25/08/2015

Parceria: Delirium Editora

Olá, internautas, amigos e leitores! :)
Hoje eu vim especialmente para anunciar uma nova parceria do blog: a Delirium Editora. Fiquei muito feliz em ter recebido o convite do Flavio P. Oliveira e agora vou contar para vocês um pouquinho mais sobre essa editora.

A Delirium Editora não se importa se o sapo virará ou não príncipe, pois os sapos — cor-de-rosa, amarelos, alados, alucinados — e (também) os cogumelos dançantes, as borboletas no estômago, os leopardos disfarçados de percevejo, etc. são igualmente fundamentais; afinal de contas, o nosso cérebro não é constituído por lados amigáveis, mas sim por dois hemisférios em eterno conflito — conto-vos um segredo: é verdade (verdade!) e acertam na mosca quando dizem que de poeta e louco todo mundo tem um pouco.
O mestre José Saramago dizia: “Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar”, nós buscaremos a literatura do desassossego, da criatividade… Queremos um amontoado de ideias alucinantes (absurdas) vestindo histórias e frases.

12/08/2015

Resenha: Brilhantes, de Marcus Sakey

Título: Brilhantes (Brilhantes #1)
Autor: Marcus Sakey
Editora: Galera Record
Páginas: 476
A partir de 1980, um por cento das crianças começou a apresentar sinais de inteligência avançada. Essa parcela da população, chamada de “brilhantes”, é vista com muita desconfiança pelo restante da humanidade, que teme a forma como esse dom será usado. Nick Cooper é um deles, um agente brilhante, treinado para identificar e capturar terroristas superdotados e levá-los para a custódia do governo. Seu último alvo está entre os mais perigosos que já enfrentou, um líder responsável pelo maior ataque terrorista dos últimos tempos e que pretende começar uma guerra civil. Mas para capturá-lo, Cooper precisa se infiltrar em seu mundo e ir contra a tudo o que acredita. Denominado pelo Chicago Sun-Times como o mestre do suspense moderno, Markus Sakey criou um universo ao mesmo tempo perturbador e incrivelmente semelhante ao nosso, onde um dom pode se tornar uma maldição. 



Tenho que admitir que fui fisgada totalmente pela sinopse desse livro. Sou completamente apaixonada por ação e ficção científica, então quando surge alguma oportunidade de ler um livro do gênero, sou uma das primeiras a querer ler, principalmente se a sinopse dá sinais de que ele vai ter alguma faísca de originalidade (afinal, existem muitos livros do gênero no mercado). Brilhantes surgiu exatamente com essa premissa: de ser um livro com muita ação e suspense, daqueles que tiram o seu fôlego até a última página. Apesar de não ter sido tudo que eu esperava, o livro cumpriu o que prometeu e deixou aquele gostinho de quero mais.

A humanidade normal percebeu que algo de ruim ia acontecer. O que antes fora uma curiosidade agora er auma ameaça. Não importava como fossem chamados - brilhantes, superdotados, anormais, esquisitos -, eles mudaram tudo.
A grande verdade é que as primeiras páginas de Brilhantes não me convenceram. Logo de cara me vi perdida no meio da quantidade enorme de informações e isso atrapalhou muito meu rendimento com a leitura, uma vez que isso fez com que o livro se tornasse maçante e difícil de acompanhar. Tenho que admitir que por vezes senti vontade de abandoná-lo. Mas, como eu tinha visto muitas resenhas positivas a respeito desse livro, resolvi insistir para ver se ele conseguia me conquistar e foi a decisão certa a ser tomada. Passadas as primeiras cem páginas torturantes, finalmente consegui pegar o ritmo do livro e me envolver com a história.

Um dos grandes motivos para isso ter acontecido foi a grande quantidade de ação que permeia todas as páginas do enredo. O autor Marcus Sakey nos envolve em uma grande trama de conspiração e terrorismo (ou seja, coisas que vemos em nossa sociedade) e isso gera um suspense incrível, sem contar que temos um toque de X-Men que deixa tudo sensacional. Com isso você acaba criando uma grande expectativa ao longo das páginas e precisa saber a qualquer custo o que vai acontecer em seguida. Como artifício para prender o leitor, o livro é dividido em três partes, e, como geralmente vemos em outros livros com esse arranjo, podem ser vistas como introdução, desenvolvimento e clímax. Ou seja, o ritmo da narrativa é crescente e em nenhum momento o autor deixa esse ritmo diminuir. O enredo vai ficando cada vez mais envolvente e somos surpreendidos com diversas reviravoltas.

