19/04/2015

Resenha: Dois Garotos Se Beijando, de David Levithan

Título: Dois Garotos Se Beijando
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Páginas: 224
Baseado em fatos reais e em parte narrado por uma geração que morreu em decorrência da Aids, o livro segue os passos de Harry e Craig, dois jovens de 17 anos que estão prestes a participar de um desafio: 32 horas se beijando para figurar no Livro dos Recordes. Enquanto tentam cumprir sua meta — e quebrar alguns tabus —, os dois chamam a atenção de outros jovens que também precisam lidar com questões universais como amor, identidade e a sensação de pertencer. 





David Levithan. Só preciso ler esse nome para colocar um livro automaticamente na minha lista de livros de prioridades nas futuras compras e leituras. Ele é um desses autores de quem eu leria até a lista do supermercado sem pensar duas vezes. É incrível o quanto Levithan consegue ser mágico: cada livro dele possui um brilho próprio, algo que o destaca dos demais, independentemente do assunto a que se refira. Dois Garotos Se Beijando é uma dessas obras primas: todo mundo, não importa o que pense ou acredite, deveria ler esse livro. Um discurso sobre amizade, força, coragem e, principalmente, sobre o amor.

Sempre subestimamos nossa participação na magia. Isso quer dizer que pensávamos na magia como uma coisa que existia independente de nós. Mas não é verdade. As coisas não são mágicas porque foram conjuradas para nós por uma força externa. Elas são mágicas porque nós as criamos e as consideramos assim. p. 16
A única certeza que eu tenho ao escrever essa resenha é que não vai chegar em a 10% do que eu senti lendo Dois Garotos Se Beijando. Esse é um livro tão único, tão especial que chega a ser uma heresia eu simplesmente tentar mostrar o quanto esse livro é significativo. Ao contrário do que o título possa sugerir, esse não é somente um livro sobre um beijo, muito menos sobre homossexualidade: é uma história sobre sentimentos. Ao longo do enredo, conhecemos oito pessoas diferentes: Harry, Craig, Peter, Neil, Avery, Ryan, Tariq e Cooper. Cada um deles com seu próprio caminho a trilhar, seus próprios medos e desafios a serem superados. Cada um deles ganhando o coração do leitor de uma forma diferente.

A principal característica que fez com o livro se tornasse brilhante foi a sua narrativa. Narrado por espíritos que perderam a luta para a AIDS, temos contato com todo o sofrimento pelos quais estes passaram e ao mesmo tempo somos levados por várias reflexões acerca dos questionamentos que eles fazem acerca das suas vidas quanto as dos nossos oito protagonistas. É esse o grande ápice do livro para mim, pois, além de tornar o enredo extremamente fluido, foi com esse elemento que Levithan aplicou toda a sensibilidade que só ele consegue ter. Todas as emoções foram transmitidas de modo claro, intenso e isso só fez com que eu me envolvesse cada vez mais com essas histórias, a ponto de eu sofrer junto a eles, como se fossem meus amigos passando por cada situação pelas quais os garotos passaram.

Apesar de ser um fato, é triste que esse livro sofra (e ainda vá sofrer) muito preconceito. A temática LGBT ainda espanta: é capaz de algumas pessoas virarem o rosto ao verem o livro na prateleira de alguma livraria ou te julgarem por estar lendo algo assim em público. Mas, enquanto não dermos o primeiro passo, essa visão irá permanecer. Livros são uma excelente forma de começar essa mudança: quanto mais esse assunto for exposto, principalmente da maneira sensível e humana com que Levithan aborda o tema, mais pessoas irão ver que esse preconceito só é prejudicial para todos, afinal, somos todos humanos e temos direito de escolher como queremos viver nossas vidas e merecemos respeito.  

