17/04/2015

Resenha: Reboot, de Amy Tintera

Título: Reboot (Reboot #1)
Autora: Amy Tintera
Editora: Galera Record
Páginas: 352
Quando grande parte da população do Texas foi dizimada por um vírus, os seres humanos começaram a retornar da morte. Os Reboots eram mais fortes, mais rápidos e quase invencíveis. E esse foi o destino de Wren Connolly, conhecida como 178, a Reboot mais implacável da CRAH, a Corporação de Repovoamento e Avanço Humano. Como a mais forte, Wren pode escolher quem treinar, e sempre opta pelos Reboots de número mais alto, que têm maior potencial. No entanto, quando a nova leva de novatos chega à CRAH, um simples 22 chama sua atenção, e, a partir do momento que a convivência com o novato faz com que ela comece a questionar a própria vida, a realidade dos reinicializados começa a mudar. 



É fato de que está cada vez mais difícil encontrar uma distopia que seja surpreendente. Os temas que normalmente são retratados nos livros desse gênero estão ficando cada vez mais esgotados e maçantes e isso faz com que eu meu receio cresça cada vez mais. Só que, ao mesmo tempo, eu sempre espero que alguma hora surja algum livro que me deixe muito empolgada e é por isso que sempre dou uma chance quando uma distopia muito esperada é lançada no Brasil. Foi isso o que aconteceu com Reboot: estava com altas expectativas, mas elas foram frustradas quando encontrei um enredo morno, que ficou muito abaixo do que poderia ser. Uma grande decepção, infelizmente.

Mas, aos 12 anos, quando acordei na Sala dos Mortos do hospital, 178 minutos depois de levar três tiros no peito, eu gritei. Gristei quando eles me marcaram no pulso com meu código de barras, meu número e meu nome humano, Wren Connolly. Gritei enquanto me trancavam em uma cela, me escoltaram até a aeronave e me colocavam na fila com as outras crianças recém-renascidas. (...) Lá, eles me disseram que gritar significava morte. Agir como se eu ainda fosse uma criança humana significava morte. Desobedecer a ordens significava a morte.
E então eu fiquei em silêncio. p. 15
A verdade é que Reboot tinha tudo para ler uma distopia que abalaria o mercado literário: bons personagens, uma ambientação incrível e uma proposta distópica que parecia ser diferente de todos os outros livros do gênero que já tinha lido, dando margem para a autora explorar os mais diversos seguimentos, desde o sentimento humano até a política que envolve a história. Só que o livro ficou só na promessa: com uma narrativa arrastada e nada dinâmica, as 352 páginas que compõem o livro se tornaram intermináveis, a ponto de eu precisar de muita força de vontade para conseguir ler mais que um capítulo por vez. A todo momento eu esperava para que algo que tirasse meu fôlego acontecesse, até porque a história tinha elementos suficientes para isso, mas esse ápice simplesmente não acontece.

Um dos grandes motivos para que isso aconteça é que a Amy Tintera proporciona pouquíssima ação para o leitor e, quando esta surge em meio ao enredo, é tão mal trabalhada que a autora perde o timing para acabar e isso prejudica muito na dinâmica da história, já que as cenas acabam se tornando cansativas. Além disso, a própria protagonista é superficial e inconstante demais para que você crie uma relação maior de empatia, afinal, no começo do livro temos a informação de que, por ser a pessoa que demorou mais tempo para voltar dos mortos, Wren seria a reboot ideal: forte, ágil e praticamente sem sentimentos. Ao invés de explorar essa característica, a autora resolve remodelar a personagem e transformá-la no padrão de protagonistas fracas e inocentes.

O foco no romance é outra coisa prejudicial para o enredo. Sou uma romântica incurável e (quase) sempre sou a favor dos romances que constituem livros, porém em Reboot ele não deu certo: a autora usou todos os clichês possíveis e descontruiu os personagens para que eles se adaptassem a esse romance, o que fez com que a química entre Wren (a protagonista) e Callum ganhasse um tom muito forçado e em nenhum momento consegui ter um envolvimento maior com o casal, porque a história deles é muito previsível e quase não há reviravoltas, seguindo por um rumo linear demais, o que faz com que nem isso consiga salvar o enredo de ser cansativo e lento.

Quando os humanos começaram a se levantar da morte, eles foram chamados de “milagre”. Os Reboots eram a cura para o vírus que dizimara grande parte da população. Eram mais fortes e mais velozes e quase invencíveis. Então, quando ficou claro que o Reboot não era o humano que haviam conhecido, mas sim uma espécie de cópia fria, alterada, eles nos chamaram de monstros. p. 24
Infelizmente Reboot não foi nada do que eu esperava. Ele prometia muito (até porque a capa é bem bonita e chamativa) e pouco cumpriu: além de um enredo fraco, a história é lenta e arrastada e nem o cliffhanger que a autora deixou no final foi capaz de me empolgar para ler o próximo volume da série. Faltaram momentos de ação e nem o romance conseguiu convencer, tornando Reboot uma das minhas grandes decepções de 2015. Os direitos de adaptação do livro para as telonas já foram comprados, ou seja, agora é esperar e torcer para que o filme seja bem melhor do que o livro foi. Triste. 

3 comentários:

  1. Eita pau Luara,

    Ainda bem que não me interessei por esse livro nem quando li a sinopse, assim não fiquei frustrada com sua resenha.
    Resenha muito bem escrita, por sinal, e, claro, deixou transparecer exatamente o que você achou do livro. E não teve meio termo entre: bom, mais ou menos ou ruim. Foi ruim e ponto.

    xoxo
    Mila F.
    @camila_marcia
    www.delivroemlivro.com.br/

    ResponderExcluir

  2. Eu também venho namorando esta distopia a muito tempo, e fiquei muito feliz quando a Galera anunciou que traria ela para o Brasil.
    Livros que terminam em cliffhanger geralmente não me animam, mas esse em particular entrou na minha lista por conta de todo o "barulho em torno dele".
    Além de ser apaixonada por livros de romances também sou fascinada por ficção então acho que esse livro é o meu número. E graças à Deus é uma duologia... e não uma daqueles séries imensas que nos fazem esperar anos e anos.


    Beijos! Parabéns pela resenha!

    Viviane Gonçalves
    vsg_caue@hotmail.com

    ResponderExcluir
  3. É bem por isso que eu sempre evito criar grandes expectativas em torno de uma história, ainda mais quando o livro em que tão é tão esperado pelos leitores. Ainda pretendo ler "Reboot", mas ainda com um pé (ou dois) atrás. =/

    Blog | Paixonites Literárias Xx

    ResponderExcluir