10/05/2015

Resenha: A Cidade Murada, de Ryan Graudin

Título: A Cidade Murada
Autora: Ryan Graudin
Editora: Seguinte
Páginas: 400
A Cidade Murada é um terreno com ruas estreitas e sujas, onde vivem traficantes, assassinos e prostitutas. É também onde mora Dai, um garoto com um passado que o assombra. Para alcançar sua liberdade, ele terá de se envolver com a principal gangue e formar uma dupla com alguém que consiga fazer entregas de drogas muito rápido. Alguém como Jin, uma garota ágil e esperta que finge ser um menino para permanecer em segurança e procurar sua irmã. Mei Yee está mais perto do que ela imagina: presa num bordel, sonhando em fugir… até que Dai cruza seu caminho.

Inspirado num lugar que existiu, este romance cheio de adrenalina acompanha três jovens unidos pelo destino numa tentativa desesperada de escapar desse labirinto.


Quando vi que a editora Seguinte iria lançar A Cidade Murada, fiquei um pouco receosa: o livro prometia muita ação, uma ambientação urbana e um ar de distopia. Como vocês já devem ter percebido por outras resenhas minhas aqui, é muito difícil esse tipo de história me convencer, já que nunca me envolvem do jeito que eu espero. Pois foi assim que comecei a leitura dessa obra: com um pé atrás, apesar da minha curiosidade a respeito dele. E não é que fui surpreendida? Com um enredo baseado em fatos reais, somos levados por uma trama que se passa nas vielas da favela vertical Hak Nam e acompanhamos três vidas em busca da sobrevivência e da chance de ser feliz. Simplesmente incrível e um dos melhores livros de 2015!

Existem três regras para sobreviver na Cidade Murada. Corra rápido. Não confie em ninguém. Ande sempre com uma faca.

Agora, minha vida depende da primeira. p. 11
Vamos aos fatos: sempre sou atraída por um livro aparenta ter um tom de distopia porque fico muito curiosa para ver como ou se o autor conseguiu inovar dentro desse gênero tão saturado. Com A Cidade Murada eu me surpreendi justamente por a distopia não ter um lugar de destaque dentro do enredo: somos apresentados ao drama de três jovens que estão em uma contagem regressiva para sair de um lugar onde cada ação pode ser a última. Isso fez com que livro tivesse muita ação: a partir do momento que a autora se dá por satisfeita na caracterização dos personagens e na ambientação do enredo, temos uma história frenética, que não deixa o leitor respirar até que a última linha seja alcançada. E foi isso que me deixou impressionada, pois há muito tempo não me via tão imersa em um livro a ponto de perder a hora de dormir.

Os protagonistas também me ganharam. Dai, Jin Ling e Mei Yee são completamente diferentes e cada um tem uma missão particular dentro de Hak Nam. A Cidade Murada é narrado em primeira pessoa por esses três pontos de vista e isso acaba gerando uma empatia grande do leitor para com estes personagens. Todos são bem diferentes e a autora conseguiu caracterizá-los em cima de suas peculiaridades extremamente bem e isso foi muito importante porque eu confesso que não consegui me prender rapidamente aos nomes e só conseguia diferenciá-los pela forma como agiam. Tenho que dizer que me apeguei um pouco mais a Mei Yee por ser a personagem mais frágil e vulnerável dessa história. Mas tenho certeza que todos vão acabar conquistando vocês de alguma forma.

Porém, o principal nesse livro, foi a parte cultural. A autora Ryan Graudin conseguiu fazer com que a vivência dos protagonistas fosse palpável, pois são problemas que são vistos em todas as favelas de médias e grandes cidades. Essa história poderia se passar no Rio de Janeiro levando os principais aspectos do enredo. Além disso, a autora se inspirou na maior favela vertical que já existiu no mundo: a de Kowloon, que ficava em Hong Kong, na China. Essa favela abrigou pessoas que acabaram sendo esquecidas. Hoje essa favela não existe mais, então no finalzinho do livro temos várias fotos para que o leitor tenha uma noção da dimensão daquele lugar. Fiquei ainda mais encantada com toda a experiência envolvida.

É impossível não ver a Cidade Murada. Os apartamentos se empilham feito tijolos toscos. Todos cobertos por grades. Jaulas em cima de jaulas. p. 257
Com um ritmo muito acelerado, A Cidade Murada é um daqueles livros que te encantam logo nos primeiros capítulos. Alguns podem ficar assustados com a quantidade de páginas, mas, vão por mim, elas passam na mesma velocidade que o enredo adquire. Com três pessoas em busca de uma vida melhor, temos contato com os mais diversos problemas: prostituição, tráfico e todos os problemas sociais que podem ser encontrados em lugares tão esquecidos como a favela de Hak Nam e, com isso, temos uma crítica muito bem direcionada da autora. Se você ainda não tinha se interessado em procurar mais um pouquinho sobre esse livro, vá por mim: esse aqui merece um pouquinho da sua atenção (e que pode virar muita, pois eu acabei gastando algumas horas procurando sobre o lugar que inspirou esse livro). Deixe-se surpreender! <3

Um comentário:

  1. Oi Luara, tudo bem?
    Depois de ler sua resenha fiquei arrependida de não ter pedido esse livro. Ele pare ter sido muito bem escrito e ambientado. Também estou saturada de distopias, por isso tenho evitado, mas este parece seguir uma linha diferente. Dica mais do que anotada.
    Abraços,
    Amanda Almeida
    http://amanda-almeida.com.br

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