A narrativa em terceira pessoa também não deixa desejar. O nosso protagonista, Nick Cooper, é muito bem desenvolvido, mas tenho que confessar que ele demorou um pouquinho para me conquistar, porque ele é um pouco arrogante e não tem carisma nenhum. Mas, ao acompanhar a história e ver como ele foi até ao extremo para conseguir o que precisava, ele aos poucos me envolveu e eu consegui sentir sua motivação e força. Quando vi já estava totalmente apegada à forma dele de analisar as pessoas e a situação como um todo. Marcus Sukey também conseguiu trabalhar muito bem com os personagens secundários e tenho que destacas Shannon, que é exatamente uma dessas garotas que me conquistam de cara por causa da personalidade forte. Isso deu um brilho a mais no enredo.

As pessoas não querem a verdade, realmente. Querem vidas seguras, aparelhos eletrônicos bacanas e geladeiras cheias.
Brilhantes é um livro que exige um pouco de esforço. O começo é maçante e o excesso de informações pode fazer com que você perca o entusiasmo. Mas, com um pouquinho de dedicação, você vai ser presentado com um livro com uma história muito interessante, que vai te tirar o fôlego por ser cheio de ação e suspense. É o primeiro livro da trilogia Brilhantes, mas, se você está fugindo de séries, fique tranquilo: esse livro tem começo, meio e fim definidos, ou seja, você não fica naquela obrigação de ler o próximo volume para entender a história desse. E, vão por mim: se vocês procuram algum livro bem movimentado e com muitas reviravoltas, com certeza Brilhantes vai te agradar. 

11/08/2015

Resenha: Ela Não É Invisível, de Marcus Sedgwick

Título: Ela Não É Invisível
Autor: Marcus Sedgwick
Editora: Galera Record
Páginas: 256
Laureth é uma adolescente cega de 16 anos, e seu pai é um autor conhecido por escrever livros divertidos. De uns tempos pra cá, ele trabalha em uma obra sobre coincidências, mas nunca consegue termina-la. Sua esposa acha que ele está obcecado e prestes a ter um ataque de nervos. Laureth sabe que o casamento dos pais vai de mal a pior quando, de repente, seu pai desaparece em uma viagem para a Áustria e seu caderno de anotações é encontrado misteriosamente em Nova York. Convencida de que algo muito errado está acontecendo, ela toma uma decisão impulsiva e perigosa: rouba o cartão de crédito da mãe, sequestra o irmão mais novo e entra em um avião rumo a Nova York para procurar o pai. Mas a cidade grande guarda muitos perigos para uma jovem cega e seu irmãozinho de 7 anos.



Não é segredo para ninguém que a capa de Ela não é invisível é uma coisa linda, não é mesmo? Com certeza seria uma das primeiras que eu olharia caso entrasse em uma livraria e não conhecesse nenhum dos livros expostos. Pois bem. Esse foi o meu caso: fui completamente atraída por ela e logo depois fui conquistada pela sinopse do livro, mas, ainda assim, estava com poucas expectativas. Estava precisando ler algo diferente, algo que destoasse dos últimos livros que estava lendo, pois cheguei a um ponto em que estava lendo histórias muito parecidas e isso iria me ocasionar uma ressaca literária sem sombra de dúvida. Peguei esse livro e, logo nas primeiras páginas, me vi presa por aquele enredo tão bem elaborado e ansiando por mais. Uma excelente surpresa!