Há milhões de beijos para serem vistos, milhões de beijos a um clique de distância. Não estamos falando de sexo. Estamos falando de ver dois garotos que se amam se beijando. Isso tem muito mais poder do que o sexo. E mesmo se tornando lugar-comum, o poder ainda está presente. Todas as vezes que dois garotos se beijam, o mundo se abre um mais. Seu mundo. O mundo que deixamos. O mundo que deixamos para vocês.
Este é o poder de um beijo:
Ele não tem o poder de matar você. Mas tem o poder de trazer você à vida. p. 72/73
Comovente e sincero, Dois Garotos Se Beijando é muito mais do que a história de dois garotos tentando quebrar o recorde do beijo mais longo já dado por duas pessoas. É muito mais do que a história de garotos homossexuais. São pessoas tentando se encontrar no mundo e sobre como amor, independente da forma como ele é apresentado, é capaz de causar as mais diversas mudanças no mundo ao nosso redor. Com um toque da magia de David Levithan, temos aqui um livro que poderia ser citado em sua íntegra, porque é totalmente composto por frases marcantes e que vão me acompanhar por um bom tempo. Se você, assim como eu, acredita que toda forma de amor é justa, não perca tempo: leia o quanto antes. Presenteie seus amigos com esse livro. Seja parte da mudança! 

17/04/2015

Resenha: Reboot, de Amy Tintera

Título: Reboot (Reboot #1)
Autora: Amy Tintera
Editora: Galera Record
Páginas: 352
Quando grande parte da população do Texas foi dizimada por um vírus, os seres humanos começaram a retornar da morte. Os Reboots eram mais fortes, mais rápidos e quase invencíveis. E esse foi o destino de Wren Connolly, conhecida como 178, a Reboot mais implacável da CRAH, a Corporação de Repovoamento e Avanço Humano. Como a mais forte, Wren pode escolher quem treinar, e sempre opta pelos Reboots de número mais alto, que têm maior potencial. No entanto, quando a nova leva de novatos chega à CRAH, um simples 22 chama sua atenção, e, a partir do momento que a convivência com o novato faz com que ela comece a questionar a própria vida, a realidade dos reinicializados começa a mudar. 



É fato de que está cada vez mais difícil encontrar uma distopia que seja surpreendente. Os temas que normalmente são retratados nos livros desse gênero estão ficando cada vez mais esgotados e maçantes e isso faz com que eu meu receio cresça cada vez mais. Só que, ao mesmo tempo, eu sempre espero que alguma hora surja algum livro que me deixe muito empolgada e é por isso que sempre dou uma chance quando uma distopia muito esperada é lançada no Brasil. Foi isso o que aconteceu com Reboot: estava com altas expectativas, mas elas foram frustradas quando encontrei um enredo morno, que ficou muito abaixo do que poderia ser. Uma grande decepção, infelizmente.

Mas, aos 12 anos, quando acordei na Sala dos Mortos do hospital, 178 minutos depois de levar três tiros no peito, eu gritei. Gristei quando eles me marcaram no pulso com meu código de barras, meu número e meu nome humano, Wren Connolly. Gritei enquanto me trancavam em uma cela, me escoltaram até a aeronave e me colocavam na fila com as outras crianças recém-renascidas. (...) Lá, eles me disseram que gritar significava morte. Agir como se eu ainda fosse uma criança humana significava morte. Desobedecer a ordens significava a morte.
E então eu fiquei em silêncio. p. 15
A verdade é que Reboot tinha tudo para ler uma distopia que abalaria o mercado literário: bons personagens, uma ambientação incrível e uma proposta distópica que parecia ser diferente de todos os outros livros do gênero que já tinha lido, dando margem para a autora explorar os mais diversos seguimentos, desde o sentimento humano até a política que envolve a história. Só que o livro ficou só na promessa: com uma narrativa arrastada e nada dinâmica, as 352 páginas que compõem o livro se tornaram intermináveis, a ponto de eu precisar de muita força de vontade para conseguir ler mais que um capítulo por vez. A todo momento eu esperava para que algo que tirasse meu fôlego acontecesse, até porque a história tinha elementos suficientes para isso, mas esse ápice simplesmente não acontece.

