10/02/2015

Resenha: Mundo Novo, de Chris Weitz

Título: Mundo Novo
Autor: Chris Weitz
Editora: Seguinte
Páginas: 328
Neste mundo novo, só restaram os adolescentes e a sobrevivência da humanidade está em suas mãos.

Imagine uma Nova York em que animais selvagens vivem soltos no Central Park, a Grand Central Station virou um enorme mercado e há gangues inimigas por toda a parte. É nesse cenário que vivem Jeff e Donna, dois jovens sobreviventes da propagação de um vírus que dizimou toda a humanidade, menos os adolescentes.
Forçados a deixar para trás a segurança de sua tribo para encontrar pistas que possam trazer respostas sobre o que aconteceu, Jeff, Donna e mais três amigos terão de desbravar um mundo totalmente novo. Enquanto isso, Jeff tenta criar coragem para se declarar para Donna, e a garota luta para entender seus próprios sentimentos - afinal, conforme os dias passam, a adolescência vai ficando para trás e a Doença está cada vez mais próxima.


Como eu já disse algumas vezes aqui, distopia é sempre um gênero que me atrai por sua capacidade de inovação: ele permite que um autor transite pelas mais diversas nuances da fantasia e isso quase sempre o leva a ter um enredo original. Foi isso o que eu estava esperando de Mundo Novo, uma distopia juvenil que me deixasse sem fôlego. Fiquei ainda mais animada quando soube que ele foi escrito pelo autor Chris Weitz, que foi diretor do filme Lua Nova, da Saga Crepúsculo. Com as expectativas elevadas, foi uma grande decepção quando eu percebi que o livro não passava de mais do mesmo que nós vemos por aí. Cheio de clichês, tinha tudo para ser incrível, mas se contentou com o quase.

Tenho sonhos sobre a Doença. (...) E foi difícil entender como algo que começou como apenas um rumor, uma bobagem, apagou tudo em poucos meses. (...) No final das contas, nada a explicava, nada a derrotava. Nem o Centro de Controles de Doenças, nem orações, nem quarentena, sessões de emergência do Congresso, leis marciais. A internet, depois a TV, depois o rádio, tudo saiu do ar, um a um, e a histeria assumiu o controle. p. 45
Em Mundo Novo, temos um cenário pós-apocalíptico em que só adolescentes sobreviveram a uma doença que dizimou toda a população adulta da face da Terra. Aqui a luta pela sobrevivência é o que determina toda a sociedade: as pessoas se uniram em grupos para garantir que ela seja alcançada e acompanhamos todo esse processo pelo ponto de vista dos protagonistas Jefferson e Donna. Essa é a grande diferença para o padrão das distopias que temos atualmente no mercado, uma vez que o poder não é centralizado nas mãos de um só governo e essa característica fez com que o índice de ação fosse muito elevado desde o começo do livro (e permanece ao longo dele) e essa parte me empolgou muito, pois eu esperava que algo que realmente pudesse me surpreender.

Só que não foi bem assim que aconteceu. A sensação de já vi isso em algum lugar me incomodou muito. É claro que, por ser um livro voltado para o público juvenil, eu já esperava que o autor utilizasse alguns clichês, tanto na parte da ação quanto na do romance, porém a todo momento eu fiquei esperando algo que me tirasse o fôlego e isso simplesmente não aconteceu. O autor focou muito no romance e nos dramas adolescentes enquanto poderia utilizar esse mesmo tempo para focar na parte da vida sem tecnologia (que foi muito bem abordada) e no desenvolvimento do enredo como um todo. Isso fez com que tudo seguisse pelo caminho esperado, o que acabou tirando fazendo com que o livro perdesse muito em questão de originalidade.

Além disso, pela primeira vez eu vejo um livro em que a narrativa alternada entre os pontos de vista dos protagonistas não funcionou. Apesar desse aspecto ter ganhado uma atenção especial da Editora Seguinte que utilizou fontes diferentes para cada personagem, Chris Weitz não conseguiu fazer com que eles se complementassem e mostrassem uma visão geral da história. Enquanto temos a visão do Jefferson que é responsável por todo o desenvolvimento do enredo, a visão de Donna não acrescenta em praticamente em nada, uma vez em que ela fica batendo na tecla do romance o tempo inteiro, além de ter uma personalidade forçada demais – o que deixou a parte dela maçante. Essa característica atrapalhou muito a fluidez de Mundo Novo e tornou a leitura bem mais lenta do que deveria ser.

