula evoluiu de sua posição como uma humilde escultura de pedra para se tornar a mais corajosa e mais amada heroína de todo o reino?”. Bem, caro leitor, terei o maior prazer de contar a você. A Gárgula: A história de uma heroína, por A Gárgula em depoimento a H. Westfield. p. 31
Não adianta: se a autora resolver publicar vinte livros dessa série, eu vou ser a primeira da fila a pedir por um vigésimo primeiro. Caroline Carlson me ganhou com O Terror das Terras do Sul e acredito que agora o meu apego por A Quase Honrosa Liga de Piratas só tende a aumentar. Sei que provavelmente muitos de vocês estão lendo essa resenha e pensando: “mais uma série...”, mas tenho uma notícia boa: todos os livros são bem fechados, ou seja, não aquela necessidade da continuação para entender o livro que você está lendo, porém não recomendo a leitura de volumes aleatórios, pois, apesar de você conseguir compreender o enredo em geral, não vai ver a construção dos personagens a cada nova aventura. O que eu digo e repito é: dê uma chance para essa série, ela com certeza vai te surpreender, principalmente se você estiver procurando por uma leitura leve e divertida. Vale muito a pena mesmo! <3

13/02/2015

Resenha: A Invenção das Asas, de Sue Monk Kidd

Título: A Invenção das Asas
Autora: Sue Monk Kidd
Editora: Paralela
Páginas: 328
A Invenção das Asas - Em sua terceira obra, Sue Monk Kidd, cujo primeiro livro ficou por mais de cem semanas na lista de mais vendidos do New York Times, conta a história de duas mulheres do século XIX que enfrentam preconceitos da sociedade em busca da liberdade. Sue Monk Kidd apresenta uma obra-prima de esperança, ousadia e busca pela liberdade. Inspirado pela figura histórica de Sarah Grimke, o romance começa no 11º aniversário da menina, quando é presenteada com uma escrava: Hetty “Encrenca” Grimke, que tem apenas dez anos. Acompanhamos a jornada das duas ao longo dos 35 anos seguintes. Ambas desejam uma vida própria e juntas questionam as regras da sociedade em que vivem.



Sue Monk Kidd é mundialmente conhecida por ser autora de A Vida Secreta das Abelhas, livro que ganhou nova edição pela Editora Paralela em 2014 (com uma capa linda, por sinal) e que virou um filme com a Queen Latifah e Dakota Fanning. Por ter gostado tanto desse filme, fiquei curiosa quanto aos livros da autora e fiquei muito animada com a oportunidade de ler A Invenção das Asas. Só que nada seguiu como eu esperava: à primeira vista, o livro não me agradou e isso foi um pouco decepcionante. Mas, em uma segunda tentativa, ele me envolveu de tal forma que todos os empecilhos que tive na primeira leitura foram esquecidos e me vi muito emocionada com essa história sobre a busca da liberdade.

Eu não sabia explicar à época como uma árvore mora dentro de sua semente ou como eu de repente soube que do mesmo modo enigmático algo vivia dentro de mim - a mulher que eu me tornaria -, mas eu parecia saber subitamente quem ela era. p. 24
Vamos aos fatos: depois de ter visto várias críticas positivas a respeito de A Invenção das Asas, minhas expectativas estavam muito altas. Foi exatamente por isso que, na minha primeira tentativa de leitura, a decepção me atingiu como um balde de água fria. Logo de cara percebi que aquele livro não funcionaria comigo naquele momento, uma vez que o enredo me pareceu arrastado por ser muito detalhista e eu não conseguia me envolver com nenhum aspecto dele. Então acabei deixando ele de lado para tentar uma nova leitura em um momento melhor porque não parecia possível que uma história que tinha tudo para me agradar não conseguisse chegar nem perto disso. E tenho que admitir que essa foi a melhor decisão que eu fiz.

Como eu já sabia exatamente o que esperar, a minha segunda tentativa de leitura foi muito mais proveitosa, porque finalmente conseguir sentir toda aquela emoção que a autora queria transmitir desde o início e foi isso que fez com que A Invenção das Asas me conquistasse de vez. Sue Monk Kidd conseguiu pegar um tema denso – a luta pelo abolicionismo, por uma sociedade justa e igualitária – e transformar em uma história que qualquer leitor se envolve. Acompanhamos essa luta por mais de trinta anos e a autora conseguiu ter o equilíbrio entre sensibilidade e intensidade que esse tipo de enredo requer.

