14/04/2015

Resenha: Dia 21, de Kass Morgan


Título: Dia 21 (The 100 #2)
Autora: Kass Morgan
Editora: Galera Record
Páginas: 288
Vinte e um dias após os cem terem chegado à Terra com a missão de recolonizar o planeta, um inimigo desconhecido é descoberto. Pensa-se que eles eram os únicos humanos a pisar na superfície terrestre em séculos, mas agora, nada mais é certo. Entre resgates, buscas e romances, segredos são revelados, crenças são quebradas e relacionamentos são testados.









Gostaria de dizer que: eu tentei. Depois de ter tido uma leitura decepcionante com The 100 (resenha), pensei que as coisas poderiam ser melhores com a continuação. Estou me sentindo a pessoa mais iludida do mundo por acreditar nisso: Dia 21 foi ainda pior nesse quesito. Kass Morgan tinha tudo em mãos para fazer um livro fantástico: elementos de ação, personagens bem construídos e um excelente cliffhanger deixado pelo livro anterior, porém tudo isso foi desperdiçado para que no final o resultado fosse um livro sem um objetivo, somente páginas e mais páginas de pura enrolação. Uma tremenda de uma decepção!

– Ei, há quanto tempo estamos aqui? (...)
– Pouco mais de três semanas. – ele parou, calculando de cabeça. – Acho que completamos três semanas ontem.
– O dia 21 – falou Clarke em voz baixa, mais para si mesma do que para ele.
Para quem, assim como eu, assiste a série de TV The 100, que é uma adaptação desses livros, querer saber o que originou é quase sempre uma constante. Comigo foi exatamente o que me motivou a lê-los e a dar uma segunda chance quando o primeiro livro não me convenceu, só que, opostamente ao que vemos na série, aqui a ação fica SEMPRE em segundo lugar: toda vez que a autora cria um clima de tensão grande o suficiente para que as cenas de ação se desenvolvam, ela se perde e volta para as mesmas páginas mornas que compõem todo o livro e isso é frustrante porque o leitor fica esperando algo que não acontece e isso continua até o final da leitura.

Além disso, temos quatro narrativas sob pontos de vistas diferentes e todas em terceira pessoa. Carregadas e flashbacks e de conflitos internos de cada personagem, elas prejudicam a evolução do enredo, pois a autora não consegue dar a dinâmica necessária para que isso funcione: ela insiste no mesmo assunto por tempo além do necessário e acaba perdendo todas as oportunidades para fazer com que algo simples se torne espetacular. É como se Morgan se contentasse em simplesmente encher as páginas com o básico. Sendo bem sincera, os dois primeiros livros poderiam ser resumidos em um só e mesmo assim iria ser simplório demais se você for pensar na extensão que o livro poderia adquirir.

Porém, uma das principais qualidades de Morgan é que ela não poupa tempo em construir seus personagens: a personalidade e sentimentos são bem explorados e isso faz com que você acabe se envolvendo com seus dramas particulares e se veja torcendo para que as tentativas de romance e de sobrevivência deem certo. Essa característica faz com que a leitura seja bem rápida e fluida, apesar de todas as ressalvas que fiz a respeito da dinâmica do enredo, o que faz com que ele ganhe um aspecto muito positivo, já que você lê-lo de uma vez só sem perceber.

Não nascemos apenas para nós mesmos. Wells não podia abandonar os outros depois do horror daquele dia. Precisava voltar… para confortar aqueles que não conseguiam dormir. Para conter aqueles cujos sentimentos de pesar e medo pudessem se transformar numa necessidade de vingança.
Dia 21 só provou que a série The 100 é uma daquelas que tinham o potencial para serem incríveis, mas que ficaram somente no básico e no clichê. É sempre decepcionante quando isso acontece, especialmente quando você já tem uma ligação com ela forte por algum motivo externo (no caso, a série de TV). Infelizmente essa foi a deixa para que eu abandonasse de vez a série: apesar de ter curiosidade para saber o que acontecerá a seguir, prefiro esperar as resenhas que sairão dos próximos livros para que elas me convençam que eu devo dar uma nova chance porque já me decepcionei o suficiente. Uma pena. 

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