Um dos grandes motivos para que isso aconteça é que a Amy Tintera proporciona pouquíssima ação para o leitor e, quando esta surge em meio ao enredo, é tão mal trabalhada que a autora perde o timing para acabar e isso prejudica muito na dinâmica da história, já que as cenas acabam se tornando cansativas. Além disso, a própria protagonista é superficial e inconstante demais para que você crie uma relação maior de empatia, afinal, no começo do livro temos a informação de que, por ser a pessoa que demorou mais tempo para voltar dos mortos, Wren seria a reboot ideal: forte, ágil e praticamente sem sentimentos. Ao invés de explorar essa característica, a autora resolve remodelar a personagem e transformá-la no padrão de protagonistas fracas e inocentes.

O foco no romance é outra coisa prejudicial para o enredo. Sou uma romântica incurável e (quase) sempre sou a favor dos romances que constituem livros, porém em Reboot ele não deu certo: a autora usou todos os clichês possíveis e descontruiu os personagens para que eles se adaptassem a esse romance, o que fez com que a química entre Wren (a protagonista) e Callum ganhasse um tom muito forçado e em nenhum momento consegui ter um envolvimento maior com o casal, porque a história deles é muito previsível e quase não há reviravoltas, seguindo por um rumo linear demais, o que faz com que nem isso consiga salvar o enredo de ser cansativo e lento.

Quando os humanos começaram a se levantar da morte, eles foram chamados de “milagre”. Os Reboots eram a cura para o vírus que dizimara grande parte da população. Eram mais fortes e mais velozes e quase invencíveis. Então, quando ficou claro que o Reboot não era o humano que haviam conhecido, mas sim uma espécie de cópia fria, alterada, eles nos chamaram de monstros. p. 24
Infelizmente Reboot não foi nada do que eu esperava. Ele prometia muito (até porque a capa é bem bonita e chamativa) e pouco cumpriu: além de um enredo fraco, a história é lenta e arrastada e nem o cliffhanger que a autora deixou no final foi capaz de me empolgar para ler o próximo volume da série. Faltaram momentos de ação e nem o romance conseguiu convencer, tornando Reboot uma das minhas grandes decepções de 2015. Os direitos de adaptação do livro para as telonas já foram comprados, ou seja, agora é esperar e torcer para que o filme seja bem melhor do que o livro foi. Triste. 

16/04/2015

Resenha: Síndrome Psíquica Grave, de Alicia Thompson

Título: Síndrome Psíquica Grave
Autora: Alicia Thompson
Editora: Galera Record
Páginas: 336
A Paciente, Leigh Nolan (essa sou eu), começou seu primeiro ano na Universidade de Stiles. Ela decidiu se formar em psicologia (apesar de seus pais preferirem que ela estudasse tarô, não Manchas de Rorschach). A Paciente tem a tendência a analisar demais as coisas, especialmente quando isso envolve o sexo oposto. Exemplo: por que Andrew, seu namorado de mais de um ano, nunca a convida para passar a noite com ele e dar o próximo passo no relacionamento — leia-se transar? E por que ela passou a ter sonhos eróticos com Nathan, o colega de quarto de Andrew que tanto a odeia? Fatos agravantes incluem: outros alunos de psicologia supercompetitivos, uma professora que precisa urgentemente de análise e uma colegial que acha que a Paciente é, em uma palavra, ingênua.



Que saudade que eu estava de ler um Young Adult! É incrível como esse é um dos gêneros que mais me agradam: sempre há algo com que eu me identifique e isso faz com que minha relação com eles seja quase constantemente positiva. Não foi diferente com Síndrome Psíquica Grave: me envolvi de tal forma que, quando percebi, já estava tentando ler pouco para que a leitura durasse o máximo possível (quem nunca?). Apesar de seguir os clichês que a grande maioria dos livros do gênero carregam, Alicia Thompson conseguiu trazer um livro que é uma delícia para ler naquela tarde de domingo cheio de preguiça. Uma delícia! <3

