10/08/2015

Resenha: No Início Não Havia Bob, de Meg Rosoff

Título: No Início Não Havia Bob
Autora: Meg Rosoff
Editora: Galera Record
Páginas: 240
E se Deus fosse um adolescente? Após ganhar a Terra num jogo de pôquer, a deusa Mona resolve delegar a seu filho, um insolente e mimado adolescente, o novo planeta. Bob, preguiçoso demais para gastar muito tempo com isso, cria tudo em seis dias e a partir daí joga todo o trabalho para cima de seu assistente, o frustrado Sr. B. Quando os problemas começam a aparecer, sobra para ele limpar a bagunça. E o fato de Bob ter criado os humanos à sua imagem e semelhança também não ajuda. Como um planeta cheio de criaturas tão gananciosas e intolerantes pode sobreviver? Como não bastasse, Deus está obcecado por uma garota mortal: Lucy, assistente em um zoológico. E a cada encontro a Terra é afetada pelos sentimentos de seu criador. Dominado por desejos intensos, Bob começa a causar verdadeiras catástrofes em seu planeta. Desesperado, conseguirá o Sr. B. salvar a Terra de seu próprio Deus?



Vamos aos fatos: a premissa de No Início Não Havia Bob é extremamente interessante. Afinal, o que aconteceria se Deus fosse adolescente? Eu sempre me interesso por livros que têm a ousadia de serem originais porque já leio muito do mesmo, principalmente dentro do gênero Young Adult. Só que, às vezes, a originalidade pode dar muito errado. E foi exatamente isso que aconteceu nesse livro em particular: com uma história muito confusa e carregada de informações, a autora Meg Rosoff entregou uma trama nada convincente e que, infelizmente, em nenhum momento conseguiu me envolver. Uma pena.

Talvez a forma de proceder seja pensar na vida na Terra como uma piada colossal, uma criação de uma estupidez tão imensa que a única forma de viver é rir até achar que nosso coração vai se partir.
É sempre ruim quando um livro com grande potencial para ser explorado acaba sendo mais um entre tantos outros. É assim que eu me sinto com relação a No Início Não Havia Bob. É sempre corajoso quando um autor envolve termos religiosos em ficção, até porque muitos leitores têm opiniões pré-concebidas e não aceitam bem essa inserção em livros do gênero. Por causa disso e pela sinopse muito cativante, é lógico que eu daria uma chance para ele. Só que foi um potencial totalmente desperdiçado, uma vez que encontrei tudo aquilo que não esperava e que, convenhamos, não queria encontrar.

A primeira decepção veio na narrativa: a autora não conseguiu fazer com que ela me prendesse de jeito nenhum. Por ser em terceira pessoa e contada de vários ângulos diferentes da história, temos uma história toda picotada, como se a todo momento aquilo que está se desenvolvendo em um capítulo fosse interrompido para contar outra coisa totalmente diferente e isso atrapalha e muito na fluidez da história. Me vi irritada várias vezes com essas interrupções e também não foram poucas as ocasiões em que me vi forçando a leitura com a esperança de que algo de surpreendente e que me envolvesse acontecesse e, por mais que eu tenha esperado, nada disso aconteceu. Sem contar que a história é inconsistente: em um momento estamos caminhando para um objetivo, mas, ao longo da trama, esse objetivo muda completamente e faz com que a história perca seu rumo. Uma grande decepção.

Outra coisa que me desagradou bastante foi a falta de aprofundamento nos personagens. A todo momento eles eram inseridos no enredo, mas sem nenhuma explicação sobre como eles surgiram ou qual a ligação deles com a história. Fiquei bastante perdida e não consegui criar uma relação mais forte com nenhum deles, pois pareceu que eles foram apenas jogados no enredo para ocupar espaços vazios. Se não bastasse isso, a autora ainda utiliza muitos clichês para elaborá-los, ou seja, nenhum é marcante e você provavelmente vai esquecer o nome deles no dia seguinte a leitura. É difícil de acreditar que tantos erros tenham sido cometidos em um único livro.

Os prazeres da vida eram tão simples, na verdade. Era só uma questão de apreciar o que tinha - e saber que as coisas sempre poderiam ser piores.
Por fim, por mais que eu ainda tivesse esperanças, a autora fez o pior desfecho possível, ou seja, nem isso salvou o livro de cair nas minhas piores leituras do ano. Minhas expectativas com No Início Não Havia Bob eram as melhores possíveis, mas a autora Meg Rosoff desperdiçou o grande potencial que o livro tinha e criou uma história confusa, nada envolvente e com uma narrativa que deixa qualquer leitor cansado já nas primeiras páginas. A capa (que eu achei linda!) e a sinopse dessa vez enganaram. Mas não temos como fugir disso, não é? Infelizmente. 

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