Para isso, acompanhamos a história através de narrativas alternadas entre as protagonistas: Sarah, uma menina que sonhava em ser advogada, mas que encontrou uma sociedade em que a mulher não tinha voz e que era vista como um objeto, onde seus sonhos eram vistos como devaneios e nunca como objetivos; e Hetty – ou Encrenca –, uma jovem escrava que foi dada de presente à Sarah para lhe servir. Assim como fora sua mãe, Hetty nunca aceitou o destino que lhe foi imposto e acaba resistindo à sua própria maneira. Por causa disso, uma amizade incomum surge entre essas duas personagens e, através de suas narrativas, vemos a sua luta pela liberdade, uma vez que cada uma está presa em sua própria prisão. Sue Monk Kidd conseguiu fazer com que as narrativas se complementassem, o que deu o tom certeiro que a história adquiriu.

Meu corpo pode ser escravo, mas não minha mente. p. 178
A Invenção das Asas é um daqueles livros que você só entende a sua completa magnitude quando o lê. Ele emociona, envolve e encanta qualquer leitor que dê uma chance e que esteja preparado para este livro. É importante destacar este último ponto, pois você precisa estar em um bom momento para sentir toda a densidade e emoção que está contida nessa história, ou então vai acabar na mesma situação em que fiquei na minha primeira tentativa de leitura. Mas, se você for com o coração aberto, encontrará um enredo sensível, inspirador e grandioso. Vale a pena.

Observação: a história foi baseada em fatos e pessoas reais. É claro que temos uma alta dose de ficção, mas, saber disso deixa tudo ainda mais emocionante. <3 

10/02/2015

Resenha: Mundo Novo, de Chris Weitz

Título: Mundo Novo
Autor: Chris Weitz
Editora: Seguinte
Páginas: 328
Neste mundo novo, só restaram os adolescentes e a sobrevivência da humanidade está em suas mãos.

Imagine uma Nova York em que animais selvagens vivem soltos no Central Park, a Grand Central Station virou um enorme mercado e há gangues inimigas por toda a parte. É nesse cenário que vivem Jeff e Donna, dois jovens sobreviventes da propagação de um vírus que dizimou toda a humanidade, menos os adolescentes.
Forçados a deixar para trás a segurança de sua tribo para encontrar pistas que possam trazer respostas sobre o que aconteceu, Jeff, Donna e mais três amigos terão de desbravar um mundo totalmente novo. Enquanto isso, Jeff tenta criar coragem para se declarar para Donna, e a garota luta para entender seus próprios sentimentos - afinal, conforme os dias passam, a adolescência vai ficando para trás e a Doença está cada vez mais próxima.


Como eu já disse algumas vezes aqui, distopia é sempre um gênero que me atrai por sua capacidade de inovação: ele permite que um autor transite pelas mais diversas nuances da fantasia e isso quase sempre o leva a ter um enredo original. Foi isso o que eu estava esperando de Mundo Novo, uma distopia juvenil que me deixasse sem fôlego. Fiquei ainda mais animada quando soube que ele foi escrito pelo autor Chris Weitz, que foi diretor do filme Lua Nova, da Saga Crepúsculo. Com as expectativas elevadas, foi uma grande decepção quando eu percebi que o livro não passava de mais do mesmo que nós vemos por aí. Cheio de clichês, tinha tudo para ser incrível, mas se contentou com o quase.

Tenho sonhos sobre a Doença. (...) E foi difícil entender como algo que começou como apenas um rumor, uma bobagem, apagou tudo em poucos meses. (...) No final das contas, nada a explicava, nada a derrotava. Nem o Centro de Controles de Doenças, nem orações, nem quarentena, sessões de emergência do Congresso, leis marciais. A internet, depois a TV, depois o rádio, tudo saiu do ar, um a um, e a histeria assumiu o controle. p. 45
Em Mundo Novo, temos um cenário pós-apocalíptico em que só adolescentes sobreviveram a uma doença que dizimou toda a população adulta da face da Terra. Aqui a luta pela sobrevivência é o que determina toda a sociedade: as pessoas se uniram em grupos para garantir que ela seja alcançada e acompanhamos todo esse processo pelo ponto de vista dos protagonistas Jefferson e Donna. Essa é a grande diferença para o padrão das distopias que temos atualmente no mercado, uma vez que o poder não é centralizado nas mãos de um só governo e essa característica fez com que o índice de ação fosse muito elevado desde o começo do livro (e permanece ao longo dele) e essa parte me empolgou muito, pois eu esperava que algo que realmente pudesse me surpreender.