Síndrome Psíquica Grave: Uma desordem comum na qual um estudante de psicologia, sobrecarregado por doenças, efeitos e desordens, começa a analisar constantemente a própria vida. p. 7
A primeira coisa que eu observo quando começo a ler um Young Adult é o quanto eu me envolvo com a história. Se esse envolvimento vier logo nas primeiras páginas, é sinal de que as coisas vão terminar muito bem e que eu vou acabar suspirando pelo enredo mesmo que eu já tenha visto a mesma história em vários outros livros. Foi exatamente o que aconteceu com Síndrome Psíquica Grave: me identifiquei com Leigh, a protagonista, logo de cara. Por uma narrativa em primeira pessoa que retrata uma garota cheia de inseguranças, que analisa demais as coisas e acaba criando problemas desnecessários, a todo momento eu me colocava nas situações em que ela se encontrava e isso só fez com que o livro fosse ainda mais leve e engraçado.

Isso é agravado pelo romance, que é o que fica em primeiro plano durante todo o enredo. Como uma romântica de plantão, adoro quando surgem romances que me dão vontade de ficar suspirando a cada cena fofa que aparece. Nesse caso não foi diferente, porém a autora seguiu por um caminho que eu já estou cansada de ver por aí: triângulos amorosos. Aquela velha história de “ele gosta de mim, mas não tenho certeza do que sinto por ele porque existe outra pessoa” volta e isso foi um pouco maçante para o enredo geral, ainda mais porque a autora transforma uma das partes no “vilão” de tudo. Apesar disso, foi bem interessante acompanhar a vida amorosa de Leigh, afinal, todos já passamos por alguma situação no mínimo parecida.

Só que, apesar da capa e da sinopse sugerirem que o livro é somente um romance bobo e adolescente, a autora Alicia Thompson também transitou por assuntos que marcam a adolescência e o início da vida adulta, como transtornos alimentares, sexo e gravidez. Esses são temas que estão cada vez mais presentes nos livros do gênero e a autora não decepcionou ao tratar deles: os inseriu com muita naturalidade no enredo e em nenhum momento esses assuntos soaram forçados. Ela conseguiu mostrar desde as dúvidas até as consequências que determinada escolha tem na vida de uma pessoa. Ponto super positivo!

Não gosto de estranhos ou de situações estranhas. Sou teimosa demais. Posso estar quase assustadoramente calma e de repente ficar chateada de maneira exagerada com algo idiota. Tenho um certo prazer doentio em esperar até o absolutamente o último minuto para fazer qualquer coisa, como se precisasse de desafios extras na minha vida. p. 18
Bem despretensioso, Síndrome Psíquica Grave é um daqueles livros que ganham nosso coração logo nas primeiras páginas e você se pega torcendo para que tudo dê certo no final. Me envolvi tanto com o enredo que li o livro em apenas um dia e agora já estou esperando ansiosamente por mais obras da autora Alicia Thompson. Com uma narrativa leve e muito descontraída, a autora consegue seguir o clichê padrão para romances desse estilo ao mesmo tempo em que aborda temáticas importantes para o público alvo dos livros do gênero. Se você está procurando uma leitura gostosa e rápida, é mais do que indicado. 

15/04/2015

Resenha: Amy & Matthew, de Cammie McGovern

Título: Amy & Matthew
Autora: Cammie McGovern
Editora: Galera Record
Páginas: 336

Amy e Matthew não se conheciam realmente. Não eram amigos. Matthew sabia quem ela era, claro, mas ele também sabia quem eram várias outras pessoas que não eram seus amigos.Amy tinha uma eterna fachada de felicidade estampada em seu rosto, mesmo tendo uma debilitante deficiência que restringe seus movimentos. Matthew nunca planejou contar a Amy o que pensava, mas depois que a diz para enxergar a realidade e parar de se enganar, ela percebe que é exatamente de alguém assim que precisa.À medida que passam mais tempo juntos, Amy descobre que Matthew também tem seus problemas e segredos, e decide tentar ajudá-lo da mesma forma que ele a ajudou.E quando a relação que começou como uma amizade se transforma em outra coisa que nenhum dos dois esperava (ou sabe definir), eles percebem que falam tudo um para o outro... exceto o que mais importa.



