08/08/2015

Resenha: Naomi & Ely e a Lista do Não-Beijo, de David Levithan e Rachel Cohn

Título: Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo
Autores: David Levithan e Rachel Cohn
Editora: Galera Record
Páginas: 256
A quintessência menina-gosta-de-menino-que-gosta-de-meninos. Uma análise bem-humorada sobre relacionamentos. Naomi e Ely são amigos inseparáveis desde pequenos. Naomi ama Ely e está apaixonada por ele. Já o garoto, ama a amiga, mas prefere estar apaixonado, bem, por garotos. Para preservar a amizade, criam a lista do não beijo — a relação de caras que nenhum dos dois pode beijar em hipótese alguma. A lista do não beijo protege a amizade e assegura que nada vá abalar as estruturas da fundação Naomi & Ely. Até que... Ely beija o namorado de Naomi. E quando há amor, amizade e traição envolvidos, a reconciliação pode ser dolorosa e, claro, muito dramática.


Mais um livro do Levithan, ou seja, mais um livro que eu fico louca para ler custe o que custar. Sou dessas fãs que, não importa qual seja a sinopse, eu sempre vou ser uma das primeiras da fila para ler “o novo livro do Levithan” porque é inacreditável como esse homem consegue sempre fazer os melhores livros. Eis que surge Naomi & Ely e a Lista do Não-Beijo com essa capa que ninguém pode colocar defeito e ainda com a coautoria de Rachel Cohn, com quem também escreveu Nick e Norah, um dos melhores livros que li em 2015. Não tinha como dar errado, não é mesmo? Apesar de não ter sido tudo aquilo que eu esperava (ah, a expectativa, como ela é má!), é um daqueles livros que a gente lê em somente uma tarde e foi uma delícia de leitura.

Não existe alma gêmea… e quem gostaria que existisse? Não quero ser metade de uma alma compartilhada, quero a porra da minha própria alma.
Sempre gostei de uma característica que vejo em praticamente todos os livros do Levithan: a forma crua como ele compõe seus personagens. Sempre tenho a sensação de que aquela pessoa de quem ele está falando poderia ser meu amigo na vida real. Pensem na minha decepção quando logo de cara encontro personagens com características clichês do Young adult e com atitudes extremamente previsíveis, egoístas e maldosas. Pois é. As primeiras páginas de Naomi & Ely não conquistaram. Parecia que eu estava lendo mais um livro do gênero, sem qualquer outra qualidade que o diferenciasse dos demais, pois não havia nenhuma originalidade envolvida. Mas, como estamos falando da mistura mágica de David Levithan e Rachel Cohn, é claro que eu não iria abandonar o livro assim. Insisti e... não é que deu certo?

Ao longo do enredo, percebemos que a amizade ganha o papel de protagonista. Ou seja, por mais que tenhamos as duas figuras que conduzem o enredo, a mensagem do livro é muito mais profunda do que aquilo que está sendo mostrado ao decorrer das páginas. Uma vez que você consegue ter essa percepção, as camadas da história vão sendo descobertas, tiradas uma a uma e esse é o grande diferencial do livro, sem contar que ele está recheado de situações engraçadas e de temas que precisam ser cada vez mais abordados, como a homossexualidade. A narrativa extremamente fluida dos autores colabora para que isso aconteça, uma vez que é sempre em primeira pessoa, mas por diversos pontos de vista, o que faz com que tenhamos uma composição muito mais rica do enredo e isso faz com que o leitor tenha uma compreensão muito mais abrangente da situação em que Naomi e Ely estão envolvidos.

Esses dois personagens acabaram me encantando também. Por mais que Naomi seja aparentemente a pior pessoa do mundo – e ela caracteriza a si mesma como uma vaca –, nos damos conta de que ela tem muito mais potencial do que demonstra e, Ely não é fútil e com sentimentos rasos, mas sim um garoto capaz de amar profundamente aqueles com quem se importa. A forma como os dois evoluíram ao longo da história me conquistou, até porque em diversas situações eu senti que poderia me colocar facilmente no lugar deles. Aquela sensação de “isso poderia estar acontecendo comigo” faz com que a empatia entre o leitor e o personagem seja enorme e chegamos ao fim com a certeza de que nos tornamos amigos daqueles que nos acompanharam pelas páginas numeradas.

Não. Não, não, não, não. Não é fácil. As coisas que realmente importam não são fáceis. Os sentimentos de alegria são fáceis. A felicidade, não. Flertar é fácil. Amar, não. Dizer que você é amigo de alguém é fácil. Ser um amigo de verdade, não.
Naomi & Ely e a Lisa do Não-Beijo não é uma das grandes obras de David Levithan, mas também não deixa a desejar. É um daqueles livros que à primeira vista parecem clichês e previsíveis, mas que, no final das contas, nos traz uma grande mensagem. Com uma linguagem voltada para o público jovem adulto, é uma excelente leitura caso você esteja querendo algo mais leve, para entreter uma tarde de tédio. Mas, vai por mim: se você é fã de Todo Dia e de outras grandes obras dos autores, a melhor dica é ir com pouca expectativa. Tenho certeza que isso fará com que sua leitura seja muito mais proveitosa.


Excelente notícia: o livro vai ser adaptado para os cinemas! O trailer você confere abaixo, mas vão com CUIDADO! Ele mostra praticamente toda a história do livro (o que mostra que vai ser uma excelente adaptação), então se você não quiser spoilers, é melhor que não veja.

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