Só que não foi bem assim que aconteceu. A sensação de já vi isso em algum lugar me incomodou muito. É claro que, por ser um livro voltado para o público juvenil, eu já esperava que o autor utilizasse alguns clichês, tanto na parte da ação quanto na do romance, porém a todo momento eu fiquei esperando algo que me tirasse o fôlego e isso simplesmente não aconteceu. O autor focou muito no romance e nos dramas adolescentes enquanto poderia utilizar esse mesmo tempo para focar na parte da vida sem tecnologia (que foi muito bem abordada) e no desenvolvimento do enredo como um todo. Isso fez com que tudo seguisse pelo caminho esperado, o que acabou tirando fazendo com que o livro perdesse muito em questão de originalidade.

Além disso, pela primeira vez eu vejo um livro em que a narrativa alternada entre os pontos de vista dos protagonistas não funcionou. Apesar desse aspecto ter ganhado uma atenção especial da Editora Seguinte que utilizou fontes diferentes para cada personagem, Chris Weitz não conseguiu fazer com que eles se complementassem e mostrassem uma visão geral da história. Enquanto temos a visão do Jefferson que é responsável por todo o desenvolvimento do enredo, a visão de Donna não acrescenta em praticamente em nada, uma vez em que ela fica batendo na tecla do romance o tempo inteiro, além de ter uma personalidade forçada demais – o que deixou a parte dela maçante. Essa característica atrapalhou muito a fluidez de Mundo Novo e tornou a leitura bem mais lenta do que deveria ser.

Uma das maiores chatices de todas as chatices dos nossos tempos sem rede é que, se você quiser falar com alguma pessoa, tem que ir encontrá-la pessoalmente. Quer dizer, eu simplesmente achava natural que, se você quisesse falar com alguém, mandava uma mensagem e era, tipo, “E aíííí?” ou “Oiiiii” (as pessoas achavam que você estava sendo antipático se não gastasse a energia do polegar para adicionar letras desnecessárias). Agora eu tenho que, tipo, galopar até a casa de Peter. p. 48
Por ser o primeiro livro de uma trilogia, tenho grandes esperanças de que Chris Weitz consiga reverter essa situação e dar um rumo mais instigante para essa história, uma vez que ela tem todos os elementos necessários para que isso ocorra: uma boa ambientação, personagens que podem vir a fazer a diferença e fatores que, se bem utilizados, podem ser transformados em algo nunca visto. Espero que o autor invista na ação que vimos em Mundo Novo e nos proporcione um enredo muito mais eletrizante para que no final os defeitos encontrados nesse primeiro livro sejam totalmente compensados. Agora é esperar para ver.


07/02/2015

Resenha: Cartas de Amor aos Mortos, de Ava Dellaira

Título: Cartas de Amor aos Mortos
Autora: Ava Dellaira
Editora: Seguinte
Páginas: 344
Prestes a começar o ensino médio, Laurel decide mudar de escola para não ter que encarar as pessoas comentando sobre a morte de sua irmã mais velha, May. A rotina no novo colégio não está fácil, e, para completar, a professora de inglês passa uma tarefa nada usual: escrever uma carta para alguém que já morreu. Laurel começa a escrever em seu caderno várias mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Elizabeth Bishop… sem nunca entregá-las à professora.
Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky.

Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era - encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um - é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.