Eu estava muito ansiosa mesmo para ler Amy & Matthew. Sou aquele tipo de pessoa que sempre vai ter uma quedinha para romances adolescentes, principalmente se estiver em uma época em que o tempo está corrido ou então quando eu acabo de sair de uma ressaca literária. Foi justamente esse segundo caso que vivi quando li o romance de Cammie McGovern: estava em uma baita ressaca literária quando ele chegou e a leitura fluiu de uma forma tão natural que ele acabou sendo o culpado pelo meu ritmo literário ter voltado com tudo, pois, com uma lição de amor, amizade e principalmente de aceitação, Amy & Matthew é garantia de emoção.

Viver em um corpo que limita minhas escolhas significa não ser uma vítima da moda ou das pressões culturais, porque não existe lugar para mim na cultura que vejo. Ao ter menos opções, sou mais livre do que qualquer outro adolescente que conheço.
É sempre um risco quando um autor se aventura por temas tão complicados quanto algum problema de saúde: as chances de soar forçado ou então alguma cópia de algum livro que já li em algum momento são tão altas que sempre começo a ler com um pouco de receio para que a decepção, caso venha, não seja tão grande. Só que com este livro não consegui fazer isso, pois minhas expectativas estavam lá no alto desde que a Galera Record divulgou a capa (que é linda demais) e a sinopse. Felizmente tive uma boa surpresa quando vi que a autora Cammie McGovern conseguiu fazer o que poucos conseguem: tratar do assunto com naturalidade e sensibilidade.

Para isso, ela fez uma construção excelente dos personagens: Amy, uma garota que possui uma deficiência que limita sua locomoção e fala, me encantou logo de cara: por não ter tido amigos ao longo da vida e ser muito inteligente, ela possui poucas habilidades sociais e isso gera situações desconfortáveis, que acabaram fazendo com que ela se tornasse mais verossímil para mim e, portanto, que meu envolvimento e meu apego aumentassem a cada virar de páginas; já Matthew, um garoto diagnosticado com TOC, me encantou pela sua evolução ao longo do enredo: a forma como ele aprende a se adaptar com as suas limitações é marcante e pra mim uma das coisas que deveriam ser retratadas com mais frequência em livros, pois esta é a mais pura realidade.

Ao mesmo tempo em que a autora retratou a parte das limitações dos personagens, ela também os tratou como são: adolescentes normais passando pela fase das descobertas, com medos e anseios pelo que está por vir e ela fez isso de forma magistral, passando por praticamente todos os assuntos que cercam essa fase da vida. Com uma narrativa fluida e muito gostosa de acompanhar, McGovern fez com que houvesse um equilíbrio perfeito entre ambas as coisas que ela queria destacar, o que fez com que Amy & Matthew entrasse para a minha lista de queridinhos de 2015.

- Perguntei se eu poderia ajudar porque nunca fui capaz de fazer isso por ninguém. Queria ver se eu conseguia. É terrível ser sempre a pessoa que precisa de ajuda. Me desculpe se me enganei. Esse negócio de ter amigos é tão novo pra mim que às vezes cometo erros.
Amy & Matthew é um daqueles livros que você deveria colocar na lista de prioridades na próxima compra de livros que você fizer, afinal, é impossível não se apaixonar por esta história de amor, amizade e coragem. Diferente do convencional, ele se destaca entre tantos livros do gênero que são publicados todos os dias. Não se deixe enganar: apesar do que a capa e a sinopse podem sugerir, Amy & Matthew não é um livro que você já sabe o que vai acontecer desde as primeiras páginas. O meu único conselho é: abra o seu coração e se deixe surpreender por esta história incrível. Você não vai se arrepender.

14/04/2015

Resenha: Dia 21, de Kass Morgan


Título: Dia 21 (The 100 #2)
Autora: Kass Morgan
Editora: Galera Record
Páginas: 288
Vinte e um dias após os cem terem chegado à Terra com a missão de recolonizar o planeta, um inimigo desconhecido é descoberto. Pensa-se que eles eram os únicos humanos a pisar na superfície terrestre em séculos, mas agora, nada mais é certo. Entre resgates, buscas e romances, segredos são revelados, crenças são quebradas e relacionamentos são testados.