Uma das maiores chatices de todas as chatices dos nossos tempos sem rede é que, se você quiser falar com alguma pessoa, tem que ir encontrá-la pessoalmente. Quer dizer, eu simplesmente achava natural que, se você quisesse falar com alguém, mandava uma mensagem e era, tipo, “E aíííí?” ou “Oiiiii” (as pessoas achavam que você estava sendo antipático se não gastasse a energia do polegar para adicionar letras desnecessárias). Agora eu tenho que, tipo, galopar até a casa de Peter. p. 48
Por ser o primeiro livro de uma trilogia, tenho grandes esperanças de que Chris Weitz consiga reverter essa situação e dar um rumo mais instigante para essa história, uma vez que ela tem todos os elementos necessários para que isso ocorra: uma boa ambientação, personagens que podem vir a fazer a diferença e fatores que, se bem utilizados, podem ser transformados em algo nunca visto. Espero que o autor invista na ação que vimos em Mundo Novo e nos proporcione um enredo muito mais eletrizante para que no final os defeitos encontrados nesse primeiro livro sejam totalmente compensados. Agora é esperar para ver.


Observação: a capa do livro é fluorescente, bem diferente da imagem que eu postei aqui na resenha. 

8 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Eu não removi... :( Celular idiota! --'

    ResponderExcluir
  3. Olááá
    O livro parece ser muito legal, fiquei ultra curiosa quando vi a capa na livraria e descobri mais ou menos do que se tratava, se eu puder, lerei em breve e espero gostar bastante, ouvi alguns elogios sobre e tomara que sejam verídicos hahahah
    Ótima resenha, adorei.

    Beijos
    Comente ;))) http://realityofbooks.blogspot.com.br/2015/02/resenha-mentirosos-e-lockhart.html

    ResponderExcluir
  4. E ele tem uma capa tão bonita!

    Luara, eu tenho pra mim que o gênero - ou sub? - já está saturado, são muitas alternativas no mercado e é difícil que alguma venha com algo extremamente novo, mas se não for assim, como se destacar? Confesso que tinha uma leve curiosidade sobre o livro por causa da capa, mas agora a coisa esfriou um pouco,acho que vu esperar se toda série é lançada, daí arrisco, mas o certo mesmo é acompanhar suas possíveis futuras resenhas da série, rsrs.

    Dois abraços ;)

    ResponderExcluir
  5. Oi Luara!

    Nossa, mas me deu uma decepção na hora que eu li essa sua resenha. A resenha está ótima como sempre, mas fiquei chateadíssima por você não ter gostado do livro. Eu estava morrendo de vontade de lê-lo (principalmente por causa dessa capa incrível) mas nooooooooooooossa, desanimei geral aqui. É horrível quando um autor lança uma história que tem de tudo para ser genial e não consegue conquistar os leitores.

    Beijo! <3
    http://www.roendolivros.com/

    ResponderExcluir
  6. Chatibolada! A pouco tempo tinha lido uma resenha ótima sobre esse livro e estava mega empolgada, mas a sua resenha meio que foi um banho de água fria. Afinal, eu adoro distopias também, mas estou seriamente ficando saturada do mais do mesmo, como você disse o plot é muito interessante! É tudo o que a maiorias dos jovens sonham: um mundo sem adultos! E, mesmo com todas as coisas negativas eu ainda estava considerando ler até que você falou ser uma trilogia, ai pedi pra sair HAHAHA Talvez se os outros forem muito superiores eu de uma chance, mas por agora vai ter que esperar.
    Ótima resenha, Luara!
    Beijos!
    Debora.
    http://vanille-vie.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  7. Eu fiquei bastante interessada nesse livro quando soube do lançamento dele, também pensei que seria um livro que me tirasse o fôlego, mas sua resenha não é a primeira que leio falando que o livro não tem uma história tão empolgante assim, o que já me deixa com um pé atrás com essa leitura. Por ser uma trilogia, não irei atrás dele agora, tô tentando terminar as séries inacabadas por mim. rs Mas espero que os outros volumes sejam bem melhores que esse.

    Beijos
    http://mon-autre.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  8. Essa vá ser uma das minhas próximas leituras. Eu amo distopias, e pelo que parece elas estão "invadindo" as livrarias com toda força. Infelizmente, como você falou, de tão comuns elas já estão virando clichês, mas normalmente eu tento ao máximo tirar algo de diferente e bom de um livro.
    Talvez ele melhore com os outros livros, afinal, o primeiro volume de uma série é sempre mais parado já que tem que introduzir não só esse universo novo, como também os personagens.
    Beijos,
    Ana.

    http://nasuaestanteblog.blogspot.com.br | @NaSuaEstante_

    ResponderExcluir