É difícil você não querer ler algum livro quando todo mundo fala bem dele. Foi exatamente isso o que aconteceu com Cartas de amor aos mortos: o livro foi tão bem comentado no mês que seguiu ao seu lançamento que eu criei uma grande expectativa e com isso, também uma necessidade de lê-lo para tirar as minhas próprias conclusões. E que surpresa que eu tive! Ava Dellaira criou um enredo que me deixou envolvida até os últimos fios de cabelo, a ponto de eu terminá-lo em apenas um dia. Todas as minhas expectativas foram superadas e não teve jeito: estou apaixonada por essa história de todas as formas possíveis! <3

- Sabe, acho que, quando você perde alguma coisa próxima, é como perder a si mesmo. É por isso que, no final, até escrever é difícil para ela. Ela quase não sabe como fazer. Porque quase não sabe mais quem ela é. p. 19
Carta de amor aos mortos nos traz um tema que é forte e carregado: a morte. Como vocês bem sabem, para que uma história que siga esse foco tenha credibilidade, o autor precisa ter um equilíbrio entre a realidade e a ficção, afinal, é isso que dá toda a emoção para o enredo criado. Ava Dellaira me surpreendeu e muito nesse aspecto: na história da nossa protagonista, Laurel, temos todas as nuances do luto: desde a culpa, a raiva, a tristeza e até o paradoxo entre querer alguém perto e se afastar de todos. Por mais que você nunca tenha presenciado uma situação semelhante, é impossível não absorver cada gota de sentimento despejada em todas as páginas, uma vez que a autora consegue balancear sensibilidade e objetividade ao lidar do assunto.

Para isso, Dellaira usou como artifício a narrativa em primeira pessoa por meio de cartas de Laurel para ícones mundiais já falecidos. Com isso, temos praticamente um diário da protagonista para si mesma, contando sobre o seu cotidiano e também sobre fatídico dia em que perdeu May, sua irmã. Isso nos permite conhecer a fundo todas as coisas pelas quais ela está passando, o que faz com que um vínculo de empatia seja criado e, consequentemente, você acaba se envolvendo ainda mais com a história. Apesar de Laurel não ser uma protagonista com quem eu tenha me identificado ao longo do enredo, o seu comportamento e suas atitudes são compreensíveis, uma vez que a autora se preocupou em deixá-la verossímil em questão COMO lidar com tudo que está acontecendo.

Mas, uma das partes mais significativas do livro (pelo menos para mim), foram as várias referências feitas ao longo do enredo a artistas que fizeram história de seu próprio jeito. Kurt Cobain, Judy Garland e Amelia Earhart são só alguns nomes que a autora cita ao longo do enredo e eles acabam tendo importância para a história como um todo, uma vez que Dellaira utiliza fatos que realmente aconteceram na vida dessas pessoas para de alguma forma ajudar Laurel em sua recuperação. O que é interessante é que, mesmo que você não conheça alguém que é citado, não há importância: a autora dá informações suficientes para que você não se sinta perdido. Mas, se você for curioso que nem eu, é lógico que vai acabar olhando no Google para saber de quem se trata. :P

Você pode achar que quer ser salva por outra pessoa, ou que quer muito salvar alguém. Mas ninguém pode salvar ninguém, não de verdade. Não de si mesmo. Você pega no sono no pé da montanha, e o lobo desce. E você espera ser acordada por alguém. Ou espera que alguém o espante. Ou atire nele. Mas, quando você se dá conta de que o lobo está dentro de você, é quando entende. Não pode fugir dele. E ninguém que ama você consegue matar o lobo, porque ele faz parte de você. As pessoas veem seu rosto nele. E não vão atirar. p. 235
Com essa capa que chama atenção a qualquer leitor quando entra em alguma livraria em algum site, Cartas de amor aos mortos é um livro sensível e ao mesmo tempo forte, que acaba te envolvendo de tal forma que, quando você menos percebe, já está sofrendo junto com Laurel e aumentando o ritmo de leitura para descobrir o que vai acontecer no final. Com suas várias referências e com uma abordagem realista do luto, de suas consequências e o mais importante, da superação da protagonista, qualquer leitor que der uma chance para este livro com certeza vai ter uma preciosidade em mãos. Se você ainda não leu, não espere nem mais um segundo. Leia o quanto antes!