Gostaria de dizer que: eu tentei. Depois de ter tido uma leitura decepcionante com The 100 (resenha), pensei que as coisas poderiam ser melhores com a continuação. Estou me sentindo a pessoa mais iludida do mundo por acreditar nisso: Dia 21 foi ainda pior nesse quesito. Kass Morgan tinha tudo em mãos para fazer um livro fantástico: elementos de ação, personagens bem construídos e um excelente cliffhanger deixado pelo livro anterior, porém tudo isso foi desperdiçado para que no final o resultado fosse um livro sem um objetivo, somente páginas e mais páginas de pura enrolação. Uma tremenda de uma decepção!

– Ei, há quanto tempo estamos aqui? (...)
– Pouco mais de três semanas. – ele parou, calculando de cabeça. – Acho que completamos três semanas ontem.
– O dia 21 – falou Clarke em voz baixa, mais para si mesma do que para ele.
Para quem, assim como eu, assiste a série de TV The 100, que é uma adaptação desses livros, querer saber o que originou é quase sempre uma constante. Comigo foi exatamente o que me motivou a lê-los e a dar uma segunda chance quando o primeiro livro não me convenceu, só que, opostamente ao que vemos na série, aqui a ação fica SEMPRE em segundo lugar: toda vez que a autora cria um clima de tensão grande o suficiente para que as cenas de ação se desenvolvam, ela se perde e volta para as mesmas páginas mornas que compõem todo o livro e isso é frustrante porque o leitor fica esperando algo que não acontece e isso continua até o final da leitura.

Além disso, temos quatro narrativas sob pontos de vistas diferentes e todas em terceira pessoa. Carregadas e flashbacks e de conflitos internos de cada personagem, elas prejudicam a evolução do enredo, pois a autora não consegue dar a dinâmica necessária para que isso funcione: ela insiste no mesmo assunto por tempo além do necessário e acaba perdendo todas as oportunidades para fazer com que algo simples se torne espetacular. É como se Morgan se contentasse em simplesmente encher as páginas com o básico. Sendo bem sincera, os dois primeiros livros poderiam ser resumidos em um só e mesmo assim iria ser simplório demais se você for pensar na extensão que o livro poderia adquirir.

Porém, uma das principais qualidades de Morgan é que ela não poupa tempo em construir seus personagens: a personalidade e sentimentos são bem explorados e isso faz com que você acabe se envolvendo com seus dramas particulares e se veja torcendo para que as tentativas de romance e de sobrevivência deem certo. Essa característica faz com que a leitura seja bem rápida e fluida, apesar de todas as ressalvas que fiz a respeito da dinâmica do enredo, o que faz com que ele ganhe um aspecto muito positivo, já que você lê-lo de uma vez só sem perceber.

Não nascemos apenas para nós mesmos. Wells não podia abandonar os outros depois do horror daquele dia. Precisava voltar… para confortar aqueles que não conseguiam dormir. Para conter aqueles cujos sentimentos de pesar e medo pudessem se transformar numa necessidade de vingança.
Dia 21 só provou que a série The 100 é uma daquelas que tinham o potencial para serem incríveis, mas que ficaram somente no básico e no clichê. É sempre decepcionante quando isso acontece, especialmente quando você já tem uma ligação com ela forte por algum motivo externo (no caso, a série de TV). Infelizmente essa foi a deixa para que eu abandonasse de vez a série: apesar de ter curiosidade para saber o que acontecerá a seguir, prefiro esperar as resenhas que sairão dos próximos livros para que elas me convençam que eu devo dar uma nova chance porque já me decepcionei o suficiente. Uma pena. 

13/04/2015

Resenha: Sem Esperança, de Colleen Hoover

Título: Sem Esperança (Hopeless #2)
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera
Páginas: 320
Assombrado pela culpa e pelo remorso por não conseguir salvar Hope nem Less, Holder desenvolveu uma personalidade agressiva. Mas, quando finalmente se depara com Hope depois de tantos anos, não poderia imaginar que o sofrimento seria ainda maior após o reencontro. Em Sem esperança, Holder revela como os acontecimentos da infância de Hope, que agora se chama Sky, afetaram sua vida e sua família, fazendo-o buscar a própria redenção na possibilidade de salvá-la. Mas é apenas amando Sky que ele finalmente será capaz de começar a se reconciliar com si mesmo.