Invisível? Não; ninguém iria querer ser assim. Sem que ninguém notasse sua presença ou falasse com você. No fim das contas, acabaria sendo solitário de mais.
Sempre que um livro envolve algum tipo de doença ou deficiência de seus personagens, eu fico com um pé atrás. É impressionante como vários autores têm usado esse recurso para gerar uma dramaticidade para a história e quase sempre isso é usado da mesma maneira: como um estorvo para a vida do protagonista ou para que ele seja digno de pena. Mas, como vocês já devem ter percebido, estou cansada disso. Por esse motivo abaixei as minhas expectativas com relação a Ela Não É Invísivel: nessa história conhecemos Laureth, uma deficiente visual que embarca em uma jornada junto com seu irmão para descobrir o paradeiro do seu pai. Bom, vocês já imaginam todos os clichês que isso pode trazer, não é? Mas não foi bem assim que aconteceu.

O autor Marcus Sedgwick não usou esse artifício como tantos outros autores, que colocam isso como um obstáculo enorme na vida dos personagens, mas sim como mais uma informação sobre Laureth e também para dar uma cara totalmente diferente para o seu enredo. Como aqui temos uma narrativa em primeira pessoa pelo ponto de vista da protagonista, temos uma nova forma de ver o ambiente ao seu redor: não temos descrições físicas, visuais, mas, ao mesmo tempo, é como se o autor conseguisse transmitir tudo que está acontecendo. A narrativa fluida e extremamente instigante também ajuda, pois faz com que o leitor se envolva com a história e fique querendo mais páginas assim que o livro acaba.

Mas é claro que os personagens também ajudam nisso. A nossa protagonista, Laureth, não é definida por sua deficiência e só isso já foi um grande passo para que eu gostasse dela. Por ter apenas 16 anos, eu pensei que iria ter que lidar com mais uma daquelas personagens chatas e irritantes, mas, ao longo do enredo, ela vai se mostrando bem cativante com o seu jeito obstinado de ser e foi exatamente por esse diferencial que eu me encantei tanto por ela. É claro que não posso deixar de citar Benjamin e seu corvo de pelúcia: o garoto de apenas 7 anos tem uma personalidade única e consegue lidar com a situação em que está envolvido com a destreza de uma pessoa com muito mais idade. Adorei!

É tudo uma questão de probabilidade. Tem até um nome para isso: Lei de Littlewood, em homenagem a um professor de Cambridge. O professor Littlewood definiu milagre como algo cuja chance de acontecer seria uma em um milhão. Em seguida, concluiu que, dado o enorme número de experiências pelas quais as pessoas passam todos os dias pode-se esperar ver algo milagroso acontecer a cada 35 dias, mais ou menos. O que significa que algo que parece uma coincidência milagrosa na verdade é bem comum.
Claro que não posso deixar de falar do excelente trabalho gráfico feito pela editora Galera Record. Além de ter essa capa linda, ao longo do livro temos trechos do caderno do pai dela, o que confere um efeito visual muito bacana para a obra como um todo. Ela Não É Invisível é um livro que, por mais que seja um thriller, não é pesado e você pode ler em somente uma tarde. Ou seja: se você está procurando algo diferente, mas que ao mesmo tempo te prenda e te proporcione uma excelente leitura, vai por mim: esse livro é mais do que recomendado. Dê uma chance e se surpreenda! 

10/08/2015

Resenha: No Início Não Havia Bob, de Meg Rosoff

Título: No Início Não Havia Bob
Autora: Meg Rosoff
Editora: Galera Record
Páginas: 240
E se Deus fosse um adolescente? Após ganhar a Terra num jogo de pôquer, a deusa Mona resolve delegar a seu filho, um insolente e mimado adolescente, o novo planeta. Bob, preguiçoso demais para gastar muito tempo com isso, cria tudo em seis dias e a partir daí joga todo o trabalho para cima de seu assistente, o frustrado Sr. B. Quando os problemas começam a aparecer, sobra para ele limpar a bagunça. E o fato de Bob ter criado os humanos à sua imagem e semelhança também não ajuda. Como um planeta cheio de criaturas tão gananciosas e intolerantes pode sobreviver? Como não bastasse, Deus está obcecado por uma garota mortal: Lucy, assistente em um zoológico. E a cada encontro a Terra é afetada pelos sentimentos de seu criador. Dominado por desejos intensos, Bob começa a causar verdadeiras catástrofes em seu planeta. Desesperado, conseguirá o Sr. B. salvar a Terra de seu próprio Deus?