06/02/2015

Resenha: O Irresistível Café de Cupcakes, de Mary Simses

Título: O Irresistível Café de Cupcakes
Autora: Mary Simses
Páginas: 288
Editora: Paralela
Ellen é uma advogada de Manhattan e seu noivo está prestes a se tornar um importante político. Tudo em sua vida parece estar perfeito e no caminho certo. Até que ela decide realizar o último desejo de sua avó e entregar em mãos uma carta. Para isso, ela precisa ir para Beacon, uma charmosa cidadezinha do interior. Entre cupcakes de blueberry e deliciosas rosquinhas, Ellen desvenda os mistérios da vida de sua avó. Aos poucos, ela descobre os simples prazeres da vida e que “perfeito” nem sempre é o que parece.




Antes de mais nada, preciso que todos saibam de uma coisa (se já não sabem): eu sou apaixonada por romances. Posso já ter lido vários livros com a mesma premissa e o enredo pode ter o andamento mais previsível de todos, mas eu simplesmente não consigo resistir a um livro do gênero. Se for um romance bem água com açúcar então... É exatamente por esse motivo que um livro com o título de O Irresistível Café de Cupcakes não poderia ter passado despercebido, ainda mais com a indicação para leitores do Nicholas Sparks que aparece na capa. E, como vocês já podem prever, estou nas nuvens com esse livro. É doce a ponto de ser irresistível.

Talvez Roy tivesse razão quando disse que a vovó me mandou para cá para descobrir os segredos dela. Talvez ela tenha me mandado para descobrir os meus segredos também.
Uma mulher de Nova York. Um noivo. Uma cidade do interior. Uma paixão avassaladora. Uma decisão a ser tomada. É claro que vocês já sabem o que vai acontecer nessa mistura toda, não é mesmo? Por mais que seja totalmente previsível do começo ao fim, em O Irresistível Café de Cupcakes temos aqui um daqueles romances deliciosos em que nos apegamos aos personagens e torcemos para que tudo dê certo no final das contas (o que não é difícil para quem é uma romântica incurável que nem eu). Mary Simses aposta nesses clichês do gênero para ganhar o coração dos leitores e consegue fazer isso através de uma narrativa fluida e cheia de sensibilidade.

Para que isso ocorra, a autora aposta em um assunto que sempre emociona: a família. Em todo o enredo, temos um grande enfoque nesse assunto, uma vez que Ellen, a protagonista, vai para o interior do estado do Maine para descobrir os segredos da vida de sua avó. Simses mostra que os laços familiares sejam de extrema importância para o nosso crescimento pessoal e o faz com maestria, transitando pelas várias nuances do amor. Por mais que o enredo por vezes fique um pouco massivo, com a autora dando importância a detalhes que não têm muita relevância para a história como um todo, esse é o ponto que faz toda a leitura valer a pena, uma vez que a torna leve e muito doce.

A construção dos personagens também é outro aspecto que faz torna o enredo encantador. Ellen, a protagonista, começa como uma pessoa superficial, mas, ao longo do enredo, ela entra em confronto com sentimentos fortes e experiências marcantes e, como temos uma narrativa em primeira pessoa, isso faz com que seu desenvolvimento seja visível: ela se torna uma pessoa mais forte e preparada para lidar com as adversidades da vida; já o encantador Roy carrega todo aquele jeito de homem do interior e faz com que o romance que vemos ao longo do enredo seja uma delícia de ser lido. Um fato interessante é que a autora não caracterizou Hayden, o noivo de Ellen, como o grande vilão de tudo. Aqui temos uma história sobre o amor em sua mais simples forma: ele simplesmente acontece.

"Suponho que a lição de tudo isso seja não chegar aos oitenta anos fazendo um retrospecto da vida e se perguntando se fez a escolha certa ou como a vida teria sido diferente se você tivesse feito uma opção e não a outra."
Apesar de bem previsível, O Irresistível Café de Cupcakes um daqueles livros que você pega em uma tarde de domingo com chuva, com um bolo saído do forno para acompanhar (se for um cupcake de blueberry, melhor ainda!) e um café bem quentinho. Não espere grandes surpresas ou acontecimentos: esse é o livro ideal para relaxar e deixar a vida real de lado por um tempinho. Se você é um romântico incurável como eu, não espere nem mais um segundo: leia o quanto antes e se apaixone por essa história regada a romance e a cupcakes! <3

P.S.: Sou apaixonada pela capa desse livro! É ou não é muito amor?