10/06/2015

Resenha: Dias Infinitos, de Rebecca Maizel

Título: Dias Infinitos
Autora: Rebecca Maizel
Editora: Galera Record
Páginas: 384
Cansada de passar seus infinitos dias perseguindo e matando vítimas inocentes, Lenah Beaudonte, uma poderosa vampira da era vitoriana, decide abandonar seu coven de comparsas decadentes e transformar-se em humana. Mas o ritual capaz de transformá-la é extremamente perigoso. É necessário que um vampiro se sacrifique por ela, e não só isso; Lenah precisará passar 100 anos hibernando.

Felizmente, Rhode, o grande amor da vida dela, resolve se sacrificar para realizar esse sonho. E a transformação é bem-sucedida. Após 592 anos, Lenah acorda em um corpo humano, na prestigiosa escola particular Wickham, em Massachusetts. Ela está completamente sozinha em outro século e precisa aprender a viver no mundo moderno, como uma adolescente comum. E justamente quando Lenah parece ter se adaptado à nova vida, feito novos amigos e até arrumado um namorado, o passado volta para assombrá-la. Seus ex-companheiros vampiros embarcam em uma caçada mortal para encontrá-la e capturá-la. Agora não só Lenah, mas todos que ama correm perigo. Será que ela conseguirá escapar e salvar os amigos sem revelar seu maior segredo?



Expectativa... É difícil quando ela nos pega de um jeito que não conseguimos mais nos livrar dessa sensação de espera, de que algo vai nos surpreender além do que a gente imagina. Pois bem. Essa era a minha relação com Dias Infinitos: vi muitas pessoas falando bem e falando que ele foge do clichê de livros de vampiros em geral. Vocês imaginam como eu fiquei, certo? Afinal, ter algo original no já tão esgotado tema “vampiros” é algo que atrai qualquer um que seja fã de histórias sobrenaturais. Mas, ao começar a leitura, já vi que não seria nada daquilo que prometia e logo nas primeiras páginas senti que seria uma decepção. E, infelizmente, foi exatamente o que aconteceu.

Eu te liberto...
Eu te liberto, Lenah Beaudonte.
Acredite... e seja livre. p. 9
Juro que eu tentei. Dei todas as chances possíveis para Dias Infinitos, mas ele não conseguiu me convencer. Sabem quando um livro não flui de jeito nenhum, mesmo com você lendo aos poucos, intercalando a leitura com outros livros e insistindo a cada capítulo que passa? Pois é. Tentativas não faltaram. Mas vamos aos fatos: que enredo arrastado! A autora Rebecca Maizel enrola tanto com as descrições desnecessárias que as 384 páginas que compõem o livro poderiam ser facilmente reduzidas para 200 (ou até menos). A todo momento você espera que algo surpreendente aconteça, mas esse momento simplesmente não aparece.

A originalidade prometida pela sinopse e pela indicação na capa é outra coisa que não aparece. Apesar da pequena diferença de termos uma vampira querendo a todo custo virar humana para voltar a sentir (sim, isso já foi tratado em outros livros, mas ainda assim é mais difícil encontrar do que o inverso, um humano tentando virar um vampiro) e das narrativas em espaços temporais diferentes (adoro quando esse artifício é utilizado pois nos dá uma visão maior do personagem), Dias Infinitos segue pelo mesmo caminho de sempre. Além de utilizar todos os clichês que os Young Adults costumam ter, tudo é extremamente previsível. Conseguimos antecipar cada cena que irá ocorrer com capítulos de antecedência e isso foi muito frustrante pois minhas expectativas de encontrar algo diferente estavam muito altas.

Além disso, a protagonista, Lenah, é uma personagem extremamente chata. Por ser uma narrativa em primeira pessoa, isso torna as coisas ainda mais complicadas, porque mesmo que a história seja chata, uma simpatia com um personagem sempre faz as coisas ficarem um pouquinho mais suaves e mais fáceis de serem lidadas, só que nem isso temos aqui. Sem contar que, por estar cansada de ver triângulos amorosos em livros do gênero, fiquei extremamente decepcionada com o fato de que nesse livro temos um quadrado amoroso. Todos muito óbvios e nenhum deles conseguiu conquistar de verdade – o único que tinha grande potencial para isso, o Rhode, não foi bem explorado, o que é uma grande pena.

Tudo valeu a pena? Não tivemos bons momentos? Você não está mais condenada ao sofrimento involuntário. Encontre paz na minha morte. Derrame lágrimas. Só existe liberdade agora. (...) Jamais esqueça, Lenah.
Maldito seja aquele que pena o mal. p. 36
Mas, pelo menos, o final trouxe alguma melhora para o enredo, pois seguiu um caminho diferente do que é esperado para um Young Adult clichê e isso me deixou um pouco surpresa. Só que isso não foi o suficiente para salvar o livro como um todo, pois a impressão ruim já tinha ficado. Dias Infinitos é o primeiro livro da série Vampire Queen, só que ele tem um final bem fechado e isso me deu um certo alívio, pois mesmo que não fosse, eu não conseguiria investir em outro livro da série. Infelizmente foi uma grande decepção. Não foi dessa vez que os vampiros voltaram com tudo para as minhas leituras habituais.

Um comentário:

  1. É uma pena que não tenha gostado. O livro tava na lista, maaaas depois dessa resenha não sei se darei uma chance para mais uma versão YA de vampiros. O tema tá bem esgotado, e aos admiradores do gênero o que nos resta é esperar que algo surja e faça jus aos lendários vampiros. Beijos
    http://miiheomundoliterario.blogspot.com.br/

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