Vamos aos fatos: a premissa de No Início Não Havia Bob é extremamente interessante. Afinal, o que aconteceria se Deus fosse adolescente? Eu sempre me interesso por livros que têm a ousadia de serem originais porque já leio muito do mesmo, principalmente dentro do gênero Young Adult. Só que, às vezes, a originalidade pode dar muito errado. E foi exatamente isso que aconteceu nesse livro em particular: com uma história muito confusa e carregada de informações, a autora Meg Rosoff entregou uma trama nada convincente e que, infelizmente, em nenhum momento conseguiu me envolver. Uma pena.

Talvez a forma de proceder seja pensar na vida na Terra como uma piada colossal, uma criação de uma estupidez tão imensa que a única forma de viver é rir até achar que nosso coração vai se partir.
É sempre ruim quando um livro com grande potencial para ser explorado acaba sendo mais um entre tantos outros. É assim que eu me sinto com relação a No Início Não Havia Bob. É sempre corajoso quando um autor envolve termos religiosos em ficção, até porque muitos leitores têm opiniões pré-concebidas e não aceitam bem essa inserção em livros do gênero. Por causa disso e pela sinopse muito cativante, é lógico que eu daria uma chance para ele. Só que foi um potencial totalmente desperdiçado, uma vez que encontrei tudo aquilo que não esperava e que, convenhamos, não queria encontrar.

A primeira decepção veio na narrativa: a autora não conseguiu fazer com que ela me prendesse de jeito nenhum. Por ser em terceira pessoa e contada de vários ângulos diferentes da história, temos uma história toda picotada, como se a todo momento aquilo que está se desenvolvendo em um capítulo fosse interrompido para contar outra coisa totalmente diferente e isso atrapalha e muito na fluidez da história. Me vi irritada várias vezes com essas interrupções e também não foram poucas as ocasiões em que me vi forçando a leitura com a esperança de que algo de surpreendente e que me envolvesse acontecesse e, por mais que eu tenha esperado, nada disso aconteceu. Sem contar que a história é inconsistente: em um momento estamos caminhando para um objetivo, mas, ao longo da trama, esse objetivo muda completamente e faz com que a história perca seu rumo. Uma grande decepção.

Outra coisa que me desagradou bastante foi a falta de aprofundamento nos personagens. A todo momento eles eram inseridos no enredo, mas sem nenhuma explicação sobre como eles surgiram ou qual a ligação deles com a história. Fiquei bastante perdida e não consegui criar uma relação mais forte com nenhum deles, pois pareceu que eles foram apenas jogados no enredo para ocupar espaços vazios. Se não bastasse isso, a autora ainda utiliza muitos clichês para elaborá-los, ou seja, nenhum é marcante e você provavelmente vai esquecer o nome deles no dia seguinte a leitura. É difícil de acreditar que tantos erros tenham sido cometidos em um único livro.

Os prazeres da vida eram tão simples, na verdade. Era só uma questão de apreciar o que tinha - e saber que as coisas sempre poderiam ser piores.
Por fim, por mais que eu ainda tivesse esperanças, a autora fez o pior desfecho possível, ou seja, nem isso salvou o livro de cair nas minhas piores leituras do ano. Minhas expectativas com No Início Não Havia Bob eram as melhores possíveis, mas a autora Meg Rosoff desperdiçou o grande potencial que o livro tinha e criou uma história confusa, nada envolvente e com uma narrativa que deixa qualquer leitor cansado já nas primeiras páginas. A capa (que eu achei linda!) e a sinopse dessa vez enganaram. Mas não temos como fugir disso, não é? Infelizmente. 

09/08/2015

Resenha: Em Busca de Cinderela, de Colleen Hoover

Título: Em Busca de Cinderela (Hopeless #2.5)
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Páginas: 160
Neste conto da bem-sucedida e adorada série Hopeless, o leitor conhecerá melhor dois personagens secundários de "Um caso perdido". Daniel está no breu do armário de vassouras da escola – o perfeito esconderijo para quem quer fugir do mundo real –, quando uma garota literalmente cai em cima dele. Às cegas, os dois vivem um curto romance, mesmo sem acreditar muito no amor. No fim a garota foge, como se realmente fosse a Cinderela e tivesse uma carruagem prestes a virar abóbora. Um ano depois, Daniel e sua princesa se reencontram, e percebem que é possível nutrir um amor de conto de fadas por alguém completamente real. Juntos, os dois irão perceber que fora do faz de conta, ficar juntos é bem mais difícil e os problemas de um casal são muito reais.