Tenho que admitir que eu estava com muito medo de ler Sem Esperança. Por ser a mesma história do livro Um Caso Perdido (resenha) tratada por um outro ponto de vista, tudo poderia acontecer: desde ele ser incrível até destruir a leitura maravilhosa que tive com o primeiro livro da história escrita por Colleen Hoover. Felizmente eu não contava com um ponto super importante: que a autora iria trazer um protagonista ainda mais apaixonante dessa vez. Ainda não consigo conter os suspiros quando lembro de Holder e isso fez toda a diferença para que esse livro se tornasse único. <3 É amor demais!

Nunca tinha olhado para frente antes. Só olhava para trás. Penso demais no passado e penso no que deveria ter feito e em tudo o que fiz de errado e nunca olhei para frente na vida, nenhuma vez. Ficar com ela me fazia pensar no amanhã e no dia depois de amanhã e no dia seguinte e no ano seguinte e na eternidade. Preciso disso agora, pois se eu não abraçá-la de novo… vou terminar olhando para trás mais uma vez, deixando o passado me engolir completamente.
Vamos aos fatos: não é todo autor que consegue a proeza de pegar uma história e transformá-la em algo totalmente diferente sob um ponto de vista diferente. Já vi muitos casos em que a história se tornava repetitiva e cansativa e esse é um dos grandes motivos para eu sempre ter receio quando se tratam de livros assim. Eis que surgiu a oportunidade de ler Sem Esperança e tive que colocar na balança diversos fatores para decidir se iria lê-lo ou não e, o fato de ser uma das histórias New Adult que eu mais gosto levaram a balança a pender para o lado positivo e resolvi me arriscar. Mas não esperava que Colleen Hoover fosse me surpreender.

Se você ainda não leu Um Caso Perdido, eis uma constatação: o final é bem fechado e não pede por uma continuação, porém o brilhantismo de Hoover está no fato de que ela fez com que Sem Esperança se tornasse um complemento praticamente necessário para que a história fosse totalmente desenvolvida: ela pegou os fatos já conhecidos pelo leitor e lhes deu um tom completamente diferente, além de aproveitar as pontas soltas que ficaram para desenvolver o enredo. Ou seja: apesar de vermos a mesma história, em nenhum momento ela se torna cansativa, uma vez que a abordagem a torna totalmente única.

Mas, o principal fator para que isso aconteça é o protagonista, Holder. Ao ver a história sob seu ponto de vista, pude entender várias das atitudes que ele teve em Um Caso Perdido e bom, não posso negar que isso só fez com que eu me apaixonasse ainda mais por ele *suspiros*. Porém, o grande diferencial de Sem Esperança é a forma como a autora conseguiu transmitir os sentimentos de dúvida, culpa, dor, amor e paixão do personagem, pois você consegue sentir a intensidade e a complexidade de Holder e eu só tenho elogios para como a autora desenvolveu esse lado.

Quando um garoto ama uma garota, especialmente a irmã, deveria saber o que a faz sorrir e o que a faz chorar. Mas eu não sabia. E não sei. Então me desculpe, Less. Desculpe mesmo por ter deixado você fingir que estava bem quando era óbvio que não estava nada bem.
Para mim, não existe Um Caso Perdido sem Sem Esperança. A história ganha uma dimensão completamente diferente quando você lê os dois livros, já que um complementa o outro de uma forma inacreditável. Pela primeira vez uma continuação com a mesma história sob outro ponto de vista me convenceu a ponto de eu afirmar que não dá para você ter uma visão completa sem ler os dois livros. É claro que ambos podem ser lidos independentemente do outro, mas, vão por mim: Colleen Hoover convence e nos presenteia com uma história de tirar o fôlego. Maravilhoso!