Tenho que confessar que sempre tenho um pé atrás quando se trata de Colleen Hoover. Para quem viu a minha resenha de Métrica, sabe que foi um livro bem decepcionante, mas, em contrapartida, a série Hopeless, com Um Caso Perdido e Sem Esperança, me conquistou até o último fio de cabelo e, por essa razão, fiquei muito feliz quando vi a editora Galera Record iria publicar em formato impresso esse conto aqui no Brasil, porque eu iria ter mais um gostinho da série que me conquistou. Por causa do meu receio, fui com pouquíssima expectativa. E não é que fui surpreendida?

Fico surpreso com o quanto não quero que ela vá, porque sei que nunca mais vou vê-la de novo. Quase imploro para ela ficar, mas também sei que ela tem razão. Tudo só parece perfeito porque estamos fingindo que é perfeito. p. 30
Dessa vez temos uma história bem compacta. Por ser bem curtinho (temos só 160 páginas), o enredo não tem muitas reviravoltas, mas com certeza agrada o leitor e fã da série. Ao colocar o relacionamento de Daniel e Six como foco do livro e Sky e Holder como personagens secundários, temos uma visão muito mais ampla daqueles personagens que não tinham ganhado destaque nos livros anteriores e, além disso ter sido um complemento ótimo para a história como um todo, tenho que dizer que estou apaixonada por eles e que eles poderiam ganhar uma série independente que eu seria uma das primeiras a querer ler. <3

Em Busca de Cinderela é narrado em primeira pessoa pelo Daniel e tenho que admitir que a minha visão sobre ele mudou totalmente. Antes, tinha a sensação de que ele era aquele garoto um pouco idiota, impulsivo e que não pensa nas consequências, mas, a partir desse conto, temos um outro lado desse personagem: um amigo leal, cuidadoso e com sentimentos profundos. Já Six, que pouco tinha aparecido nos livros anteriores, veio e conseguiu ganhar uma voz própria. Era quase como se eu já a conhecesse em detalhes. Isso só mostrou a grande capacidade de Colleen Hoover para desenvolver personagens marcantes.

Bem, tecnicamente acho que nunca amei Val de verdade. Achava que sim, mas agora penso que se uma pessoa está verdadeiramente apaixonada, o amor dela é algo incondicional. O que eu sentia por Val não era nada incondicional. Todas as coisas que eu sentia por ela tinham certas condições. p. 74
A autora Collen Hoover mostrou mais uma vez que pode arrasar quando se trata de romances. Me vi tão envolvida que li o livro somente algumas horas. Temos todos os elementos essenciais: a química entre o casal, situações engraçadas e uma reviravolta de prender o fôlego. É nesse momento que Hoover coloca temas impactantes e que afetam muitos jovens dentro de sua trama e faz com que o livro se torne um veículo para passar uma mensagem para os leitores, principalmente para o público jovem adulto. Ou seja, é uma excelente leitura, seja você fã da série ou não. Mas, se não for, com certeza vai virar.

08/08/2015

Resenha: Naomi & Ely e a Lista do Não-Beijo, de David Levithan e Rachel Cohn

Título: Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo
Autores: David Levithan e Rachel Cohn
Editora: Galera Record
Páginas: 256
A quintessência menina-gosta-de-menino-que-gosta-de-meninos. Uma análise bem-humorada sobre relacionamentos. Naomi e Ely são amigos inseparáveis desde pequenos. Naomi ama Ely e está apaixonada por ele. Já o garoto, ama a amiga, mas prefere estar apaixonado, bem, por garotos. Para preservar a amizade, criam a lista do não beijo — a relação de caras que nenhum dos dois pode beijar em hipótese alguma. A lista do não beijo protege a amizade e assegura que nada vá abalar as estruturas da fundação Naomi & Ely. Até que... Ely beija o namorado de Naomi. E quando há amor, amizade e traição envolvidos, a reconciliação pode ser dolorosa e, claro, muito dramática.


Mais um livro do Levithan, ou seja, mais um livro que eu fico louca para ler custe o que custar. Sou dessas fãs que, não importa qual seja a sinopse, eu sempre vou ser uma das primeiras da fila para ler “o novo livro do Levithan” porque é inacreditável como esse homem consegue sempre fazer os melhores livros. Eis que surge Naomi & Ely e a Lista do Não-Beijo com essa capa que ninguém pode colocar defeito e ainda com a coautoria de Rachel Cohn, com quem também escreveu Nick e Norah, um dos melhores livros que li em 2015. Não tinha como dar errado, não é mesmo? Apesar de não ter sido tudo aquilo que eu esperava (ah, a expectativa, como ela é má!), é um daqueles livros que a gente lê em somente uma tarde e foi uma delícia de leitura.

Não existe alma gêmea… e quem gostaria que existisse? Não quero ser metade de uma alma compartilhada, quero a porra da minha própria alma.
Sempre gostei de uma característica que vejo em praticamente todos os livros do Levithan: a forma crua como ele compõe seus personagens. Sempre tenho a sensação de que aquela pessoa de quem ele está falando poderia ser meu amigo na vida real. Pensem na minha decepção quando logo de cara encontro personagens com características clichês do Young adult e com atitudes extremamente previsíveis, egoístas e maldosas. Pois é. As primeiras páginas de Naomi & Ely não conquistaram. Parecia que eu estava lendo mais um livro do gênero, sem qualquer outra qualidade que o diferenciasse dos demais, pois não havia nenhuma originalidade envolvida. Mas, como estamos falando da mistura mágica de David Levithan e Rachel Cohn, é claro que eu não iria abandonar o livro assim. Insisti e... não é que deu certo?

Ao longo do enredo, percebemos que a amizade ganha o papel de protagonista. Ou seja, por mais que tenhamos as duas figuras que conduzem o enredo, a mensagem do livro é muito mais profunda do que aquilo que está sendo mostrado ao decorrer das páginas. Uma vez que você consegue ter essa percepção, as camadas da história vão sendo descobertas, tiradas uma a uma e esse é o grande diferencial do livro, sem contar que ele está recheado de situações engraçadas e de temas que precisam ser cada vez mais abordados, como a homossexualidade. A narrativa extremamente fluida dos autores colabora para que isso aconteça, uma vez que é sempre em primeira pessoa, mas por diversos pontos de vista, o que faz com que tenhamos uma composição muito mais rica do enredo e isso faz com que o leitor tenha uma compreensão muito mais abrangente da situação em que Naomi e Ely estão envolvidos.

Esses dois personagens acabaram me encantando também. Por mais que Naomi seja aparentemente a pior pessoa do mundo – e ela caracteriza a si mesma como uma vaca –, nos damos conta de que ela tem muito mais potencial do que demonstra e, Ely não é fútil e com sentimentos rasos, mas sim um garoto capaz de amar profundamente aqueles com quem se importa. A forma como os dois evoluíram ao longo da história me conquistou, até porque em diversas situações eu senti que poderia me colocar facilmente no lugar deles. Aquela sensação de “isso poderia estar acontecendo comigo” faz com que a empatia entre o leitor e o personagem seja enorme e chegamos ao fim com a certeza de que nos tornamos amigos daqueles que nos acompanharam pelas páginas numeradas.

Não. Não, não, não, não. Não é fácil. As coisas que realmente importam não são fáceis. Os sentimentos de alegria são fáceis. A felicidade, não. Flertar é fácil. Amar, não. Dizer que você é amigo de alguém é fácil. Ser um amigo de verdade, não.
Naomi & Ely e a Lisa do Não-Beijo não é uma das grandes obras de David Levithan, mas também não deixa a desejar. É um daqueles livros que à primeira vista parecem clichês e previsíveis, mas que, no final das contas, nos traz uma grande mensagem. Com uma linguagem voltada para o público jovem adulto, é uma excelente leitura caso você esteja querendo algo mais leve, para entreter uma tarde de tédio. Mas, vai por mim: se você é fã de Todo Dia e de outras grandes obras dos autores, a melhor dica é ir com pouca expectativa. Tenho certeza que isso fará com que sua leitura seja muito mais proveitosa.